Cabaz alimentar atinge recorde de 257,95 euros

O cabaz essencial de 63
produtos, monitorizado pela Deco PROteste, atingiu esta semana
um novo recorde de 257,95 euros, mais 2,95 euros face à semana
passada.
"O cabaz alimentar monitorizado
pela
DECO PROteste custa esta semana 257,95 euros, o que
representa um aumento nunca antes visto de 2,95 euros face à
semana anterior", anunciou, em comunicado.
Este é o valor mais alto desde 2022, quando a associação começou
a fazer esta análise.
A cesta alimentar inclui carne, congelados, frutas e legumes,
laticínios, mercearia e peixe.
Entre outros, são considerados produtos como peru, frango,
carapau, pescada, cebola, batata, cenoura, banana, maçã,
laranja, arroz, esparguete, açúcar, fiambre, leite, queijo e
manteiga.
Há um ano, comprar os mesmos produtos custava menos 19,79 euros.
Por sua vez, no início de 2022, os consumidores gastavam menos
70,25 euros.
Entre 1 e 8 de abril, destacam-se produtos como a massa
esparguete, que aumentou 24% para 1,18 euros, a massa espiral,
que encareceu 18% para 1,37 euros e o atum posta em óleo
vegetal, que ficou mais caro 16% para 1,65 euros.
Já em comparação com o mesmo período do ano passado, a maior
subida verificou-se no carapau (55%), seguido pela couve-coração
(49%) e pelos brócolos (42%).(08.04.26/Fonte:
Jornal de Notícias)
Produção Industrial desce 4,4% em fevereiro devido ao mau tempo
O Instituto Nacional de
Estatística (INE) precisa que, excluindo o agrupamento de
Energia, esta variação foi de -7,6% em fevereiro, contra -1,5%
no mês anterior.
O Índice de Produção Industrial
desceu 4,4% em fevereiro face ao mesmo mês de 2025, contra um
aumento de 0,4% em janeiro, devido aos impactos das condições
climatéricas severas que atingiram algumas regiões do país, foi
anunciado.
O Instituto Nacional de Estatística (INE) precisa que, excluindo
o agrupamento de Energia, esta variação foi de -7,6% em
fevereiro, contra -1,5% no mês anterior.
A secção das Indústrias Transformadoras contraiu 8,6%, que
compara com um recuo de 2,7% em janeiro.
Em cadeia, a variação mensal do índice agregado foi -0,2% em
fevereiro, contra um aumento de 4,1% no mês anterior.(31.03.26/Fonte:
Diário de Notícias)
Espanhola Vicky Foods adquire Panrico e amplia produção em
Portugal
Por confirmar está o valor da
operação, que inclui fábrica de Gulpilhares, espaço com mais de
50 mil m², três linhas de produção de pão de forma e uma
capacidade anual de 21 mil toneladas
A Vicky Foods firmou um acordo
com a Adam Foods para adquirir a marca de panificação Panrico,
incluindo os principais ativos industriais, entre os quais a
fábrica de Gulpilhares, em Portugal.
A instalação ocupa mais de 50 mil m², possui três linhas de
produção de pão de forma e uma capacidade anual de 21 mil
toneladas.
A operação, cujo valor é ainda desconhecido, abrange os mercados
português e espanhol e reforça a posição da Vicky Foods na
categoria de pão, que desde 2022 é a sua principal linha de
negócio em volume de vendas.
No último exercício, a Panrico faturou mais de 23,8 milhões de
euros nos dois mercados.
A aquisição aumenta a capacidade produtiva do grupo
especialmente no segmento de pão de forma, onde a Panrico detém
elevado reconhecimento junto dos consumidores, e consolida a
posição da Vicky Foods, grupo multimarca de panificação e
pastelaria industrial, nessa categoria histórica do grupo.
No plano estratégico, a integração da fábrica de Gulpilhares
enquadra‑se na expansão internacional da Vicky Foods e fortalece
a sua estrutura industrial na Península Ibérica, ampliando o
potencial de desenvolvimento em mercados europeus prioritários.
Rafael Juan, CEO da Vicky Foods, declara, em comunicado, que “a
incorporação da Panrico vem reforçar a nossa identidade como
companhia de origem panificadora. Apostamos no crescimento da
categoria de pão, no fortalecimento das nossas marcas e em
continuar a avançar a nossa expansão internacional com uma visão
industrial sólida e a longo prazo”.
José Manuel Faria, diretor geral da divisão de bolachas da Adam
Foods, afirma que “esta operação responde à vontade de encontrar
um parceiro que garanta a continuidade da atividade industrial e
do emprego a longo prazo da Panrico, e enquadra‑se na estratégia
de expansão internacional do grupo focada na categoria de
bolachas”.
Fundada nos anos 50 como panificadora local, a Vicky Foods é
hoje um grupo internacional presente em mais de 50 países. Em
2024 registou uma faturação recorde de 707 milhões de euros e
opera centros de produção em Espanha, França, Argélia e, agora
reforçada, em Portugal.(17.03.26/Fonte:
Diário de Notícias)
Insolvências de empresas disparam 39% em fevereiro
O mês ficou marcado pelas
tempestades, que arrasaram um sem número de famílias e empresas
na zona centro. No mundo empresarial, as insolvências aumentaram
39% e as criações caíram 27%.
Foram 375 as empresas que
declararam insolvência em fevereiro e as constituições
diminuíram 26%. O mês ficou marcado pelas tempestades que
assolaram a zona centro, sobretudo a zona de Leiria.
Em causa está um acréscimo de 39% (mais 106) face ao mesmo mês
do ano passado, de acordo com os dados da Iberinform. O número
acumulado de processos deste âmbito em janeiro e fevereiro
aumentaram 38% (mais 220) face a igual período de 2025, para um
total de 805 casos.
A subida está ligada sobretudo ao crescimento de 85% nas
declarações de insolvência requeridas por terceiros. Foram 168
solicitações, mais 77 do que em fevereiro do último ano. As
declarações apresentadas pelas próprias empresas cresceram 15%.
Os maiores crescimentos absolutos aconteceram no Porto e em
Lisboa, na ordem de 202 e 177, respetivamente. Os números
correspondem a decréscimos de 51% e 23%, pela mesma ordem.
Por setores de atividade, os maiores aumentos no número de
insolvências foram registados nas Telecomunicações (subida de
200%); Hotelaria e Restauração (105%); Construção e Obras
Públicas (66%) e Transportes (55%). O setor transformador fugiu
à regra, ao tombar 50%.
Constituições recuam
O número de empresas constituídas em fevereiro caiu 27% em
fevereiro. Em causa está um total de 3.881 novos registos, após
os 5.284 que marcaram o mesmo mês de 2025.
Destas, 2.826 tiveram lugar em Lisboa e 1.620 no Porto. Em causa
estão reduções de 12% e 9%, respetivamente. Por setores, os
maiores cortes aconteceram na Agricultura, Caça e Pesca (-43%),
Telecomunicações (-29%), Comércio a Retalho (-29%) e Transportes
(-25%). O único incremento diz respeito ao setor da
Eletricidade, Gás, Água, em que as constituições avançaram 41%,
em termos homólogos.
Desde o início de 2026, tiveram lugar 9.353 constituições, menos
13% do que no período homólogo.(12.03.26/Fonte:
Diário de Notícias)
Crédito à habitação regista em janeiro maior crescimento desde
fevereiro de 2006
O Banco de Portugal destaca o
‘stock’ de empréstimos para habitação, que aumentou 803 milhões
de euros face a dezembro, totalizando 111,7 mil milhões de euros
no final de janeiro.
Os empréstimos para habitação cresceram 10,4% em janeiro, em
termos anuais, a maior taxa de crescimento anual desde fevereiro
de 2006, segundo dados divulgados hoje pelo Banco de Portugal
(BdP).
O montante total de empréstimos concedidos a particulares
cresceu 9,8% no primeiro mês do ano, face ao período homólogo,
naquela que foi a maior taxa de crescimento desde fevereiro de
2008.
O banco central destaca o ‘stock’ de empréstimos para habitação,
que aumentou 803 milhões de euros face a dezembro, totalizando
111,7 mil milhões de euros no final de janeiro.
Em termos anuais, este valor representa um prolongamento da
“trajetória de aceleração observada desde janeiro de 2024”, ao
crescer 10,4%.
Já o montante de empréstimos ao consumo e outros fins subiu 49
milhões de euros em relação a dezembro, para 33,8 mil milhões de
euros, uma subida de 7,9%, “estabilizando em 7,3% nos
empréstimos para consumo e subindo para 8,9% nos empréstimos
para outros fins”.
O BdP tem também dados relativos às empresas, que mostram que os
empréstimos a empresas cresceram 3,7% em termos anuais, em
janeiro.(26.02.26/Fonte:
Jornal
Económico)
Remuneração média atinge 1.694 euros e fica acima dos objetivos
acordados
No entanto, a produtividade
por hora de trabalho em Portugal situa-se ainda 28% abaixo da
média da União Europeia, enquanto os salários 35% abaixo do
mesmo referencial.
A remuneração bruta total mensal
média por trabalhador registou um crescimento de 5,6%, atingindo
os 1.694 euros em 2025. O valor representa um acréscimo de 39
euros mensais e de 0,9 pontos percentuais face às metas
estabelecidas no “Acordo Tripartido sobre Valorização Salarial e
Crescimento Económico 2025-2028”.
O Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social
enviou a nota às redações este domingo. Ainda assim, a
produtividade por hora de trabalho em Portugal situa-se 28%
abaixo da média da União Europeia (UE), enquanto os salários
permanecem 35% abaixo do mesmo referencial.
“Para o salário médio continuar a ser revisto em alta, de forma
sustentável, Portugal deve transitar de um modelo exclusivamente
focado em incentivos fiscais para um modelo que concilie
incentivos fiscais com ganhos reais de produtividade”, destaca
Maria do Rosário Palma Ramalho, Ministra do Trabalho,
Solidariedade e Segurança Social, citada em comunicado.
Sobre o aumento acima das metas do acordo, a governante sublinha
que “estes resultados refletem uma mudança de paradigma na
economia portuguesa, sustentada em três eixos fundamentais". O
primeiro eixo é o próprio Acordo Tripartido sobre Valorização
Salarial e Crescimento Económico 2025-2028”.
O documento foi assinado a 1 de outubro de 2024 pelo Governo e
pelos Parceiros Sociais. O ministério destaca que a assinatura
marca uma mudança, “após um longo período de compressão
acelerada da grelha salarial, entre 2015 e 2023”, sendo que o
rácio entre o salário médio e o salário mínimo dá agora os
primeiros sinais de estabilização. Outro fator apontado é a
“valorização salarial negociada para diversos grupos
profissionais”.
O segundo eixo prende-se com o facto de o crescimento salarial
ter sido liderado pelo setor privado de bens e serviços
transacionáveis, com uma subida de 6,3%. “Este diferencial
demonstra que o tecido empresarial, em particular os setores
exportadores da economia portuguesa, está a mobilizar os
instrumentos criados pelo Executivo”, sublinha o ministério.
Entre as iniciativas destacam-se a isenção de IRS e de TSU sobre
prémios de produtividade, até ao limite de 6% da remuneração
base anual, bem como a majoração do benefício fiscal em sede de
IRC para aumentos salariais iguais ou superiores a 4,6%. Esta
majoração é aplicada de forma transversal e sem o anterior
espartilho do leque salarial.
Por fim, o gabinete de Maria do Rosário Palma Ramalho explica
que “a política de rendimentos permitiu que o aumento nominal se
traduzisse num ganho real de poder de compra de 3,2% para as
famílias”. O dado consolida a trajetória iniciada em 2024, ano
em que Portugal registou o maior aumento real de rendimentos no
contexto da OCDE (“OECD Employment Outlook 2024”).(22.02.26/Fonte:
Diário de Notícias)
Protecção Civil alerta para risco de derrocadas. Há 26 mil
clientes da E-Redes sem energia
Cerca de 26 mil clientes da
E-Redes continuam sem electricidade. Rios regressam gradualmente
aos níveis normais, mas Protecção Civil alerta para risco de
cheias, deslizamentos e derrocadas.
O comandante nacional da
Protecção Civil, Mário Silvestre, alertou este domingo a
população para os riscos persistentes de cheias, deslizamentos
de terra e colapso de estruturas, com especial incidência em
rodovias e na orla costeira. Pelas 12h30, cerca de 26 mil
clientes da E-Redes estavam sem energia eléctrica em Portugal,
16 mil nas zonas mais afectadas pela depressão Kristin.
No rio Mondego os diques que estavam sob vigilância continuam a
ser regulados, afirmou Mário Silvestre numa conferência de
imprensa realizada este domingo na sede da Protecção Civil, em
Carnaxide. “O trabalho está a ser feito e monitorizado em
estreita articulação com a Agência Portuguesa do Ambiente para
tentar garantir que na zona de Montemor-o-Velho não haverá mais
impacto provocado pelas cheias.”
A diminuição das descargas das barragens espanholas levou a uma
descida “bastante significativa” dos níveis do rio Tejo. Embora
as cheias devam manter-se nas zonas ribeirinhas, o comandante
adiantou que não é expectável o surgimento de novas áreas
inundadas. O plano de cheias do rio Tejo mantém-se no nível
vermelho. Situação semelhante foi reportada para os rios Sorraia
e Sado, com todos os rios a voltarem progressivamente aos seus
leitos normais.
Nos rios Minho, Coura, Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Sousa,
Vouga, Águeda, Lis, Nabão e Guadiana, a situação está estável,
sem previsão de alagamentos graves, mas a monitorização continua
a ser essencial. “Manteremos todas as equipas empenhadas nos
trabalhos de recuperação e escoamento que continuam a ser
necessários um pouco por todo o país”, declarou Mário Silvestre.
Actualmente, estão activos 12 planos distritais e 123 planos
municipais, além de 15 declarações de situação de alerta. Até ao
momento, a Protecção Civil registou 18.947 ocorrências,
envolvendo 64.301 operacionais e 26.339 meios. A tipologia mais
frequente de incidentes continua a ser queda de árvores e
inundações, com um destaque recente para movimentos de massas e
derrocadas.
A Protecção Civil reforçou as recomendações à população,
nomeadamente evitar atravessar estradas inundadas e alertar as
autoridades para fissuras recentes no solo, quedas de árvores ou
deslizamentos pontuais, que podem ser indicadores de movimentos
de terra mais complexos e capazes de comprometer habitações e
vias rodoviárias. O comandante reforçou que nunca se deve tocar
em cabos eléctricos caídos, pois podem estar sob tensão e
representar um sério risco de electrocussão.(15.02.26/Fonte:
Público)
Seguro defende legislatura até 2029, mas vai fiscalizar Governo
e com um estilo diferente de Marcelo
Vincando a estabilidade e
cooperação, socialista afirma que supervisionará se os 2,5 mil
milhões de euros chegam às populações afetadas pelas
intempéries. Não fala de uma bolha de oxigénio para o PS.
António José Seguro discursou
durante 20 minutos. Como notas principais, prometeu um estilo
diferente de Presidente da República e garantiu, tal como Luís
Montenegro pedira, estabilidade política. "Sublinho o trabalho
de Marcelo em prol do nosso país, tal como o de todos os outros
Presidentes, mas servirei Portugal com o mesmo dever e com o meu
próprio estilo. Sou livre, vivo sem amarras. Afirmei-o em junho
na apresentação, repeti-o largos meses. Assim agirei. A minha
liberdade é a garantia da minha independência. A minha lealdade
à Constituição, reafirmo a independência tratando da mesma forma
todos os partidos políticos e todos os parceiros sociais",
começou por dizer, prometendo que o "adversário" deixou de o ser
e que agora tentará "com todos um compromisso para uma
legislatura duradoura.
Foi nesse ponto que precisou a importância da estabilidade.
"Prometi lealdade e cooperação com o Governo e cumprirei a minha
palavra. Vou ser exigente com soluções e resultados, não serei
oposição. A estabilidade que defendo é para garantir
governabilidade e mudanças, não para manter tudo na mesma.
Terminado um ciclo de nove meses com quatro eleições, existem
três anos sem eleições. É uma oportunidade única para resolver
os problemas que enfrentamos: no acesso à habitação, ao emprego
para os jovens, na Saúde, Justiça e melhores condições para os
portugueses. É preciso planear eficácia do Estado para a reação
às tempestades. Serei o impulsionador dessa mudança, no
compromisso rumo às soluções", destacou. Quando instigado a
comentar a continuidade da legislatura até 2029, asseverou: "Não
será por mim que será interrompida."
Subiu ao palanque e e surpreendeu todos: a festa de Seguro nas
Caldas da Rainha.
Subiu ao palanque e e surpreendeu todos: a festa de Seguro nas
Caldas da Rainha.Gerardo Santos
Apesar de vincar a cooperação, Seguro deixa avisos ao Governo. E
a situação de calamidade que Portugal viveu terá supervisão a
partir de 9 de março. "A solidariedade dos portugueses foi
heroica, mas não chega. Não aceitarei a demora dos apoios, os
2,5 mil milhões têm de chegar já. Não esquecerei, não os
abandonarei. Esses apoios têm de chegar já. A resposta à dor não
é o grito, é o trabalho. Precisamos de um país preparado, não de
um país ao improviso face aos fenómenos atmosféricos que serão
mais frequentes", alarmou, prosseguindo: "Junto do Governo e
partidos vou procurar compromissos para políticas públicas
duradouras. Que se concentrem em encontrar soluções. A política
tem de servir para resolver os problemas das pessoas ou então
não serve para nada. E vou ser exigente."
Prometendo respeitar as funções de Marcelo Rebelo de Sousa até à
tomada de posse, Seguro acrescenta que "dentro do quadro de
transição, tudo o que puder ajudar no sentido de os apoios
chegarem rapidamente" assim fará. Quanto ao futuro, anunciou que
a primeira reunião do Conselho de Estado será "de Defesa e
Segurança, o que inclui criminalidade e de pessoas e bens." "O
Estado tem de responder mais rapidamente a catástrofes e
prevenir as consequências. Todos podemos minorar esta situação.
O Estado não pode aligeirar as suas responsabilidades", voltou a
alertar.
Aclamado pelo povo, Seguro teve um auditório a abarrotar na
eleição a 9 de fevereiro de 2026.
Aclamado pelo povo, Seguro teve um auditório a abarrotar na
eleição a 9 de fevereiro de 2026.Gerardo Santos
Naturalmente, não deu grande impacto a uma pergunta que o
desafiava a declarar se só faria um mandato na Presidência,
repetiu querer "elevar a fasquia do debate público" e reconheceu
que pediu confiança, mas que "não esperava atingir uma vitória
desta grandeza."
Foi desafiado a pronunciar-se sobre Margarida, a esposa. "Espero
não a perder durante o mandato [risos]. Respeitarei as suas
decisões. Sei que contarei com a Margarida sempre que as
exigências do Estado assim a exigir. Agora, é empresária e tem
vida própria e eu respeito-o", declarou, desvalorizando que
tenha, a sua esposa, de ter função de primeira-dama. A seguir, a
plateia reagiu e começou a entoar o nome de Margarida.
Foi questionado sobre a política de Defesa, vincando ser
"europeísta convicto", garantindo que tudo fará que Portugal se
possa "integrar na autonomia estratégica europeia."
Quanto à possível galvanização que o PS possa ter com a vitória,
Seguro desvalorizou. "A vida do PS é com o líder do PS. Tenho
orgulho no passado e nas raízes, nunca o escondi. Mas não tenho
atividade partidária há 11 anos. Quanto à entrega do cartão de
militante, é um gesto simbólico que outros fizeram. Penso que
mesmo quando tinha atividade partidária assumi essa
independência, é isso que eu farei. Estou acima dos partidos",
concretizou.(09.02.26/Fonte:
Diário de Notícias)
Produção de vinho recuou em 2025
Vinicultores atribuem queda
às condições meteorológicas adversas.
Os vinicultores confirmam a estimativa do Instituto Nacional de
Estatística (INE), que aponta para uma descida da produção em
2025, que justificam com condições meteorológicas adversas, que
obrigaram a muitos tratamentos fitossanitários, encarando agora
2026 com alguma prudência. "Os valores oficiais apontam para uma
queda de 14% em relação à vindima de 2024 e de 16% em relação à
média dos últimos cinco anos", indicou a diretora executiva da
ACIBEV --
Associação de Vinhos e Espirituosas de Portugal, Ana Isabel
Alves, em resposta à Lusa.
Conforme explicou, 2025 foi um
ano agrícola "muito exigente", que obrigou a vários tratamentos
fitossanitários, registando-se quebras de produção.(28.01.26/Fonte:
Correio da
Manhã)
Turistas deixam 28 mil milhões de euros em Portugal
Portugal em 5º lugar no
ranking das maiores receitas geradas na União Europeia.
Portugal foi em 2024 o quinto
país da União Europeia com maiores receitas geradas por turistas
estrangeiros, no valor de 28 mil milhões de euros, surgindo
Espanha na liderança com 98 mil milhões, seguida por França,
Itália e Alemanha.
Ao relacionar as receitas externas do turismo com o Produto
Interno Bruto (PIB), Portugal sobe para quarto lugar entre os
países da União Europeia (UE) em que o turismo internacional tem
maior peso na economia, apenas superado pela Croácia, Malta e
Chipre, de acordo com uma análise do Banco de Portugal divulgada
ontem.
Por outro lado, conclui que Portugal foi o país da UE que, entre
2010 e 2024, registou o maior aumento das exportações de turismo
(receitas da rubrica de viagens e turismo geradas por turistas
não residentes) em percentagem do PIB, de cinco pontos
percentuais.(20.01.26/Fonte:
Correio da
Manhã)
Seguro vence presidenciais e luta com Ventura por Belém na
segunda volta
Socialista foi o mais votado
na primeira volta das eleições presidenciais e é o favorito para
suceder a Marcelo.
As eleições presidenciais mais
concorridas dos 50 anos deste regime constitucional mereceram
grande afluência de eleitores às urnas. António José Seguro e
André Ventura foram os vencedores e lutarão no duelo final em
fevereiro.
Pela segunda vez na história, há
segunda volta. Em 1986, Mário Soares bateu por uma unha negra
Freitas do Amaral. Agora, neste duelo o candidato socialista é
favorito e conta a seu favor com o elevado nível de rejeição de
Ventura. Mas, em eleições, o que conta são os votos.
Seguro ganhou a maioria do voto
socialista e conseguiu muito voto útil à esquerda. O candidato
que avançou, apesar dos obstáculos dos barões do seu partido, é
vencedor por mérito próprio. André Ventura também é um grande
vencedor, consolida o voto do eleitorado do Chega e
provavelmente na segunda volta vai ganhar dimensão, tornando-se
o líder partidário mais forte.
Cotrim de Figueiredo foi uma
surpresa, não conseguiu a segunda volta, mas mostrou que o campo
político liberal aumentou significativamente.
Gouveia e Melo passou de vencedor
antecipado há alguns meses para um resultado modesto. Na
campanha mostrou que lhe faltam habilidades políticas. Mas o
maior derrotado da noite foi Marques Mendes. Outro forte
candidato que depois de um debate televisivo desastroso com
Gouveia e Melo e a colagem na campanha ao Governo sofreu uma
humilhação eleitoral. Mas a maior fatia de culpa da derrota de
Mendes é de Luís Montenegro. Apesar de a direita já ser
largamente maioritária em Portugal, o principal favorito para
suceder a Marcelo vem do centro-esquerda.
(19.01.26/Fonte:
Correio da
Manhã)
Portugueses mais doentes e com mais dificuldade em comprar
medicamentos em 2025
Mais doença nos mais jovens e
barreiras de acesso ao SNS continuam elevadas.
Os episódios de doença aumentaram
nos mais jovens, segundo um relatório hoje divulgado que mostra
que há mais portugueses doentes e as barreiras de acesso aos
cuidados de saúde continuam elevadas.
Os dados do inquérito de acesso aos cuidados de saúde da Nova
School of Business and Economics indicam que, em 2025, 45,5% dos
inquiridos disseram ter tido pelo menos um episódio de doença,
um aumento de 3,2 pontos percentuais face a 2023 e um valor que
se aproxima do máximo registado em 2015 (46,3%).
Elaborado pelos investigadores Pedro Pita Barros e Carolina
Santos, o trabalho, que desde 2013 já inquiriu 11.122 pessoas,
refere que a proporção de pessoas que reporta ter-se sentido
doente tem vindo a aumentar desde os anos mais intensos da
pandemia da covid-19 (2020 e 2021).
“Houve mais pessoas a declarar terem sentido pelo menos um
episódio de doença e houve um agravamento na faixa etária mais
jovem, que nós definimos entre os 15 e os 29 anos, mas com os
dados do inquérito não conseguimos identificar as causas desse
aumento”, explicou à Lusa a investigadora Carolina Santos.
A par deste aumento, segundo os dados recolhidos, houve uma
redução entre 2019 e 2025 da probabilidade da população ter
médico de família atribuído (de 91% para 79%), assim como das
primeiras consultas realizadas dentro do tempo adequado,
mostrando elevadas barreiras de acesso aos cuidados de saúde.
“Como muitas das populações mais desfavorecidas, tipicamente, de
acordo com a nossa análise, vivem em regiões com mais falta de
médico de família, acabam por ser penalizadas também nessa
dimensão”, explicou.
Os dados mostram ainda que, os mais desfavorecidos, além de
terem episódios de doença com mais frequência, enfrentam também
maiores barreiras financeiras e não financeiras no acesso aos
cuidados de saúde, que o sistema não está a conseguir
contrariar.
“A ocorrência de episódios de doença com mais frequência nas
classes mais desfavorecidas já mostra uma dimensão de
desigualdade e o SNS e o sistema de saúde como um todo não
estão, no fundo, a conseguir contrariar essa desigualdade na
ocorrência de episódios de doença”, disse Carolina Santos.
Apesar de reconhecerem que algumas medidas entretanto tomadas –
como o projeto ‘Ligue antes, salve vidas’, em que a chamada para
a Linha SNS24 evita idas às urgências, ou até o fim da maior
parte das taxas moderadoras –, os investigadores frisam que o
preço dos medicamentos continua a ser uma barreira financeira no
acesso.
“Isto agravou-se”, reconhece a investigadora, sublinhando que
“se em 2023 a probabilidade de uma pessoa do escalão económico
mais desfavorecido não adquirir toda a medicação necessária era
de 41%, em 2025 este valor passou para 52%”.
Tendo em conta que as despesas com medicamentos continuam a ser
a maior fatia da despesa associada à procura de cuidados de
saúde (cuidados primários ou urgências), “há aqui uma barreira
de acesso à população com mais vulnerabilidades”, acrescentou.
A este nível, sugerem que se estude a viabilidade de alargar os
regimes especiais de comparticipação a pessoas em situação de
vulnerabilidade económica, que, não sendo idosas, não são
elegíveis para a comparticipação a 100% de medicamentos sujeitos
a receita médica prescritos a beneficiários do Complemento
Solidário para Idosos.
Ao mesmo tempo, aumentaram aqueles que, mesmo estando doentes,
não procuraram cuidados de saúde, com a percentagem a passar de
11,26% (2023) para 14,26% (2025).
Segundo os dados recolhidos, no topo dos motivos para não
procurar o sistema de saúde está a ideia de que o caso não era
grave, mas uma percentagem significativa dos inquiridos reporta
que não queria esperar por ser atendido.
Em 2025, voltou a aumentar a percentagem de pessoas que, tendo
optado por não procurar auxílio no sistema de saúde, decidiram
automedicar-se. Ainda assim, a proporção (76,4%) ficou abaixo do
máximo registado na pré-pandemia (77,1% em 2019).
(13.01.26/Fonte:
M80/Lusa)
Em 2026 salário mínimo e pensões aumentam, IRS reduz
Numa publicação partilhada
nas redes sociais, o Governo explica as principais alterações
que entraram em vigor no início deste ano, referentes a salário
mínimo, IRS e pensões, entre outras.
O novo ano de 2026 surgiu com
várias mudanças ao nível dos
salários, do
IRS e das pensões. Numa publicação partilhada nas redes sociais,
o Governo resume – e também explica – as principais alterações:
Aumento do salário mínimo: O
salário mínimo nacional aumenta 50 euros, passando para 920
euros;
Menos IRS: Redução de 0,3% nas
taxas do 2.º ao 5.º escalão e atualização dos escalões em 3,5%,
acima da inflação. O salário mínimo mantém-se isento;
Aumento das pensões mais baixas:
as pensões de
valor mais baixo aumentam 2,8% este ano (2026).
Refira-se que o salário mínimo
nacional subiu de 870 euros para 920 euros, em linha com o
estabelecido no acordo tripartido assinado em sede de
concertação social no mês de outubro de 2024.
Em 2026 o IRS baixa, salário
mínimo e pensões sobem. Recordemos os percentuais.
De acordo com a publicação do
Governo, veiculada nas redes sociais, se, por um lado, o novo
ano (2026) vai trazer mais um alívio do IRS, o salário mínimo e
as pensões vão aumentar. Ou seja, a atualização do que
vulgarmente se designa de salário mínimo nacional – retribuição
mínima mensal garantida – foi publicada na segunda-feira em
Diário da República e representa um aumento de 5,74% face aos
870 euros fixados em 2025, fixando-se em 920 euros.
Assinado em outubro de 2024, o
acordo entre o Governo, as quatro confederações empresariais e a
União Geral de Trabalhadores (UGT),
reviu em alta a trajetória do
salário
mínimo nacional, prevendo aumentos de 50 euros anuais de
modo a que em 2028 atinja os 1.020 euros.
Salário mínimo de 1.100 euros em
2029 – objetivo
Não obstante, na sequência das
eleições Legislativas 2025 de 18 de maio, no programa de
Governo, o Executivo estabeleceu uma nova meta para abarcar toda
a legislatura, apontando como objetivo que a retribuição mínima
garantida atinja os 1.100 euros brutos por mês em 2029.
Após uma reunião de concertação
social, a UGT em 23 de setembro, defendeu um reforço do acordo
atualmente em vigor, reivindicando que o salário mínimo nacional
subisse este ano para 950 euros mensais.
Por sua vez, a Confederação Geral
dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP-IN)
defendeu para 2026 um aumento do salário mínimo para 1.050
euros.
É bom recordar também que nessa
altura, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social
afirmou que o Governo “não abre nem fecha a porta” a rever a
trajetória do salário mínimo nacional, mas aquando da entrega da
proposta de Orçamento do Estado para 2026 (OE2026) assumia que
aumentasse para 920 euros este ano, como previsto no acordo.
Saliente-se que a atualização do
salário mínimo nacional “produz impactos significativos nos
contratos públicos, com duração plurianual, em que a componente
salarial indexada à remuneração mínima mensal garantida
constituiu fator determinante na formação do preço contratual,
impactos que podem comprometer o equilíbrio económico-financeiro
do contrato, com reflexos negativos na continuidade e qualidade
dos serviços prestados, como é o caso dos contratos de aquisição
de serviços de limpeza, de serviços de segurança e vigilância
humana, de manutenção de edifícios, instalações ou equipamentos
e de serviços de refeitórios“, aponta ainda o diploma publicado.(06.01.26/Fonte:
DiariOnline
Região Sul)
Trabalha-se mais 9 meses que em 2018 para aceder à reforma,
metade dos pensionistas ganha menos de 462 euros
Valor médio da pensão de
velhice continua a ser medíocre: em 2024, foi 20% inferior ao
salário mínimo nacional (SMN), mostram dados do BdP. Pensão
média feminina é 40% mais baixa face à dos homens.
Em apenas seis anos, entre 2018 e
2024, a idade média de reforma dos novos pensionistas aumentou
quase nove meses, para 65 anos em 2024, indica o Banco de
Portugal, num estudo publicado antecipadamente esta sexta-feira,
que estarei incluído no próximo boletim económico, a divulgar na
íntegra no próximo dia 19 de dezembro.
Trabalhar muito mais tempo além da idade de acesso à pensão é
uma realidade crescente no país, até para evitar as penalizações
brutais previstas na lei para quem opte por antecipar o início
da aposentação por velhice, por exemplo.
Mas a verdade é que, mesmo esperando mais anos para tentar
evitar cortes a fundo na prestação que será atribuída até ao
final da vida, o valor médio da pensão de velhice continua a ser
medíocre em termos comparativos: por exemplo, é 20% inferior ao
valor do salário mínimo nacional (SMN), mostram dados do BdP.
Pior: metade dos pensionistas de velhice (23% da população
portuguesa, cerca de 1,25 milhões de pessoas), ganha menos de
426 euros mensais a título de pensão. Aqui, o comparativo é
ainda pior: 426 euros é metade (51%) do valor do SMN do ano
passado.
Este valor da pensão, muitas vezes chamada "de miséria", é, como
se sabe, e em muitos casos, complementado mediante outras
prestações, como é o caso do Complemento Solidário para Idosos
(CSI) e de outros apoios de origem não contributiva, que têm
sido extremamente eficazes para evitar que milhares e milhares
de idosos vivam na pobreza absoluta, em Portugal.
Segundo o estudo preparado pelas economistas do BdP Cláudia
Braz, Sharmin Sazedj e Lara Wemans, no ano passado, "a idade
média de reforma dos novos pensionistas de velhice tem vindo a
aumentar de forma consistente desde 2018, o que, em grande
medida, deverá refletir o impacto dos mecanismos de penalização
aplicáveis à reforma antecipada e o adiamento voluntário da
saída do mercado de trabalho".
Este sistema de desincentivos tem permitido um aumento no valor
da reforma, evitando cortes, que nalguns casos podiam chegar a
20% ou mais na pensão atribuída.
"Em 2024, a idade média de reforma situava-se em 65,4 anos, face
a uma idade legal de 66,3 anos. Desde 2018, a idade média de
reforma aumentou cerca de oito meses e meio, num contexto em que
a idade legal de reforma, indexada à evolução da esperança média
de vida aos 65 anos, se manteve relativamente estável", constata
a nova investigação.
No entanto, mesmo prolongando a idade média da reforma por
velhice, que subiu para os tais 65,4 anos em 2024), a pensão
média mensal situava-se muito abaixo da referência nacional que
é o salário mínimo, estava "em torno de 645 euros, perto de 80%
do salário mínimo nacional (SMN)" que, recorde-se, foi fixado em
820 euros brutos mensais, em 2024. Este ano, subiu para 870
euros.
"Observa-se uma dispersão elevada, com metade dos pensionistas a
receber menos de 462 euros", enquanto apenas 5% dos pensionistas
"recebe mais de 1685 euros (cerca de duas vezes o SMN)", diz o
estudo.
"A maioria dos pensionistas aufere valores significativamente
inferiores à média, refletindo uma distribuição assimétrica e
concentrada em níveis baixos", constatam as autoras.
Além disso, "as diferenças por género são igualmente
expressivas. As pensões atribuídas a mulheres apresentam menor
variabilidade e situam-se, em média, em níveis inferiores. Em
2024, a pensão média feminina foi de 490 euros, cerca de 40%
abaixo do valor recebido pelos homens. Este diferencial reduz-se
para 28% caso se considere, para o mesmo universo de
pensionistas, a soma das pensões de velhice e de sobrevivência".
Estatisticamente, as mulheres vivem mais anos do que os homens,
logo tendem a beneficiar mais das prestações de sobrevivência
(viuvez).
O mesmo estudo diz que "a análise por grupo etário revela
pensões em média mais baixas nas faixas etárias mais elevadas",
ou seja, quanto mais velhos são os pensionistas, mais refletem
carreiras contributivas mais pobres, marcadas pelos baixos
salários ao longo da vida.
"Em 2024, os pensionistas com menos de 65 anos apresentavam uma
pensão média em torno de 770 euros", mas quando se sobe na
escala da idade, o valor da pensão cai a pique. Esse valor
"diminui gradualmente até 537 euros entre os pensionistas com 80
ou mais anos".
"Este perfil deverá estará associado ao aumento da duração das
carreiras contributivas e dos rendimentos declarados dos novos
pensionistas", diz o BdP.
"Em termos geográficos, o valor da pensão é, em média, mais
elevado para os pensionistas residentes nos distritos de Lisboa,
Setúbal e Porto e mais baixo nos distritos do interior norte do
país, espelhando, entre outros fatores, as desigualdades
existentes ao nível dos salários."
Segundo o banco central governado por Álvaro Santos Pereira, em
Portugal, "existem atualmente cerca de 2,5 milhões pensionistas
de velhice dos regimes públicos (23% da população total), dos
quais 2 milhões pertencem ao sistema da Segurança Social e 440
mil à Caixa Geral de Aposentações (CGA), subsistema fechado a
novas inscrições que abrange funcionários públicos admitidos até
ao final de 2005".
"No âmbito da Segurança Social coexistem vários regimes, embora
a grande maioria dos pensionistas de velhice (97%) se enquadre
no regime geral contributivo", que foi o universo considerado
neste estudo da série "Políticas em análise".(12.12.25/Fonte:
Diário de Notícias)
Tudo o que está em causa nas alterações à lei laboral, que
levaram à marcação da greve geral para quinta-feira
O Governo decidiu avançar com
uma reforma "profunda" da legislação laboral, cuja proposta tem
sido contestada pelas centrais sindicais e que levou à marcação
de uma greve geral para quinta-feira, 11 de dezembro, a primeira
paralisação conjunta desde 2013.
As alterações previstas
na proposta - designada "Trabalho XXI" e que o Governo
apresentou como uma revisão “profunda” da legislação laboral por
contemplar mudanças em “mais de uma centena” de artigos do
Código de Trabalho - visam desde a área da parentalidade,
passando pelos despedimentos e até ao alargamento dos prazos dos
contratos ou dos setores que passam a estar abrangidos por
serviços mínimos em caso de greve.
Perante as críticas das
duas centrais sindicais, o Governo entregou à UGT uma nova
proposta com algumas cedências, deixando, por exemplo, cair a
simplificação dos despedimentos nas médias empresas, mas
mantendo o regresso do banco de horas individual ou revogação da
norma que prevê restrições ao outsourcing em caso de
despedimento.
O executivo tem
reiterado que "não está disponível para retirar toda a proposta"
e que quer manter as "traves mestras", ainda que esteja aberto
ao diálogo e vai dar "mais tempo" à central sindical para
analisar a nova proposta.
A ministra do Trabalho,
Rosário Palma Ramalho, já avisou que “não vai eternizar” a
negociação na Concertação Social, sendo que com ou sem acordo as
alterações terão sempre que ser debatidas e negociadas no
parlamento.
Eis um
resumo das principais alterações previstas na reforma da
legislação laboral:
Licença parental pode
chegar a seis meses com partilha entre progenitores
A licença parental
inicial, por nascimento de filho, poderá durar até seis meses (o
equivalente a 180 dias) se, depois de gozados os 120 dias
obrigatórios, os dois progenitores optarem por mais 60 dias em
regime partilhado, segundo a proposta do Governo.
Atualmente, o Código do
Trabalho prevê que mãe e pai tenham direito a uma licença de 120
dias ou 150 dias consecutivos, cujo gozo podem partilhar após o
parto, e que pode ser usufruído em simultâneo pelos dois.
Com as alterações
propostas pelo Governo, a licença parental inicial poderá durar
seis meses se, depois do gozo obrigatório dos 120 dias, “que
pode ser partilhado entre os progenitores”, os pais optarem por
mais 60 dias, facultativos, “em regime partilhado em períodos
iguais”.
Se não for o caso, a
licença pode ir até 150 dias, com o gozo de um período adicional
facultativo de 30 dias aos 120 dias obrigatórios.
O atual Código do
Trabalho já prevê que a licença parental inicial possa durar 180
dias se os pais optarem por usufruir 150 dias consecutivos e “no
caso de cada um dos progenitores gozar, em exclusivo, um período
de 30 dias consecutivos, ou dois períodos de 15 dias
consecutivos, após o período de gozo obrigatório pela mãe”.
Governo quer pais a
gozar 14 dias de licença seguidos após nascimento do filho
O período total da
licença parental exclusiva do pai mantém-se nos 28 dias, a gozar
nos 42 dias seguintes ao nascimento do bebé, mas o Governo quer
que os pais gozem 14 dias seguidos logo após o nascimento do
filho, em vez dos atuais sete.
O anteprojeto do
Governo retira também a regra que determinava que os restantes
dias fossem gozados em períodos interpolados mínimos de sete
dias, deixando de prever uma dimensão mínima dos períodos
gozados.
Mudanças no subsídio
parental
O subsídio parental
continua a corresponder a 100% da remuneração de referência nos
primeiros 120 dias de licença, mas sofre alterações nos
restantes casos.
Optando pelos 150 dias
de licença, atualmente este subsídio desce para 80%, mas é de
100% em caso de partilha (se cada um dos progenitores gozar,
pelo menos, 30 dias consecutivos ou dois períodos de 15 dias
consecutivos). Com a proposta, o montante diário nesta
modalidade desce dos 100% para 90% da remuneração.
Já na licença de 180
dias, cujo pagamento é hoje de 83% a 90% da remuneração de
referência, em função da partilha, o executivo pretende que
passe a ser paga a 100% da remuneração de referência se o
período adicional de 60 dias for usufruído “em regime partilhado
em períodos iguais por ambos os progenitores”, ou seja, um mês
para cada um.
Alterações nas regras
relativas à amamentação
Ao nível da
amamentação, na proposta mais recente enviada à UGT o Governo
não abdica de querer limitar a dispensa para amamentação (que se
traduz na redução do horário de trabalho diário em duas horas),
mantendo a proposta inicial que prevê um limite de dois anos
para este efeito.
Mas, ao contrário do
que previa a proposta inicial, - que obrigava a apresentar
atestado médico logo ao início -, a nova proposta mantém o
regime em vigor e diz que esta prova só é necessária se a
amamentação se prolongar além do primeiro ano de vida da
criança. Nesse caso, o atestado deve ser apresentado de seis em
seis meses.
Neste momento não é
exigido qualquer atestado até que o bebé tenha um ano, tal como
não está determinada qualquer periodicidade para comprovação
posterior da amamentação, ficando tal ao critério do empregador.
Governo quer eliminar
falta por luto gestacional
Na mais recente
proposta entregue à UGT, o Governo mantém a intenção de eliminar
falta por luto gestacional, mas enquadra-a na licença por
interrupção de gravidez.
Deste modo, a mãe tem
“sempre” direito a licença com duração entre 14 e 30 dias (o
período é decidido pelo médico), pagos a 100%. Por sua vez, o
pai, que na proposta inicial teria de recorrer às faltas para
assistência a membro do agregado familiar, terá direito a faltar
até três dias consecutivos.
Atualmente, o Código do
Trabalho prevê que a mãe pode gozar três dias em caso de perda
gestacional, quando não goza a licença por interrupção de
gravidez. A falta por luto gestacional pode também ser gozada
pelo pai, até três dias consecutivos, se a mãe estiver a
usufruir da licença por interrupção da gravidez.
Por outro lado, a falta
por luto gestacional exige apenas uma declaração do
estabelecimento hospitalar ou centro de saúde, enquanto a
licença por interrupção da gravidez requer “atestado médico com
indicação do período” da ausência.
A atribuição desta
licença depende também, de acordo com a Segurança Social, de a
trabalhadora ter feito descontos durante pelo menos seis meses e
de ter a sua situação contributiva regularizada.
Alteração à lei da
greve
1)
Alargamento dos serviços mínimos a cuidados de idosos, crianças
e pessoas com deficiência (através de um alargamento do conceito
de “necessidades sociais impreteríveis”): O Governo quer
integrar as creches e os lares nos serviços mínimos em caso de
greve, assim como os setores do abastecimento alimentar e os
serviços de segurança privada de bens ou equipamentos
essenciais.
Segundo a ministra do
Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, a ideia é "ser um
bocadinho mais exigente quanto à definição dos serviços mínimos,
mas sem riscar o direito à greve", e tornando-o "apenas
combatível com outros direitos fundamentais", nomeadamente o
direito à saúde, ao trabalho ou "a circular".
O Código do Trabalho
prevê atualmente que em caso de greve os serviços mínimos sejam
assegurados "em empresa ou estabelecimento que se destine à
satisfação de necessidades sociais impreteríveis", que incluem
correios e telecomunicações, serviços médicos, hospitalares e
medicamentosos, salubridade pública, incluindo a realização de
funerais, serviços de energia e minas, incluindo o abastecimento
de combustíveis.
Contemplados estão
também abastecimento de águas, bombeiros, serviços de
atendimento ao público que assegurem a satisfação de
necessidades essenciais cuja prestação incumba ao Estado,
transportes, incluindo portos, aeroportos, estações de
caminho-de-ferro e de camionagem, relativos a passageiros,
animais e géneros alimentares deterioráveis e a bens essenciais
à economia nacional, abrangendo as respetivas cargas e descargas
e transporte e segurança de valores monetários.
2)
Limitar ação sindical em empresas onde não há trabalhadores
sindicalizados:
A proposta do Governo
estabelece que nas pequenas, médias e grandes empresas sem
trabalhadores sindicalizados, os sindicatos só podem convocar
reuniões fora do horário de trabalho e “desde que o âmbito
subjetivo, objetivo e geográfico da associação sindical abranja
os trabalhadores da empresa”. Ficam de fora, assim, as
microempresas.
Além disso, no que toca
à afixação e distribuição de informação sindical, o Governo
propõe que, nas empresas onde “não existam trabalhadores
sindicalizados” as associações sindicais, cujo “âmbito
subjetivo, objetivo e geográfico abranja os trabalhadores da
empresa”, possam solicitar ao empregador que afixe ou permita a
afixação a informação em causa. Ou seja, os sindicatos perdem a
possibilidade de o fazer de forma autónoma.
Alterações aos prazos
dos contratos de trabalho
1)
Primeiros contratos a termo podem passar a durar um ano, quando
atualmente o limite é de seis meses: A proposta do Governo prevê
que os contratos a termo certo passem a ter uma duração inicial
mínima de um ano, ao invés dos atuais seis meses, podendo ser
renovados até três vezes.
2)
Aumento da duração máxima dos contratos a prazo, de dois para
três anos.
3)
No caso dos contratos a termo incerto (em que não se define uma
data precisa para o seu término) há também um alargamento da
duração máxima de quatro para cinco anos.
No que toca à duração
máxima, e já tendo em conta as renovações, a proposta é que
passe de dois para três anos nos contratos a termo certo e de
quatro para cinco anos nos contratos a termo incerto.
4)
Mais situações em que é possível fazer contratos a termo: A
celebração de um contrato a termo certo passa a ser admissível
nos primeiros dois anos de funcionamento de uma empresa,
independentemente da sua dimensão, quando até agora o era apenas
nas empresas com menos de 250 trabalhadores. Passa também a ser
admissível na contratação de um trabalhador que nunca tenha
prestado atividade com contrato de trabalho por tempo
indeterminado, assim como na contratação de reformados por
velhice ou invalidez.
5)
Nova regra para renovação de contratos a termo certo: O Governo
propõe que o contrato de trabalho a termo certo possa “ser
renovado ate três vezes”.
Atualmente lei
estabelece que “o contrato de trabalho a termo certo pode ser
renovado até três vezes e a duração total das renovações não
pode exceder a do período inicial daquele”.
6)
Coima mais baixa se não der preferência aos contratados a termo
no caso de abrir vaga nos quadros.
Mudanças noutros
regimes de contratos de trabalho
Aos trabalhadores com
contrato de trabalho intermitente que exerçam outra atividade
durante o período de inatividade deixa de ser deduzida a
retribuição recebida com esta atividade da compensação
retributiva paga pelo empregador.
Nos contratos em
comissão de serviço, o trabalhador tem direito a resolver o
contrato de trabalho até 30 dias depois de o empregador decidir
pôr termo a essa comissão de serviço, mas apenas tem direito a
indemnização se a comissão de serviço tiver durado pelo menos
seis anos.
Fim da regra que
proíbe acumulação da reforma antecipada com salário na mesma
empresa
O Governo quer pôr fim
à regra que proíbe que quem se reforma antecipadamente possa
voltar a trabalhar na mesma empresa por um período de três anos,
acolhendo uma proposta da CIP.
Segundo o decreto-lei
n.º 187/2007, “a acumulação da pensão de velhice com rendimentos
de trabalho é livre”, mas “ é proibida a acumulação de pensão
antecipada de velhice, atribuída no âmbito da flexibilização,
com rendimentos provenientes de exercício de trabalho ou
atividade, a qualquer título, na mesma empresa ou grupo
empresarial, por um período de três anos a contar da data de
acesso à pensão antecipada”.
Mudança do trabalhador
para categoria inferior sujeita a autorização tácita com acordo
e se ACT não responder em 30 dias
O Governo pretende
permitir que a mudança de um trabalhador para uma categoria
inferior fique sujeita a autorização tácita, caso a Autoridade
para as Condições de Trabalho (ACT) não responda em 30 dias, e
mediante acordo entre trabalhador e empregador.
Atualmente, a lei prevê
a mudança do trabalhador para uma categoria inferior “mediante
acordo” entre as partes e “com fundamento em necessidade
premente da empresa ou do trabalhador”, mas essa mudança tem que
ter autorização da ACT “no caso de determinar diminuição da
retribuição”, não havendo um prazo fixado para resposta.
Banco de horas
individual regressa
O Governo quer repor o
banco de horas individual, mas em moldes diferentes do passado.
A proposta determina
que o banco de horas individual possa ser instituído, por acordo
entre o empregador e o trabalhador, prevendo que o período
normal de trabalho possa ser aumentado até duas horas diárias,
atingindo as 50 horas semanais, tendo o acréscimo por limite 150
horas por ano e incluir um período de referência que não pode
exceder os quatro meses.
“O empregador deve
comunicar ao trabalhador a necessidade de prestação de trabalho
com a antecedência mínima de três dias”, é ainda explicado na
proposta.
A ideia é que "passe a
ser subsidiado um banco de horas em regime de negociação
coletiva, o que não existia no passado”, explicou a ministra do
Trabalho, acrescentando que o que existia antes era para a
adaptabilidade.
Ao mesmo tempo, a nova
proposta prevê a revogação do banco de horas grupal.
Trabalhadores a tempo
parcial com horas de formação obrigatórias
Na nova proposta
entregue à UGT, o Governo deixa cair a redução das horas
formação obrigatórias para as microempresas e vem clarificar que
os trabalhadores a tempo parcial têm direito "a um número mínimo
de horas de formação proporcional ao tempo de trabalho
contratado nesse ano", segundo o documento a que a Lusa teve
acesso.
O Código do Trabalho
prevê atualmente que todos os trabalhadores têm direito a um
mínimo de 40 horas de formação contínua por ano, estando o
empregador obrigado a assegurar essa formação independentemente
da dimensão da empresa.
Já no caso dos
contratos a termo com duração igual ou superior a três meses, as
horas são proporcionais à duração do contrato.
Alterações nas regras
dos despedimentos
1)
Não é preciso reintegrar um trabalhador despedido ilicitamente:
O Governo propõe que o empregador possa pedir ao tribunal que
“exclua a reintegração, com fundamento em factos e
circunstâncias que tornem o regresso do trabalhador gravemente
prejudicial e perturbador do funcionamento da empresa”.
2)
Simplificação de despedimentos por justa causa para as micro e
pequenas, dispensando a apresentação das provas requeridas pelo
trabalhador e a audição das suas testemunhas.
3)
Trabalhadores podem voltar a abdicar de créditos quando são
despedidos: Em caso de despedimento ou cessação de contrato de
trabalho, o trabalhador pode renunciar ao pagamento dos créditos
devidos mediante “declaração escrita reconhecida notarialmente”.
4)
Fim das restrições ao 'outsourcing' após despedimentos: O
Governo quer revogar a norma que estabelece restrições ao
‘outsourcing’ (contratação de trabalho externo), durante um ano,
após despedimentos.
Em causa está o artigo
338.º A do Código do Trabalho, introduzido no âmbito da Agenda
do Trabalho Digno, que estabelece que "não é permitido recorrer
à aquisição de serviços externos a entidade terceira para
satisfação de necessidades que foram asseguradas por trabalhador
cujo contrato tenha cessado nos 12 meses anteriores por
despedimento coletivo ou despedimento por extinção de posto de
trabalho".
O executivo pretende
agora revogar a norma que proíbe a aquisição e serviços externos
a terceiros para satisfazer necessidades que foram asseguradas
por trabalhador cujo contrato tenha cessado nos 12 meses
anteriores por despedimento coletivo ou despedimento por
extinção de posto de trabalho.
5)
É outra das novidades face à proposta inicial: o Governo quer
aumentar de 14 para 15 dias (de remuneração por cada ano de
antiguidade na empresa) a compensação por despedimento coletivo.
6)
Autodeclaração de doença fraudulenta pode dar direito a
despedimento: O Governo quer que a entrega de uma autodeclaração
de doença fraudulenta possa dar direito a um despedimento por
justa causa.
Trata-se de uma
proposta de alteração ao artigo 254.° do Código do Trabalho,
relativo à prova de motivo justificativo de falta e que prevê
que "a apresentação ao empregador de declaração médica ou de
autodeclaração de doença com intuito fraudulento" constitua uma
"falsa declaração para efeitos de justa causa de despedimento".
Segundo a lei atual, a
"apresentação ao empregador de declaração médica com intuito
fraudulento constitui falsa declaração para efeitos de justa
causa de despedimento", pelo que o objetivo agora é alargá-la
também às autodeclarações de doença emitidas através da linha
SNS 24.
Quotas de emprego para
pessoas com deficiência
O sistema de quotas de
emprego para pessoas com deficiência passa a abranger os
trabalhadores com um grau de incapacidade igual ou superior a
33%, em alternativa aos atuais 60%, “visando a sua contratação
por entidades empregadoras do setor privado e organismos do
setor público”.
Em caso de recurso ao
trabalho temporário por empresa ou à prestação de serviços por
centro de emprego protegido que aloque trabalhadores com
deficiência para preencher um posto de trabalho na entidade
beneficiária, o trabalhador com deficiência alocado integra
também o cômputo do pessoal da empresa beneficiária do serviço.
Trabalhadores
independentes
Aumenta a percentagem
para um trabalhador ser considerado economicamente dependente:
Atualmente, um trabalhador independente é considerado
economicamente dependente de uma empresa (o que lhe dá mais
regalias) quando recebe 50% dos seus rendimentos de um único
cliente, mas o Governo quer aumentar essa percentagem para 80%.
Plataformas digitais
TVDE
A proposta de revisão
de legislação laboral inclui a transposição de uma diretiva
europeia, que visa a melhoria das condições de trabalho e a
proteção dos dados pessoais no trabalho em plataformas digitais.
O artigo 12.º do Código
de Trabalho já previa algumas indicações para comprovar a
existência de contratos de trabalho com plataformas digitais,
mas o Governo pretende introduzir algumas alterações.
Entre elas, quer que se
verifiquem cumulativamente dois requisitos para comprovar a
existência de um contrato de trabalho: a prestação da atividade
tem que ser regular e o prestador tem que estar em situação de
dependência económica.
Teletrabalho
Será mais fácil às
empresas negarem teletrabalho: É revogada a norma que atualmente
prevê que um empregador só pode recusar uma proposta de
teletrabalho apresentada pelo trabalhador "por escrito e com a
devida fundamentação", desde que esta seja compatível com a
função desempenhada. Com esta alteração, será mais fácil ao
empregador recusar teletrabalho a um funcionário.
É também revogada a
norma que estabelece que, partindo do empregador a proposta de
teletrabalho, a oposição do trabalhador não tem de ser
fundamentada nem pode levar ao seu despedimento ou penalização.
As disposições legais
relativas ao teletrabalho passam a aplicar-se, “com as
necessárias adaptações”, a outras formas de trabalho subordinado
prestado à distância, mesmo que não em regime de dependência
económica.
Governo quer
implementar jornada contínua no privado
O Governo quer
introduzir a jornada contínua no setor privado para os
trabalhadores com filho menor de 12 anos ou, independentemente
da idade, com deficiência, doença crónica ou oncológica. Esta
proposta não constava no anteprojeto inicial mas foi,
entretanto, incluída na proposta entregue à UGT.
Atualmente, o Código do
Trabalho não regulamenta a jornada contínua para o setor
privado, mas há convenções coletivas que preveem esse regime.
No que toca ao setor
público, a lei permite a prestação ininterrupta de trabalho, com
“um período de descanso nunca superior a trinta minutos”,
permitindo que os trabalhadores saiam até uma hora mais cedo.
Esta possibilidade pode ser adotada em “casos excecionais” para
os trabalhadores com filhos até aos 12 anos ou
“independentemente da idade, com deficiência ou doença crónica",
pais que adotem crianças, trabalhadores “que, substituindo-se
aos progenitores, tenha a seu cargo neto com idade inferior a 12
anos”, trabalhadores-estudantes, entre outras situações
devidamente fundamentadas.
Governo quer repor
três dias de férias ligados à assiduidade
Na nova proposta
entregue à UGT, o Governo deixa cair a possibilidade dos
trabalhadores poderem pedir até dois dias de férias adicionais,
com perda remuneratória.
Em alternativa, propõe
a reposição dos três dias de férias ligados à assiduidade
abolidos na 'troika'. Deste modo, o período anual de 22 dias de
férias pode ser aumentado até três dias no caso de o trabalhador
não ter faltado ou ter apenas faltas justificadas, perfazendo um
total de 25 dias.
Subsídios de férias e
Natal podem ser pagos em duodécimos
Outras das várias
mudanças que o Governo pretende introduzir diz respeito à
possibilidade de os trabalhadores voltarem a poder escolher se
querem receber os subsídios de férias e de Natal em duodécimos
ou da forma tradicional, mas faz depender a hipótese da
existência de acordo entre trabalhador e empregador.
Fim do período
experimental de 180 dias no primeiro emprego
O Governo pretende
revogar do Código do Trabalho a alínea que estipula que, no caso
dos contratos de trabalho por tempo indeterminado é obrigatório
um período experimental de 180 dias para os trabalhadores que
"estejam à procura de primeiro emprego e desempregados de longa
duração".
Atualmente a lei prevê
um período de experimental de 180 dias nestes casos, mas admite
que possa ser "reduzido ou excluído consoante a duração de
anterior contrato de trabalho a termo, celebrado com empregador
diferente, tenha sido igual ou superior a 90 dias".
Já no que toca ao
período experimental dos contratos a termo e dos contratos em
comissão de serviço não está prevista qualquer alteração.
Fim da criminalização
da omissão da contratação de trabalhadores à Segurança Social
O Governo quer acabar
com a criminalização da omissão da contratação de trabalhadores
à Segurança Social, o que inclui o setor do serviço doméstico,
propondo revogar uma norma do Regime Geral das Infrações
Tributárias (RGIT) que desde 01 de maio de 2023 considera crime
a omissão de comunicação da admissão de trabalhadores.
Neste momento, se os
empregadores não declararem uma contratação nos seis meses
seguintes ao fim do prazo previsto na lei para procederem a essa
comunicação – em regra, nos 15 dias anteriores ao início da
atividade – podem ser criminalizados com uma pena de prisão de
até três anos ou com uma multa de até 360 dias (até 180 mil
euros).(09.12.25/Fonte:
Diário de Notícias)
É de Portugal que sai o calor para aquecer o norte da Europa
Bosch de Aveiro começou por
produzir os clássicos esquentadores a gás, mas já está a apostar
num futuro mais verde do aquecimento dos lares. Unidade volta a
atingir vendas recorde.
É de uma fábrica portuguesa que sai o quentinho para aquecer as
casas do norte da Europa quando o frio atinge temperaturas
negativas naquelas paragens durante os longos meses de inverno.
No verão, é o sol português que aquece os turistas. No inverno,
são as bombas de calor ‘made in Portugal’ que levam o calor do
sol luso ao frio sentido no norte da Europa.
A Bosch de Aveiro começou por produzir esquentadores a gás, com
marcas clássicas das casas portuguesas a sair desta fábrica
durante décadas, como Vulcano ou Junkers. Pelo meio, apostou em
caldeiras a gás, mas a transição energética bateu à porta e
obrigou o chão de fábrica a apostar na produção de bombas de
calor.
São uma espécie de Tesla ou BYD do aquecimento das casas:
consomem menos, deixaram o fóssil para trás, com recurso a
eletricidade (se o eletrão for verde, melhor).
Este ano a fábrica volta a bater recorde de vendas: 526 milhões
de euros, contra os 451 milhões registados em 2024, que também
foi um recorde.
O disparo nas vendas tem tido lugar à boleia do crescimento da
unidade de negócio das bombas de calor, depois de um
investimento de 100 milhões de euros no ano passado para
desenvolver a unidade de engenharia e os laboratórios.
“Fizemos um investimento único, brutal, dos quais 35 milhões
estão relacionados com engenharia e laboratórios. A Bosch
investe em linhas de produção, mas também em engenharia que é
uma âncora perfeita de 20 ou 30 anos para Aveiro e Portugal”,
destaca Jónio Reis, diretor da Bosch Aveiro.
A primeira unidade de bombas de calor arrancou em 2023 com os
mercados principais a serem a Europa Central, incluindo
Alemanha, França, Itália, Reino Unido, entre outros.
“Só para ter uma ideia da importância que Aveiro tem, somos
responsáveis por quase 50% de todas as bombas de calor
produzidas” pela Bosch, disse, por seu turno, João Lagarto,
responsável pela produção em Aveiro.
E o vento sopra de feição. Até ao final da década, está previsto
que o mercado europeu duplique, com um crescimento anual na casa
dos 10%.
Mas há desafios pela frente. Uma das desvantagens das bombas de
calor são os preços elevados, deixando de fora muitos
consumidores. A ideia agora é produzir estes equipamentos a
preços mais competitivos, com o ganho de escala e com mais
inovação ‘made in Aveiro’. Para o mercado do sul da Europa, está
a ser preparado um modelo mais barato, uma bomba latina, que
deverá chegar ao mercado no próximo ano.
Por ano, estão a ser vendidos 1,2 milhões de unidades,
esperando-se que supere os 2 milhões de unidades anuais já na
década de 30.
A companhia também continua a produzir esquentadores que
continuam a dar cartas, apesar de alguma desaceleração.
“Identificamo-nos como uma empresa multi-tecnologia. A nossa
responsabilidade não é oferecer apenas bombas de calor, mas
também todo um portefólio de produtos aos nossos clientes,
dependendo da sua capacidade financeira, do tamanho das suas
casas, dos perfis de consumo”, afirmou, por sua vez, Evandro
Amorim, responsável pelos negócios da Bosch Aveiro. Os
esquentadores continuam a ser vendidos para os países europeus,
mas também para o norte de África, incluindo a Argélia, e
América Latina. Esquentadores elétricos e caldeiras a gás
continuam a sair das linhas desta unidade.
Atualmente, está a ter lugar a construção de um novo edifício em
Aveiro para albergar uma nova linha de produção, de bombas de
calor num investimento de 2 milhões de euros.
Mas nem tudo foi um mar de rosas. Em 2018, a companhia entrou em
modo cruzeiro para adaptar os seus esquentadores e reconverter a
linha de produção para garantir que os produtos obedeciam a
novas regras europeias de emissões de gases poluentes e de
eficiência energética.
“Não fomos capazes de responder rapidamente. Perdemos quota de
mercado. Já se estava a dar os primeiros sinais de
eletrificação. Tivemos muitas dificuldades. E pensámos: porque
não produzir e desenvolver outros produtos? É aí que se dá o
grande ‘boom’ e é quando passamos a ter as primeiras bombas de
calor”, conclui Jónio Reis.(05.12.25/Fonte:
Jornal
Económico)
Dois terços dos carros vendidos em Portugal são eletrificados
Mercado total automóvel
cresceu 7% em Portugal nos primeiros onze meses.
As vendas de automóveis em Portugal subiram 7% nos primeiros
onze meses do ano, revelou hoje a Associação Automóvel de
Portugal (ACAP).
No total, foram vendidas quase 240 mil unidades até novembro.
As vendas no mercado de ligeiros subiram 7% para 233 mil
unidades.
Olhando só para novembro, as vendas totais subiram 4% para mais
de 20 mil unidades, com o mercado de ligeiros a crescer mais de
3% para mais de 19,6 mil unidades.
Até novembro, mais de 69% dos ligeiros de passageiros vendidos
eram eletrificados, com os 100% elétricos a pesarem 23% no
total. Só em novembro, o número de elétricos pesou 32% do
mercado.(02.12.25/Fonte:
Jornal
Económico)
Têxteis são 56% das insolvências na indústria do Norte
A AEP considera
“preocupantes” as insolvências no Norte no terceiro trimestre,
num contexto de incerteza global, mas espera “resiliência” da
indústria. Mais de 20% dos novos casos na região são nos
têxteis. Representante do setor estima perda de 600 a 700
empregos no trimestre.
Há
pelo menos uma década que o Norte não pesava tanto nos novos
processos de falência em Portugal. A região, que habitualmente
já tem preponderância neste capítulo, acumulou entre julho e
setembro 55% de todas as insolvências declaradas, de acordo com
os dados atualizados pelo Instituto Nacional de Estatística
(INE). O Norte esteve em claro contraciclo: subiu 10,8% face aos
três meses anteriores (para 256 empresas) e 5,8% na comparação
com o mesmo período do ano passado, enquanto viu o país
divergir, com uma queda em cadeia de 0,9% e homóloga de 6,9%
(para 459 insolvências empresariais).
Mas o que justifica estes
movimentos opostos? E pode este último trimestre dar-nos sinais
de uma nova tendência? Uma parte importante da explicação está
nas fábricas. Enquanto setores como a construção e o comércio
acompanharam a trajetória do país (menos 20 insolvências
decretadas na região no conjunto das duas atividades face ao
trimestre anterior), a indústria transformadora teve mais 12
casos (apesar de uma queda homóloga), o mesmo acréscimo que as
atividades administrativas e serviços de apoio.
Ainda que o número de novas insolvências decretadas no Norte (e
do país) esteja a um nível baixo quando comparado com outros
períodos, nomeadamente da Troika ou da pandemia, o presidente do
Conselho de Administração da AEP, Luís Miguel Ribeiro, mostra-se
apreensivo com a subida das insolvências na região, e “em
particular da indústria transformadora”.
Em respostas ao Jornal Económico
(JE), o responsável nota que o Norte “é muito importante para a
economia portuguesa”, porque tem maior especialização industrial
e excedentes comerciais de bens, concentrando ao mesmo tempo
metade das empresas da indústria transformadora e mais de um
terço da construção.
Estes setores, porém, são
“caracterizados por uma estrutura de custos relativamente
elevados, alguns com elevada abertura ao mercado externo” o que
traz desafios neste período para a indústria transformadora,
afirma. É que “as empresas portuguesas estão a encontrar maiores
dificuldades quer pelo aumento da concorrência, em particular de
empresas asiáticas, quer pela maior instabilidade no comércio
internacional como consequência das tensões geopolíticas”.
Estando o Norte do país mais
sujeito aos efeitos desse enquadramento internacional, “pode
traduzir-se num maior risco de insolvência”, argumenta o líder
da AEP, considerando que “este fenómeno não é meramente
circunstancial nem deve ser entendido como sinal de crise
específica da região”. Depende do contexto internacional.
“É justificável, em parte, que o
Norte contribua de forma expressiva para as insolvências a nível
nacional e que, em determinados momentos, essa proporção se
amplifique, nomeadamente num clima de incerteza global como o
atual que afeta em primeira instância setores de bens
transacionáveis”, defende. No entanto, o presidente do Conselho
de Administração da AEP reconhece que “o aumento no número de
falências na região e, em particular, na indústria
transformadora não deixa de ser preocupante”.
Mais de 600 no desemprego
Os dados do INE não permitem perceber, dentro da indústria
transformadora, quais são os subsetores que mais contribuem para
as insolvências, mas os anúncios do site Citius consultados pelo
Jornal Económico mostram que houve 56 empresas de têxteis e
vestuário a entrarem em processo de falência no terceiro
trimestre (ver caixa), o que significa 21,9% dos casos do Norte.
Dessas 56 insolvências, 9 dizem respeito ao comércio de têxteis
e vestuário e 47 ao fabrico — e estas empresas representam 58,8%
de todas as falências da indústria transformadora no Norte — ou
56% em toda a indústria (incluindo a extractiva).
Em declarações ao Jornal Económico, Ricardo Silva, presidente da
Associação Têxtil e de Vestuário de Portugal (ATP), aponta para
a “descida do consumo global”, que está a afetar as exportações
do setor. Em julho e agosto “já se notou uma redução de 1% a 2%
das exportações”, revela. “E as empresas mais afetadas logo à
partida são as subcontratadas”.
“Temos um setor muito
fragmentado, especialmente na área do corte e costura, ou seja,
a confeção”, justifica o representante dos têxteis e do
vestuário, indicando que a maioria das empresas insolventes
terão menos de 10 trabalhadores. São “mais frágeis por natureza”
e “as primeiras a ficar sem trabalho”, afirma. “Tão rápido se
levantam empresas como têm problemas na linha da frente”.
Ricardo Silva estima que neste terceiro trimestre tenham perdido
emprego, “provavelmente, 600 a 700 pessoas”, num universo
superior a 70 mil pessoas em Portugal. “Não considero que seja
alarmante nesta fase. Se persistisse por mais um ano, já seria”,
acrescenta.
Já Ramiro Brito, presidente da
Associação Empresarial do Minho (AEMinho), justifica o impacto
com “a maior exposição à conjuntura mundial”, mas também critica
“a arbitrariedade da Autoridade Tributária”, por aplicar a lei
do IVA nas exportações de forma diferente da generalidade dos
estados-membros. É uma dificuldade acrescida para um setor
“vulnerável”, aponta.
E será que a situação se vai manter durante mais tempo? O
presidente da ATP acredita que, enquanto houver instabilidade no
consumo, há “pequenas empresas que podem não resistir”, enquanto
outras, “mais robustas”, devem “conseguir manter a atividade”.
Por outro lado, o presidente da
AEMinho considera que se está a viver uma “revolução industrial
silenciosa”, que “tem um custo” — “há empresas que não vão
resisitir”. Contudo, passada esta fase, “até ao final do
primeiro trimestre”, acredita que o setor vai “reinventar-se e
encontrar o seu lugar competitivo”. Avisa, no entanto, para a
necessidade de haver fusões, para que as empresas ganhem escala.(21.11.25/Fonte:
Jornal
Económico)
Franceses vão construir 1 giga renovável em Portugal
Franceses da Akuo venceram
primeiro leilão de energia solar em Portugal e querem construir
1 giga até 2032.
Desde o já longíquo ano de 2020 que muita coisa mudou no setor
energético em Portugal. Pelo meio, uma pandemia que veio colocar
muitas incertezas nas energias renováveis no país. Apanhados
neste turbilhão, os franceses da Akuo chegaram, viram e venceram
o primeiro leilão de energia solar em 2019.
O grupo francês conquistou três lotes com uma potência total de
370 MW. Entretanto, mudou de acionista, com a entrada do fundo
Ardian, e também de CEO, com a chegada de Bruno Bensasson, que
conta com passagens na gigante energética estatal francesa EDF,
tendo liderado a unidade para as renováveis, e pela dinamarquesa
produtora de componentes eólicas, Vestas.
A companhia tem em marcha um plano para investir mil milhões de
euros para construir 1 gigawatt de energia solar, eólica e
baterias até 2032.
“Acreditamos muito no potencial do solar, eólica e baterias em
Portugal”, disse ao JE o CEO da Akuo Bruno Bensasson durante uma
visita a Lisboa.
“Consideramos também que é importante a aceitação local dos
projetos. Tentamos construir os projetos no prazo, mas por vezes
há atrasos devido a litigação, respeitamos isso. Há alguns
processos que demoraram mais do que esperávamos, não vivemos num
mundo ideal”, acrescentou.
O gestor francês destacou que “Portugal tem um bom ambiente para
as renováveis, solar e eólica. Podemos sempre queixar-se que há
coisas que podiam melhorar. Como investidores globais, quando
comparamos, este mercado tem características importantes”.
Sobre a entrada do fundo Ardian como investidor, destaca:
“Olhamos para a rentabilidade de longo prazo de um ativo, não há
uma grande diferença entre ter um ativo rentável para um
investidor e um investimento eficiente para o país”.
Sobre os preços negativos sentido no mercado de eletricidade,
devido ao peso gigante da energia solar em horas de menor
consumo, considera que a chegada de baterias “vai ajudar” por
que são “um complemento natural para as renováveis”.
A empresa já tem a central de Santas (Monforte) em operação,
central solar com 180 MW e já está a construir 45 MW de energia
eólica para hibridizar o projeto para um total de 225 MW.
Já na central de Margalha (Gavião), o objetivo é concluir a
central até ao final do ano para entrar em operação no primeiro
trimestre de 2026, com um total de 147 MW.
A companhia também candidatou-se aos apoios públicos para os
projetos de baterias, tendo vencido com projetos para as
centrais de Santas e de Margalha.
A empresa conta com um projeto agrivoltaico em Alcobaça,
financiado pelo PRR, onde os painéis solares co-existem com a
Maçã de Alcobaça.
Na central de Santas, Akuo realizou um crowdfunding onde
conseguiu levantar o máximo montante previsto: 5 milhões de
euros.
Em relação à central de Polvorão (Gavião e Nisa), o projeto
encontra-se suspenso pela empresa à espera da primeira pronúncia
do Tribunal Administrativo e Fiscal de Castelo Branco após o
Ministério Público ter impugnado o projeto em fevereiro deste
ano.
A ação do Ministério Público é contra as entidades licenciadoras
do projeto: Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Direção-Geral
de Energia (DGEG) e autarquia. “Estamos confiantes de que foi
tudo feito dentro das regras”, segundo João Macedo.
O Ministério Público anunciou em fevereiro que pediu a
impugnação dos licenciamentos ambiental, energético e
urbanístico desta central devido à “lesão de um conjunto
alargado de instrumentos de gestão territorial e de proteção dos
recursos naturais, com especial relevo para o regime jurídico da
Rede Natura, o PROT do Alentejo e os PDMs dos municípios do
Gavião e de Nisa”.
“A extensa implantação territorial de empreendimentos para
produção de energia e consequente alteração do uso de solos
qualificados como florestais, agrícolas e mesmo naturais e
paisagísticos, quando em contrário do legalmente previsto, é
merecedora de especial atenção do MP, por força das competências
em matéria de defesa do ordenamento e ambiente, conferidas no
âmbito do contencioso administrativo, onde se enquadra a
presente ação”, segundo o comunicado do MP divulgado na altura.(23.11.25/Fonte:
Jornal
Económico)
Despedimentos coletivos no valor mais alto em cinco anos
Entre janeiro e setembro
deste ano terão ocorrido 414 despedimentos coletivos. É o nível
mais elevado desde 2020. As mulheres foram as mais afetadas no
mês de setembro, perfazendo 64% das rescisões.
Nos primeiros nove meses do ano, foram comunicados ao
Ministério do Trabalho 414 despedimentos coletivos, mais 60 face
aos 354 registados em igual período de 2024, segundo os dados da
Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT).
É o valor mais elevado desde 2020, quando Portugal apresentava
521 despedimentos coletivos. Só no último mês de setembro foram
comunicados 55 despedimentos coletivos, contra 36 no mês
homólogo.O número de trabalhadores abrangidos por despedimentos
coletivos está a aumentar desde 2023, sendo que o valor
registado nos primeiros nove meses deste ano é já o valor mais
elevado desde 2020 (5.371).
Dos 414 despedimentos coletivos comunicados pelas empresas entre
janeiro e setembro, 145 foram de microempresas, 167 de pequenas
empresas, 63 se médias empresas e 39 de grandes empresas.
Também o número de trabalhadores abrangidos por despedimentos
coletivos sofreu um aumento: 16,6% até setembro, face a igual
período do ano anterior, totalizando os 5.544, ainda segundo a
DGERT.
Dos 5.544 trabalhadores, 5.412 foram efetivamente despedidos, o
que representa um aumento de 21% face a igual período
homólogo.Por regiões, a região de Lisboa e Vale do Tejo e o
Norte continuam a ser as regiões com maior número de
despedimentos coletivos comunicados até setembro, com 203 e 126
respetivamente, perfazendo 49% e 31% do total.
No que toca especificamente ao mês de setembro, foram
efetivamente despedidos 200 trabalhadores um valor inferior aos
634 de agosto e aos 544 do período homólogo.
Dos 200 trabalhadores efetivamente despedidos em setembro, a
região Centro representava a larga maioria (58%), com 117
trabalhadores efetivamente despedidos.As mulheres foram as mais
afetadas pelos despedimentos em setembro, perfazendo 64% das
rescisões.
As indústrias transformadoras, comércio por grosso, atividades
de saúde e ação social e atividades de consultoria, científicas,
técnicas e similares são os setores com maior número de
trabalhadores despedidos em setembro.(17.11.25/Fonte:
RTP)
Microsoft vai investir 8,6 mil milhões de euros em centro de
dados de Sines
A Microsoft vai investir
cerca de 8,6 mil milhões de euros no centro de dados de Sines,
anunciou ao Jornal de Negócios o presidente da tecnológica, Brad
Smith, que está em Portugal devido à Web Summit.
"Estamos a investir 10 mil milhões de
dólares em Portugal, em Sines, com a Start Campus e a Nscale",
afirmou Brad Smith, em entrevista ao jornal de Negócios, hoje
publicada, explicando que este investimento "é maior do que
todos os investimentos em centros de dados que a empresa já fez
em Espanha".
O presidente da empresa norte-americana refere que a tecnológica
está a reforçar a aposta em Portugal, com investimentos que
fazem o país ganhar a corrida na instalação de gigafábrica de
inteligência artificial (IA).
"Estamos a construir na Europa. Curiosamente, um dos maiores
investimentos que estamos a fazer este ano na Europa é, na
verdade, em Portugal", salientou Brad Smith.
Em outubro, a Microsoft e a Nscale anunciaram ser os primeiros
inquilinos do edifício da Start Campus, em Sines, prevendo a
instalação de 12.600 processadores de última geração da Nvidia,
no Centro de Dados de Sines.
O responsável pela Microsoft explicou que as empresas já
estiveram a explorar esta parceria, de forma "a trabalhar para
trazer para Portugal um elevado número de CPU [nós de computação
e unidades centrais de processamento], os mais avançados do
mundo".
"Há uma forma de pensar sobre o que estamos a fazer em Portugal.
Os países estão a competir na Europa por financiamento público
na União Europeia para construir uma gigafábrica, e há uma
competição intensa. Portugal já ganhou a licitação com a
Microsoft, porque decidimos que vamos construir esta gigafábrica
de IA em Sines", explicou Brad Smith.
O presidente da tecnológica norte-americana realça o potencial
da localização de Sines, destacando a vantagem dos cabos
submarinos, enquanto forma "da América do Norte ficar mais perto
da Europa".
O líder da Microsoft admite que o investimento em Portugal
reflete "um imenso trabalho, da política energética seguida em
Portugal, onde a energia é mais barata e há bom clima",
destacando também as conectividades de banda larga do país.
Estas condições tornam Portugal "um país muito importante e
atraente na Europa para a construção deste tipo de centros de
dados e deste tipo de investimentos. São boas notícias para
Portugal, que fica numa muito boa posição para competir, não
pelo que tem vindo a ganhar ao longo do tempo, mas também para
futuros investimentos", rematou Brad Smith.(11.11.25/Fonte:
Jornal de Noticias)
Sobreendividamento entre reformados aumenta: cortam na
alimentação e saúde para sobreviver
Mais de 20 mil famílias
pediram ajuda à Deco este ano, 15% são reformados. Sem
poupanças, cresce o número de idosos a recorrer a créditos
pessoais.
Aproveitar os últimos anos de vida com tranquilidade, depois de
longas décadas de trabalho, é um cenário cada vez mais utópico
para muitos reformados em Portugal. O número de pensionistas a
enfrentar dificuldades financeiras tem aumentado, sobretudo à
boleia da subida do custo de vida e, em particular, dos preços
da habitação. O alerta é dado pela
Associação Portuguesa
para a Defesa do Consumidor (Deco) que recebeu, nos
primeiros nove meses do ano, 20 mil pedidos de ajuda de famílias
sobreendividadas - destas, 15%, ou seja, três mil, correspondem
a reformados.
Ao DN, a associação refere que
regista um crescimento expressivo das solicitações de apoio por
parte de aposentados e o “fenómeno” levou mesmo a Deco a afinar
a análise ao perfil destes agregados em situação de “elevada
vulnerabilidade”. São, essencialmente, idosos entre os 70 e os
80 anos que chegaram à idade da reforma despidos de poupanças.
Sem almofadas financeiras, e com uma reforma insuficiente para
cobrir os encargos mensais, o endividamento assume-se como a
única via de sobrevivência.
Em média, estes reformados têm quatro
créditos ativos, principalmente créditos pessoais, no valor de
20 mil euros e cartões de crédito num montante de seis mil
euros. As prestações mensais destes créditos totalizam cerca de
680 euros face a um rendimento líquido médio de 1.150 €euros, o
que representa uma taxa de esforço próxima dos 60%, “muito acima
do limite recomendado de 35%”, alerta a associação.
As despesas com a habitação são as
que mais pressionam o orçamento. “Muitos destes créditos acabam
por ser para financiar a questão das rendas e das cauções quando
há mudança de contrato, por exemplo, mas também são para pagar
as despesas correntes, como a alimentação e saúde”, explica ao
DN a coordenadora do Gabinete de Proteção Financeira (GAF) da
Deco.
Natália Nunes frisa que, em muitas
situações, estes idosos acabam por ter de cortar nos gastos com
alimentação e medicamentos para conseguirem pagar a fatura da
habitação.
Mais de metade (54,1%) destes
reformados vive em casas arrendadas, 24,6% têm casa própria sem
hipoteca,9,8% ainda pagam crédito à habitação e 11,5% vivem
noutras situações habitacionais. “São pessoas que na maioria
estão sozinhas, são viúvas ou estão separadas, e a opção passa
por arrendarem quartos, ou por viverem em casas partilhadas”,
acrescenta.
Natália Nunes destaca uma mudança de
paradigma nos pedidos que batem à porta da associação. “Sempre
tivemos, nos anos anteriores, reformados a pedir ajuda, muito
por causa do crédito à habitação, sobretudo porque antes se
deixava ir o crédito para além dos 65 anos . Quando chegavam à
idade da reforma, as pessoas tinham uma diminuição dos
rendimentos. Neste momento, estas pessoas reformadas pedem
ajuda, mas já não é por causa deste crédito”, refere.
Ajudar a resolver estes casos de
sobreendividamente apresenta desafios acrescidos, aponta a
responsável, desde logo no que respeita às limitações à
renegociação dos créditos devido aos limites de idade impostas
pela banca. Outro dos obstáculos assenta no facto de muitos
apoios e canais de ajuda estarem concentrados no online, uma via
que não é familiar para uma larga maioria destes pensionistas.
Deco pede medidas de apoio à poupança
Hoje assinala-se o dia mundial da
poupança e, em Portugal, poupar não é um verbo que se conjugue
com facilidade, principalmente para as famílias que recebem o
salário mínimo ou para os pensionistas que auferem baixas
reformas. Por isso mesmo, a Deco defende que o Governo deve
intervir, assumindo um papel profiláctico nos casos de
sobreendividamento.
A associação pede que sejam criados
incentivos fiscais progressivos que beneficiem todas as faixas
de rendimento, tornando a poupança mais acessível e sejam
promovidos produtos de poupança simples, “claros e
transparentes”, sem taxas escondidas, para que todos os cidadãos
possam investir de forma segura , além de sublinhar a
necessidade de uma redução d a carga fiscal sobre os depósitos a
prazo.
“O Banco de Portugal diz-nos que
continuam a aumentar os depósitos a prazo e o dinheiro
depositado na conta à ordem. O rendimento que as famílias têm
destes depósitos acaba por ser um muito baixo. Gostaríamos que o
Governo também olhasse para esta situação do ponto de vista
fiscal porque estas remunerações em termos de juros acabam por
ter impostos elevados. Mesmo que se consiga poupar pouco, a
verdade é que se o fizermos ao longo de vários anos, as
poupanças vão crescendo e era importante que houvesse um
incentivo à cultura da poupança para ajudar as famílias a fazer
face aos imprevistos e a acautelar os anos da reforma”, defende
Natália Nunes.
(+7,4%). (31.10.25/Fonte:
Diãrio de Notícias)
Estrangeiros estão a viajar menos para Portugal e dormidas
recuam pelo segundo mês consecutivo
Irlandeses e franceses foram
os mercados que registaram as maiores quebras em setembro, mas
interesse dos norte-americanos também está a cair.
A procura de estrangeiros por Portugal está refrear e o impacto
já se sente nos alojamentos turísticos do país. Em setembro, as
dormidas de não residentes caíram 1,2% depois de já terem
recuado 0,4% em agosto, revelam os dados divulgados esta
sexta-feira, 31, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Contas feitas, no nono mês do ano,
somaram-se 3,3 milhões de hóspedes (+1,1% ) e 8,5 milhões de
dormidas (+0,7%). O incremento das dormidas fez-se à boleia da
boa performance do mercado interno que segue em trajetória
ascendente com um total de 2,5 milhões de dormidas, um aumento
de 5,6%.
Já os turistas vindos de fora foram
responsáveis por seis milhões de dormidas, o que se traduz num
recuo face ao mesmo período do ano anterior. "Em setembro, entre
os 10 principais mercados emissores em termos de dormidas, o
mercado alemão foi o único a crescer (+3,1%). Os maiores
decréscimos observaram-se nos mercados irlandês (-7,3%) e
francês (-7,2%)", explica o gabinete de estatística.
Os ingleses continuam a manter a
liderança como principal mercado emissor, apesar do decréscimo
de 6,1% face ao mês homólogo. O interesse dos norte-americanos,
que ocupam a terceira posição, também está a arrefecer com
ligeiro um decréscimo de 0,4%. Esta é a segunda vez desde março
de 2021 que se regista uma quebra destes turistas vindos do
outro lado do Atlântico. O primeiro, explica o INE, ocorreu em
fevereiro deste ano, refletindo o efeito da estrutura móvel
calendário associado ao Carnaval que em 2024 ocorreu em
fevereiro e este ano em março.
Numa análise ao mapa nacional, as
dormidas de estrangeiros registaram "maioritariamente variações
negativas" nas várias geografias, com exceção do Alentejo
(+5,2%), Norte (+2,9%) e Península de Setúbal (+1,9%). Já as
diminuições mais expressivas ocorreram nas regiões Oeste e Vale
do Tejo (-3,5%) e na Madeira (-3,4%).
Apesar da procura dos turistas
estrangeiros estar a desacelerar, as receitas do setor continuam
a engordar, impulsionadas pelo aumento dos preços. O rendimento
médio por quarto disponível (RevPAR) fixou-se em 99,2 euros
(+2,8%) e o rendimento médio por quarto ocupado (ADR) atingiu os
143,1 euros (+3,9%).
Contas feitas, em setembro, os
proveitos totais do alojamento turístico - que somam ao
alojamento outros gastos inerentes à estada dos turistas como
restauração, lavandaria entre outros serviços - subiram 5,6%,
atingindo os 840,1 milhões de euros. Já os proveitos de
aposento, que dizem respeito às receitas amealhadas com as
dormidas, totalizaram 659,1 milhões de euros, num avanço de
5,8%.
"A Grande Lisboa foi a região que
mais contribuiu para a globalidade dos proveitos (28,6% dos
proveitos totais e 29,8% dos proveitos de aposento), seguida do
Algarve (27,7% e 27,0%, respetivamente) e do Norte (16,0% e
16,4%, pela mesma ordem)", adianta o INE.
A Madeira (+16,7% nos proveitos
totais e +19,0% nos de aposento) e o Alentejo (+13,2% e +16,7%,
pela mesma ordem) foram as regiões que registaram os acréscimos
mais expressivos de proveitos. No acumulado do ano, os proveitos
totais somam já 5,7 mil milhões de euros (+7,6%) e os de
aposento 4,4 mil milhões de euros (+7,4%). (31.10.25/Fonte:
Diãrio de Notícias)
Bosch Braga põe 2500 trabalhadores em lay-off
A fábrica da Bosch em Braga vai
entrar em lay-off a partir do início de Novembro, devido à
escassez de componentes para peças electrónicas. A situação
poderá prolongar-se até Abril de 2026 e vai afectar 2500
trabalhadores, anunciou a empresa na terça-feira.
“Devido à escassez de componentes para peças electrónicas e as
recorrentes interrupções na produção, o mecanismo de lay-off
estabelecido no Código de Trabalho entra em vigor a partir do
início de Novembro até, presumivelmente, ao final de Abril de
2026”, indicou, em comunicado a principal fábrica da
multinacional alemã em Portugal.
O lay-off consiste na redução temporária dos períodos normais de
trabalho ou na suspensão dos contratos de trabalho efectuada por
iniciativa das empresas, durante um determinado tempo, devido a
motivos de mercado, motivos estruturais ou tecnológicos ou
catástrofes ou outras ocorrências que tenham afectado gravemente
a actividade normal da empresa.
Cerca de 2500 trabalhadores serão afectados pela suspensão dos
contratos de trabalho ou pela redução de horas.
A empresa garantiu estar a fazer tudo para atender os clientes e
evitar ou minimizar as restrições de produção, recorrendo, por
exemplo, a fontes alternativas de fornecimento de componentes.
No comunicado, a Bosch assegura que, assim que a escassez de
componentes electrónicos for ultrapassada, a “produção em Braga
deverá regressar à normalidade”.
A 25 de Setembro, a fabricante de equipamentos Bosch anunciou
que previa eliminar mais de 13.000 postos de trabalho até 2030
na Alemanha, argumentando que o trabalho está subutilizado face
à concorrência chinesa, levando a críticas pelos sindicatos.
O plano, citado pela agência AFP, mais que duplica a estimativa
divulgada em Novembro do ano passado, quando a Bosch disse que
pretendia suprimir 5550 postos de trabalho até 2030.
Este plano deverá afectar cerca de 3% da força de trabalho
mundial e atinge a divisão automóvel, que se vê obrigada a
reduzir os seus custos em 2500 milhões de euros por ano para,
segundo o grupo alemão, assegurar a sua competitividade.(29.10.25/Fonte:
Público)
Coindu avança com segundo despedimento colectivo este ano
Em
Maio, a empresa têxtil despediu 123 trabalhadores.Coindu avança
com segundo despedimento colectivo este ano
A fábrica da Coindu em Arcos de Valdevez, que em 2024 despediu
mais 350 trabalhadores. O grupo tem passado por vários processos
de dispensas.
A Coindu, indústria de componentes têxteis para o sector
automóvel, vai avançar com o segundo despedimento colectivo este
ano, após o de Maio ter abrangido 123 trabalhadores, devido ao
declínio das encomendas no sector.
“Após uma análise aprofundada da situação económica e
operacional da empresa, terá de proceder a uma reestruturação do
seu quadro de colaboradores, devido ao declínio acentuado e
prolongado das encomendas no sector automóvel, que tem impactado
a sua actividade nos últimos anos”, informou, em comunicado, a
empresa sediada em Joane, Vila Nova de Famalicão (distrito de
Braga).
Em Maio, a Coindu avançou com o despedimento colectivo de 123
trabalhadores e colocou outros 237 em lay-off e, em finais de
2024, fechou a fábrica que tinha em Arcos de Valdevez, deixando
sem emprego 350 trabalhadores.
A empresa, que conta actualmente com 1050 trabalhadores, realçou
que fez “todos os esforços para evitar esta medida”, mas este
despedimento vai permitir “alinhar a sua capacidade de produção
com a carteira de encomendas existente, garantindo a fiabilidade
do fornecimento para todos os contratos em vigor”.
Este reajustamento da capacidade de produção, vincou, é
“necessário” para “garantir a viabilidade da empresa a longo
prazo”, “num contexto de grande incerteza e num sector automóvel
europeu que enfrenta uma fase muito complexa”.
A Coindu sublinhou ainda que o despedimento colectivo “é a
solução juridicamente adequada para assegurar um processo
transparente e de acordo com a lei, protegendo os direitos dos
colaboradores abrangidos”.
Em 2022, entre Arcos de Valdevez e Vila Nova de Famalicão, a
Coindu empregava 2.100 trabalhadores.
Segundo disse em Maio à Lusa Francisco Vieira, do Sindicato
Têxtil do Minho e Trás-os-Montes, a empresa pretende este ano
ter uma disponibilidade de entre 800 e 825 trabalhadores e, em
2026, esses números deverão subir para 950 a 1.050
trabalhadores.(24.10.25/Fonte:
Público)
Maior compra de sempre: CP garante 117 comboios no valor de 819
milhões
O
Ministério das Infraestruturas e Habitação avançou hoje, em
comunicado, que o contrato foi assinado na quarta-feira, “em
cumprimento dos prazos legalmente definidos”, pondo fim ao
atraso decorrente de impugnações judiciais entre dezembro de
2023 e agosto de 2025.
A CP e o consórcio Alstom/DST
assinaram o contrato para aquisição de 117 comboios, a maior
compra de sempre da transportadora, no valor de 819 milhões de
euros, adjudicada em novembro de 2023 e impugnada por outros
concorrentes.
O Ministério das Infraestruturas e Habitação avançou hoje, em
comunicado, que o contrato foi assinado na quarta-feira, “em
cumprimento dos prazos legalmente definidos”, pondo fim ao
atraso decorrente de impugnações judiciais entre dezembro de
2023 e agosto de 2025.
O ministro Miguel Pinto Luz apontou que este atraso “estava a
prejudicar a modernização do parque da CP – Comboios de Portugal
e o serviço prestado às populações, que usam cada vez mais o
transporte ferroviário”.
Juntamente com a Resolução do Conselho de Ministros publicada em
22 de setembro, que mandata a CP – Comboios de Portugal para
acionar a opção de compra de 36 unidades automotoras elétricas
adicionais para os serviços urbanos, o Governo considerou que se
trata de “um passo de gigante para colmatar a falta de material
circulante” na transportadora ferroviária.
“Ao mandatar a CP para acionar de imediato a opção de compra de
mais 36 comboios, o Governo pretende, por um lado, recuperar o
tempo associado à litigância judicial interposta pelos
concorrentes e, por outro, tomar medidas que permitam acelerar a
modernização da frota da CP, com vista ao cumprimento das
obrigações de serviço público”, salientou a tutela.
O atraso no concurso para a compra de 117 automotoras pela CP
resultou numa perda estimada de 191 milhões de euros de apoio do
Programa Sustentável 2030.
Em respostas enviadas à Lusa, na sequência da já referida
Resolução do Conselho de Ministros, que “revê o calendário de
despesa e as fontes de financiamento”, o Ministério das
Infraestruturas esclareceu que o montante perdido será agora
coberto “pelo Orçamento do Estado ou por novos programas de
financiamento a definir”.
Como noticiou a Lusa, em 09 de setembro, a CP confirmou que o
efeito suspensivo de uma segunda impugnação ao concurso público,
apresentada pela espanhola CAF, tinha sido levantado. Em julho,
já tinha sido levantado o efeito suspensivo de uma primeira
impugnação, apresentada pela suíça Stadler.
Em causa está a maior compra de sempre da CP, no valor de 819
milhões de euros, adjudicada ao consórcio liderado pela francesa
Alstom para fornecimento de 62 comboios urbanos e 55 regionais.
O projeto é financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência
(PRR) e foi contestado em tribunal pelas concorrentes CAF e
Stadler.
Nas respostas enviadas à Lusa, o Governo esclareceu que segundo
o calendário previamente estabelecido, as automotoras serão
entregues a partir de 2029, mantendo-se as fontes de
financiamento originais: Fundo Ambiental, Programa Sustentável
2030 e Orçamento do Estado.
Está também prevista a instalação de uma fábrica de comboios em
Matosinhos (distrito do Porto), o que, segundo a empresa, iria
representar cerca de 300 postos de trabalho diretos e 1.500
indiretos.(17.10.25/Fonte:
Jornal
Económico)
Exportação nacional de componentes automóveis está a derrapar
AFIA
aponta para uma redução de 10% no valor das exportações em
agosto que agrava o saldo negativo do acumulado ano. A
instabilidade geopolítica condiciona um setor penalizado também
pela maior concorrência.
As exportações de componentes
para automóveis registaram um forte abrandamento em agosto.
Registou-se uma quebra de quase 10%, de acordo com dados da AFIA
– Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel, que veio
agravar a quebra no acumulado deste ano.
“Em agosto, a retração foi particularmente significativa, com as
exportações de componentes automóveis a diminuir 9,9%”, explica
a AFIA. “O valor mensal ficou abaixo dos 700 milhões de euros”,
acrescenta. Foi o pior agosto desde 2021, com o total a agravar
a quebra em 2025.
“As exportações portuguesas de componentes para automóveis
totalizaram 7.900 milhões de euros entre janeiro e agosto de
2025, o que representa uma quebra homóloga de 3,3% face ao mesmo
período de 2024”, diz a associação liderada por José Couto.
“A quebra de quase 10% em agosto é preocupante e deve ser lida
como um alerta”, refere o presidente em comunicado, salientando
que “estes números confirmam a fragilidade do setor perante um
contexto internacional instável e de forte concorrência”.
Travão na economia
A AFIA salienta que a “Europa continua a absorver a esmagadora
maioria das exportações de componentes automóveis, com uma quota
de 88,4%, embora tenha registado uma quebra de 3,2% no acumulado
até agosto”. O “abrandamento económico, com retração do consumo
e a instabilidade geopolítica”, são os fatores apontados.
“Contudo, não podemos deixar de considerar o preço dos veículos
elétricos fabricados na Europa, o que é compensado pelas
importações, bem como o baixo ritmo de investimento em
infraestruturas de carregamento, que são algumas das
justificações para os resultados registados no mês de agosto”,
diz a AFIA.
EUA recuam
Espanha continua a ser o principal destino das exportações de
componentes portuguesas com 29,1% de quota e um ligeiro
crescimento de 1,7% no acumulado do ano, mas a Alemanha, segundo
maior mercado, caiu 11,8% e a França registou uma descida de
1,1%.
No caso dos EUA, que são o quarto maior mercado, regista-se uma
quebra expressiva de 14,2%. “A diminuição de compras do mercado
dos EUA também concorre para a diminuição da produção europeia”,
diz a AFIA.
Entre as várias quebras, há também crescimentos, sendo de
“realçar o aumento de dois dígitos da Roménia (+37,9%) e de
Marrocos (+28,1%)”, com exportações para a Dacia e para a
Stellantis, respetivamente. “Apesar de mercados como a Roménia e
Marrocos darem sinais muito positivos, a dependência excessiva
da Europa deixa-nos vulneráveis”, diz José Couto.
(14.10.25/Fonte:
Jornal de
Negócios)
População em Portugal deverá baixar para 8,3 milhões até ao
final do século
Dados
do Instituto Nacional de Estatística mostram agravamento da
tendência de envelhecimento no país, que só deverá estabilizar
durante a década de 2060. Sem migrações, população de Portugal
poderá ser de apenas seis milhões de pessoas em 2100.
A população de Portugal deverá
ser de 8,3 milhões de pessoas até 2100, segundo dados revelados
nesta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
O valor representa uma quebra de 2,4 milhões de residentes até
ao final do século.
Antes de diminuir, segundo a projeção de cenário central do INE,
a população em Portugal deverá aumentar até aos 10,9 milhões de
pessoas em 2029, momento a partir do qual o país deverá entrar
numa fase de declínio populacional.
Portugal deverá baixar da fasquia de 10 milhões de habitantes no
ano de 2057 e deverá cair abaixo dos nove milhões de habitantes
em 2079.
Já no cenário de projeção mais pessimista (cenário baixo), "em
resultado da redução dos níveis de fecundidade e da manutenção
de saldos migratórios muito baixos", na análise do INE, a
população em Portugal poderá mesmo cair para os 5,4 milhões de
pessoas em 2100. No cenário de projeção mais otimista (cenário
alto), "sobretudo devido a uma recuperação mais acentuada dos
níveis de fecundidade em conjugação com saldos migratórios
positivos mais elevados", a população poderá aumentar para 11,6
milhões.
As projeções do INE têm ainda o cenário sem migrações (isto é,
sem saída e entrada de população), na qual a população residente
em 2100 cairia para 6,0 milhões de pessoas.
Segundo os dados revelados nesta terça-feira, até ao final do
século o número de jovens deverá diminuir de 1,4 milhões para
apenas um milhão, enquanto o da população idosa vai aumentar de
2,6 milhões de pessoas para 3,1 milhões de pessoas. O INE
destaca que "o índice de envelhecimento em Portugal aumentará
gradualmente até 2060, ano em que tenderá a estabilizar".
O chamado índice de dependência de idosos deverá aumentar "de
forma acentuada", sublinha ainda a entidade estatística,
considerando o rácio entre o aumento da população com mais de 65
anos e a população ativa. Este índice passara de 39 idosos por
cada 100 pessoas ativas para 73 idosos por cada 100 pessoas
ativas.(30.09.25/Fonte:
Jornal de
Negócios)
Calçado e têxtil despedem mil trabalhadores numa semana
Nos
primeiros dias deste mês, o fecho de fábricas e os despedimentos
coletivos nos setores do têxtil e do calçado enviaram mil
pessoas para o desemprego, só no Vale do Ave, com outras mil em
risco devido a insolvências das suas empresas. As falências das
mais pequenas, fora do radar mediático, estão a cair nos
tribunais.
São frequentes os despedimentos coletivos em várias empresas no
início de setembro, mas este ano “está a ser muito pior do que
nos últimos anos”, segundo o coordenador do Sindicato Têxtil do
Minho e de Trás-os-Montes, Francisco Vieira.
O maior
impacto vem da Polopiqué, com sede em Santo Tirso, que anunciou
no arranque do mês que pretende encerrar duas unidades em
Guimarães e Vizela, sendo despedidos só daqui 280 trabalhadores,
o que, a juntar-se às reestruturações das outras unidades, pode
elevar o total para 400.
Da
vimaranense StampDyeing, do Grupo Mabera e Coelima, uma centena
de trabalhadores vai para o desemprego. No mesmo concelho, a
Darita, de calçado, atirou 70 para o desemprego, enquanto na
freguesia ao lado, Selho São Lourenço, faliu ainda a
Bravisublime, com 42 trabalhadores para o desemprego.(15.09.25/Fonte:
ECO)
Inflação acelera em Agosto para 2,8% com aumento de 7% nos bens
alimentares
Índice dos
produtos alimentares não transformados sobe há sete meses
consecutivos. Variação dos produtos energéticos caiu.
O Índice de Preços no Consumidor (IPC) registou uma variação de
2,8% em Agosto, confirmando-se uma subida pelo quinto mês
consecutivo. Os dados definitivos divulgados esta quarta-feira
pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que a
variação mensal ficou 0,2 pontos percentuais acima da do mês
anterior.
A variação média dos últimos doze meses foi 2,4%, em ligeira
aceleração face aos 2,3% no mês anterior.
O indicador de inflação subjacente, índice total excluindo
produtos alimentares não transformados e energéticos, registou
uma variação de 2,4% (2,5% em Julho), "verificando-se, assim,
uma desaceleração nas categorias de produtos com menor variação
de preços", destaca o INE.
O aumento dos preços dos bens alimentares, que acontece há sete
meses consecutivos, é o principal responsável pela variação em
alta do índice, num mês em que os combustíveis voltaram a
descer.
Face a Agosto de 2024, o “ índice referente aos produtos
alimentares não transformados voltou a acelerar pelo sétimo mês
consecutivo, para 7,0% (6,1% em Julho)”, enquanto, em sentido
contrário, a variação dos combustíveis foi negativa: “A variação
do índice relativo aos produtos energéticos situou-se em -0,2%
(-1,1% no mês anterior).”
Para a variação homóloga do IPC, e para além dos bens
alimentares, contribuíram ainda a classe das bebidas não
alcoólicas e a dos restaurantes e hotéis. Em sentido contrário,
a classe com contribuição negativa mais relevante foi a do
vestuário e calçado.
Já face ao mês anterior, por classes de despesa, “são de
destacar os aumentos das taxas de variação homóloga do vestuário
e calçado e das comunicações, com variações de -1,4% e -0,6%
respectivamente (-2,0% e -1,0% em Julho)”, e, “em sentido
oposto, destaca-se a diminuição da taxa de variação homóloga da
classe das bebidas alcoólicas e tabaco, com uma variação de 0,9%
(1,7% no mês anterior)”.
Acima da zona euro
O Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) português
apresentou uma variação homóloga de 2,5% (valor idêntico no mês
anterior) e superior em 0,4 pontos percentuais ao valor estimado
pelo Eurostat para a área do euro (em Julho, a diferença
fixou-se em 0,5 pontos percentuais).
Excluindo produtos alimentares não transformados e energéticos,
as categorias mais voláteis, o IHPC em Portugal atingiu uma
variação homóloga de 2,3% em Agosto (2,4% em Julho), taxa
idêntica à estimada para a área do euro.
Em cadeia, o IHPC registou uma variação de -0,1% (-0,3% no mês
anterior e -0,1% em Agosto de 2024) e uma variação média dos
últimos doze meses de 2,4% (2,3% no mês precedente).
(10.09.25/Fonte:
Público)
Exportações para EUA e Alemanha afundaram-se em Julho
Venda de produtos químicos provocou nova descida no
fornecimento de bens para os EUA e fez a França ultrapassar a
Alemanha no ranking dos clientes dos produtos de Portugal.
As vendas de bens para os EUA voltaram a sofrer uma forte queda
no mês de Julho, mês em que diminuíram 37,3% em termos homólogos
e não foram além dos 392 milhões de euros.
No mês anterior, a queda tinha sido de 39,4%, depois do ciclo de
altos e baixos que marcou os primeiros cinco meses do ano num
contexto de ameaças e da aplicação de novas taxas alfandegárias
por Donald Trump.
Ao todo, nos primeiros sete meses deste ano, as vendas de bens
para os EUA somaram 2926,8 milhões de euros, o que representa
uma queda de 13,4% face ao mesmo período do ano passado. Em
sentido inverso, as importações subiram, pelo que o saldo de
Portugal com os EUA encolheu 23,8%, equivalente a menos 474
milhões de euros.
Mesmo assim, o saldo mantém-se positivo, no valor de 1518
milhões de euros, já que os EUA são o mercado com o qual
Portugal mantém o maior excedente comercial.
De acordo com as informações do comércio internacional
divulgadas nesta terça-feira pelo INE, no mês de Julho, em
termos de categorias de produtos, “destaca-se o decréscimo das
transacções de fornecimentos industriais (-29,3%),
maioritariamente produtos químicos exportados para a Alemanha e
para os Estados Unidos, correspondentes, sobretudo, a
transacções com vista a trabalho por encomenda (sem
transferência de propriedade)”.
A queda de vendas para a Alemanha foi ainda mais expressiva,
chegando aos 46,4%, acima da descida de 37,1% para os EUA, com o
INE novamente a destacar que tal se deveu “essencialmente” a
produtos químicos.
A queda de vendas para a Alemanha foi de tal ordem que este
mercado, com 821 milhões de euros em compras em Julho, foi
ultrapassado enquanto segundo melhor cliente (depois da Espanha)
pela França, com 888 milhões. Os EUA mantiveram-se na quarta
posição.
Já nas importações, realça o INE, “destacaram-se os aumentos das
importações de fornecimentos industriais (+8,1%),
maioritariamente produtos químicos importados da Irlanda”.
Em Julho, “e tendo em conta os principais países parceiros no
ano anterior”, diz o INE, “salienta-se o acréscimo das
importações provenientes da Irlanda (+76,3%), evidenciando-se os
fornecimentos industriais, nomeadamente produtos químicos,
correspondendo, em grande parte, a transacções com vista a
trabalho por encomenda (sem transferência de propriedade)”.
No mês em análise, o défice da balança comercial de bens atingiu
3293 milhões de euros, mais 1173 milhões em termos homólogos,
972 milhões acima do mês anterior.
“Os combustíveis e lubrificantes representaram 13,9% do défice
da balança comercial de bens em Julho de 2025 (20,3% em Junho de
2025; 31,7% em Julho de 2024), pelo que o défice da balança
comercial de bens expurgado do efeito destes produtos totalizou
2835 milhões de euros, o que corresponde a agravamentos de 1387
milhões face a Julho de 2024 e de 986 milhões em relação ao mês
anterior”, explica o INE.
Nos primeiros sete meses do ano, o défice da balança comercial
de bens chegou aos 18.224 milhões de euros, mais 3602 milhões em
termos homólogos.
(53%). (09.09.25/Fonte:
Público)
Número de trabalhadores abrangidos por despedimentos colectivos
sobe 30% até Julho
O número de trabalhadores abrangidos por despedimentos
colectivos está a aumentar desde 2022. Nos primeiros sete meses
do ano, atingiu 4688 trabalhadores.
O número de trabalhadores abrangidos por despedimentos
colectivos aumentou 30,3% até Julho, face a igual período do ano
anterior, totalizando 4688 pessoas, segundo cálculos da Lusa com
base em dados da Direcção-Geral do Emprego e das Relações do
Trabalho (DGERT).
Destes 4.688 trabalhadores abrangidos por despedimentos
colectivos, 4578 foram efectivamente despedidos, revelam os
últimos dados da DGERT.
O número de trabalhadores abrangidos por despedimentos
colectivos está a aumentar desde 2022, sendo que nos primeiros
sete meses deste ano são já mais do dobro dos registados em
igual período de 2023 (eram 2140).
Também o número de despedimentos colectivos comunicados pelas
empresas ao Ministério do Trabalho subiu 13,3% até Julho, face a
igual período de 2024, para 332.
De acordo com a análise dos dados da DGERT, o número de
despedimentos colectivos comunicados registado nestes primeiros
sete meses é o mais elevado desde 2020, período em que alcançou
420 empresas. Destes 332 despedimentos colectivos comunicados, a
maioria diz respeito a pequenas empresas e a microempresas,
representando 38,6% e 36,1% do total, respectivamente, de acordo
com os cálculos da Lusa.
Por regiões, Lisboa e Vale do Tejo e o Norte continuam a ser as
regiões com maior número de despedimentos colectivos comunicados
até Julho, com 166 e 100 respectivamente.
No que toca só ao mês de Julho, foram efectivamente despedidos
781 trabalhadores, um valor superior aos 465 registados no
período homólogo de 2024, bem como aos 779 registados em Junho.
Nestes despedimentos, a região de Lisboa e Vale do Tejo
representava a larga parte (81%), com 633 trabalhadores
efectivamente despedidos.
As indústrias transformadoras e as actividades de consultoria,
científicas, técnicas e similares são as actividades com maior
número de trabalhadores despedidos em Julho, sendo a principal
razão apontada, globalmente, a redução de pessoal (53%). (05.09.25/Fonte:
Público)
Têxtil Polopiqué despede até 400 pessoas, entra em
reestruturação e renegoceia dívida
Grupo quer recentrar operações no “core business” após
anos de prejuízos em várias unidades.
O grupo têxtil Polopiqué iniciou um processo de
reestruturação profunda para responder à quebra de receitas
sentida nos últimos anos, agravada em 2025. O plano inclui o
encerramento de duas fábricas, renegociação da dívida com a
banca através de Processos Especiais de Revitalização (PER),
pedidos de insolvência em algumas unidades e venda de ativos,
numa estratégia que visa concentrar-se nas áreas de maior
rentabilidade.
A notícia foi avançada pelo jornal Eco e, em comunicado, o
presidente do grupo, Luís Guimarães, sublinha que a prioridade
passa por manter as atividades estratégicas com maior retorno,
como design, logística, vendas, acabamentos têxteis e produção
de fio, assegurando que todo o processo será conduzido com
“total sentido de responsabilidade social”. Atualmente com cerca
de 800 trabalhadores, a Polopiqué admite que este plano poderá
reduzir a força de trabalho para cerca de metade, tendo em conta
a insolvência de duas empresas e a revitalização em curso
noutras duas. Ainda segundo a RTP, pelo menos 280 trabalhadores
deverão perder o emprego com o encerramento das duas unidades,
com o valor a aumentar com as reestruturações nas outras
unidades do grupo.
A decisão surge depois de anos consecutivos de prejuízos em
algumas unidades, que perderam competitividade e passaram a
pesar nos resultados globais. A Polopiqué Tecidos fechou 2023
com perdas de 1,6 milhões de euros, enquanto a Cottonsmile,
também destinada ao encerramento, registou prejuízos superiores
a um milhão, em linha com o ano anterior.
Já a holding Polopiqué SGPS registou um resultado líquido
negativo de 1,3 milhões em 2023, embora ligeiramente melhor do
que os quase dois milhões de euros de 2022.
O grupo garante que esta reorganização permitirá simplificar
processos, otimizar a cadeia de valor e reforçar a
sustentabilidade económica e ambiental, encerrando as unidades
de confeção e tecelagem para concentrar a capacidade produtiva
nas áreas com maior flexibilidade e rendimento. Apesar da quebra
de vendas em 2024, os negócios centrais mantiveram resultados
positivos, o que levou a empresa a apostar no chamado “core
business”. “O novo enquadramento de mercado exige uma
readaptação estratégica”, reconhece Luís Guimarães,
acrescentando que a Polopiqué quer continuar a ser um parceiro
de referência no setor têxtil internacional, capaz de responder
com rapidez e qualidade às exigências dos clientes.
Fundada em 1996, a Polopiqué é atualmente uma das principais
empresas do setor têxtil europeu. Integra ainda o Projeto
Lusitano, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência,
que prevê um investimento global de 111,5 milhões de euros. (29.08.25/Fonte:
Jornal de
Negócios)
Produção de vinho cai cerca de 40% no Douro
O número foi adiantado ao Dinheiro Vivo por Frederico
Falcão, presidente da ViniPortugal. Apesar de ainda ser cedo
para fechar os números, produtores já falam de quebras
acentuadas.
O Douro deverá “ter uma quebra de produção superior ao esperado,
provocada por algum escaldão, e por um impacto significativo do
míldio (uma doença que provoca a atrofia do crescimento das
plantas)”, adianta Frederico Falcão ao Dinheiro Vivo. “O resto
das regiões ainda não terminou a vindima, mas os aumentos e as
quebras deverão estar alinhados com a expectativa”. No Douro, no
entanto, “esperava-se uma quebra a rondar os 15% e o que os
produtores com quem tenho falado me dizem é que estamos a ver
uma quebra na produção a rondar os 40%”, adianta.
No mesmo sentido, ainda esta semana a Symington revelou que
espera uma redução no tamanho dos bagos das suas uvas 30%
inferiores à média, devido sobretudo à inconstância do clima.
Numa altura em que o Douro se tem debatido com elevados volumes
de inventário, o que tem tido um impacto negativo no preço das
uvas, a pergunta impõe-se: esta quebra de produção ajuda ou
agrava a situação?
“Para o produtor de uva é uma má situação, porque são menos
rendimentos”, adianta Frederico Falcão. “Mas, por outro lado,
pode ajudar à estabilidade de região, porque pode ajudar a
equilibrar os stocks”, o que poderá tero um efeito positivo no
preço das uvas, considera o presidente da ViniPortugal sem
querer adiantar mais, numa altura em que a campanha ainda
decorre.
“Em termos gerais de vindima no país, está muito heterogénea.
Tenho sentido produtores muito contentes com a qualidade e
outros muito apreensivos. Foi um verão muito quente e muito seco
e dependerá muito da região e do terroir. Há castas que estarão
fantásticas e outras que não se deram tão bem. Mas como dizem os
nossos amigos franceses, vai ser um ano excecional, certamente”,
atira, divertido o responsável.
Frederico Falcão aproveitou ainda para comentar os últimos
números libertados pelo Instituto d da Vinha e do Vinho, que
divulgou no início desta semana dados recolhidos pela Nielsen,
que dão conta de que, se por um lado as exportações de vinhos
nacionais cresceram em volume, tendo caído em valor, no mercado
nacional verificou-se a tendência inversa: houve menos litros
vendidos, mas um aumento da faturação, graças sobretudo ao
impacto do turismo e da restauração. Fazendo a ressalva de que a
Nielsen acompanha apenas cerca de metade do mercado, Falcão é
perentório quando olha para estes números:
“A perceção que eu tenho é precisamente essa: nos supermercados
há um crescimento do preço médio (subiu de 4,80 para 5 euros), e
ainda que na restauração seja muito difícil ter dados concretos
porque as associações do setor não os divulgam (a Nielsen fala
de um preço médio a rondar os 8,33 euros o litro) , a perceção
que tenho, falando com os produtores, é que a restauração está a
ser uma perda em volume. Todos eles se queixam disso. Porquê?
Porque os restaurantes se viraram para os turistas, sobretudo em
Lisboa, no Porto e no Algarve, e, portanto, estão a abusar da
margem nos vinhos. Aquilo que há uns anos achávamos que era uma
loucura, que eram margens de 100%, hoje são margens de 300% ou
400%. E já vi restaurantes a cobrar 1000% de margem. Portanto,
não há como não terem impacto nos produtores, sobretudo em
Portugal onde grande parte deles faz pequenas produções que têm
como principal destino, precisamente, os restaurantes”,
continua.
Quanto às exportações de vinho para os EUA, o mercado que tem
sido a grande aposta da ViniPortugal na última década, Frederico
Falcão admite que vai haver uma mudança de estratégia. Isto
porque as tarifas de 15%, que desde dia 1 de agosto estão a ser
aplicadas às referências europeias, estão já a impactar as
vendas, apesar de ainda ser cedo para tirar grandes ilações. O
que o responsável sabe é que importadores e produtores estão a
tentar trabalhar em conjunto para acomodar parte do custo destas
taxas, por forma a reduzir o aumento do preço no consumidor. E,
ainda que na última década os EUA tenham sido o mercado a que a
ViniPortugal alocou maior orçamento na divulgação dos vinhos
nacionais - acima de um milhão de euros por ano -, os próximos
meses deverão registar uma inversão nessa estratégia.
A proposta ainda tem de ser aprovada, mas Falcão admite que o
objetivo “é reduzir o investimento no próximo ano – ainda que
tenhamos de esperar para perceber o impacto real destas tarifas
-, deixando de ser o país número 1. Esse lugar passará a
pertencer ao Brasil. Os EUA serão o segundo. E vamos reforçar
também no Reino Unido e na Polónia, onde temos tido um
crescimento muito interessante, sobretudo nos últimos anos”,
adianta Falcão. Quanto ao impacto global das tarifas impostas
por Trump, Falcão lembra que é “sempre um bocadinho otimista. Já
tivemos números piores em cima da mesa”, diz, divertido,
recordando a ameaça de 200% à importação de bebidas alcoólicas
chegadas do Velho Continente.(29.08.25/Fonte:
Dinheiro
Vivo)
Despedimentos coletivos aumentam 17,7% até maio
O número de despedimentos coletivos comunicados aumentou
17,7% até maio, face a período homólogo, totalizando os 246,
segundo cálculos da Lusa. Mais de 3000 trabalhadores foram
dispensados.
Dos 246 despedimentos coletivos
comunicados pelas empresas nos primeiros cinco meses deste ano,
90 foram de microempresas, 97 de pequenas empresas, 34 de médias
empresas e 25 de grandes empresas.etivos comunicados pelas
empresas nos primeiros cinco meses deste ano, 90 foram de
microempresas, 97 de pequenas empresas, 34 de médias empresas e
25 de grandes empresas.
Também o número de trabalhadores
abrangidos por despedimentos coletivos subiu 8,3% até maio para
3.096. Deste total, 3.018 foram efetivamente despedidos, segundo
os dados disponíveis, que ainda podem ser sujeitos a revisão.
No que toca ao mês de maio, foram
efetivamente despedidos 568 trabalhadores, um valor inferior aos
631 registados no período homólogo, bem como aos 857 registados
em abril.
Dos 568 trabalhadores efetivamente
despedidos em maio, o Norte liderava com 274, seguido por Lisboa
e Vale do Tejo, com 250.
No caso da região de Lisboa e Vale do
Tejo trata-se de um valor mais de cinco vezes superior ao
registado no período homólogo, quando tinham sido despedidos 44
trabalhadores. Já na região Norte trata-se de uma subida de
144%, isto é, mais do dobro dos 112 registado em igual período
de 2024, segundo os cálculos da Lusa.
De sublinhar que em maio do ano passado,
a região Centro liderava neste campo com 466 trabalhadores
despedidos.
As grandes empresas despediram menos em
maio, com 134 trabalhadores, face a igual período de 2024, em
que atingiram 218. O maior número de trabalhadores despedidos
observou-se nas pequenas e médias empresas com 203 e 175
trabalhadores despedidos, respetivamente.
As indústrias transformadoras são
a atividade com maior número de trabalhadores despedidos em
maio, sendo que a principal razão apontada, globalmente, é o
encerramento definitivo.(14.07.25/Fonte:
Diário de Notícias)
Exportações de vinho estão a cair 1,5%, arrastadas pelas quebras
nos mercados norte-americanos e na Rússia
EUA e Canadá perdem 7% cada
um, em termos homólogos, e a Rússia cai 35,7%. Em conjunto,
estes três mercados estão a custar oito milhões de euros às
empresas portuguesas. Angola contrabalança perdas.
Depois de um primeiro trimestre a crescer 1,5%, abril veio
estragar as contas às exportações dos vinhos portugueses. No
acumulado de janeiro a abril, as vendas ao exterior estão a cair
1,5% precisamente, penalizadas pelos mercados norte-americanos,
mas também pela Rússia. EUA e Canadá tiveram um decréscimo de
7%, cada um, mas a Rússia cai 35,7%.
Os dados são do INE, trabalhados pela ViniPortugal, e mostram
que Portugal exportou, nos primeiros quatro meses do ano, 110
milhões de litros de vinho no valor de 294,5 milhões de euros. É
uma descida de 1,5% em valor e de 1,6% em quantidade. O preço
médio está em linha com o ano anterior, nos 2,68 euros por
litro.
Em termos de valor, a quebra é de 4,5 milhões de euros, sendo
que, só a Rússia, que, em 2024, foi o 11º destino externo do
vinho português, triplicando compras face a 2023, perdeu 4,6
milhões de euros, ficando-se pelos 8,3 milhões.
Para os Estados Unidos foram menos 2,3 milhões de euros do que o
ano passado, num total de 30,7 milhões de euros, e para o Canadá
foram menos 1,1 milhões, não indo, no total, além dos 15 milhões
de euros. A ameaça constante de tarifas por parte de Donald
Trump ajuda a explicar estes números. Em janeiro, as exportações
para os EUA caíram 22%, em fevereiro cresceram 26%, em março a
queda foi de 1,5% e em abril o trambolhão foi de 27,2%.
A grande diferença é que a Rússia importa vinhos com um preço
médio de 2,17 euros o litro, mesmo assim 3 cêntimos acima do ano
passado, enquanto os Estados Unidos pagam 4,02 euros por litro,
em média, e o Canadá 3,85 euros.
Já França, que é o principal mercado de destino das exportações,
muito influenciado pelo Vinho do Porto, está em linha com o ano
anterior, nos 33,7 milhões de euros.
O Brasil, que ocupa o 3º lugar, recua ligeiramente (-0,9%) para
24,9 milhões de euros e a Alemanha, que está na 5ª posição,
perde 4,4% para 15,9 milhões de euros.
Do lado das boas notícias, destaque especial para o mercado
angolano, que comprou, nestes primeiros quatro meses do ano,
vinhos no valor de 15,2 milhões de euros, um aumento homólogo de
33,7%. Em termos absolutos, são mais 3,8 milhões de euros.
Angola foi o 6º maior comprador dos vinhos portugueses neste
quadrimestre.
O Reino Unido cresceu 4,4% para 20,7 milhões de euros, quase 1
milhão a mais do que em 2024, e os Países Baixos estão em linha
com o ano passado, nos 14,9 milhões de euros.
Merece ainda realce o crescimento de vendas de 4,9% para a
Polónia, que já nos 13,5 milhões de euros, e para os 12,4% de
acréscimo para a vizinha Espanha, correspondentes a quase 1,2
milhões de euros a mais, num total de 10,5 milhões.
Nos países nórdicos, tudo cai: Suécia comprou 7,8 milhões de
euros (-1,1%), a Dinamarca 5 milhões (-19,7%), Finlândia 4,1
milhões de euros (-10,3%) e Noruega quase 4,1 milhões também
(-3,4%).
Por regiões e denominações de origem, o Vinho do Porto está em
linha com o ano passado, nos 83 milhões de euros, enquanto o
Vinho Verde cresce 4% para 40,1 milhões de euros. O Alentejo
cresce 2,4%, para quase 24 milhões de euros, e Lisboa aumenta
exportações em 15,1% para 22,2 milhões de euros. O top 5 é
fechado pelo Douro, que cai 10% e se fica pelo18,4 milhões de
euros.
Questionado sobre os números, o presidente da ViniPortugal
admite que são "preocupantes", mas alerta que é preciso
"analisá-los com cuidado", e sobretudo ter em conta que há muita
oscilações de uns meses para outros.
Frederico Falcão está no Brasil, onde esta semana a instituição
responsável pela promoção internacional dos vinhos portugueses
organizou as suas tradicionais provas no Rio de Janeiro, pelo
12º ano consecutivo, e onde conseguiu bater o recorde de
pessoas, com 10.500 enófilos a provar vinhos nacionais.
Seguem-se as provas em São Paulo, que arrancam nesta sexta-feira
e terminam domingo, dia 14 de junho.(15.06.25/Fonte:
Diário de Notícias)
Portugal atinge marco histórico com 41.359 empresas exportadoras
A região Norte realiza cerca
de 35% do valor total das exportações portuguesas sendo que 42%
das empresas sediadas na região são exportadoras.
Portugal atingiu um marco histórico com 41.359 empresas
exportadoras e o Norte afirma-se novamente como a região mais
exportadora, de acordo com um estudo da Informa D&B divulgado
hoje.
A região Norte realiza cerca de 35% do valor total das
exportações portuguesas sendo que 42% das empresas sediadas na
região são exportadoras.
Já a Grande Lisboa cresceu 1,8 pontos percentuais (p.p) desde
2019 em número de exportadoras sendo que 32% das suas empresas
já exportam.
Segundo o estudo "As Empresas Exportadoras em Portugal" da
Informa D&B que analisou dados até 2023, a dimensão das empresas
está relacionada com a sua capacidade exportadora, entre as
microempresas, que constituem 94% do tecido empresarial, apenas
9% são exportadoras.
Por outro lado, e representando apenas 0,3% do tecido
empresarial, 56% das grandes empresas são exportadoras,
assegurando também mais de metade (58%) do valor total das
exportações.
As exportações portuguesas estão concentradas nas indústrias,
serviços empresariais e grossistas, que em conjunto reúnem 56%
das empresas exportadoras.
Porém o setor das Tecnologias de Informação e Comunicação voltou
a registar a maior subida em número de exportadoras,
representando agora 12% do total.
Lê-se no documento que o número de exportadoras está a crescer
há mais de uma década, tendo acelerado nos últimos anos, com
mais de 5.000 novas exportadoras a surgir entre 2020 e 2023.
Esta evolução, e apesar da sua queda no período da pandemia,
trouxe às exportações um peso cada vez maior na produção de
riqueza sendo que em 2023 as exportações corresponderam a cerca
de metade do PIB nacional, quase o dobro do registado há 20
anos.
Em 2023 registou-se, no entanto, uma travagem no negócio das
exportadoras, devido ao recuo nas exportações de bens, já que os
serviços registaram crescimento em 2023.
Quase três quartos das exportações são de bens (72%), embora a
maioria das empresas exportadoras (56%) assente o seu negócio na
venda de serviços.(04.06.25/Fonte:
Jornal de
Negócios)
Três em cada cinco portugueses não têm dinheiro para as
necessidades básicas, aponta estudo
Os portugueses não têm meios
para suprir as despesas diárias, sendo que as restrições
orçamentais são um dos principais obstáculos ao consumo, revelou
esta terça-feira o estudo Barómetro Europeu 2025 do Observador
Cetelem.
três em cada quatro cidadãos nacionais assume ter dificuldades
financeiras e três em cada cinco diz mesmo não conseguir cobrir
as suas necessidades básicas. Já 18% dos participantes em
Portugal admitiu não só a incapacidade de pagar os encargos
essenciais, como também a ausência de qualquer alternativa para
enfrentar essa situação.
“59% dos inquiridos afirma que não consegue fazer face às suas
necessidades básicas, mas desenvolve estratégias que lhes
permite dar resposta a esse desafio. Em Portugal 18% dos
inquiridos consideram que não têm dinheiro para satisfazer as
suas necessidades básicas, o que quase equivale à percentagem de
pessoas que vivem abaixo do limiar de pobreza”, indicou o
estudo, conduzido em 10 países e perto de 11 mil inquiridos
sobre o consumo na Europa.
Portugal lidera como o país onde mais cidadãos sentem falta de
dinheiro (77%): 86% dos europeus afirmam que já ter sentido
frustração por não conseguirem gastar como gostariam. Neste
indicador, Portugal posiciona-se em segundo lugar, apenas atrás
da Roménia, com 91% dos inquiridos a reconhecerem a frustração
face à escassez de orçamento. “A Roménia, Portugal e a Polónia
são os países em que a insatisfação é mais acentuada, enquanto
na Bélgica, França e Reino Unido a frustração é menos
percetível”, frisou o estudo.
se recebessem uma quantia inesperada de dinheiro, 84% dos
portugueses afirma que optaria por poupar, enquanto apenas 16%
manifestou a intenção de gastar. Neste contexto, Portugal tem a
mais elevada taxa de intenção de poupança e a mais baixa de
intenção de consumo entre os países europeus: apenas 39% dos
inquiridos perspetiva gastar mais durante este ano, uma descida
significativa em relação aos 48% registados em 2024.
“Este cenário de cautela manifesta-se num contexto de pessimismo
generalizado, em que os portugueses, a par dos romenos, se
revelam entre os mais apreensivos da Europa. Em Portugal, a
inflação tem vindo a diminuir de forma assinalável, mas a
perceção dos consumidores e os efeitos persistem: 61% dos
portugueses ainda percecionam um aumento significativo dos
preços, um valor elevado, embora inferior aos 81% registados no
ano anterior. O impacto dos preços da alimentação e da energia
ajudam a explicar esta perceção, sobretudo entre as famílias com
rendimentos mais baixos”, apontou o diretor de marketing do
Cetelem, Hugo Lousada.
Os portugueses, no entanto, pretendem poupar: 65% dos inquiridos
afirmou que pretende poupar este ano – um valor 10% acima da
média europeia – e tornou Portugal, ao lado da Roménia e do
Reino Unido, como um dos países que mais pretende colocar
dinheiro de lado. “Esta atitude cautelosa prevalece e pode ter
origem na intenção de não comprometer o futuro e de manter uma
certa margem de manobra financeira numa altura em que os défices
públicos atingem valores recorde em alguns países, o que pode
vir a provocar aumentos de impostos que terão um efeito negativo
no poder de compra”, concluiu o estudo.(20.05.25/Fonte:
Diário de Notícias)
Pedro Nuno Santos sai de cena para não estorvar o PS
Pedro Nuno Santos anunciou
que ia abandonar a liderança do PS e convocar eleições no
partido.
Partido terá eleições internas perante uma das maiores derrotas
eleitorais. “Estarei cá para dizer o que penso”, disse
secretário-geral. .
Saída Menos de dois anos após ter sido eleito secretário-geral
do PS, em dezembro de 2023, Pedro Nuno Santos anunciou ontem a
sua demissão de líder do partido. O PS terá eleições internas e
Pedro Nuno Santos não será recandidato. O socialista perdeu pela
segunda vez as eleições legislativas, com 23,38 % dos votos e a
eleição de 58 de deputados, segundo os dados disponíveis ao
fecho desta edição. Em março de 2024, tinha alcançado 28,66% e
77 deputados.
“Não cabe ao PS dar suporte a este Governo. Luís Montenegro não
tem a idoneidade necessária. As eleições não alteraram a
realidade”, afirmou o ainda líder do PS, referindo-se ao caso
Spinumviva. Ao lado de Carlos César, presidente do PS, e do
diretor de campanha nacional do PS, Nuno Araújo, Pedro Nuno
Santos disse não querer ser um “estorvo” para o PS.
O líder do PS deixou nas entrelinhas que a vontade do partido
para garantir governabilidade à AD poderá ser diferente da sua.
“O partido terá decisões importantes para tomar”, sobre
nomeadamente a viabilização de uma comissão parlamentar de
inquérito (CPI) à Spinumviva. Para Pedro Nuno Santos, as razões
para uma CPI “mantêm-se intocáveis”. “Estarei cá para dizer o
que penso”, acrescentou.
O PS teve ontem um dos piores resultados da sua História: pouco
acima das eleições de 1985 (20,8%) e 1987 (22,2%), quando o PSD
era liderado por Cavaco Silva. Naqueles dois anos, os líderes
socialistas eram António Almeida Santos e Vítor Constâncio,
respetivamente. Eram visíveis ontem os rostos fechados de vários
deputados socialistas, com alguns militantes em lágrimas perante
a derrota eleitoral.
Durante a noite de ontem, vários socialistas assumiram ser tempo
de reflexão para o PS no rescaldo dos resultados das
legislativas, sem nunca pedirem, contudo, diretamente a demissão
de Pedro Nuno Santos. Com exceção de Sérgio Sousa Pinto (ler ao
lado).
Surpresa dos militantes
Os resultados da sondagem à boca das urnas, por volta das 20
horas, na sala principal da sede do PS, no hotel Altis, em
Lisboa, foram um prenúncio do que aconteceria. Com poucas
cadeiras ocupadas, ao início da noite, a possibilidade de o PS
poder ser ultrapassado pelo Chega deixou um rasto de
incredulidade e desânimo junto dos socialistas. “Ainda falta
muito”, ouviu-se, numa voz meia esperançada, mas hesitante.
Na chegada à sede, vários membros do partido, entre os quais
Alexandra Leitão (líder parlamentar do PS) e Carlos César,
deixavam ainda notas de esperança de que o PS poderia ganhar as
eleições e recusaram fazer cenários sobre o futuro do
secretário-geral Pedro Nuno Santos. O líder socialista disse, na
entrada, aos jornalistas, já ter “algumas coisas pensadas” para
dizer à comunicação social. “Não estou nervoso, estou
expectante”, referiu.
Quase uma hora depois dos primeiros resultados, havia quase
tantos convidados na sala da sede como jornalistas e membros da
equipa técnica do espaço. Durante grande parte da noite, as
cadeiras foram ocupadas por militantes e simpatizantes
desconhecidos, sem que as figuras de proa do partido estivessem
presentes.
Uma fila de cadeiras com papéis escritos – “reservado” –
mantinha-se vazia quase duas horas depois dos primeiros
resultados. Ouviu-se um “vou-me embora” entre os convidados às
22 horas, uma prova de que os resultados não motivaram alguns a
esperar por Pedro Nuno Santos.(06.05.25/Fonte:
Jornal de Notícias)
Pedro Nuno Santos promete “solução de estabilidade” em diálogo
com partidos após eleições
O líder do PS, Pedro Nuno
Santos, assegurou esta terça-feira que, depois das legislativas,
irá encontrar uma “solução de estabilidade política em Portugal”
em diálogo com os grupos parlamentares saídos das eleições,
recordando a sua experiência no tempo da geringonça.
“Nós estamos nesta fase que é dialogar com os portugueses,
tentarmos ter o melhor resultado possível que depois nos permita
dialogar com os grupos parlamentares que estão representados no
parlamento para encontrarmos uma situação de estabilidade
política em Portugal e não termos num primeiro-ministro o foco
de instabilidade e de eleições porque foi isso que aconteceu nos
últimos dois meses”, respondeu Pedro Nuno Santos aos jornalistas
no final de uma visita às oficinas da CP, no Entroncamento.
O líder do PS recordou o seu trabalho como secretário de Estado
dos Assuntos Parlamentares durante o período da Geringonça e
considerou que então demonstrou capacidade de “dialogar com
outras forças políticas e construir soluções” que permitam dar
estabilidade.
“Eu já dei provas de que consigo fazer isso e farei isso depois
do dia 18 de maio. Sendo que eu nunca serei, pessoalmente, um
fator de instabilidade política em Portugal. Serei mesmo um
fator de estabilidade política em Portugal”, prometeu.(06.05.25/Fonte:
Diário de Notícias)
Economia portuguesa recua 0,5% no primeiro trimestre
No arranque deste ano, a
economia portuguesa inverteu a tendência e entrou no vermelho: o
PIB diminuiu 0,5% no primeiro trimestre face aos últimos três
meses de 2024, divulgou o INE nesta sexta-feira, 2 de maio.
Segundo a estimativa rápida divulgada nesta sexta-feira, 2 de
maio, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), comparando
com o quarto trimestre de 2024, a economia recuou 0,5%, após um
crescimento de 1,4% no trimestre anterior.
"O contributo da procura externa líquida para a variação em
cadeia do PIB foi negativo enquanto a procura interna registou
um contributo nulo, após terem sido positivos no trimestre
anterior", escreve o INE.
Os analistas esperavam um travão a fundo da economia portuguesa,
ou seja, que o ritmo abrandasse depois do crescimento expressivo
no final do ano passado. Mas ainda apontavam para um pequeno
crescimento, até 0,2%.
Mas os dados apurados pelo INE relevaram-se negativos. Além
disso, ficam em contraciclo com o que aconteceu na Zona Euro,
onde o PIB já apurado dos países da moeda única (não consideram
ainda Portugal e Espanha, por exemplo, por causa do apagão)
apontam para um crescimento de 0,4%.
Além disso, os dados do INE desta sexta-feira tiraram 0,1 pontos
percentuais ao crescimento do quarto trimestre, tanto em termos
homólogos, como em cadeia. Assim, no quarto trimestre a economia
terá crescido 2,8% face ao quarto trimestre de 2023 e 1,4% face
aos três meses imediatamente anteriores.
No entanto, em termos homólogos, ou seja, em comparação com o
arranque de 2024, a economia portuguesa cresceu 1,6%, em forte
abrandamento. O INE explica que o contributo positivo da procura
interna diminuiu, "em resultado do abrandamento do consumo
privado".
Além disso, o contributo negativo da procura externa líquida
manteve-se, mas "foi mais acentuado", refletindo a desaceleração
das exportações de bens e serviços.(02.05.25/Fonte:
Jornal de Negócios)
Desfile do 25 de Abril chegou ao Rossio mais de uma hora depois
de milhares começarem a descer a Avenida
Durante todo o percurso,
repetiram-se as habituais palavras de ordem "25 de Abril sempre,
fascismo nunca mais".
Os primeiros participantes no tradicional desfile comemorativo
do 25 de Abril na Avenida da Liberdade, em Lisboa, começaram a
chegar ao Rossio cerca das 17h00 desta sexta-feira, hora e meia
depois de milhares de pessoas terem iniciado a marcha.
Ao som de canções de intervenção, as duas chaimites que marcaram
o início do desfile pelas 15:30, chegaram à Praça D. Pedro IV,
no Rossio, em Lisboa, uma hora e meia depois de arrancarem, onde
já eram esperadas por várias centenas de pessoas.
Àquela hora, os últimos participantes no desfile estavam ainda
no topo da Avenida da Liberdade.
Durante todo o percurso, repetiram-se as habituais palavras de
ordem "25 de Abril sempre, fascismo nunca mais" e as senhas da
Revolução, que ecoaram das colunas das chaimites, sobretudo a
"Grândola, Vila Morena" eram cantadas por aqueles que
participavam no desfile e pelos milhares que enchiam as ruas
laterais da avenida para o ver passar, a maioria de cravo
vermelho na mão.(25.04.25/Fonte:
Correio da
Manhã)
Preços das casas em Portugal sobem quase três vezes mais do que
no resto da Europa
Índice de preços aumentou
3,3% na União Europeia em 2024, depois de um ano em que havia
sido registada uma ligeira correcção deste indicador. Portugal
foi o país com o sexto maior aumento.
Os dados foram divulgados, nesta
terça-feira, pelo Eurostat, que dá conta de que, em 2024, o
índice de preços da habitação registou um aumento de 3,3% no
conjunto dos 27 países da União Europeia. Já considerando apenas
os países da zona euro, o aumento dos preços foi de 2% em 2024.
Em Portugal, tal como já foi divulgado pelo Instituto Nacional
de Estatística (INE) no mês passado, os preços das casas
aumentaram 9,1% em 2024, uma aceleração em relação ao ano
anterior e uma taxa de variação que corresponde a quase o triplo
daquela que foi registada no conjunto da União Europeia.
Portugal foi, assim, o país da União Europeia onde se registou o
sexto maior aumento dos preços das casas no ano passado, só
ultrapassado por Bulgária, Croácia, Lituânia, Hungria e
Polónia.
Em sentido contrário, houve apenas cinco países da União
Europeia onde os preços das casas caíram no ano passado e, em
todos os casos, prolongam-se, assim, as quedas já verificadas em
2023. A maior correcção verifica-se no Luxemburgo, onde os
preços diminuíram 5,2% no ano passado, depois da queda de 9,1%
já registada em 2023.
Mas a maior preocupação tem sido a Alemanha, maior economia
europeia, que está em recessão. No ano passado, os preços das
casas caíram 1,6% neste país, depois da queda de 8,5% que se
verificou em 2023. Também França registou uma quebra dos preços
das casas, de 3,7%, assim como a Finlândia (com uma diminuição
de 3,5%) e a Áustria (onde o recuo foi de apenas 0,2%).
Rendas também sobem
A acompanhar o movimento dos preços das casas, também as rendas
registaram aumentos no ano passado e, mais uma vez, Portugal
volta a ultrapassar largamente o ritmo de crescimento verificado
no resto da Europa.
Em 2024, ainda de acordo com os dados do Eurostat, as rendas
(considerando o conjunto das rendas praticadas, tanto as de
novos contratos como as já existentes) aumentaram 3,1% na União
Europeia e 2,9% considerando apenas os países da zona euro.
Os aumentos verificaram-se em quase todos os países analisados
pelo Eurostat, à excepção da Estónia, onde as rendas caíram 0,9%
no ano passado. Já o maior aumento, superior a 12%, ocorreu na
Hungria.
Portugal, por seu lado, registou uma subida de 7% das rendas no
ano passado, um valor acima da média europeia e que faz com que
Portugal volte a estar entre os países onde se registam maiores
aumentos de rendas. Para além da Hungria, Letónia, Malta e
Roménia foram os únicos países da União Europeia a registar
subidas mais significativas.(08.04.25/Fonte:
Público)
Procura de imóveis em Portugal por estrangeiros aumenta,
sobretudo fora da UE
Embora os incentivos fiscais
tenham diminuído, especialmente com o fim dos vistos gold e
alterações ao regime de Residentes Não Habituais, o interesse de
cidadãos fora da União Europeia (UE) continua a ser superior ao
de residentes europeus.
Nos últimos anos, Portugal tem atraído um
número crescente de estrangeiros à procura de casas para comprar
ou arrendar, com intenção clara de melhorarem a qualidade de
vida ou numa perspectiva de realizarem um investimento rentável.
Embora os incentivos fiscais tenham diminuído, especialmente com
o fim dos vistos gold e alterações ao regime de Residentes Não
Habituais, o interesse de cidadãos fora da União Europeia (UE)
continua a ser superior ao de residentes europeus.
Dados do idealista/data indicam que, em 2024, 54% da procura
internacional por casas para comprar e 63,8% para arrendar
vieram de pessoas fora da UE, embora esses números ainda estejam
abaixo dos níveis de 2022. O novo incentivo fiscal à
investigação científica e inovação (IFICI+) foi regulamentado,
mas o prazo para inscrição no Portal das Finanças termina a 31
de março.
A procura de imóveis varia globalmente, com alguns países a
imporem restrições, enquanto outros, como a Nova Zelândia e os
EUA, incentivam a chegada de investidores. Estrangeiros,
especialmente brasileiros e norte-americanos, lideram a procura
de imóveis em 15 grandes cidades portuguesas. Em Ponta Delgada,
70% dos interessados em comprar casas são não europeus, e a
procura no Porto (60,4%) e Lisboa (60,2%) também é
predominantemente feita por cidadãos fora da UE.
No entanto, em cidades como Faro, Portalegre, e Guarda, são os
cidadãos da UE que mais procuram imóveis. Nos últimos 12 meses,
a procura por casas para arrendar por estrangeiros fora da UE
subiu em 11 municípios, com destaque para Portalegre, Faro e
Funchal. Por outro lado, a procura estabilizou em Aveiro e caiu
em várias outras localidades. Em Viseu, a procura por
arrendamento habitacional é dominada por não europeus (80,2%),
seguida por Braga (78,2%) e Leiria (75,1%).(31.03.25/Fonte:
Jornal
Económico)
Queda da natalidade e envelhecimento podem reduzir crescimento
do PIB em 0,6 pontos por ano até 2050
Estudo do McKinsey Global
Institute traça um cenário negro para a demografia portuguesa,
como aliás para parte do mundo desenvolvido. E lança propostas
para uma reação rápida em termos estruturais.
Dois terços da população mundial vivem em
países com taxas de natalidade abaixo do nível de reposição de
2,1 filhos por mulher. Portugal apresenta uma taxa de 1,5. Nas
economias avançadas e na China, a população em idade ativa – a
que gera atividade económica – cairá dos atuais 67% para 59%. Em
Portugal, de 63% para 53%, refere um estudo do McKinsey Global
Institute (MGI). Que avança que “sem reformas urgentes, as
economias avançadas e emergentes enfrentarão um abrandamento do
crescimento económico e uma pressão crescente sobre os sistemas
de pensões e as finanças públicas. Se não forem tomadas medidas,
o envelhecimento da população reduzirá em 0,6 pontos percentuais
por ano o crescimento do PIB per capita português nos próximos
25 anos. O número de pessoas em idade ativa por reformado
passará de 2,6 para 1,6.
O estudo da McKinsey sublinha que Portugal enfrenta um dos
maiores desafios entre os países de todo o mundo. Com uma taxa
de natalidade de cerca de 1,5 filhos por mulher e uma
percentagem crescente da população na reforma, o crescimento
económico e as finanças públicas estarão sob pressão crescente.
A população portuguesa em idade ativa atingiu o seu máximo em
1999, situa-se atualmente em 63% e diminuirá para 53% em 2050.
Prevê-se que o número de pessoas em idade ativa por cada pessoa
com mais de 65 anos diminua dos atuais 2,6 para 1,6, dentro de
apenas 25 anos. As alterações demográficas, por si só, poderão
reduzir o crescimento de Portugal até 0,6 pontos percentuais ao
ano, até 2050. Como referência, o crescimento anual nos últimos
25 anos foi de 1,1%, o que significa que o impacto demográfico
poderá eliminar mais de metade desse crescimento.
“As alterações demográficas, ao contrário de outros fenómenos,
têm uma vantagem importante: evoluem lentamente e são altamente
previsíveis”, afirma Marc Canal, investigador sénior do MGI.
“Portugal tem um enorme desafio demográfico, que só poderá ser
superado com uma maior participação no mercado de trabalho e um
aumento substancial da produtividade. Além disso, é fundamental
repensar o contrato social entre gerações.”
A transformação demográfica global, caracterizada pela
diminuição das taxas de natalidade e pelo envelhecimento da
população, está a mudar radicalmente a estrutura económica
mundial, de acordo com o estudo, intitulado Dependency and
Depopulation? Confronting the consequences of a new demographic
reality.
Dois terços da população mundial vivem em países com taxas de
natalidade inferiores ao nível de reposição de 2,1 filhos por
mulher. Esta situação poderá levar algumas economias avançadas e
a China a perder entre 20% a 50% da sua população até 2100. A
McKinsey descreve o futuro como “a era da escassez de jovens”.
As pirâmides populacionais já não se assemelham a pirâmides e
estão a assumir a forma de obeliscos, caracterizados por um
aumento acelerado da população idosa e uma redução significativa
do número de jovens.
O estudo indica que, nas economias avançadas e na China, a
população em idade ativa cairá para 59% do total em 2050, contra
os atuais 67%. Neste contexto demográfico, prevê-se que o
crescimento do PIB per capita diminua substancialmente, em mais
de 0,5 pontos percentuais por ano em vários países, a menos que
a produtividade e a participação no mercado de trabalho
aumentem. A pressão sobre os sistemas de pensões e as finanças
públicas continuará a intensificar-se. Prevê-se que o número de
pessoas em idade ativa por cada reformado (a chamada “taxa de
suporte”) diminua dos atuais 3,9 para 2 em 2050. Esta
transformação terá um impacto direto no consumo: atualmente, as
pessoas com mais de 65 anos são responsáveis por 2,1 euros em
cada 10 euros gastos. Em 2050, prevê-se que este valor aumente
para 3,1 euros, o que trará implicações significativas para as
estratégias empresariais.
“Estamos num ponto de viragem. Os modelos económicos baseados no
crescimento da população ativa são coisa do passado. Precisamos
de mudanças profundas para sustentar o aumento do nível de
vida”, afirma Chris Bradley, sócio sénior e diretor do MGI. “Na
ausência de mudanças, as economias avançadas poderão ver o
crescimento do PIB per capita cair substancialmente nas próximas
décadas, o que afetará a prosperidade das gerações futuras.”
O estudo do MGI destaca que, para se adaptarem a esta nova
realidade, as empresas terão de repensar as suas estratégias
para captar o mercado sénior, gerir equipas multigeracionais e
investir em tecnologias que impulsionem a produtividade. Ao
mesmo tempo, os governos terão de desenhar políticas públicas
que incentivem este investimento, bem como o reforço da poupança
para a reforma, a saúde pública e a promoção da longevidade
saudável. O estudo também indica que o epicentro do consumo e do
trabalho se deslocará para regiões emergentes, além da China. De
acordo com as tendências atuais, prevê-se que a população
chinesa passe de 18% da população mundial total, para 6% até ao
final do século. Ao mesmo tempo, até 2100, um terço da população
mundial será proveniente da África subsariana.
O McKinsey Global Institute (MGI) foi criado em 1990 com o
intuito de “fornecer uma base de factos para ajudar na tomada de
decisões sobre as questões económicas e comerciais mais
importantes para as empresas e líderes políticos mundiais”.(25.03.25/Fonte:
Jornal
Económico)
Subida no preço da habitação ultrapassa 9% em 2024
Instituto de Estatística
contabiliza venda de mais de 156 mil casas, por 33,8 mil milhões
de euros.
Os
preços da habitação aumentaram, no ano passado, 9,1%, mais 0,9
pontos percentuais face a 2023. No total, foram vendidas 156 325
habitações, um aumento de 14,5% face a 2023, de acordo com dados
divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de
Estatística (INE).
O mercado imobiliário voltou a crescer no ano passado, sobretudo
no último trimestre do ano, com mais casas vendidas e preços
mais elevados.
O aumento de preços atingiu 9,7% nas casas existentes e 7,5% nas
casas novas, avança o INE, no âmbito de um balanço feito ao ano
de 2024.
O conjunto das transações dos imóveis totalizou 33,8 mil milhões
de euros, mais 20,8% do que em 2023.
Por tipo de comprador, as vendas de alojamentos às famílias
aumentaram 15,2% face ao ano anterior, fixando-se em 134 540
habitações, no valor de 28,7 mil milhões de euros. Já os
compradores com domicílio fiscal fora de Portugal adquiriram
9774 habitações, no último ano, menos 5,9% face a 2023.
Nos últimos três meses do ano passado, o aumento dos preços foi
mais expressivo nas habitações existentes (12,4%) do que nas
habitações novas (9,6%).
Entre outubro e dezembro, foram transacionadas 45 214
habitações, um aumento homólogo de 32,5% e uma taxa de variação
em cadeia de 10,5%. Naquele período, o valor das habitações
transacionadas ascendeu a 10,2 mil milhões de euros, mais 41,8%
face ao período homólogo.
O dinamismo dos últimos meses foi parcialmente impulsionado pela
aquisição por parte de jovens até aos 35 anos, com benefícios
estatais.(22.03.25/Fonte:
Correio da
Manhã)
Fábrica da Yazaki Saltano vai despedir 364 trabalhadores em Ovar
“Solidária” com trabalhadores despedidos da Yazaki, Câmara de
Ovar promete apoio social
A Câmara de Ovar mostrou-se esta sexta-feira
disponível para apoiar os trabalhadores da fábrica de
componentes automóveis Yazaki Saltano, nomeadamente através de
medidas de apoio social. A fábrica de Ovar, no distrito de
Aveiro, do grupo japonês vai despedir 364 trabalhadores, o que a
empresa justifica com a “actual situação crítica da indústria
automóvel europeia”.
Em comunicado, a autarquia diz estar "solidária
com os trabalhadores afectados pelo despedimento colectivo"
anunciado na Yazaki Saltano e "manifesta a sua total
disponibilidade para os apoiar".
"Perante esta decisão da empresa, que terá um
impacto significativo na vida de cerca de 270 trabalhadores da
unidade fabril de Ovar, o município está empenhado em mobilizar
todos os recursos ao seu dispor para garantir o necessário
acompanhamento social e profissional de todos os trabalhadores",
lê-se na nota de imprensa.
Contactada pela Lusa, fonte da câmara municipal
disse ter apurado que em Ovar estarão em causa cerca de 270
trabalhadores da fábrica, enquanto os restantes afectados por
esta medida serão de serviços administrativos dos escritórios
com sede em Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto.
"Apesar de se tratar de uma decisão resultante
da crise no sector automóvel e de a empresa garantir o
cumprimento integral dos direitos dos trabalhadores, a Câmara
Municipal de Ovar não pode deixar de expressar a sua preocupação
com as consequências desta medida para os trabalhadores, as suas
famílias e para a economia local", refere a autarquia do
distrito de Aveiro.
Em causa está um despedimento confirmado também
esta sexta-feira à Lusa pela Yazaki Saltano
que tem em Ovar uma fábrica dedicada a sistemas
eléctricos e electrónicos para a indústria automóvel. A empresa
justifica a decisão com a "actual situação crítica da indústria
automóvel europeia".
Sublinhando que está "solidário com os
trabalhadores e estará atento a todas as implicações sociais e
económicas desta decisão", o Município de Ovar diz que
assegurará que "serão mobilizados os recursos necessários para
apoiar a reintegração profissional dos trabalhadores e mitigar
os impactos dessa decisão empresarial".
"Seja através da actuação do Gabinete de
Inserção Profissional do Município ou do recurso a medidas de
apoio social, como o Fundo de Emergência Social, a autarquia vai
disponibilizar toda a ajuda, dentro das suas competências e com
os instrumentos que tem ao seu dispor, para garantir a
salvaguarda económica e social das pessoas afetcadas por essa
decisão", termina a autarquia.(14.03.25/Fonte:
Público)
Governo anuncia construção de 14 barragens
Estratégia nacional para a
gestão da água terá um investimento estimado de 5 mil milhões de
euros até 2030.
O Governo anunciou este domingo a
construção de 14 novas barragens, na apresentação da estratégia
nacional ‘Água que une’.
O programa para o reforço do armazenamento de água refere a
construção das barragens de Fagilde, Alvito no Ocreza, Alportel,
Terges e Cobres, Carreiras, Foupana, Girabolhos, Laça, Fargela,
Santulhão, Boavista, Cerejal, Maceiras e Veiga. O investimento
rondará os 1.183 milhões de euros. Atualmente, existem em
Portugal cerca de 260 grandes barragens, com uma altura superior
a 15 metros.
Outro investimento, na ordem dos 240 milhões de euros, visa
aumentar a altura das barragens da Vigia, Marechal Carmona,
Meimoa, Pedrógão, Pinhão, Vila Chã, Sambade, Valtorno,
Lucefecit, Alvito, Lapão e Odelouca.
Com vista ao controlo e redução de perdas de água nos sistemas
em baixa, o Governo vai ainda destinar 448 milhões de euros para
reabilitar e otimizar as infraestruturas da região Norte, 267
milhões para a região do Vouga, Mondego e Lis, 479 milhões para
a região do Tejo e Ribeiras do Oeste, 156 milhões para a região
do Alentejo e 126 milhões para a região do Algarve.
A estratégia para a gestão da água terá um investimento estimado
de 5 mil milhões de euros até 2030, anunciou o
primeiro-ministro, durante o discurso de apresentação do
programa. Luís Montenegro falou de “uma verdadeira transformação
para o País”.(11.03.25/Fonte:
Correio da
Manhã)
40% das escolas de Portugal continental têm menos de 15 alunos
Estudo do
EDULOG
conclui que a ineficiência na gestão dos recursos humanos pode
estar na origem de uma maior necessidade de professores.
Atualmente, cerca de 40% das escolas de Portugal continental têm
menos de 15 alunos e 26% têm menos de 10 alunos. Esta é uma das
conclusões do estudo do EDULOG
(o think tank da Fundação Belmiro de Azevedo para o setor da
Educação) divulgado esta terça-feira. No caso do 3.º ciclo do
Ensino Básico identifica-se, segundo a investigação, uma
tendência para o aumento do número de escolas com menos de 15
alunos – nomeadamente cinco alunos por ano de escolaridade –
decorrente da quebra demográfica registada na maior parte das
regiões do Continente. Relativamente ao Ensino Secundário, o
cenário é “ainda mais alarmante”, com cerca de 50% das ofertas
de cursos profissionais das escolas públicas a registarem menos
de 15 alunos. A situação, refere o estudo “Necessidades de
Professores: deficit ou ineficiência na gestão da oferta de
ensino?”, “representa um desperdício de recursos, sobretudo de
professores e de dinheiros públicos”. O documento indica ainda a
existência de um “desequilíbrio na proporção entre o número de
alunos e de docentes no ensino público, resultante da perda de
cerca de 117 mil alunos e aumento de mais de 9 mil docentes nos
últimos 10 anos (entre 2014 e 2023)”. Por isso, a “gestão
ineficiente das escolas públicas está a contribuir para a falta
de professores”.
Contudo, a existência de escolas com
poucos alunos não é uma problemática nova. No ano letivo
2003/2004, quase 35% das escolas tinham menos de 5 alunos e
apenas 14,3% contavam com 30 ou mais estudantes. Desde então, a
cada ano, estes números têm vindo a diminuir. Os dados do
trabalho de investigação mostram que no ano letivo 2022/2023 (o
último ano analisado), apenas 9,2% das escolas tinham menos de 5
alunos e cerca de 29%, 30 ou mais. No entanto, David Justino,
autor do estudo, membro do Conselho Consultivo do EDULOG e
ex-ministro da Educação (no Governo liderado por Durão Barroso),
entende ser necessário fazer mais nesta matéria para atenuar a
falta de docentes. “Já não basta olhar para a problemática da
necessidade de professores apenas na ótica da atratividade da
profissão docente e, consequentemente, da crescente dificuldade
de substituição de gerações de professores. O que este novo
estudo nos vem demonstrar é que o problema é sistémico, e que a
resposta terá de passar, também, pela criação de mecanismos que
permitam rentabilizar de uma forma mais eficiente os recursos
humanos”, explica. Melhorias que devem passar por uma mais
eficiente gestão da rede de oferta escolar, da organização dos
tempos escolares, do rácio alunos/professor e da maneira como
são constituídas as turmas.
Questionado pelo DN sobre as zonas do país
onde se localizam as escolas com menos alunos, David Justino
explica que não foi feita uma abordagem por regiões na
investigação, pois o objetivo foi “identificar o problema”, não
querendo “estigmatizar essas escolas”. “Esse trabalho deve ser
feito pelo ministério da Educação, a quem cabe encontrar
estratégias”, sublinha. A título de exemplo, refere, no caso das
escolas do Interior, a solução não deve ser apenas o
encerramento porque a alternativa pode ser uma escola muito
distante da área de residência.
“Definimos o padrão, mas quem tiver de
tomar decisões vai ter de atender às especificidades de cada
escola, caso a caso, para saber se o encerramento de uma escola
pode ou não conduzir a isto. Há situações em que uma escola sem
alternativas próximas, terá de se manter aberta. O Estado tem de
admitir situações de exceção, até pelas questões de transporte”,
sustenta. Para o ex-governante, o grande problema é que “até
2006/2007 olhou-se para o problema, encerram-se escolas e, desde
então, não se fez mais nada”. “É necessário dar continuidade a
essa política de gestão da rede, agora de forma menos dolorosa”,
conclui.
Segundo o estudo do EDULOG, existe também
um problema de rácio de docentes por alunos. “Quando comparado
com a realidade de outros países, o sistema de ensino português
demonstra estar numa situação aparentemente favorável nos 1.º e
2.º ciclos, onde se regista um rácio de um docente para 12
alunos, mas altamente desregulada no 3.º ciclo e no ensino
Secundário – tanto nos cursos científico-humanísticos, como nos
cursos profissionais – onde se alcança uma relação de um docente
para cada 8 a 9 alunos”, pode ler-se. Este desajustamento da
oferta de ensino à evolução demográfica pode ser explicado, de
acordo com o EDULOG, pelo excesso de oferta e/ou pela
ineficiência na gestão da rede escolar. Os números revelam, por
exemplo, que nos ensinos Pré-escolar e Básico (1.º, 2.º e 3.º
ciclos) cerca de 30% das turmas não respeitam o número mínimo de
alunos por turma estipulado por lei, sendo a dimensão média do
total das turmas de 20 alunos. No caso do Secundário, essa
proporção vai dos 30% nos cursos científico-tecnológicos, aos
79% nos cursos profissionais. Acrescem ainda problemas com a
forma como são formadas as turmas, particularmente nos cursos
profissionais “que apresentam muitas vezes um número de alunos
por turma inferior ao mínimo legal”.
Para solucionar este problema, o EDULOG
aponta para “um maior rigor na validação das turmas, como forma
de suprir as necessidades de docentes a curto e médio prazo,
período indispensável para que outras medidas – como o aumento
do número de alunos a frequentar cursos de formação de
professores – possam atenuar o deficit estimado até ao final
desta década”.
Outra das conclusões da investigação são
as falhas na organização dos tempos escolares, nomeadamente o
tempo de aula, a organização dos horários semanais, as cargas
horárias e o calendário anual. “A variação dos tempos letivos
das unidades curriculares, com durações entre 45, 50 e 90
minutos, cria desperdícios, sendo possível obter ganhos se todas
as escolas adotassem unidades de 50 minutos – neste caso, por
cada 10 mil horários de 90 minutos, poderiam libertar-se 181
horários completos”, refere do documento. Ao DN, David Justino
explica que o principal problema se prende com as pausas
letivas, pois, Portugal, quando comparado com outros países da
OCDE, apresenta um reduzido número de dias letivos por ano: “São
quase três meses de paragem. O ideal seria começar um pouco mais
cedo e terminar, um pouco mais tarde”. Esse pequeno ajuste, diz,
permitiria também “aliviar as cargas letivas diárias”.(25.02.25/Fonte:
Diário de Notícias)
CGTP: quase dois terços das mulheres ganhavam até mil euros
mensais em 2024
Em Novembro de 2024, a força
de trabalho feminina era composta por 1.996.162 mulheres, das
quais 63,8% recebia uma remuneração base até mil euros.
"As condições de vida das mulheres trabalhadoras têm-se agravado
fortemente com o custo de vida a aumentar, o acesso à habitação
cada vez mais dificultado e os serviços públicos a
desagradarem-se por opção e acção deliberada do Governo", aponta
o estudo elaborado pela Comissão para a Igualdade entre Mulheres
e Homens da CGTP, para assinalar a semana da igualdade e o Dia
Internacional da Mulher.
Com base nos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a
CGTP assinala, que, em Novembro de 2024 a força de trabalho
feminina era composta por 1.996.162 mulheres, das quais 63,8%
recebia uma remuneração base até 1.000 euros brutos por mês. Ou
seja, quase dois terços da população feminina empregada.
Destas, "377 milhares ganha apenas o salário mínimo nacional, ou
seja, uma em cada cinco trabalhadoras (19%)", aponta a estrutura
sindical liderada por Tiago Oliveira. De recordar que o salário
mínimo nacional era de 820 euros em 2024.
Por sua vez, a percentagem de homens a ganhar até mil euros
brutos era menor (59,1% do total de 2.354.282 trabalhadores
homens), segundo a análise feita com base nas declarações de
remunerações à Segurança Social.
Segundo o documento, o rendimento médio salarial líquido das
mulheres era de 1069 euros por mês no quarto trimestre de 2024,
isto é, 18,2% inferior ao dos homens (menos 242 euros), que se
situava em 1311 euros.
E, "este diferencial agrava-se nas qualificações mais elevadas",
aponta a CGTP, sublinhando que "existe uma diferença de cerca de
13% no salário base bruto em desfavor das mulheres", o
equivalente a menos de 164 euros em termos absolutos), isto
apesar de ter "melhorado ligeiramente face ao ano anterior".
Mas "entre quadros superiores ultrapassa os 700 euros (um
diferencial de 26% que se agravou face a 2021 e 2022)",
acrescenta a CGTP, tomando por referência os Quadros de Pessoal
de 2023.
"Os salários baixos levam muitas trabalhadoras a ter que
recorrer a mais do que um trabalho para conseguirem fazer face
ao custo de vida", alerta a central sindical, indicando, que, no
último trimestre de 2024, "cerca de 125 mil trabalhadoras tinham
uma segunda actividade profissional", o que corresponde a 5% da
força de trabalho feminina empregada.
Por outro lado, a precariedade é também mais elevada entre as
mulheres face aos homens e em todas as faixas etárias: 15,5% dos
homens tinham empregos precários no final de 2024, enquanto nas
mulheres a fasquia subia para 16,2%.
E era "particularmente elevada entre as trabalhadoras mais
jovens": 52,5% entre as menores de 25 anos e 24,9% no grupo dos
25 aos 34 anos.
As mulheres representavam, no final de 2024, cerca de metade da
população desempregada (51%) e a "cobertura das prestações de
desemprego é muito baixa assim como o valor das prestações", com
apenas 44% das mulheres a terem acesso a protecção social de
desemprego.
Segundo o documento, estes dois factores - "baixos valores" de
prestações e "cobertura insuficiente" - "resultam numa
elevadíssima taxa de pobreza entre as mulheres desempregadas",
com a taxa a ser de 43% "mesmo após transferências sociais". Já
sem estas transferências ascenderia a 64%.
A CGTP realiza a semana da igualdade entre 05 e 12 de Março com
o lema " Igualdade no trabalho. Liberdade na vida – Tempo de
luta. Futuro de paz", com várias iniciativas em todo o país.
O Dia Internacional da Mulher comemora-se em 08 de Março.(11.02.25/Fonte:
Público)
Insolvências disparam 23% em janeiro
Os distritos do Porto e de Lisboa são os que apresentam
o maior número de insolvências, 107 e 93, respetivamente.
As insolvências em Portugal cresceram 23%
em janeiro último, face ao mesmo período do ano passado, de
acordo com um estudo da Iberinform. Por tipologia, o ano
arrancou com 107 pedidos de insolvência apresentados pelas
próprias empresas (mais 32% do que em 2024), enquanto os pedidos
apresentados por terceiros evoluíram de 55 para 92 (mais de
67%). No período em análise, foram registados três encerramentos
com plano de insolvência, o que traduz um decréscimo de 25% face
a 2024.
Os distritos do Porto e de Lisboa são os que apresentam o maior
número de insolvências, 107 e 93, respetivamente. Face a 2024,
há um acréscimo superior a 20% no Porto e de mais de 122% em
Lisboa. Outros distritos com aumentos substanciais são: Viana do
Castelo (mais de 233%); Beja (mais de 200%); Leiria (mais de
122%); Angra do Heroísmo (mais de 100%) e Castelo Branco (mais
de 80%).
Os setores de atividade com maior aumento nas insolvências no
primeiro mês do ano são: Agricultura, Caça e Pesca (incremento
de 267%) e Transportes (incremento superior a 113%). Apenas o
setor de Eletricidade, Gás, Água registou um decréscimo de 100%
face ao período homólogo de 2024.
Já as constituições de novas empresas no primeiro mês do ano
decresceram de 5.578 em 2024 para 3.165 em 2025, menos 2.413
empresas em termos homólogos (decréscimo superior a 43%).(11.02.25/Fonte:
Jornal Económico)
Taxa de desemprego sobe para 6,7%, maior aumento dos últimos
dois anos
"A população desempregada, estimada em 368,3 mil
pessoas, aumentou 10,1% (33,6 mil) em relação ao trimestre
anterior e 2,7% (9,6 mil) relativamente ao trimestre homólogo",
indica o INE, no novo inquérito ao emprego do quarto trimestre
de 2024.
A taxa de desemprego subiu de forma significativa no último
trimestre do ano passado, aumentando para 6,7% da população
ativa, anunciou o Instituto Nacional de Estatística (INE), esta
quarta-feira.
A incidência do desemprego esteve durante dois trimestres
(segundo e terceiro) num nível relativamente baixo (6,1%), mas
como costuma acontecer na reta final do ano, o fenómeno do
desemprego agravou-se.
No entanto, o aumento em causa, de 0,6 pontos percentuais, é o
mais agressivo desde o quarto trimestre de 2022, mostram as
séries do INE consultadas pelo DN.
Segundo o
novo inquérito ao emprego conduzido pelo instituto, Portugal
tinha, oficialmente, 368,3 mil pessoas em condição ativa
(podiam, queriam trabalhar e procuraram trabalho) no último
trimestre de 2024, ou seja, mais 10,1% do que no terceiro
trimestre (mais 33,6 mil casos).
Face há um ano, o aumento foi de 2,7%, isto é, em 12 meses o
país ganhou mais 10 mil desempregados. É expressivo pois
trata-se da maior expansão homóloga do desemprego desde o verão
de 2023, segundo cálculos do DN.
Desemprego na Grande Lisboa está pior
Ainda na taxa de desemprego, a média nacional no quarto
trimestre esconde realidades bastante diferentes. O maior
agravamento entre o verão e o outono aconteceu na região da
Grande Lisboa, onde o peso do desemprego agravou-se de 5,6% no
terceiro trimestre para 7,4% no quarto.
A região Norte registou uma subida de sete décimas, para 6,9%.
Na região Centro, o aumento foi muito ligeiro, de apenas uma
décima, fixando a respetiva taxa de desemprego nos 5,8%. No
Algarve, a incidência do desemprego também aumentou na reta
final do ano, de cerca de 4,5% para 5,6%, indica o INE.
Em termos médios anuais, a taxa de desemprego aliviou muito
ligeiramente, de 6,5% em 2023 para 6,4% no ano passado, graças
sobretudo aos níveis relativamente baixos da primavera e do
verão (6,1%).
Abrandamento geral do emprego
Seja como for, acumulam-se sinais de que o mercado de trabalho
nacional pode estar a perder dinamismo ou mesmo a retrair-se.
Por exemplo, a expansão do emprego continua, mas de forma mais
lenta. Este tem sido o indicador que tem batido sucessivos
máximos e recordes históricos em Portugal, sendo apontado como
um dos grandes alicerce do bom comportamento da economia
portuguesa (sobretudo comparando com muitos dos seus pares
europeus) e da saúde das contas públicas, pois reverte-se numa
maior coleta de impostos e de contribuições sociais.
Diz o INE que entre o terceiro e o quarto trimestre, o mercado
português ganhou mais 0,2% de pessoas empregadas, ou seja, o
emprego praticamente estagnou entre trimestres, tendo o universo
em causa atingido cerca de 5,149 milhões de indivíduos. São
apenas mais 7,9 mil trabalhadores face ao terceiro trimestre. Em
termos homólogos, o emprego total subiu 1,3%, o que se traduz em
mais 65 mil trabalhadores a tempo inteiro. Aqui, é verdade que o
emprego total na economia acelerou um pouco face ao crescimento
homólogo de 1,2% no terceiro trimestre, mas o referido avanço de
1,3% é o registo mais fraco numa reta final de ano desde 2020,
vivia-se então o tempo mais agressivo e letal da pandemia
covid-19 (no quarto trimestre desse ano de crise severa, o
emprego colapsou 1,9%).
Teletrabalho e trabalho híbrido em expansão
O INE dá ainda conta de uma expansão do teletrabalho e de
pessoas a trabalhar em regime híbrido (trabalho em casa e
presencial). Considerando o total da população empregada, 21,5%
das pessoas (1,106 milhões de pessoas) "indicaram ter trabalhado
em casa no 4.º trimestre de 2024". Entre os que trabalharam em
casa, 95,7% (1,058 milhões de trabalhadores) "estiveram em
teletrabalho, ou seja, utilizaram tecnologias de informação e
comunicação (TIC) para desempenhar as suas funções a partir de
casa", refere o INE.
"Este regime de prestação de trabalho abrangeu 20,5% do total da
população empregada, mais 1,3 p.p. do que no trimestre anterior
e mais 0,3 p.p. do que em igual período de 2023", diz o novo
inquérito. Cerca de 37,9% dos que disseram que trabalharam
alguma vez em casa, isto é, 418,6 mil pessoas, "fizeram-no
regularmente mediante um sistema híbrido que concilia trabalho
presencial e em casa". Neste último grupo, o dos que indicaram
trabalhar regularmente num sistema híbrido, "a combinação mais
comum foi a que conjuga alguns dias por semana em casa todas as
semanas (74,3%; 310,9 mil indivíduos), tendo sido igualmente a
combinação que registou a maior variação trimestral (mais 24,2
mil pessoas) e homóloga (mais 65,4 mil pessoas)".
"Os empregados num sistema híbrido trabalharam em casa, em
média, três dias por semana", indica o INE.
Desemprego de longa duração agrava-se
Outro fenómeno que durante vários anos aliviou (entre 2014 e
2022, com exceção para o primeiro ano da pandemia, 2020) foi o
do desemprego de longa duração. No entanto, o INE mostra que
este fenómeno (pessoas que querem e procuram ativamente
trabalho, mas não encontram uma saída há um ano ou mais) parece
estar a regressar. "No 4.º trimestre de 2024, 37,5% da população
desempregada encontrava-se nesta condição há 12 e mais meses
(desemprego de longa duração)", valor que é inferior em 0,5
pontos percentuais (p.p.) face ao trimestre precedente, mas
"superior em 1,8 p.p. ao trimestre homólogo".
Estão nesta situação - desempregadas há 12 meses ou mais - 138,1
mil pessoas em Portugal. A maioria (71 mil casos) são mulheres.
Entre os mais jovens, o problema também se está a agravar: há um
ano havia 14 mil jovens (menos de 25 anos) desempregados há mais
12 meses; no quarto trimestre, este grupo aumentou para mais de
17 mil indivíduos. O INE indica ainda que o desemprego de muito
longa duração (pessoas desempregadas há mais de dois anos)
também está a subir de forma muito expressiva. Eram 77 mil no
último trimestre de 2023, mas este contingente cresceu 8%,
havendo agora 83 mil pessoas nesta situação.
Desemprego jovem e qualificado
Há sinais mistos no que concerne ao desemprego entre os mais
jovens (pessoas com menos de 25 anos). O INE refere que a taxa
de desemprego de jovens atingiu 21,8% da respetiva população
ativa nessas idades porque aumentou em relação ao trimestre
anterior (2,1 p.p.). No entanto, "diminuiu relativamente ao
trimestre homólogo (2,4 p.p.)", isto é, face à reta final de
2023.
Já entre os mais qualificados, o desemprego está a subir de
forma bastante agressiva. Segundo o instituto, no último
trimestre de 2023 havia 89,6 mil diplomados sem trabalho. Um ano
volvido, haverá 97,5 mil desempregados com ensino superior. É um
aumento homólogo de 9% e de 15% entre o terceiro e o quarto
trimestre. (05.02.25/Fonte:
Diário de Notícias)
Governo diz que preços da habitação vão descer, mas há quem não
concorde. O que precisa de saber sobre a lei dos solos que entra
hoje em vigor
Lei que define o regime de exceção para a conversão de
solos rústicos em urbanos de forma a dar resposta à crise da
habitação entra esta quarta-feira em vigor, apesar das críticas
da oposição, de especialistas e de associações. Propostas de
alteração do PS serão debatidas.
A alteração ao Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão
Territorial (RJIGT), conhecida como a lei dos solos, entra esta
quarta-feira, 29, em vigor.
O
decreto-lei 117/2024, de 30 de dezembro, visa a conversão de
solos rústicos em urbanos de forma a dar resposta à crise da
habitação. A reclassificação dos terrenos fica nas mãos dos
municípios.
O Governo garantiu, no inicio do ano, que o diploma irá permitir
a redução em 20% do preços das novas casas nas áreas
metropolitanas e capitais de distrito, com valores abaixo dos
praticados no país no ano passado. O Ministério da Coesão
Territorial assegurou ainda que a lei irá prevenir e impedir a
especulação imobiliária.
Entendimento diferente tem a Associação
Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII) que
defende que os preços dos terrenos rústicos irão disparar.
“Ficam com capacidade construtiva e passam a valer muito mais,
Os proprietários vão querer vender a preços de mercado”,
explicou ao DN o presidente da APPI, Hugo Santos Ferreira.
Também o Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento
Sustentável (CNADS) acusa o regime de ser “inócuo em relação aos
objetivos visados e danoso do ponto de vista dos efeitos
urbanísticos, ambientais, sociais e de investimento público”.
O CNADS alega que o diploma do Governo compromete princípios
fundamentais de sustentabilidade, gestão territorial e políticas
públicas ratificadas por Portugal no âmbito europeu e
internacional e, além disso, parte de “pressupostos não
sustentados por dados empíricos”.
Já a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP)
assinala a "importância das medidas de flexibilização" propostas
pelo Governo, mas não está convencida de que os preços das casas
venham a ser, de facto, acessíveis como é intenção do Governo.
O Executivo explica, no decreto-lei aprovado no final do ano
passado, que "a maior disponibilidade de terrenos facilitará a
criação de soluções habitacionais que atendam aos critérios de
custos controlados e venda a preços acessíveis, promovendo,
assim, uma maior equidade social e permitindo que as famílias
portuguesas tenham acesso a habitação digna".
O objetivo, detalha, é "abranger o acesso pela classe média,
ponderando valores medianos dos mercados local e nacional, e
definindo valores máximos para assegurar maior equidade".
Por valor moderado, o Governo entende as situações "em que o
preço por m2 de área bruta privativa não exceda o valor da
mediana de preço de venda por m2 de habitação para o território
nacional ou, se superior, 125 % do valor da mediana de preço de
venda por m2 de habitação para o concelho da localização do
imóvel, até ao máximo de 225% do valor da mediana nacional”.
A lei tem estado envolta em polémica e somam-se as críticas dos
partidos da oposição, associações, especialistas em habitação e
ordenamento do território, arquitetura e agricultura e do
próprio Presidente da República.
Apesar de ter dado luz verde ao diploma, a 26 de dezembro,
Marcelo Rebelo de Sousa considerou que o regime de exceção
constitui "um entorse significativo em matéria de regime
genérico de ordenamento e planeamento do território, a nível
nacional e local".
Contudo, e "atendendo à intervenção decisiva das assembleias
municipais e à urgência no uso dos fundos europeus e no fomento
da construção da habitação" decidiu promulgar o diploma.
O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz,
afirmou, na semana passada, durante uma audição no Parlamento, a
“total abertura para fazer uma discussão séria”, para “adaptar,
melhorar” a lei.
Apesar de a lei entrar em vigor esta quarta-feira, será alvo de
alterações no Parlamento, com o PS a exigir mudanças.
As alterações do PS ao diploma passam por, em vez do conceito de
habitação de "valor moderado", a substituição "por conceitos já
consolidados", nomeadamente de "habitação a custos controlados,
bem como o arrendamento acessível, que limita os preços de
mercado".
A proposta repõe o critério de contiguidade territorial,
evitando qualquer interpretação "que permita o surgimento de
ilhas urbanas no território" e propõe que seja "reposta a
salvaguarda, eliminada pelo Governo, de que o regime excecional
de reclassificação apenas se aplica após a verificação de solos
urbanos disponíveis", assim como da demonstração dos impactos
nas infraestruturas existentes e previsão de novas, e da
"viabilidade económico-financeira da proposta", incluindo
identificação de fontes de financiamento.
Outra alteração visa as áreas da REN, introduzindo "um segundo
grau de verificação" que, respeitando "a vontade última das
autarquias", seja elaborado em solos que não sejam
exclusivamente públicos um parecer das Comissões de Coordenação
e Desenvolvimento Regional (CCDR), não vinculativo.
Ainda em termos da REN, a proposta acrescenta às proibições de
reclassificação para solo urbano as áreas "estratégicas de
infiltração e de proteção e recarga de aquíferos", de "elevado
risco de erosão hídrica do solo" e de "instabilidade de
vertentes".
Os socialistas querem ainda revogar a possibilidade de construir
habitação destinada ao alojamento de trabalhadores agrícolas
fora das áreas urbanas existentes e defendem a redução do prazo
para concretizar as obras de urbanização em solos
reclassificados, de cinco para três anos, eventualmente
prorrogado em metade deste tempo após avaliação dos resultados. (29.01.25/Fonte:
Diário de Notícias)
Alentejo só está a conseguir vender 76% do vinho que produz
Um quarto do vinho produzido no Alentejo não está a ser
comercializado devido a “um problema internacional” no comércio,
causando dificuldades no setor. Alerta é da Comissão
Vitivinícola Regional.
Um quarto do vinho produzido no Alentejo não está a ser
comercializado devido a "um problema internacional" no comércio,
causando dificuldades no sector. O alerta foi deixado, esta
quarta-feira, pelo presidente da Comissão Vitivinícola Regional
(/fugas/terroir/conceito/comissao-vitivinicola-regional)
Alentejana (CVRA), Francisco Mateus.
O
responsável, que falava no Parlamento durante uma audição
conjunta sobre o sector vitivinícola no âmbito do grupo de
trabalho criado na Comissão de Agricultura e Pescas, disse que a
actual situação já fez "tocar as campainhas".
"Temos tido um aumento gradual do volume que é comercializado,
mas verificamos que, talvez desde um bocadinho antes de 2020,
tem havido uma diminuição da quantidade de vinho que é levada
para o mercado", referiu.
Em
média, segundo o presidente da CVRA, no período entre 2020 e
2024, por hectare de vinha existente na região alentejana, 37
hectolitros de vinho foram comercializados e 12 hectolitros não
foram e ficaram em depósito. "São 1200 dos 5000 litros que
produzimos por hectare que não são comercializados", ou seja,
"um quarto da produção do Alentejo está nos armazéns e não está
a ser comercializada", assinalou.
Francisco Mateus salientou que "o Alentejo deixou de ter 85% ou
90% da sua produção a ser comercializada e, nos últimos cinco
anos, esse rácio passou para 76%", com consequências para o
sector a nível nacional.
"Estamos a falar de uma região com um volume de produção
significativo", que este ano será de 112 milhões de litros, o
que faz com que "o que acontece no Alentejo acabe por ter algum
efeito no que se passa no sector a nível nacional", sublinhou.
Uma das consequências apontadas pelo dirigente foi a necessidade
de o Alentejo participar na destilação de crise
(https://www.publico.pt/2024/09/30/terroir/noticia/
douro-enviou-destilacao-crise-30-litragem-nacional-nao-rateio-2105857),
mas Francisco Mateus avisou não se pode estar constantemente a
escoar vinho desta forma. "O Alentejo destilou mais nos últimos
cinco anos do que nos 30 anos anteriores. É uma situação que,
como podem calcular, desagrada às pessoas que estão na região e
desagrada à instituição que tem que assegurar essa gestão."
Observando que "sempre que a produção tem mais do que um ano com
oscilações isso reflecte-se no comércio", o responsável realçou
que a situação actual mostra que "tem que haver alguma relação
entre os dois componentes". "Estamos a produzir demais ou a
vender menos? Nem uma coisa nem outra. Temos a produção que
queremos pelo aumento das áreas de vinha que temos determinado,
mas há, de facto, um problema no comércio, mas não é português,
é internacional", disse.
Aludindo a dados da Organização Internacional da Vinha e do
Vinho (OIV), Francisco Mateus disse que "a curva do consumo de
vinho a nível mundial mostra uma tendência de quebra desde
2017". "O comércio internacional de vinho tem tido um bom
desempenho, mas também vemos que, nos últimos três anos, tem
vindo a cair", apontou, assinalando a existência de "campanhas
anti-álcool" e de novos hábitos entre os jovens.
O presidente da CVRA defendeu que o sector
tem "ir ao encontro dos mais jovens", notando que o baixo
consumo nestas faixas etárias tem também a ver com "estilos de
vida mais saudáveis, pessoas mais preocupadas com o corpo
(/fugas/terroir/conceito/ corpo) e com a forma como se
apresentam" e porque há "pessoas que optam, pura e simplesmente,
por não beber álcool".
O responsável defendeu que as comissões
vitivinícolas devem ter mais autonomia para tomar decisões e
propôs o reforço da fiscalização dos produtores a partir da
análise de dados do Instituto da Vinha do Vinho (IVV) e da
Autoridade Tributária (AT). (15.01.25/Fonte:
Púbico)
Daniel Ribeiro, o último adeus a um grande repórter
Correspondente do Expresso em Paris entre 1990 e 2022,
acompanhou a vida política francesa de Mitterrand a Chirac e a
Macron, dos atentados do Charlie Hebdo à crise dos coletes
amarelos. Faleceu sexta-feira, em Lisboa, aos 71 anos.
No começo da década de 1990, o Expresso tinha três grandes
correspondentes que constituíam a espinha dorsal da informação
sobre o que se passava mundo fora: Ángel Luis de la Calle em
Madrid, Tony Jenkins em Nova Iorque e Daniel Ribeiro em Paris.
Ribeiro, nascido a 20 de dezembro de 1953 em Carregal do Sal
(concelho natal do cônsul Aristides de Sousa Mendes), foi
contratado pelo Expresso em finais de 1989, quando parte da
redação saiu para fundar o “Público”, incluindo a então
correspondente em Paris, Ana Navarro Pedro. Antes, passara
episodicamente pelo semanário “O Ponto” no começo dos anos 80,
sendo depois correspondente do semanário “O Jornal” durante
quase uma década. Trabalhou, também, na secção portuguesa da
Radio France Internationale e na portuguesa Rádio Alfa, de que
chegou a ser diretor.
Daniel Ribeiro, politicamente originário da constelação das
pequenas organizações políticas que, à esquerda do PCP, se
opunham à ditadura, vivia há muitos anos em Paris e foi
estabelecendo laços com a comunidade portuguesa, exilada, ou
não, de Cargaleiro a Graça Morais, de Mário Soares a Paulo
Branco, de Mário Barroso a Carlos Saboga ou ao embaixador
António Monteiro, sem esquecer o amigo de sempre Jorge Palma.
Lembro-me de o Daniel me ter contado que, certa vez, ele, o
Palma e um terceiro amigo queriam ir jantar, mas o dinheiro era
pouco. O autor de “Encosta-te a mim” terá dito qualquer coisa
como: “Aguentem aí um bocado”. Pegou na guitarra, foi para as
escadas do metro de Saint-Michel cantar baladas de Bob Dylan e,
minutos depois, voltou com um ar feliz: “Já dá para comer…”
Segundo consta, até deu para o táxi. Nem de propósito, o último
trabalho de Ribeiro publicado no Expresso, em setembro de 2023,
foi uma extensa e apaixonada entrevista a Jorge Palma.
Maratonas políticas e noites de terror
Acompanhou para o Expresso os grandes momentos da vida francesa:
a periclitante coabitação entre Mitterrand e Chirac; as
sucessivas revoltas, tal como o movimento dos barretes vermelhos
na Bretanha, no tempo de François Hollande, ou a crise dos
coletes amarelos, já com Macron no Eliseu.
Trabalhámos juntos em duas longas maratonas jornalísticas, ele
em Paris, o João Garcia, o Pedro Cordeiro e eu na redação de
Lisboa, quando a redação do “Charlie Hebdo” foi massacrada, em
2015, e, meses depois, quando três comandos de jiadistas
atacaram a envolvente do Stade de France, metralharam as
esplanadas da Place de la République e invadiram o teatro
Bataclan.
Profissional reconhecido e respeitado, Ribeiro tinha fontes em
todo o espectro político, muito em especial nos frondeurs
(dissidentes) do PS e acesso privilegiado, tanto a Jean-Luc
Mélenchon como a Marine le Pen, tendo sido o jornalista
português que mais vezes a entrevistou. Desenvolveu uma extensa
e bem fundamentada investigação jornalística sobre a estada do
ex-primeiro ministro José Sócrates na capital francesa,
nomeadamente sobre o apartamento de luxo em que residia, não
muito longe do Arco do Triunfo.
Interregno timorense
Em
agosto de 1999, Daniel Ribeiro interrompeu a carreira
jornalística para ser porta-voz da missão diplomática portuguesa
em Dili, por ocasião do referendo à independência de Timor-Leste
promovido pelas Nações Unidas e dos subsequente e atrozes
massacres levados a cabo pelas milícias pró-indonésias. Os
diplomatas portugueses, que incluíam, entre outros José Júlio
Pereira Gomes, Ana Gomes ou Afonso Alegre, dilaceram-se sobre
qual era a decisão correcta: ficar, sem estarem garantidas
condições de segurança, ou partir, tal como a maior parte dos
representantes internacionais.
Prevaleceu a posição de partir, mas as divisões foram de tal
forma amargas (e duram até hoje, como se constata pelo recente
livro de Ana Gomes) que o jornalista decidiu nunca publicar o
diário que elaborou durante a presença em Timor. Para a História
fica o nome dos quatro jornalistas portugueses que, junto com
funcionários da ONU, ficaram quase até ao fim (e à chegada dos
capacetes azuis) na legação de Dili: José Vegar (Expresso),
Jorge Araújo (Independente), Luciano Alvarez (Público) e Hernâni
Carvalho (RTP).
Homem de paixões fortes
Daniel Ribeiro vivia pelo coração e pelo coração morreu. As suas
paixões eram fortes e marcadas pelos excessos: álcool, comida,
noitadas, amores, desamores. Sempre que alguém do Expresso ia à
capital francesa, encontrávamo-nos, invariavelmente, no último
verdadeiro cabaré de Paris, “Les Trois Maillets”, perto da fonte
de Saint-Michel. Aí, a sua atual mulher, a cantora lírica Mieko,
cantava temas de Édith Piaf ou Charles Trenet para arredondar o
orçamento. Os donos do cabaré não resistiram à covid-19 e,
infelizmente, Ribeiro não viveria muito mais tempo. A sua última
publicação no Facebook remonta a novembro do ano passado.
A
cremação realiza-se terça-feira, 14 de janeiro, pelas 16h, no
cemitério do Alto de São João, em Lisboa, sendo o corpo velado a
partir das 10h desse dia na capela adjacente.
Os
antigos diziam que os grandes atos de um homem podem ecoar na
eternidade. Não sei se assim é, ou não, mas de uma coisa estou
certo: as páginas do Expresso e a memória dos leitores guardam
algumas das mais distintas, vivas e bem escritas reportagens dos
últimos 30 anos. Até sempre, Daniel! (11.01.25/Fonte:
Expresso)
Preço das casas sobe na UE e Portugal tem o
segundo maior aumento
Os preços homólogos das casas
aumentaram, no terceiro trimestre de 2024, 2,6% na zona euro e
3,8% na União Europeia (UE), com Portugal a registar a segunda
maior subida trimestral (3,7%), divulga esta sexta-feira o
Eurostat.
De acordo com os dados do serviço estatístico europeu, na
comparação com o trimestre anterior, os preços das habitações
subiram, entre julho e setembro, 1,4% na área do euro e 3,0% na
UE.
Comparando com o mesmo trimestre de 2023, as maiores subidas nos
preços das casas registaram-se na Bulgária (16,5%), na Polónia
(14,4%) e na Hungria (13,4%).
Quatro Estados-membros registaram quebras na variação homóloga:
França (-3,5%), Finlândia (-2,8%), Luxemburgo (-1,7%) e Alemanha
(-0,7%).
Em Portugal, o indicador subiu 9,9% na comparação anual, de
acordo com o Eurostat.
Na variação trimestral, as maiores subidas nos preços das
habitações observaram-se na Bulgária (3,9%), em Portugal (3,7%)
e nos Países Baixos (3,6%) e apenas dois Estados-membros
apresentaram recuos no Índice de Preços da Habitação – a
Finlândia (-0,6%) e a Estónia (-0,5%).(10.01.25/Fonte:
Jornal de
Notícias)
Setor privado representa mais de metade da oferta
hospitalar em Portugal
No âmbito da operação por
privados, 35% do total das camas estão nas mãos de cinco
operadores: Trofa Saúde, Luz Saúde, José de Mello, Lusíadas e
Grupo HPA Saúde, segundo estudo da CBRE sobre o setor das
residências sénior e cuidados de saúde.
O setor privado representa 54% da oferta hospitalar em Portugal,
dispondo de 131 hospitais com aproximadamente 11.700 camas,
revela um estudo divulgado, esta quinta-feira, pela CBRE
Portugal que nota um dinamismo crescente no mercado português.
Em comunicado, a consultora imobiliária nota que "o mercado
português tem vindo a registar um dinamismo crescente oferecendo
diversas oportunidades de investimento", considerando que em
2050 mais de um terço da população portuguesa será idosa e
Portugal o terceiro país mais envelhecido da União Europeia. Em
2020, 23% da população portuguesa tinha mais de 65 anos
comparando com 21% na UE, mas como refere "é expectável que até
2026 esta percentagem em Portugal cresça para 34%.
Além disso, enfatiza, citando dados oficiais, o montante gasto
pelos portugueses em cuidados de saúde tem vindo a aumentar ano
após ano, atingindo 26,5 mil milhões de euros em 2023, o que
representa 10% do PIB português, e traduz um crescimento de 50%
em relação a 2016. O montante alocado a cuidados em ambulatório
(ou seja, sem internamento dos pacientes) representou 46% do
valor gasto pelas famílias, totalizando 1.074 euros "per
capita".
A procura foi acompanhada pela oferta a avaliar pelos dados do
estudo, denominado Portuguese Healthcare and Senior Living, uma
vez que entre 2014 e 2017 o número de hospitais manteve-se
estável, mas desde então, aumentou 8% com a abertura de 18 novas
unidades, sendo que apenas uma delas foi desenvolvida pelo setor
público. Atualmente, existem 243 hospitais que, em conjunto,
somam mais de 36.000 camas, segundo a CBRE.
"O mercado privado de saúde está assim a crescer
significativamente: mais procura de cuidados, mais vidas
cobertas por seguros de saúde e menos resposta da oferta pública
– com graves problemas estruturais (encerramentos de emergência,
capacidade de resposta limitada em diversas especialidades,
tempos de espera significativos, etc.", refere na nota enviada
às redações, em que indica que um dos motivos pelos quais se
afigura atrativo investir no setor dos cuidados de saúde
prende-se com o rácio de cama por habitante, já que na Europa é
de 5,3 camas por cada 1.000 habitantes, enquanto em Portugal
corresponde a 3,5 camas por 1.000 habitantes.
No âmbito da operação por privados, atualmente, em Portugal, 35%
do total das camas estão nas mãos de cinco operadores: Trofa
Saúde, Luz Saúde, José de Mello, Lusíadas e Grupo HPA Saúde.
Já no que toca às unidades de cuidados continuados, o estudo da
CBRE contabiliza 377, com um total de 9.771 camas, das quais
apenas 2% estão no setor público, sendo as outras 98% operadas
por entidades sem fins lucrativos, como a Santa Casa da
Misericórdia, IPSS ou privados.
"A falta de camas no serviço nacional de saúde é bastante
severa, particularmente nos distritos de Lisboa e Porto. Em 2023
existiam mais de 1.800 pessoas a aguardar por uma cama em
cuidados continuados e é previsível que este número venha a
aumentar, o que obrigará também a um incremento significativo na
oferta", observa José Moutinho, responsável pela área de
"research" na CBRE Portugal.
Já no âmbito das residências sénior, a CBRE conta 2.632 em todo
o país, das quais 25% são operadas por empresas privadas.
Segundo a consultora imobiliária, a taxa de ocupação dos lares
em Portugal é de 91,8% e 70% dos utilizadores esteve nestas
unidades por um máximo de cinco anos, enquanto 10% esteve numa
destas estruturas por um período igual ou superior a dez anos.
As Residências Montepio, o Grupo EMEIS, a DomusVi, a PSHC e
Naturidade figuram como os cincos principais operadores de
residências sénior totalizando, juntas, mais de 3.800 camas.
"Em Portugal, nos anos de 2020 e 2021, transacionaram-se três
importantes portefólios e, apesar de desde então não se terem
registado transações nestes setores, existem algumas operações
em 'pipeline' que ultrapassam os 50 milhões de euros. Acredito
que o investimento venha a crescer significativamente no futuro
e este setor assista à entrada de novos investidores e
operadores internacionais atraídos pela oportunidade que
Portugal representa como país", comenta Igor Borrego, Head of
Capital Markets da CBRE, também citado na mesma nota.
Para a consultora há nove grandes fatores que tornam a saúde
apetecível em termos de investimento, entre os quais "aumento
significativo do número de idosos e pessoas dependentes",
"elevado desequilíbrio entre oferta e procura", "falta de oferta
de cuidados especializados", "elevada faixa populacional com
cobertura de seguro de saúde (1/3 da população)". Além disso,
trata-se de um "setor polarizado com enorme potencial de
expansão e consolidação dos operadores" e apresenta "diversas
oportunidades de investimento uma vez que é ainda marcado por
proprietários também responsáveis pela operação". A existência
de "pensionistas com poder de compra gerados pela propriedade de
imóveis ou poupanças" e "a atratividade de Portugal junto de
reformados estrangeiros" também jogam a favor, diz a CBRE para
quem "as residências sénior ou clínicas de cuidados
especializados representam um investimento estável no longo
termo". (09.01.25/Fonte:
Jornal de Negócios)
Desemprego sobe para 6,7% em novembro. É o valor
mais alto deste outubro de 2023
Dados provisórios divulgados esta
segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística.
A taxa de desemprego situou-se nos 6,7% em novembro, 0,1 pontos
percentuais acima de outubro e o valor mais elevado desde
outubro de 2023, segundo dados provisórios divulgados esta
segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
"A taxa de desemprego situou-se em 6,7%, valor superior ao de
outubro (0,1 pontos percentuais), ao de agosto de 2024 (0,3
pontos percentuais) e ao de novembro de 2023 (0,2 pontos
percentuais)", avança o INE nas "Estimativas Mensais de Emprego
e Desemprego".
Segundo refere, trata-se do nível "mais elevado desde outubro de
2023, quando igualou esse valor [6,7%]".
De acordo com o INE, em novembro de 2024, a população
desempregada (363,8 mil) aumentou 0,3% em relação ao mês
anterior, 5,0% relativamente a três meses antes e 3,1% face a
novembro de 2023.
Já a população empregada (5.107,0 mil) aumentou em relação ao
mês anterior (1,5 mil, a que correspondeu uma variação relativa
quase nula), a três meses antes (0,3%) e a um ano antes (1,3%),
atingindo o valor mais elevado desde o início da série iniciada
em fevereiro de 1998.
Em máximos desde o início da série fixou-se também a população
ativa (5.470,9 mil), que aumentou relativamente a outubro de
2024 (2,6 mil, uma variação relativa quase nula), a agosto do
mesmo ano (0,6%) e a novembro de 2023 (1,4%), enquanto a
população inativa (2.484,1 mil) cresceu 0,3% face ao mês
anterior e diminuiu 0,4% em relação a três meses antes e 0,3% em
comparação ao mesmo mês de 2023.
Em novembro, a taxa de subutilização do trabalho situou-se em
11,0%, valor superior ao de outubro (0,1 pontos percentuais) e
de agosto (0,2 pontos percentuais) e inferior relativamente ao
de novembro de 2023 (0,6 pontos percentuais).
A subutilização do trabalho abrangeu 613,7 mil pessoas, valor
superior ao de agosto do mesmo ano (602,4 mil), que correspondeu
ao valor mais baixo desde fevereiro de 2011, quando se iniciou a
sua análise.
Quanto à taxa de inatividade, manteve-se em 31,2% em novembro, o
valor mais baixo observado desde o início da série.
O INE divulgou também hoje as estimativas definitivas do emprego
e desemprego relativas ao mês de outubro de 2024, tendo
confirmado a anterior previsão de uma taxa de desemprego de
6,6%.
De acordo com as estimativas definitivas relativas a outubro, a
população desempregada (362,8 mil) aumentou face a setembro
(1,2%) e julho de 2024 (3,7%) e a outubro de 2023 (0,8%).
Também a população empregada (5.105,5 mil) aumentou nesse mês
relativamente aos três períodos de comparação: 0,1%; 0,9% e
1,4%, respetivamente.
Já a população ativa (5.468,3 mil pessoas) aumentou em relação
ao mês anterior (0,1%), a três meses antes (1,1%) e a um ano
antes (1,4%), enquanto a população inativa (2.476,1 mil) se
manteve praticamente inalterada em relação ao mês anterior e
diminuiu relativamente a três meses antes (1,7%) e ao mesmo mês
de 2023 (0,2%).
Em outubro, a taxa de subutilização do trabalho situou-se em
10,9%, valor inferior ao dos três períodos de comparação: 0,1
pontos percentuais, 0,3 pontos percentuais e 0,7 pontos
percentuais.
(06.01.25/Fonte:
Diário de Notícias)
Outubro foi o melhor mês de sempre das
exportações de vinho
RECORDE. Setor começou o ano com
uma performance anémica, mas, em outubro, cresceu 25% para 110
milhões, valor nunca antes alcançado
Outubro foi o melhor mês de exportações de vinhos portugueses
desde sempre. Depois de um arranque morno - em março, as vendas
ao exterior foram mesmo negativas e no acumulado do primeiro
trimestre estavam 0,01% acima de março de 2023 -, o setor foi
recuperando ao longo do ano e, em outubro, cresceu 24,9% e
chegou a quase 110 milhões de euros. O mais alto que o setor
havia conseguido, num único mês, foram 104 milhões de euros em
novembro de 2022.
Os dados do INE vão só até janeiro de 2000, mas atendendo a que
Potugal só exportava 519 milhões de euros à época, não terá
havido antes disso qualquer mês de valor superior, acredita a
ViniPortugal. No top 5 dos melhores meses, estão, ainda,
novembro de 2021, com 97,9 milhões, outubro de 2019 com 97,3
milhões e outubro de 2020 com 96 milhões de euros. Meses que
traduzem o efeito do abastecimento dos mercados para as vendas
de Natal.
No acumulado do ano, Portugal exportou, entre janeiro e outubro,
294 milhões de litros no valor de 807,1 milhões de euros, o que
representa um crescimento homólogo, em volume, de 9,2% e, em
valor, de 5%. Frederico Falcão, presidente da ViniPortugal, fala
em resultados “muito bons” e destaca, em especial, o desempenho
dos vinhos portugueses no mercado brasileiro que, este ano, já
ultrapassou o Reino Unido, assumindo-se como o terceiro maior
destino das exportações do setor, com um crescimento homólogo de
12% para 73,9 milhões de euros.
Uma performance “muito boa”, se atendermos a que França e
Estados Unidos, que valem, respetivamente, 85,6 e 86,1 milhões
de euros, estão ambos a crescer abaixo de 2%. Frederico Falcão
acredita que o setor estã a colher os resultados do investimento
continuado de promoção no mercado brasileiro, para o qual a
ViniPortugal está a destinar mais de 1 milhão de euros, dos 8,4
milhões do seu orçamento anual. Brasil, Estados Unidos e Canadá
absorvem, aliás, mais de metade do investimento.
O anúncio do tão esperado acordo de comercio livre entre a União
Europeia e os países do Mercosul é uma boa notícia para o setor,
permitindo que cheguem mais baratos ao mercado brasileiro e
ajudando a estimular ainda mais a sua compra. Quanto, Frederico
Falcão admite ser difícil estimar para já, sabendo-se que as
taxas aduaneiras diretas são quase 26%, mas que há depois uma
série de outras taxas e impostos estaduais que, á partida, se
deverão manter. Aliás, o Brasil tinha anunciado que iria
fazeruma revisão tributária e substituir todas estas taxas por
uma única, batizada de ‘Imposto do Pecado’, mas não é o claro o
que vai acontecer.
Em termos de outros mercados estratégicos, o Reino Unido está a
cair 11,5%, para 67,5 milhões de euros.Na Europa, os Países
Baixos estão a crescer 6,5%, mas a Alemanha e a Bélgica caem
quase 1% cada.O preço médio de exportação está também a cair -
está nos 2,74 euros contra 2,86 de há um ano - fruto das
exportações massivas, a granel, para Espanha: cresceram 168% em
volume e 40% em valor. (16.12.24/Fonte:
Dinheiro
Vivo)
Lufthansa Technik: Gigante mundial da aviação que
gera 6,5 mil milhões aterra em Santa Maria da Feira
Memorize esta sigla: MRO. Há
muito dinheiro a ser feito na reparação e manutenção de aviões.
Portugal vai receber um investimento de um gigante mundial do
sector: a Lufthansa Technik, do grupo da transportadora alemã,
que gera 6,5 mil milhões de receitas por ano, com 800 clientes,
e fábricas em 30 países. Investimento anda na ordem das centenas
de milhões de euros. Mercado global vale 100 mil milhões e vai
continuar a crescer à medida que as viagens aéreas continuam a
aumentar.
O sector aeronáutico mundial não vive somente de transportar
passageiros. Esta é a face mais visível do negócio, obviamente,
mas há toda uma indústria a jusante que deverá gerar 124 mil
milhões de dólares (117 mil milhões de euros) anuais daqui a 10
anos.
Memorize esta sigla: MRO – é o mercado de Manutenção, Reparação
e Revisão. Só este ano terá gerado 104 mil milhões de dólares
(98 mil milhões de euros), segundo previsões da Statista. O
segmento dedicado só à parte de reparação e manutenção de
motores que pesou 48% no mercado este ano e deverá disparar 26%
até 2034 e pesar 63 mil milhões de dólares nos 124 mil milhões
totais.
Portugal vai entrar agora na rota deste valioso mercado global.
A Lufthansa Technik (LT) vai abrir uma unidade industrial em
Santa Maria da Feira, distrito de Aveiro, com 54 mil m²,
anunciou a empresa na segunda-feira. A companhia que pertence à
transportadora aérea alemã Lufthansa vai criar mais de 700
postos de trabalho na fábrica de reparação de peças de motores e
componentes de aviões.
O investimento anda na ordem das centenas de milhões de euros,
segundo a empresa, que rejeitou avançar o valor.
O ministro da Economia rejeitou na segunda-feira que este
investimento esteja ligado à privatização da TAP (a Lufthansa já
mostrou o seu interesse).
No mundo do MRO, o mercado norte-americano é o que gera mais
negócio: 24 mil milhões de dólares, com a Europa Ocidental a
surgir na segunda posição, com 21 mil milhões de dólares.
A maior empresa do sector é a General Electric Aviation (com
receitas de 32 mil milhões de dólares), mas fabrica motores, tal
como outras empresas relevantes do mercado MRO (CFM
International e Rolls Royce). A LT assume-se como a maior
empresa mundial independente do sector.
“Basta ver os resultados do grupo TAP para perceber que existem
outros ramos do negócio da aviação mais fáceis para se fazer
dinheiro do que propriamente a transportar passageiros. A TAP
Manutenção e Engenharia é o sector onde a TAP teve um aumento de
receita percentual maior”, disse ao JE Pedro Castro,
especialista em aviação, acrescentando que o próprio CEO da
empresa disse recentemente que este era “um dos eixos do futuro
para alavancar os resultados e perícia do grupo TAP”.
“A Lufthansa Technik é uma unidade autónoma do grupo Lufthansa
que goza de uma excelente reputação e uma vasta carteira de
clientes. Tem várias localizações espalhadas pelo mundo e com
diferentes especializações, como Filipinas, Budapeste, Sofia,
Malta, Shannon, etc. É muito relevante trazermos este tipo de
ramo desta indústria para Portugal, cria um outro tipo de
emprego e de especialização que ajuda a alguma diversificação. A
nível governativo é importante que este investimento não crie
nenhuma preferência ou obrigação em sede da privatização da TAP
(companhia aérea) porque são negócios totalmente diferentes”,
segundo o consultor e diretor da SkyExpert.
Quem é a Lufthansa Technik?
Detida unicamente pelo grupo Lufthansa, que em 2023 recuou na
sua intenção de abrir o capital da companhia, as suas receitas
subiram 18% em 2023 face a 2022 para mais de 6.500 milhões de
euros, um valor recorde. Deste valor, cerca de um terço teve
origem no grupo Lufthansa com dois terços a terem origem em
clientes externos.
Com um EBTIDA Ajustado de 785 milhões de euros, mais 7% face a
período homólogo, a LT contava com quase 23 mil trabalhadores em
todo o mundo no final do ano passado.
A companhia intitula-se a “o maior fornecedor mundial
independente [fora as empresas que pertencem a fabricantes
aeronáutico] de serviços de MRO para aviação civil comercial”.
Conta com 30 fábricas em todo o mundo e com participações
diretas e indiretas em 64 empresas, contando com mais de 800
clientes, entre fabricantes de aviões, empresas de leasing,
operadores de jatos privados, governos e forças armadas.
O resultado recorde obtido em 2023 deveu-se à “forte procura por
voos, o que levou a um aumento da procura por serviços de
manutenção e reparação”.
O recorde foi obtido “apesar de dificuldades na cadeia de
abastecimento, aumento dos custos de material e com pessoal e um
ligeiro recuo no dólar”.
No ano passado, a empresa lançou um programa crescimento com o
nome de “Ambition 2030” para manter a sua “posição de liderança
global, mesmo sem ter um novo acionista a bordo”.
A empresa espera “que a “procura por serviços MRO permaneça
elevada, especialmente para motores. Além do aumento de motores
a envelhecer em operações em todo o mundo, isto deve-se a uma
maior intensidade de manutenção dos novos desenvolvimentos de
motores”.
O “Ambition 2030” prevê um “maior gasto de capital para expandir
o negócio principal, bases adicionais e uma maior presença
internacional, potencialmente através de aquisições, assim como
a expansão de modelos de negócio digital”.
A procura por pessoal é elevada, com mais de 220 novos
trabalhadores a juntarem-se à empresa só na Alemanha.
A companhia desenvolveu uma tecnologia com a empresa química
BASF conhecida por AeroShark,que imita a pele de tubarão, que é
“particularmente hidrodinâmica, assim otimizando as
aerodinâmicas de áreas relevantes do avião, consumindo menos
combustível”, que reduz o consumo de combustível em 1%.
A companhia planeia equipar mais de 100 aviões da Boeing 777 om
o AeroShark nos próximos anos, esperando obter aprovação para
equipar os Airbus A330 e A320neo e também o Boeing 737.
Em 2023, 15 aviões receberam esta tecnologia para tornar a
aviação mais sustentável no futuro.
A companhia também quer avançar no hidrogénio e tem planos para
converter um A320 para poder pesquisar esta tecnologia.
Em relação a contratos, conseguiu 27 novos clientes em 2023, com
mil novos contratos fechados num total de 8 mil milhões de
euros, com 3,1 mil milhões a serem assinados com companhias do
grupo Lufthansa.
“Isto inclui novos contratos de longo prazo para fornecer
componentes estratégicos a diversas companhias”, incluindo a
Hawaiian Airlines, para fornecer peças a 52 aviões Airbus nos
próximos sete anos, com esta operação a marcar a sua entrada nos
serviços MRO para aviões da Airbus nos EUA. Também renovou
contratos com a Emirates para o Airbus A380.
A nível tecnológico, a Lufthansa Industry Solutions, que
pertence à LT, “desenvolve soluções inovadoras para mais de 300
empresas nos sectores da aviação, indústria, logística e
transportes” tendo expandido os seus serviços para a
inteligência artificial em 2023.
A companhia expandiu-se para o sector da defesa, tendo vencido
um dos contratos para a manutenção dos novo F-35 da Deutsche
Luftwaffe, a força aérea alemã. Está também envolvida no projeto
Pegasus da Força Aérea Alemã para fornecer a nova aeronave de
reconhecimento e patrulha da Luftwaffe. É também parceira da
Boeing para fornecer o novo transporte de helicóptero pesado
Chinook, operado pela Luftwaffe. Há mais de 60 anos que
providencia serviços à German Special Air Mission Wing que tem
vários aviões para servir o Estado alemão com o transporte de
políticos, pessoal e material.
“Algo realmente grande será criado aqui”
A Lufthansa Technik disse na segunda-feira que “tem objetivos de
crescimento ambiciosos e queremos continuar a expandir a nossa
posição de liderança como líder de mercado global no sector MRO
[manutenção, reparação e revisão] no futuro. É por isso que já
estamos a começar a ampliar as nossas capacidades, acrescentando
localizações estrategicamente importantes à nossa rede global e
garantindo assim que podemos continuar a satisfazer, no futuro,
as expetativas dos nossos mais de 800 clientes internacionais da
melhor forma possível. Estamos convencidos de que encontrámos o
local ideal em Santa Maria da Feira. Algo realmente grande será
criado aqui – para a região, para a Lufthansa Technik e para os
nossos colaboradores e clientes. Este investimento é também um
sinal do compromisso do Grupo Lufthansa com Portugal”, disse em
comunicado Harald Gloy da Lufthansa Technik.
O comunicado não revelou o valor de investimento previsto e
destaca que a “cooperação com o Governo português, representado
pela AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de
Portugal), e com a câmara municipal de Santa Maria da Feira foi
particularmente profícua – ambas as instituições deram um grande
apoio à Lufthansa Technik num processo muito intenso”.
Já o ministro da Economia Pedro Reis disse que este é “mais um
passo para a reindustrialização do nosso país e representa a
confiança nas nossas infraestruturas e na nossa mão de obra,
especialmente nos nossos engenheiros altamente qualificados do
setor da aviação. Mostra também que estamos no bom caminho para
atrair investimento estrangeiro que ajudará a impulsionar a
economia portuguesa. Portugal e a Alemanha, em conjunto, através
de projetos estratégicos e alianças como esta, podem ajudar a
Europa a acelerar o seu crescimento sustentável rumo a um futuro
brilhante para as nossas economias e empresas”, afirmou em
comunicado.(10.12.24/Fonte:
Jornal Económico)
Crise. França vale 36 mil milhões de euros para
Portugal e emprega cá 60 mil pessoas
Alguma coisa vai mal na República
Francesa, dizem vários analistas. Com tanto défice e tanta
dívida, e agora sem governo, nem orçamento, o que há de ser da
gigante França, da Zona Euro e dos seus aliados económicos mais
próximos, como Portugal.
A Alemanha é grande, mas, para Portugal, França é ainda maior. A
segunda maior economia da União Europeia (UE) e da Zona Euro é o
segundo maior investidor estrangeiro, ocupa o mesmo lugar como
mercado das exportações portuguesas, é medalha de prata como
emissor de receitas de turismo.
O Investimento Direto Estrangeiro de capital gaulês está
avaliado em mais de 20 mil milhões de euros, segundo o Banco de
Portugal. E para os exportadores nacionais é um mercado que vale
mais de 16 mil milhões de euros, segundo dados do Instituto
Nacional de Estatística (INE) e do BdP.
Só aqui, o valor direto de França para Portugal é imediato: 36
mil milhões de euros por ano.
Mais relevante do que Alemanha em todas estas métricas, a crise
política e orçamental em que França acaba de mergulhar pode
alastrar facilmente à economia portuguesa.
Segundo a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Francesa (CCILF),
haverá cerca de 750 empresas francesas em Portugal, “empregando
60 mil pessoas”.
Nomes familiares não faltam. De acordo com a mesma associação
empresarial, em solo português estão a “PSA, que tem na sua
fábrica de Mangualde um centro de produção de veículos ligeiros,
ou a Renault, que mantém em Cacia a produção de componentes
automóveis”. “Estão no país há várias décadas e empregam
centenas de pessoas”, indica a mesma câmara de comércio.
A gigante Engie, do setor das energias renováveis em Portugal,
“tem uma parceria estratégica com o grupo EDP” e emprega mais de
600 pessoas.
A Legrand, sediada em Carcavelos, “é um grupo multinacional
especializado no fabrico e comercialização de materiais
elétricos e hidráulicos”.
No setor do retalho/comércio, França está profusamente
representada no território português, e há muitos anos já,
através de marcas como “Auchan/Jumbo, Leroy Merlin, Decathlon,
Intermarché, Leclerc, Conforama, La Redoute, Fnac e a
Decathlon”.
A gaulesa Altice é a dona da Meo, uma das maiores companhias de
telecomunicações.
No setor bancário e financeiro, pontuam dois nomes. Em Lisboa,
está o BNP Paribas, cidade onde este enorme grupo global
desenvolve a área de “gestão de risco, gestão de ativos,
backoffice e mercados de capitais”.
O grupo BNP diz que emprega atualmente cerca de 8700 pessoas em
Lisboa e também algumas no Porto. O banco de investimento
Natixis encontra-se de armas e bagagens na cidade Invicta onde
opera o seu “centro tecnológico”, informa a CCILF. Emprega 2400.
Já a gigante da construção e gestão aeroportuária Vinci tem,
porque comprou a Ana - Aeroportos de Portugal, a concessão, até
2062, de quase todos os aeroportos nacionais, incluindo Lisboa,
Porto e o futuro aeroporto em Alcochete. O grupo ainda tem em
Portugal a Vinci Energies.
Um caso malparado
Em França, as últimas semanas foram a ferro e fogo (ver pág.
18). O Governo de Michel Barnier, ex-comissário europeu e decano
da política francesa, caiu com as moções de censura da
extrema-direita (FN) e da esquerda/extrema-esquerda (NFP).
Empossado pelo presidente Emmanuel Macron há menos de três
meses, Barnier cai porque avançou com uma proposta de Orçamento
para 2025 que toca num dos pontos mais sensíveis para a
sociedade francesa: a reforma das pensões.
França, a outra metade do eixo (franco-alemão) fundador e
sustentáculo da Europa, está a ser mal vista pelos avaliadores
mais próximos e isso pode ter repercussões na Zona Euro, no
custo da dívida, na capacidade de recuperação das economias
europeias. Todas estão interligadas, como se vê no caso de
Portugal.
“Este acontecimento é negativo em termos da qualidade de crédito
de França pois aprofunda o impasse político do país, reduz a
probabilidade de uma consolidação das finanças públicas e
contribui para prémios de risco [nas taxas de juro] maiores e
para um custo mais elevado da dívida”, diz Olivier Chemla, o
economista que lidera a equipa da agência de ratings Moody’s que
segue a República Francesa.
Com um défice público que agora ultrapassa os 6% do Produto
Interno Bruto (PIB) e um rácio de dívida a subir e acima de 115%
do PIB, França não inspira aquela confiança de outrora.
Em termos orçamentais, “é desafiante”, afirma Alexandre Stott,
analista do Goldman Sachs.
“No nosso pressuposto de médio prazo , vemos 1% de crescimento
real do PIB, 2% de inflação e taxas de financiamento de 3%”.
“Uma inflexão significativa na trajetória orçamental parece
improvável até novas eleições presidenciais, em 2027”, “os
efeitos de um défice mais elevado no crescimento serão
provavelmente bastante modestos” e uma política orçamental mais
flexível “levaria a um maior aperto das condições financeiras e
pesariam sobre a atividade económica nos próximos trimestres”,
observa o mesmo economista.
França enfrenta hoje uma taxa de juro na dívida pública a dez
anos de 3%. O custo imputado pelos investidores a Portugal é
2,5%, muito menor.(06.12.24/Fonte:
Dinheiro
Vivo)
Novo dono da Camac deslocaliza produção do Reino
Unido para Santo Tirso e cria mais de 100 empregos
O novo dono daquela que era a
única fabricante de pneus de capital português deslocalizou a
produção do Reino Unido para a unidade tirsense, num
investimento de 20 milhões de euros na sua expansão, renovação e
modernização, com capacidade para produzir 500 mil unidades por
ano.
Fundada em 21 de setembro de 1967, em Santo Tirso, a meia dúzia
de quilómetros da gigante alemã Continental Mabor, a fabricante
de pneus Camac já teve várias vidas.
Começou a laborar a 10 de março de 1969, ainda sob a designação
inicial de Fábrica de Pneus Fapobol, teve donos como o antigo
banco BPA, o excêntrico empresário espanhol Ruiz Thierry, ou os
portugueses José Serra – ligado ao setor têxtil – e Carlos
Pissarra, advogado e antigo gestor da SAD do Boavista.
Até que, após vários anos a acumular prejuízos e com a
tesouraria asfixiada, a Camac paralisou a 29 de agosto de 2008,
na sequência da greve dos 290 trabalhadores por atraso no
pagamento de salários. Passados quatro meses, era decretada a
sua insolvência.
Viria a retomar a produção em 2010, já sob o comando dos irmãos
Jorge e Fernando Rodrigues – do grupo bracarense General -, como
o apoio do IAPMEI, que injetou quatro milhões de euros na
empresa.
Mas desde então que a Camac vinha saltando de PER (Processo
Especial de Revitalização) em PER, tendo o último sido
homologado em maio do ano passado.
Entretanto, de supetão, em maio deste ano era anunciado que o
grupo britânico SPC, o principal fabricante europeu de compostos
de borracha, tinha escolhido Portugal para implementar um
projeto estratégico que visa reforçar a sua posição no
competitivo mercado europeu de pneus de alta performance.
"O projeto prevê a aquisição de ativos da Avon Tyres Motorsport,
atualmente detida pelo grupo Goodyear, transferindo a produção
do Reino Unido para Portugal, passando a comercializar através
de uma nova marca, a Nova Tires", revelava o Banco Português de
Fomento (BPF).
Em causa está um projeto orçado em 20 milhões de euros, com o
BPF a anunciar a contratação de uma operação de investimento na
Nova Motorsports, S.A. (anterior Turbalvoroço), o veículo criado
pelo grupo britânico para a aquisição dos ativos da Avon Tires
e, também, para a compra da CNB/Camac – Companhia Nacional de
Borrachas, que era até agora a única fabricante nacional de
capitais portugueses.
Esta quarta-feira, 20 de novembro, o novo dono da Camac revela
que "o programa de renovação e modernização de 20 milhões está
em andamento" e que "serão criados mais de 100 empregos em
diversas áreas, incluindo engenharia, tecnologia, marketing e
outras funções".
Em comunicado, dá conta que "os primeiros pneus de marca Nova
Motorsport, o ACB11 para rallycross, foram produzidos na fábrica
no final de agosto e estreados numa apresentação especial no
evento Rallycross RX Loheac 2024, em França", sendo que, "em
outubro, a fábrica portuguesa revitalizada retomou a produção da
linha de pneus Camac Classic para o mercado europeu".
Com "20 milhões de euros destinados à expansão, renovação e
modernização das instalações", dotando a fábrica tirsense com
"capacidade para produzir 500 mil pneus por ano",realça que
"a aquisição da Camac reforça significativamente a missão da
Nova Motorsport de redefinir o panorama da produção de pneus
para automobilismo e pneus especializados".
Para garantir "os mais elevados níveis de qualidade de fabrico e
de produto", a Nova Motorsport reporta que "foram carregados
cerca de 200 camiões carregados de equipamentos transferidos da
antiga fábrica da Avon em Melksham, no Reino Unido, para
Portugal".
Além disso, "a maquinaria existente para a produção de pneus
Camac na fábrica está a ser atualizada e modernizada para
garantir uma qualidade exemplar", afiança, adiantando que "estão
também a ser implementadas melhorias adicionais e contínuas em
todas as instalações, através da integração de vários sistemas
novos e da adoção de processos avançados de fabrico e de
garantia de qualidade adquiridos à Avon Motorsport".(20.11.24/Fonte:
Jornal de Negócios)
"Risco de sobrevivência" da Alemanha agrava-se e
Portugal pode ser arrastado
Segunda maior fonte de turistas,
terceiro maior mercado dos exportadores de mercadorias
portugueses, investidor estrangeiro histórico, sobretudo na
indústria, a Alemanha tem 400 empresas cá, dando emprego a quase
50 mil pessoas. Em 2024, entrou em recessão outra vez, a
terceira dos últimos cinco anos.
A Alemanha, a terceira maior economia do mundo, é um dos
parceiros económicos históricos de Portugal, ocupando um lugar
cimeiro como destino das exportações portuguesas (turismo
incluído) e um lugar de topo como investidor estrangeiro,
saliente sobretudo, desde meados dos anos 80 do século passado,
quando abriu a grande fábrica Autoeuropa, em Palmela, principal
âncora do valioso cluster automóvel nacional.
Mas há problemas a fermentar que podem prejudicar ou baixar a
intensidade desta relação ou, pelo menos, provocar compassos de
espera. Vendas que podem adiadas, investimentos que pode entrar
em pausa, até a situação desanuviar.
Portugal está vulnerável porque a Alemanha é o terceiro maior
mercado dos exportadores portugueses (a seguir a Espanha e
França), absorvendo quase 11% dos produtos made in Portugal.
No total (bens e serviços), estamos a falar de um mercado
gigantesco avaliado Gabinete de Estratégia e Estudos (GEE) do
Ministério da Economia em quase 14 mil milhões de euros em
exportações por ano (2023) repartidos por 8,2 mil milhões de
euros em produtos (mercadorias) e o resto (5,8 mil milhões) em
serviços, onde se destacam o exuberante turismo.
Segundo a Agência para o Investimento e Comércio Externo de
Portugal (AICEP), "na estrutura das exportações portuguesas de
bens destacam-se em 2023 os mercados de Máquinas e Aparelhos
(29,5%), Veículos e Outro Material de Transporte (18,8%),
Instrumentos de Ótica e Precisão (10,3%), Plásticos e Borracha
(7%)".
Ainda nas exportações, mas na componente dos serviços, aparece
como segundo maior mercado gerador de turismo (a seguir ao Reino
Unido).
O Instituto Nacional de Estatística (INE) a contabilizar mais de
seis milhões de turistas (hóspedes) que escolheram Portugal para
pernoitar (hotéis e outros alojamentos) durante todo o ano
passado, marca que será claramente batida este ano pois até
setembro, o país já recebera a visita de cinco milhões de
alemães.
Investimento alemão sob pressão
Depois a vulnerabilidade talvez mais crítica e de maior
repercussão a prazo, no desenvolvimento português: o
investimento.
A Alemanha tem investidos em Portugal (o stock apurado pelo
Banco de Portugal no final do primeiro semestre deste ano) mais
de oito mil milhões de euros, valor que tem batido máximos
históricos sucessivos, mesmo com a estagnação inevitável que
aconteceu no primeiro ano da pandemia (2020).
É o sétimo maior investidor estrangeiro em Portugal, numa lista
que costuma ser liderada por Espanha e França.
Segundo a Embaixada da Alemanha em Portugal, haverá atualmente
cerca de 400 empresas de capital originariamente alemão, que
empregam perto de 50 mil trabalhadores. A maior parte destas
operações ocorrem na indústria transformadora tecnologicamente
mais avançada.
De acordo com a AICEP, olhando apenas para a indústria pura, a
Alemanha surge como o "maior investidor estrangeiro".
Volkswagen Autoeuropa, Bosch Car Multimedia Portugal,
Continental Mabor, Mercedes-Benz Portugal, BMW Portugal,
Siemens, são algumas das maiores operações empresariais, só para
citar nomes sonantes e familiares dos portugueses.
"Portugal recebeu investimentos de grandes empresas alemãs, tais
como a Volkswagen (Autoeuropa), Siemens (desde 1905 em
Portugal), Infineon, Epcos, Bosch/Blaupunkt, Continental
(Mabor), mas também de muitos fabricantes de renome da fileira
moda (calçado e confecção), como por exemplo a Gabor, Ara Shoes
e Priess Modelle, que encontraram no nosso país (nos anos
sessenta e setenta do século passado) uma localização excelente
para investimentos industriais. Também as grandes empresas
alemãs do sector metalomecânico e de subcontratação (Edscha,
Mahle, Kromberg & Schubert, Preh-Werke, HUF, Leica, Benteler e
Grohe, etc.) instalaram fábricas em Portugal", diz a AICEP.
“Tem de se adaptar aos novos tempos”
Vários economistas avisam que Alemanha pode demorar a sair da
atual armadilha da estagnação e recessão, de baixo potencial de
crescimento uma vez que precisa de se reinventar novamente,
fazer investimentos estruturais que estão em falta, reduzir a
dependência ainda elevada em relação ao gás e ao petróleo.
"A Alemanha deve adaptar o seu modelo económico para se adaptar
aos novos tempos", afirma o gabinete de estudos do banco BPI.
"Na década anterior à pandemia, o desempenho económico da
Alemanha foi impulsionado por políticas bem-sucedidas destinadas
a promover as Pequenas e Médias Empresas (PME), pelo dinamismo
do sector industrial assente no fornecimento barato de gás
russo, pela capacidade de produzir bens de alta qualidade,
especialmente automóveis, e pela forte orientação para a
exportação".
"Este modelo está, no entanto, ameaçado pelo abrandamento do
comércio mundial, pelas guerras aduaneiras, pela emergência de
novos rivais (nomeadamente a China) e pelo fim do acesso ao gás
russo", avisam os mesmos analistas.
Quem está radicado na Alemanha está mais inquieto. É o caso de
Klaus Wohlrabe, economista sénior do influente Instituto de
Estudos Económicos (Ifo), sediado em Munique.
"A percentagem de empresas alemãs que temem profundamente pela
sua sobrevivência económica aumentou para 7,3%", conclui o novo
estudo. "É provável que o aumento constante das insolvências
empresariais na economia alemã se mantenha", afirma o
economista.
"Para além da falta de encomendas, a crescente pressão
competitiva internacional está a perturbar de tal forma muitas
empresas que estas vêem o seu futuro gravemente em risco”,
acrescenta Klaus Wohlrabe.
"O número de insolvências empresariais está muito acima do nível
dos anos anteriores", "a falta de encomendas em todos os
sectores está a conduzir a consideráveis estrangulamentos de
liquidez" e, ao mesmo tempo, "a combinação entre os elevados
custos da energia e a crescente concorrência internacional está
também a ter um impacto particularmente negativo".
O medo de não sobreviver afeta principalmente "a indústria
transformadora, onde 8,6% das empresas reportam graves problemas
económicos, quando no ano passado, o número foi 6,4%".
A Alemanha, sabe-se agora através da Comissão Europeia, terá
caído novamente em recessão, em 2024, com um deslize de 0,1%,
naquele que é o terceiro retrocesso económico em cinco anos,
apenas.
O primeiro foi em 2020 por causa da pandemia, o segundo foi em
2023, quando ficou exposta a fratura inflacionista provocada
pelo aumento dos preços da energia (muita dela russa) e, já este
ano, (como no precedente), por causa da fragmentação no comércio
mundial e com o fosso crescente entre Ocidente e amigos da NATO
e outros (China, Rússia, etc.). A Alemanha é um exportador nato,
por assim dizer.
Para Portugal, trata-se de uma situação delicada por causa dos
impactos diretos que acontecem por diversas vias.
A mais crítica é a do comércio externo. A relação muito antiga
entre Alemanha e Portugal radica num modelo de captação de
investimento (cá), sobretudo em indústrias de alta intensidade
tecnológica, que depois exportam quase tudo o que produzem para
o mercado alemão e o resto do mundo.
Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de
Portugal (AEP), descolou-se a Estugarda esta semana para
participar na Automotive Interiors Expo, "uma importante feira
do setor da Europa onde está representada a cadeia de valor da
indústria automóvel especializada em componentes e sistemas de
interiores automóveis". Com ele foram quatro empresas: Bramp,
Fehst, Maxiplás, Trim NW.
Ainda há algum otimismo no ar. “A Alemanha é um dos principais
parceiros de Portugal, contudo, é recomendável uma abordagem
estratégica, estruturada e persistente ao mercado. Em termos de
oportunidades de negócios, é um mercado interessante para a
economia digital, soluções energéticas, mobilidade e
transportes, saúde, vestuário, têxteis, calçado, semicondutores,
entre outros" e, além disso, tem "um elevado poder de compra",
remata o responsável empresarial.
Rating máximo, dívida baixa, economia à defesa e política ao
ataque
O Governo da “coligação semáforo” caiu porque não houve consenso
para aumentar despesa e dívida. Economistas dizem que é um
bocado inevitável abrir os cordões ao orçamento, sobretudo, no
setor militar e devido à ameaça russa. “Lacuna” de investimento
da Alemanha nesta área pode rondar 230 mil milhões de euros, diz
um especialista do país.
Depois de anos de hegemonia económica e de estabilidade política
(a era Angela Merkel que durou quase 20 anos, de 2005 a 2021), a
Alemanha hoje, apesar da queda do muro, é uma país dividido e
com contrastes cada vez mais vincados.
As Finanças Públicas estão numa posição invejável, tendo em
conta a necessidade de agir e de lançar medidas que contrariem
os efeitos dos choques externos que ainda hão de surgir num
futuro próximo.
Rating máximo, dívida baixa (das mais reduzidas entre as maiores
economias do mundo), uma capacidade orçamental que está agora,
por causa da estagnação e recessão interna, no centro de uma
disputa política, com as forças mais extremas de direita no
governo (que entretanto colapsou) a pedir ainda mais restrição
financeira ao Estado federal.
Num país que precisa de relançar e reinventar a economia,
investir e inovar mais, que quer apoiar ao máximo a Ucrânia, que
quer ser um líder mundial na despesa militar no âmbito da NATO
(para tentar responder à fúria do Presidente-eleito dos EUA,
Donald Trump), haver tamanha disputa sobre se se deve usar ou
não a margem orçamental existente e aliviar o travão da dívida é
algo que aquece o debate político e económico e que cava o fosso
entre o centro-esquerda e a direita mais liberal ou radical que
esteve no governo até há poucos dias.
O Governo germânico, através da sua Embaixada em Portugal,
explica que a demissão do ministro das Finanças, Christian
Lindner, pelo chanceler federal, Olaf Scholz, a 6 de novembro
passado, significa que a chamada "coligação semáforo” entre SPD
(socialistas), Aliança 90/Os Verdes (Partido Verde) e FDP
(Partido Democrático Liberal, liderado por Lindner), "fracassou
após três anos".
O serviço diplomático explica que "o chanceler Scholz deixou
claro que a sua confiança em Lindner foi quebrada" a partir do
momento em que o ministro se recusou a fazer um orçamento mais
orientado para a despesa por, alegou, ir assim violar a regra
constitucional alemã relativa ao endividamento público. "A
demissão de Lindner foi necessária para evitar inflingir danos
sobre o país”, disse Scholz.
As eleições federais estão agora marcadas para 23 de fevereiro
de 2025. Se Scholz for reeleito, algo que não está nada
garantido, a ideia será "usar os fundos [públicos] para reforçar
a ajuda à Ucrânia e elaborar um pacote de apoio à economia
alemã", que permita "baixar os preços de energia" e "premiar o
investimento".
Travão da dívida vai ser difícil de desarmar
Niklas Steinert, analista principal da agência de rating
Standard & Poor's não tem dúvidas: a Alemanha pode gastar mais
para levantar a economia, mas não sem contenda política nos
próximos meses.
"O travão da dívida pode continuar a complicar a formulação de
políticas após as eleições antecipadas", sendo também verdade
que "uma política orçamental conservadora" como essa "pode
complicar os investimentos públicos e o crescimento económico a
longo prazo", receia o economista.
"Atualmente não esperamos alterações no quadro orçamental, mesmo
depois de eleições" e "o travão da dívida irá, muito
provavelmente, continuar a determinar a disciplina orçamental
que tem caracterizado a Alemanha" nas últimas décadas.
"Consideramos que as métricas de crédito da Alemanha são fortes"
o que permite à S&P não ter dúvidas sobre o músculo financeiro
da maior economia da Europa, mesmo estando em recessão. "A nossa
classificação de crédito soberano de longo prazo é AAA", o nível
mais alto possível e encontra-se estável.
Mais armamento
Florian Dorn, investigador do instituto Ifo, em Munique, diz que
o governo alemão, seja ele qual for, vai ter mesmo de alargar os
cordões ao orçamento e dar prioridade aos gastos militares.
"A Alemanha falhou de forma reiterada no cumprimento da meta da
NATO de 2% do PIB [gastos com Defesa] durante as últimas três
décadas" e isso dá uma "uma lacuna de cerca de 230 mil milhões
de euros em investimentos necessários na defesa".
Segundo Dorn, “os salários dos soldados e os custos do
equipamento militar são significativamente mais baixos na Rússia
ou na China, do que nos países da Europa Ocidental", pelo que a
pressão financeira também é maior por esta via.
"Até que o aumento da eficiência e das estruturas conjuntas de
Defesa na Europa dê frutos, a atual situação geopolítica exige
mais despesas militares". Para o perito, não há volta a dar.(18.11.24/Fonte:
Dinheiro
Vivo)
Portugal: Banca corta nos balcões e nos
funcionários
Instituições registavam, até
junho, 36 718 trabalhadores e 3326 balcões.
Os elevados lucros registados pelos bancos até setembro foram
conseguidos num quadro de menos balcões e menos funcionários,
mas mais contas online e mais pagamentos eletrónicos. No
primeiro semestre deste ano, a banca registava o valor mais
baixo de funcionários dos últimos 37 anos.
Os lucros dos cinco principais bancos a operar em Portugal
atingiram, até setembro, 3,9 mil milhões de euros. Segundo o
‘Negócios’, estes resultados podem levar à distribuição de cerca
de 2,9 mil milhões de euros pelos acionistas da CGD (Estado),
BCP, BPI e Santander. São mais 500 milhões de euros face a 2023
num quadro de menos funcionários, e menos balcões abertos, mais
clientes online e mais compras com cartões.
A Associação Portuguesa de Bancos (APB) contabilizava, até junho
deste ano, 36 718 trabalhadores e 3326 balcões. Depois de um
ligeiro aumento entre 2022 para 2023, o número de funcionários
caiu este ano para o valor mais baixo desde 1987, de acordo com
dados da APB.
Já nos balcões, a associação aponta este ano para 3326, menos um
do que o registado o ano passado. No entanto, desde 2011, quando
foi atingido o valor mais elevado (6305), a redução dos espaços
para o atendimento tem sido acentuada. Em contrapartida,
aumentou exponencialmente o número de contas com acesso à
Internet, que cresceu de 1,5%, em 2000, para 70,3%, em 2023, bem
como o número de cartões e pagamentos. Segundo dados da APB, há
mais de 25 milhões de cartões de pagamento e até junho quase 60%
das operações eram compras.(13.11.24/Fonte:
Correio da
Manhã)
Mais de metade dos portugueses poupa menos de 10%
do salário
Dados relativos aos hábitos de
poupança dos portugueses representam uma ligeira recuperação
face aos 66% e 41%, respetivamente, registados em 2023, segundo
o estudo "Consumer Sentiment Survey 2024" da Boston Consulting
Group.
Mais de 60% dos portugueses só consegue poupar menos de 10% do
seu salário líquido e 38% guarda nem 5% do que recebe, segundo o
estudo "Consumer Sentiment Survey 2024" da Boston Consulting
Group (BCG), divulgado esta quinta-feira.
Anunciados pela consultora no Dia Mundial da Poupança, estes
dados relativos aos hábitos de poupança dos portugueses
representam uma ligeira recuperação face aos 66% e 41%,
respetivamente, registados em 2023.
O estudo -- realizado anualmente para aferir os hábitos de
consumo, despesa e poupança em Portugal - conclui ainda que dois
em cada 10 portugueses (20%) poupa entre 10% a 20% do seu
salário líquido, um aumento de quatro pontos percentuais face ao
ano passado, enquanto 9% reserva 20% a 30% e, tal como em 2023,
apenas 5% consegue economizar mais de 40% do que aufere.
Quando conseguem poupar, 63% dos portugueses destinam essa
fração dos rendimentos para responder a potenciais imprevistos,
39% para acumular para a reforma e 33% para viajar, sendo que
nestas duas últimas categorias se verificou uma subida de três
pontos percentuais face a 2023.
Já comprar casa é uma prioridade para a alocação da poupança
para 22% dos inquiridos, dois pontos percentuais acima do ano
passado, seguida de comprar um carro (13%) e gastar noutros bens
de consumo (10%), percentagens que se mantêm inalteradas face à
edição anterior do estudo.
Citado num comunicado, o 'managing director' e 'partner' na BCG
Lisboa nota que "a maioria dos portugueses continua a não
conseguir poupar, gastando a maior parte do que aufere com
necessidades básicas e alocando o capital que consegue amealhar
em investimentos de baixo risco".
"Neste contexto, as empresas devem tentar diferenciar a oferta,
otimizando a sua estratégia de preços e descontos e melhorando o
seu 'modus operandi' na promoção e distribuição de produtos, bem
como os canais físicos e digitais onde estão presentes, de modo
a serem mais atrativas para os consumidores", afirma Tiago
Kullberg.
"Paralelamente, urge apostar em literacia financeira a nível
nacional como um instrumento para termos cidadãos mais bem
informados e capacitados", acrescenta.
Relativamente aos hábitos de consumo, a BCG dá conta de algumas
alterações face ao ano passado, com 58% dos portugueses a
revelarem ter sentido um aumento nos gastos com alimentação, 36%
com farmácia e saúde, 35% com o veículo pessoal, 34% com a renda
da habitação e 36% com restauração.
Segundo a consultora, "o aumento da despesa em necessidades
básicas provocou uma queda acentuada dos gastos noutras
categorias", nomeadamente entretenimento fora de casa (-34%),
roupa e acessórios (-34%), viagens e férias (-31%), perfumaria e
maquilhagem (-22%) e bebidas alcoólicas (-21%).
E, nota, "apesar de a maior parte das variações em gastos terem
afetado todas as faixas etárias, o aumento de gastos com
farmácia e saúde foi principalmente sentido pela população
sénior (57%), enquanto os mais jovens e adultos foram os que
mais sentiram um aumento da fatura com renda (37%)".
Do trabalho resulta ainda que os portugueses "continuam a ter um
perfil de investimento bastante conservador, preferindo alocar
as poupanças em produtos de baixo risco".
O estudo detalha que os jovens adultos recorrem sobretudo a
depósitos à ordem (38%) e depósitos a prazo (36%), mas são,
ainda assim, a faixa etária que mais investe em ações e
obrigações, alocando cerca de 18% dos seus recursos a esta
classe de ativos. Em contrapartida, alocam menos de 10% dos
recursos em fundos de pensões e em ativos não financeiros.
Já entre os portugueses de meia-idade destacam-se os depósitos à
ordem e os depósitos a prazo, com 36% e 37% do total,
respetivamente, enquanto as ações e obrigações perdem relevância
(14%), tal como os ativos não financeiros (3%), ganhando
importância os fundos de pensões (9%).
Quanto à população com mais de 65 anos, grande parte dos
recursos (84%) são investidos em depósitos a prazo e à ordem,
sendo os fundos de pensões (7%), as ações e obrigações (6%) e os
ativos não financeiros (4%) as aplicações de investimento menos
atrativas.
Comparando homens com mulheres, a BCG nota que os primeiros
(18%) têm maior propensão a investir em ações e obrigações (18%
contra 10%), revelando "uma assimetria significativa em termos
de perfis de risco".
O "Consumer Sentiment Survey 2024" tem como base um inquérito a
1.000 portugueses em todo o território de Portugal continental,
conduzido entre 06 e 20 de agosto de 2024, com base em 38
perguntas relacionadas com o sentimento dos inquiridos
relativamente aos seus hábitos de consumo este ano.(31.10.24/Fonte:
Diário de
Notícias)
Inteligência artificial vai levar à
requalificação de 1,3 milhões de postos em Portugal
Cerca de 1,3 milhões de postos de
trabalho vão ter de ser requalificados em Portugal com a adoção
da automação e da inteligência artificial generativa (GenAI),
refere um estudo da McKinsey. A adoção de novas tecnologias é
inevitável e já está a acontecer com impacto significativo nas
tarefas atuais refere a pesquisa.
"São 1,3 milhões postos de trabalho em que as pessoas vão ter de
fazer as coisas de forma diferente", explica Duarte Begonha,
sócio da McKinsey & Company, defendendo que é preciso haver uma
"agenda bastante clara e definida, envolvendo os diferentes
'stakeholders' da sociedade - setor privado, setor público e a
parte da educação - na requalificação laboral".
Ou seja, vai exigir um conjunto de novas competências.
A adoção célere da automação e GenAI vai libertar horas de
trabalho equivalentes a estes 1,3 milhões de empregos e "estas
horas poderão ser dedicadas a outras tarefas de maior valor
acrescentado que conduzirá ao aumento da produtividade", lê-se
no estudo "Future of Work: Automação com GenAI: Oportunidade
única para melhorar a produtividade em Portugal", elaborado pelo
McKinsey Global Institute (MGI), em colaboração com a Nova
School of Business and Economics (SBE).
O aumento da produtividade "resultará na compensação das horas
libertadas e na criação de mais horas de procura laboral,
resultando num salto positivo de horas de trabalho equivalentes
a +0,3 milhões de empregos".
O potencial impacto no aumento da produtividade "está dependente
de um esforço estrutural que garanta a realocação da força de
trabalho às novas tarefas resultantes da adoção da tecnologia",
o que inclui o esforço de 'reskilling' e 'upskilling', segundo o
estudo.
O relatório aponta que cerca de 30% do mercado de trabalho será
impactado com adoção rápida das tecnologias referidas, exigindo
novas capacidades tecnológicas e sociais equivalentes a novas
tarefas, e que mais ou menos 320 mil pessoas deverão ser
realocadas, sobretudo as que estão em tarefas mais previsíveis,
repetitivas e com exposição direta a cliente (atendimento a
cliente e apoio administrativo).
"É preciso criar no contexto da formação profissional uma
componente educativa para as pessoas que já estão hoje em dia no
mercado de trabalho", defende Duarte Begonha.
A ausência de uma agenda nacional de requalificação de
realocação "impedirá a captura total da oportunidade com risco
de desemprego", alerta o estudo.
Por exemplo, "um atraso na recolocação de pessoas de -20% terá
um impacto no crescimento do PIB (-0,5-0,7 pontos percentuais) e
ainda o risco de aumento de desemprego (250 mil pessoas por
realocar".
No cenário de adoção mais rápida, até 2030, as ocupações que
dependem, na sua maioria, de competências cognitivas básicas
serão as que irão sofrer a maior diminuição e, por isto, reduzem
a necessidade destas competências, refere o documento.
Em sentido inverso, "haverá um aumento significativo de
competências tecnológicas, com o número de empregos que exigem
estas competências, como principais, a aumentar 38%".
As competências sociais também "serão mais necessárias", com um
aumento de 17% no número de empregos.
Já o aumento das competências tecnológicas, sociais e emocionais
"será transversal a todos os níveis de rendimento" e as
cognitivas básicas "serão muito menos relevantes do que são hoje
nos rendimentos mais baixos".
Singapura e Estónia são referência "de boas práticas na
implementação de desígnios estratégicos com esta escala",
segundo o estudo.(21.10.24/Fonte:
Jornal de Notícias)
Portugal já assegurou ano recorde na produção de
energia solar
Agência Internacional de Energia
prevê que renováveis respondam a metade da procura global de
eletricidade até 2030. Mas objetivo mundial de triplicar a
capacidade das renováveis está em causa.
No mesmo dia em que foi anunciado que Portugal produziu, até 5
de setembro, energia solar equivalente à gerada durante todo o
ano de 2023, a Agência Internacional da Energia (AIE) divulgou
um relatório onde alerta que o objetivo da COP28 de triplicar a
capacidade de energia renovável até 2030 dificilmente será
atingido. Em Portugal, 2024 será “um ano recorde em termos de
produção solar”, anunciou ontem a REN - Redes Energéticas
Nacionais.
Nos primeiros nove meses deste ano, foram gerados 3,99 TWh,
ultrapassando os 3,6 TWh produzidos entre 1 de janeiro e 31 de
dezembro de 2023, adiantou a REN. Assim, já em setembro, o país
assegurou um ano recorde de produção de energia solar. No
período em análise, as renováveis abasteceram 73% do consumo
nacional, dos quais 10% corresponderam à produção solar.
Apesar deste pequeno contributo de Portugal, um dos 197 países
signatários da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre
Alterações Climáticas, a AIE admitiu ontem que a capacidade de
produção de energia renovável no mundo só aumentará 2,7 vezes
entre 2022 e 2030, o que impedirá o cumprimento do objetivo
fixado no acordo assinado na Conferência das Nações Unidas sobre
as Mudanças Climáticas, no fim do ano passado.
Ainda assim, o relatório Renováveis 2024, publicação anual da
AIE sobre o setor, aponta para a entrada de mais 5500 gigawatts
(GW) de nova capacidade de energia renovável entre 2024 e 2030,
valor que representa quase o triplo do aumento registado entre
2017 e 2023. Segundo o diretor executivo da AIE, Fatih Birol,
este incremento corresponde à capacidade atual de energia da
China, União Europeia, Índia e Estados Unidos. Nas previsões da
AIE, as energias renováveis irão responder a metade da procura
global de eletricidade até 2030.
A China deverá ser responsável por quase 60% de toda a
capacidade de energia renovável instalada no mundo entre 2024 e
2030, prevê a AIE. A confirmar-se estas previsões, responderá
por quase metade da capacidade total de energia renovável do
planeta até ao final da década.
A AIE estima que a energia solar fotovoltaica irá representar
80% do crescimento da capacidade renovável global até 2030, em
resultado da construção de grandes centrais de energia solar e
do aumento das instalações solares nos telhados das empresas e
das casas. A energia eólica também parece pronta a recuperar,
com a taxa de crescimento a duplicar entre 2024 e 2030, face ao
período entre 2017 e 2023, nas previsões da agência.
Apesar do objetivo de triplicar a capacidade de energia
renovável no mundo até 2030 poder estar comprometido, a AIE
admite ser ainda possível atingir essa meta se os governos
fizerem um esforço para lidar com as incertezas políticas,
agilizarem processos de licenciamento, e construírem e
modernizarem 25 milhões de quilómetros de redes elétricas e
atingir 1500 GW de capacidade de armazenamento, entre outras
medidas. Há também a salientar que 70 países, que respondem por
80% da capacidade global de energia renovável, deverão atingir
ou superar as metas de energia renovável para 2030.
O forte crescimento da energia renovável a nível global irá
traduzir-se num peso de 20% no total da energia produzida em
2030, valor que compara com os 13% do ano passado.(10.10.24/Fonte:
Dinheiro
Vivo)
Alto preço trava cada vez mais compra de casa por
famílias, avisa FMI
Famílias com rendimentos medianos
já não conseguem obter um crédito para comprar casa de valor
médio, conclui.
Ao analisar o estado da habitação em Portugal, o Fundo Monetário
Internacional (FMI) concluiu que as famílias portuguesas sentem
cada vez mais dificuldade em comprar casa, muito por culpa da
falta de oferta e dos preços das casas, que não param de subir.
Em resultado, metade dos agregados familiares deixou mesmo de
conseguir comprar casa de valor médio.
“Desde 2023, uma família de rendimento mediano já não consegue
um empréstimo para comprar uma casa de valor médio", conclui FMI
na análise feita a Portugal que foi publicada esta quarta-feira,
dia 2 de outubro. E diz ainda que, no segundo trimestre de 2023,
seria preciso um salário mediano e meio para uma família
conseguir contratar um crédito habitação para comprar uma casa
de preço médio, escreve o Jornal de Negócios.
Por detrás da deterioração da acessibilidade da habitação em
Portugal está, sobretudo, a subida dos preços das casas, que
mais do que duplicaram entre 2015 e o último trimestre de 2023
(subiram muito mais que a média da zona euro, de 42%).
A subida dos preços das casas deve-se não só à alta procura por
parte dos residentes no país. Segundo diz o FMI, "este aumento
reflete provavelmente a procura de casas de luxo promovida pelo
programa dos vistos gold e a conversão de fogos de habitação em
alojamento local, ao mesmo tempo que a oferta não respondeu",
cita o mesmo jornal.
Sobre o futuro, o FMI avisa que é preciso continuar a
monitorizar o imobiliário em Portugal, porque se "os preços da
habitação a continuarem a subir, a acessibilidade deteriora-se
ainda mais".(02.10.24/Fonte:
Idealista)
Governo aprova investimento de 83 milhões para
produção de hidrogénio renovável
Ministra do Ambiente e Energia
destaca que são investimentos deste tipo, em que apoiam o sector
renovável, que vão ajudar a descarbonizar a economia portuguesa.
O Ministério do Ambiente e da Energia acabou de aprovar um total
de 22 candidaturas, através do Fundo Ambiental, para a produção
de hidrogénio renovável e outros gases renováveis. Trata-se de
um investimento de 83 milhões de euros enquadrado no Plano de
Recuperação e Resiliência (PRR).
Segundo a ministra Maria da Graça Carvalho, o Executivo está a
“criar condições para pôr o país na vanguarda deste sector“,
sendo que este investimento representa “um passo importante para
a descarbonização da economia portuguesa”.
“Com este investimento, estamos a dar um passo decisivo para a
transição energética em Portugal, promovendo a produção de
hidrogénio renovável e outros gases renováveis, que são
essenciais para a descarbonização de diversos setores da
economia”, considera a ministra em comunicado.
Ora, o financiamento do PRR vai permitir a instalação de uma
capacidade de produção de 178,5 megawatts (MW). A execução
destes 22 projetos vai contribuir diretamente para a meta de 200
MW de capacidade adicional instalada, prevista a ser atingida
até ao primeiro trimestre de 2026.
Os projetos em mãos abrangem diferentes tecnologias e sectores,
desde a produção de hidrogénio a partir de fontes renováveis até
à sua utilização nos transportes e na indústria. “Com este
investimento, estamos a dar um passo decisivo para a transição
energética em
Portugal, promovendo a produção de hidrogénio renovável e outros
gases renováveis, que são essenciais para a descarbonização de
diversos setores da economia”, considera a governante em
comunicado.
A ministra destaca ainda a importância de apoiar a criação de
novas oportunidades neste sector, bem como o avanço da inovação.
“O hidrogénio renovável é uma das tecnologias chave para a
transição energética e para a descarbonização da economia. Com
este investimento, estamos a criar as condições para que
Portugal se posicione na vanguarda”, afirmou..(01.10.24/Fonte:
Jornal
Económico)
Casas estão mais caras em Portugal mas vendas
aumentam no segundo trimestre
Face ao trimestre anterior
verificou-se um ligeiro crescimento de 0,8%. Em relação ao preço
das casas existentes a subida homóloga foi de 8,3%, enquanto nas
habitações novas o aumento foi de 6,6%.
Os preços das casas em Portugal registaram um aumento de 7,8% no
segundo trimestre em comparação com o período homólogo de 2023,
tendo verificado uma ligeira subida de 0,8%, face ao trimestre
anterior, segundo os dados do Índice de Preços da Habitação
(IPHab) divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE)
esta sexta-feira.
Em relação ao preço das casas existentes a subida homóloga foi
de 8,3%, enquanto nas habitações novas o aumento foi de 6,6%. No
trimestre em análise foram transacionadas 37.125 habitações, o
que significou uma subida homóloga de 10,4% (-4,1% no trimestre
anterior). Trata-se do primeiro aumento (homólogo) do número de
transações desde o segundo trimestre de 2022.
Entre abril e junho de 2024, as habitações existentes
representaram a maioria das transações (79,8%) tendo totalizado
29.630 unidades, mais 10,6% face ao registo do mesmo período de
2023 (variação de -4,0% no 1º trimestre de 2024). No que
respeita às habitações novas, contabilizaram-se 7.495
transações, traduzindo-se num crescimento de 9,8% por comparação
com o mesmo período do ano anterior (-4,4% no 1º trimestre de
2024).
No trimestre em análise o valor dos alojamentos transacionados
fixou-se em 7,9 mil milhões de euros, mais 14,1% face ao
registado no mesmo trimestre de 2023 (-1,8% no trimestre
anterior). Já o valor das transações das habitações existentes
ascendeu a 5,7 mil milhões de euros (aumento de 14,8% face ao
mesmo período de 2023) enquanto o valor das transações de
habitações novas atingiu 2,2 mil milhões de euros (aumento
homólogo de 12,2%).
Entre o primeiro e segundo trimestres registou-se um aumento de
12,2% no número de transações de alojamentos (-3,1% no trimestre
anterior). O crescimento foi extensível a ambas as categorias de
habitações, tendo-se registado taxas de variação de 12,5% nas
habitações novas (-0,7% no primeiro trimestre de 2024) e 12,2%
nas habitações existentes (-3,7% no primeiro trimestre de 2024).
No segundo trimestre as habitações adquiridas por compradores
pertencentes ao sector institucional das famílias ascenderam a
31.948 unidades, 86,1% do total. O registo obtido representa um
crescimento do número de transações de 11,2% em termos homólogos
e de 13,0% relativamente ao trimestre anterior.
Em valor, as vendas de habitações a famílias corresponderam a
6,7 mil milhões de euros, 85,4% do total, apresentando um
crescimento homólogo de 16,4% e uma taxa de variação de 18,8%
face ao trimestre anterior.
No trimestre em análise foram contabilizadas 34.661 transações
cujos compradores apresentaram um domicílio fiscal no Território
Nacional, mais 11,5% em termos homólogos. Em termos relativos, o
peso destas transações no total diminuiu para 93,4% (93,8% no
trimestre anterior), mas aumentou face ao período homólogo
(92,5%).
Em termos geográficos a região Norte, com um total de 10.995
transações, concentrou 29,6% do total das vendas de habitações,
mais 1,0 p.p. face ao período homólogo, seguindo-se o Centro e o
Alentejo, com 5.885 e 1.945, respetivamente, foram as outras
regiões a apresentar incrementos nas respetivas quotas
regionais, 0,5 p.p. e 0,2 p.p., pela mesma ordem.
As transações de habitações localizadas na Grande Lisboa
fixaram-se em 7.031 unidades, ou seja, 18,9% do total,
percentagem idêntica à do mesmo período do ano transato. Na
Península de Setúbal venderam-se 3.523 habitações, 9,5% do
total, traduzindo-se numa redução homóloga de 0,4 p.p..
Seguiram-se, em termos de número de transações, o Oeste e Vale
do Tejo e o Algarve, com 3.475 e 2.836 transações,
respetivamente. As transações de alojamentos na Região Autónoma
da Madeira ascenderam a 836 unidades, 2,3% do total (-0,1 p.p.
em termos homólogos). Na Região Autónoma dos Açores
contabilizaram-se 599 transações, mantendo-se o peso relativo de
1,6%.
No segundo trimestre as habitações transacionadas na Grande
Lisboa totalizaram 2,5 mil milhões de euros, 32,2% do total,
menos 0,7 p.p. em termos homólogos. No Norte, o valor das
habitações transacionadas ascendeu a 1,9 mil milhões de euros,
enquanto no Algarve atingiu 912 milhões de euros, observando-se,
no primeiro caso, um aumento homólogo do respetivo peso relativo
de 1,3 p.p., e, no segundo caso, uma redução da quota relativa
na mesma amplitude (-1,3 p.p.).
Na Península de Setúbal, o valor das transações de alojamentos
(752 milhões de euros) correspondeu a 9,5% do total, menos 0,1
p.p. face ao período homólogo. O Centro apresentou um incremento
de 0,5 p.p. no seu peso relativo, para um total de 9,3%,
correspondente a um valor de 733 milhões de euros.
No Oeste e Vale do Tejo e no Alentejo as habitações
transacionadas somaram 508 milhões de euros e 227 milhões de
euros, respetivamente, aos quais corresponderam pesos relativos
de 6,5% e 2,9%, pela mesma ordem. Em ambos os casos,
registaram-se aumentos das respetivas quotas relativas de 0,3
p.p. no Oeste e Vale do Tejo e 0,1 p.p. no Alentejo.
Na Região Autónoma da Madeira, as habitações transacionadas
perfizeram 189 milhões de euros (2,4% do total), sensivelmente o
dobro do valor observado na Região Autónoma dos Açores, 95
milhões de euros (1,2% do total).(20.09.24/Fonte:
Diário Económico)
Rega Energy pretende construir fábrica de
produção de hidrogénio verde na Marinha Grande
O estudo de impacto ambiental já
foi efetuado e submetido à Agência Portuguesa do Ambiente, que
terá de dar o seu parecer, mas "não foram identificados
quaisquer tipos de impactos negativos".
A Rega Energy pretende construir uma fábrica de produção de
hidrogénio verde no concelho da Marinha Grande, tendo
apresentado hoje o Projeto Nazaré Green Hydrogen Valley, que
prevê a descarbonização das indústrias consumidoras de gás
natural.
A ser instalado na zona industrial Casal da Lebre, o projeto irá
contribuir para que as empresas, sobretudo, do setor vidreiro
que registam grandes consumos de gás natural, possam vir a
substituir este combustível fóssil por hidrogénio verde a ser
produzido na Marinha Grande, no distrito de Leiria.
"Temos prevista a construção de uma fábrica de produção de
hidrogénio verde e para o fornecimento, através do pipeline, de
hidrogénio verde às indústrias do parque industrial da Marinha
Grande, que são as três indústrias do vidro e, eventualmente, a
indústria do cimento que está fora desse parque industrial, mas
está no ciclo de Leiria", explicou à agência Lusa o responsável
comercial da Rega Energy, João Rosa Santos.
Segundo explicou, "o pipeline de hidrogénio irá até cada uma
dessas unidades industriais", através de tubagens idênticas às
do gás, sem impacto ambiental, ao longo de cerca de 12
quilómetros.
João Rosa Santos adiantou que o estudo de impacto ambiental já
foi efetuado e submetido à Agência Portuguesa do Ambiente, que
terá de dar o seu parecer, mas "não foram identificados
quaisquer tipos de impactos negativos".
Admitindo que a redução de C02, será "só uma pequena parte",
porque as empresas vão continuar a consumir gás natural fóssil",
aquele responsável destaca a importância de se verificar sempre
uma redução de um gás com efeito de estufa.
A construção da fábrica para a produção de hidrogénio verde não
necessitará de instalação de painéis solares, uma vez que uma
normativa europeia "permite que até 2028 este tipo de
instalações possam ser ligadas a parques renováveis de produção
de energia verde solar fotovoltaico e eólico já existentes".
Assim, a produção de hidrogénio verde utiliza fontes renováveis
e eletricidade, e a água que se utiliza "provém da estação de
tratamento de águas residuais da própria zona industrial",
posteriormente tratada.
"Aquilo que estamos a fazer é negociar com os proprietários de
parques solares e eólicos já existentes e compramos a eles a
energia", acrescentou.
João Rosa Santos não esconde que o hidrogénio verde é "uma
energia cara", mais do que o gás natural, "que é mais barato
porque cada vez há mais jazidas de gás natural fóssil no mundo,
o que diminui o seu preço".
"Mas a transição energética tem um custo. É um caminho que
obviamente implica um grande investimento por parte das
empresas, que estão absolutamente empenhadas em progressivamente
substituir os seus consumos de energia fóssil por energia
verde", reforçou o responsável comercial.
Além disso, afirmou que "existe uma pressão regulatória para
atingir metas de descarbonização muito exigentes em 2030, 2040 e
2050, a caminho do carbono zero", sob pena de serem penalizadas
com pagamento das licenças de emissão de C02.
João Rosa Santos considerou ainda que este "ecossistema é
favorável para [empresas] terem todas as condições para
continuarem a desenvolver a sua produção", porque esta transição
é "um grande dinamizador e fixador do emprego existente e,
sobretudo, de atração de investimento estrangeiro, que queira
fixar-se na região".
O objetivo da Rega Energy é estar a "fornecer a primeira
molécula" na Marinha Grande em 2027. (16.09.24/Fonte:
Jornal de Negócios)
Governo aprova IRC mínimo de 15% para
multinacionais
A medida está no pacote das 60
que o Governo apresentou em julho para acelerar o crescimento da
economia nacional. Portugal estava atrasado na transposição da
diretiva europeia de janeiro.
O Governo aprovou hoje em Conselho de Ministros um regime para
que as multinacionais que operam no país estejam sujeitas uma
taxa mínima de 15% de IRC, adiantou o ministro da Presidência,
Leitão Amaro.
Esta medida resulta da transposição de uma diretiva europeia.
Segundo o governante, esta é uma “medida de equidade de justiça
económica e social”.
A medida está no pacote das 60 que o Governo apresentou em julho
para acelerar o crescimento da economia nacional. Portugal
estava atrasado na transposição da diretiva, que devia ter sido
feita até ao final de 2022, e resultou do acordo alcançado pelos
países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Económico (OCDE). (11.09.24/Fonte:
Dinheiro
Vivo)
Exportações aumentam 23,5% e importações 15,5% em
julho
Em julho face ao mês homólogo, o
INE destaca as exportações e importações de fornecimentos
industriais (+59,5% e +19,7%, respetivamente) e de combustíveis
e lubrificantes (+58,2% e +43,1%, respetivamente).
As exportações e as importações de bens aumentaram 23,5% e 15,5%
em julho face ao mesmo mês de 2023, sobretudo impulsionadas por
transações associadas a trabalho por encomenda, divulgou hoje o
Instituto Nacional de Estatística (INE).
Segundo o INE, em julho, as transações com vista a ou na
sequência de trabalhos por encomenda – em que não há
transferência de propriedade e que incluem operações de
transformação, construção, montagem, melhoria, renovação,
modificação e/ou conversão com o objetivo de produzir um item
novo ou melhorado - representaram 13,9% do total das exportações
e 3,8% das importações.
Excluídas as transações com esta natureza, as exportações
registaram um aumento de 8,6% e as importações cresceram 12,1%.
Em julho face ao mês homólogo, o INE destaca as exportações e
importações de fornecimentos industriais (+59,5% e +19,7%,
respetivamente) e de combustíveis e lubrificantes (+58,2% e
+43,1%, respetivamente).
A categoria de fornecimentos industriais foi aquela em que as
transações com vista ou na sequência de trabalho por encomenda
tiveram maior expressão (32,3% nas exportações e 9,9% nas
importações). Excluindo as transações desta natureza, as
variações nesta categoria foram de +10,2% nas exportações e de
+9,2% nas importações.
Já sem contabilizar combustíveis e lubrificantes, registaram-se
em julho acréscimos de 21,6% nas exportações e de 12,5% nas
importações (-4,9% e -4,2%, respetivamente, em junho de 2024).
No mês em análise, o índice de valor unitário (preços) das
exportações registou a primeira variação positiva desde maio de
2023, +0,5%, enquanto nas importações se continuou a registar
uma variação negativa, -2,1% (-0,3% e -2,8%, respetivamente, em
junho de 2024; -4,6% e -9,1% em julho de 2023).
Excluindo os produtos petrolíferos, registou-se uma variação
nula nas exportações e um decréscimo de 3,6% nas importações
(-1,1% e -3,6%, respetivamente, em junho de 2024; -0,4% e -3,5%
em julho de 2023).
Em julho, o défice da balança comercial atingiu 2.085 milhões de
euros, diminuindo 168 milhões de euros face a julho de 2023 e
aumentando 156 milhões relativamente ao mês anterior.
Quando excluídas as transações com vista a ou na sequência de
trabalho por encomenda, o défice da balança comercial aumentou
501 milhões de euros face a julho de 2023 e 754 milhões de euros
quando comparado com o mês anterior, totalizando 2.806 milhões
de euros.
De acordo com o INE, os combustíveis e lubrificantes
representaram 32,2% do défice da balança comercial em julho
(18,2% em junho; 22,4% em julho de 2023).
Excluindo combustíveis e lubrificantes, o défice da balança
comercial totalizou 1.414 milhões de euros, o que corresponde a
desagravamentos de 334 milhões de euros face a julho de 2023 e
de 164 milhões de euros em relação ao mês anterior.
Em julho, tendo em conta os principais países parceiros em 2023,
salientam-se, nas exportações, o acréscimo das transações de
bens com a Alemanha (+120,6%) e Estados Unidos (+50,6%),
sobretudo de medicamentos em ambos os casos, e com Espanha
(+11,1%), principalmente produtos agrícolas e combustíveis
minerais.
Já nas importações, salientam-se os acréscimos das transações de
bens com o Brasil (+100,3%), maioritariamente material de
transporte e combustíveis e lubrificantes, e Espanha (+5,1%),
principalmente fornecimentos industriais.
Relativamente ao mês anterior, as exportações e as importações
aumentaram, respetivamente, 19,7% e 17,1% em julho de 2024
(-3,6% e -6,3%, pela mesma ordem, em junho de 2024)
Considerando o trimestre terminado em julho, as exportações e as
importações aumentaram, respetivamente, 5,8% e 1,8%, em termos
homólogos (+2,7% e +1,1%, pela mesma ordem, no segundo trimestre
de 2024).(09.09.24/Fonte:
Dinheiro
Vivo)
Produção industrial cai 4% em julho
Excluindo o agrupamento de
Energia esta variação foi de -3,5%. O contributo mais influente
veio do agrupamento dos bens intermédios.
O Índice de Produção Industrial caíu 4% em julho, face ao
período homólogo de 2023, uma variação 1,3 pontos percentuais
(p.p.) inferior à observada em junho, relevam dados do Instituto
Nacional de Estatística (INE) divulgados esta segunda-feira.
Excluindo o agrupamento de Energia esta variação foi de -3,5%.
Já a taxa de variação da secção das Indústrias Transformadoras
situou-se em -3,1%. Aliás, todos os grandes agrupamentos
industriais apresentaram variações homólogas negativas. O de
Bens Intermédios foi o que deu o "contributo mais influente",
segundo o INE, caindo 3,8%.
Os agrupamentos de Energia e de Bens de Consumo tiveram
variações homólogas negativas menos intensas
que as observadas no mês anterior, -7,3% e -2,5%,
respetivamente, mas ainda assim, em conjunto, contribuíram com
-1,8 p.p. para a variação do índice agregado. Os Bens de
Investimento caíram 4,6% em termos homólgos.
Já em termos mensais, o Índice de Produção Industrial registou
uma variação de -1,0% em julho. Os grandes agrupamentos
industriais apresentaram evoluções dispares, com os Bens
Intermédios e os Bens de
Investimento a contribuírem ambos com -1,0 p.p. para a variação
do índice total, em resultado de taxas de
variação de -2,8% e -4,9%, respetivamente.(02.09.24/Fonte:
Jornal de Negócios)
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