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Novos sítios nas nossas rubricas

-APPII - Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários

-Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (CNADS)

-APANT - Associação Portuguesa de Aeronaves Não Tripuladas

-"France-Portugal Traductions" : Serviços de tradução e formação em língua portuguesa.

-"Top500 des portugais & luso-descendants les plus influents en France"

-"Perplexity" : Motor de pesquisa com IA

-"SearXNG" : Meta motor

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-"O Figueirense" : Mensal da Figueira da Foz.

-APSEI - Associação Portuguesa de Segurança

-"Jornal de Leiria"

-ANCV - Associação Nacional de Coberturas Verdes

-IA - Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço

-SINAPSA - Sindicato Nacional dos Profisionais de Seguros e Afins

-"AJEPC - Associação de Jovens Empresários Portugal - China"

-"International Portugal Business Club" : Associação de empresários lusófonos em Pau.

-"Diário da Lagoa" : Concelho de Lagoa, ilha de São Miguel – Açores

-"Correio dos Açores"

-"Diário dos Açores"

-"AOTP - American Organization of Teachers of Portuguese" : Organismo que apoia o ensino de português. "Uma organização em prol do ensino da Língua Portuguesa​."

-"Viva Montreal TV": Web Tv lusófona no Canadá.

-"LUSAQ TV" : Televisão lusófona no Canadá.

-"Luso Productions" : Portal da Comunidade Portuguesa radicada na Bélgica.

-"Clube dos Trabalhadores Portugueses 25 de Abril" : Associação cultural portuguesa sedeada em Genk com rancho folclórico "As Peixeiras de Portugal", e equipa de futebol.

-"Associação Os Lusitanos de Mutzig" : Associação cultural portuguesa sedeada em Mutzig com aulas de português

-"AJA Bruxelas" : Sítio do Núcleo da associação José Afonso de Bruxelas.

-"Clube dos Trabalhadores Portugueses de Liège" : Comunidade portuguesa radicada em Liège.

-"FAPB - Federação das Associações Portuguesas na Bélgica"

-"FEPB - Federação dos Empresários Portugueses na Bélgica"

-SER - Syndicat des énergies renouvelables

-SNESE - Syndicat National des Entreprises de Sous-traitance Électronique

-"União Portuguesa Cultural e Desportiva de Hagen" : Associação de portugueses na Alemanha composta de uma equipa de futebol e um rancho folclórico.

-"Associação Recreativa Portuguesa Sindelfingen" : Associação de portugueses de Sindelfingen.

-"Portugiesisch-Hanseatische Gesellschaft - Associação Luso-Hanseática" : Associação de portugueses de Hambourg.

-"Associação Estrela Portuguesa de Annemasse" : Associação perto da fronteira suíça (Genebra).

-"Casa de Portugal de Plaisir - Centre Culturel et Récréatif des Portugais de Plaisir (C.C.R.P.P.)"

-"Les Amis Portugais de Noisy le Sec"

-"Associação Cultural Portuguesa de Decines"

-"Association Portugaise de Brest - Casa de Portugal"

-"Portugal Business Club Touraine" : Associação de empresários lusófonos em Tours.

-"Portugal Business Club" : Associação de empresários lusófonos em Lyon.

-"Portugal Business Club Bordeaux" : Associação de empresários lusófonos em Bordeús.

-"ASCIPDA - Associazione Socio-Culturale Italiana del Portogallo Dante Alighieri". Associação sem fins lucrativos, constituída em 2007. Além de agregar a Comunidade italiana, tem como principais objetivos: a divulgação da língua e cultura italiana, a promoção e o fortalecimento das relações entre os sócios, simpatizantes e admiradores de Itália.

-Câmara de Comércio Luso-Britânica

-"A.F.N.P. - Associação dos Franceses do Norte de Portugal"

-"Associação de Estudantes Angolanos em Portugal"

-"ACV - Associação Caboverdeana Lisboa"

-"ASIBA - Associação de Imigrantes Brasileiros dos Açores". Organização sem fins lucrativos, um grupo de amigos que se unem para criar pontes entre dois povos.

-CCILB - Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira

-CCIPA - Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa na Alemanha

-"DPG – Associação Luso-Alemã" : Associação registada, promove o diálogo amigável entre alemães e portugueses num espaço europeu plural.

-"Lusitânia APE" : associação fundada em 1972 por um grupo de portugueses residentes na Suécia que tem como objetivo a dinamização do convívio entre os elementos da comunidade Portuguesa em Estocolmo e arredores.

-"União dos Portugueses em Gotemburgo (UPG)" : Associacão de portugueses que vivem em Gotemburgo, Suécia.

-"Movimento Cívico Português do Reino Unido" : associação cívica, com o principal objectivo de apoiar os portugueses que residem no Reino Unido.

-"PARSUK – Portuguese Association of Researchers and Students in the United Kingdom" : é uma associação independente, sem fins lucrativos ou afiliação política

-"Mobinov" : Associação do Cluster Automóvel

-APQuímica – Associação Portuguesa da Química, Petroquímica e Refinação

-AICC - Associação Industrial e Comercial do Café

-ANEBE - Associação Nacional de Empresas de Bebidas Espirituosas

-ABIMOTA - Associação Nacional das Indústrias de Duas Rodas, Ferragens, Mobiliário e Afins

-ANIET - Associação Nacional da Indústria Extrativa e Transformadora

-ANIPC – Associação Nacional dos Industriais de Papel e Cartão

-AIVE- Associação dos Industriais do Vidro de Embalagem

-ANIA - Association Nationale des Industries Alimentaires

-Fédération des Industries Avicoles

-NATEXBIO - Fédération des transformateurs et distributeurs bio

-ACRAL - Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve

-APMRA- Associação Portuguesa de Marketing Rural e Agronegócio

-APPPFN - Associação Portuguesa de Produtores de Plantas e Flores Naturais

-CNER - fédération des agences de développement économique

-"Fashion from Portugal" : Portal dedicado à promoção e informação da moda portuguesa.

-"Jornal-T" : Jornal do sector têxtil (ATP)

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Associação Selectiva Moda

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Associação Home from Portugal -  têxteis-lar

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ATP - Associação Têxtil e Vestuário de Portugal

-FranceAgriMer, établissement national des produits de l’agriculture et de la mer
 

Cabaz alimentar atinge recorde de 257,95 euros

O cabaz essencial de 63 produtos, monitorizado pela Deco PROteste, atingiu esta semana um novo recorde de 257,95 euros, mais 2,95 euros face à semana passada.

"O cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste custa esta semana 257,95 euros, o que representa um aumento nunca antes visto de 2,95 euros face à semana anterior", anunciou, em comunicado.

Este é o valor mais alto desde 2022, quando a associação começou a fazer esta análise.

A cesta alimentar inclui carne, congelados, frutas e legumes, laticínios, mercearia e peixe.

Entre outros, são considerados produtos como peru, frango, carapau, pescada, cebola, batata, cenoura, banana, maçã, laranja, arroz, esparguete, açúcar, fiambre, leite, queijo e manteiga.

Há um ano, comprar os mesmos produtos custava menos 19,79 euros.

Por sua vez, no início de 2022, os consumidores gastavam menos 70,25 euros.

Entre 1 e 8 de abril, destacam-se produtos como a massa esparguete, que aumentou 24% para 1,18 euros, a massa espiral, que encareceu 18% para 1,37 euros e o atum posta em óleo vegetal, que ficou mais caro 16% para 1,65 euros.

Já em comparação com o mesmo período do ano passado, a maior subida verificou-se no carapau (55%), seguido pela couve-coração (49%) e pelos brócolos (42%).(08.04.26/Fonte:
Jornal de Notícias)

Produção Industrial desce 4,4% em fevereiro devido ao mau tempo

O Instituto Nacional de Estatística (INE) precisa que, excluindo o agrupamento de Energia, esta variação foi de -7,6% em fevereiro, contra -1,5% no mês anterior.

O Índice de Produção Industrial desceu 4,4% em fevereiro face ao mesmo mês de 2025, contra um aumento de 0,4% em janeiro, devido aos impactos das condições climatéricas severas que atingiram algumas regiões do país, foi anunciado.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) precisa que, excluindo o agrupamento de Energia, esta variação foi de -7,6% em fevereiro, contra -1,5% no mês anterior.

A secção das Indústrias Transformadoras contraiu 8,6%, que compara com um recuo de 2,7% em janeiro.

Em cadeia, a variação mensal do índice agregado foi -0,2% em fevereiro, contra um aumento de 4,1% no mês anterior.(31.03.26/Fonte:
Diário de Notícias)

Espanhola Vicky Foods adquire Panrico e amplia produção em Portugal

Por confirmar está o valor da operação, que inclui fábrica de Gulpilhares, espaço com mais de 50 mil m², três linhas de produção de pão de forma e uma capacidade anual de 21 mil toneladas

A Vicky Foods firmou um acordo com a Adam Foods para adquirir a marca de panificação Panrico, incluindo os principais ativos industriais, entre os quais a fábrica de Gulpilhares, em Portugal.

A instalação ocupa mais de 50 mil m², possui três linhas de produção de pão de forma e uma capacidade anual de 21 mil toneladas.

A operação, cujo valor é ainda desconhecido, abrange os mercados português e espanhol e reforça a posição da Vicky Foods na categoria de pão, que desde 2022 é a sua principal linha de negócio em volume de vendas.

No último exercício, a Panrico faturou mais de 23,8 milhões de euros nos dois mercados.

A aquisição aumenta a capacidade produtiva do grupo especialmente no segmento de pão de forma, onde a Panrico detém elevado reconhecimento junto dos consumidores, e consolida a posição da Vicky Foods, grupo multimarca de panificação e pastelaria industrial, nessa categoria histórica do grupo.

No plano estratégico, a integração da fábrica de Gulpilhares enquadra‑se na expansão internacional da Vicky Foods e fortalece a sua estrutura industrial na Península Ibérica, ampliando o potencial de desenvolvimento em mercados europeus prioritários.

Rafael Juan, CEO da Vicky Foods, declara, em comunicado, que “a incorporação da Panrico vem reforçar a nossa identidade como companhia de origem panificadora. Apostamos no crescimento da categoria de pão, no fortalecimento das nossas marcas e em continuar a avançar a nossa expansão internacional com uma visão industrial sólida e a longo prazo”.

José Manuel Faria, diretor geral da divisão de bolachas da Adam Foods, afirma que “esta operação responde à vontade de encontrar um parceiro que garanta a continuidade da atividade industrial e do emprego a longo prazo da Panrico, e enquadra‑se na estratégia de expansão internacional do grupo focada na categoria de bolachas”.

Fundada nos anos 50 como panificadora local, a Vicky Foods é hoje um grupo internacional presente em mais de 50 países. Em 2024 registou uma faturação recorde de 707 milhões de euros e opera centros de produção em Espanha, França, Argélia e, agora reforçada, em Portugal.(17.03.26/Fonte:
Diário de Notícias)

Insolvências de empresas disparam 39% em fevereiro

O mês ficou marcado pelas tempestades, que arrasaram um sem número de famílias e empresas na zona centro. No mundo empresarial, as insolvências aumentaram 39% e as criações caíram 27%.

Foram 375 as empresas que declararam insolvência em fevereiro e as constituições diminuíram 26%. O mês ficou marcado pelas tempestades que assolaram a zona centro, sobretudo a zona de Leiria.

Em causa está um acréscimo de 39% (mais 106) face ao mesmo mês do ano passado, de acordo com os dados da Iberinform. O número acumulado de processos deste âmbito em janeiro e fevereiro aumentaram 38% (mais 220) face a igual período de 2025, para um total de 805 casos.

A subida está ligada sobretudo ao crescimento de 85% nas declarações de insolvência requeridas por terceiros. Foram 168 solicitações, mais 77 do que em fevereiro do último ano. As declarações apresentadas pelas próprias empresas cresceram 15%.

Os maiores crescimentos absolutos aconteceram no Porto e em Lisboa, na ordem de 202 e 177, respetivamente. Os números correspondem a decréscimos de 51% e 23%, pela mesma ordem.

Por setores de atividade, os maiores aumentos no número de insolvências foram registados nas Telecomunicações (subida de 200%); Hotelaria e Restauração (105%); Construção e Obras Públicas (66%) e Transportes (55%). O setor transformador fugiu à regra, ao tombar 50%.

Constituições recuam

O número de empresas constituídas em fevereiro caiu 27% em fevereiro. Em causa está um total de 3.881 novos registos, após os 5.284 que marcaram o mesmo mês de 2025.

Destas, 2.826 tiveram lugar em Lisboa e 1.620 no Porto. Em causa estão reduções de 12% e 9%, respetivamente. Por setores, os maiores cortes aconteceram na Agricultura, Caça e Pesca (-43%), Telecomunicações (-29%), Comércio a Retalho (-29%) e Transportes (-25%). O único incremento diz respeito ao setor da Eletricidade, Gás, Água, em que as constituições avançaram 41%, em termos homólogos.

Desde o início de 2026, tiveram lugar 9.353 constituições, menos 13% do que no período homólogo.(12.03.26/Fonte:
Diário de Notícias)

Crédito à habitação regista em janeiro maior crescimento desde fevereiro de 2006

O Banco de Portugal destaca o ‘stock’ de empréstimos para habitação, que aumentou 803 milhões de euros face a dezembro, totalizando 111,7 mil milhões de euros no final de janeiro.

Os empréstimos para habitação cresceram 10,4% em janeiro, em termos anuais, a maior taxa de crescimento anual desde fevereiro de 2006, segundo dados divulgados hoje pelo Banco de Portugal (BdP).

O montante total de empréstimos concedidos a particulares cresceu 9,8% no primeiro mês do ano, face ao período homólogo, naquela que foi a maior taxa de crescimento desde fevereiro de 2008.

O banco central destaca o ‘stock’ de empréstimos para habitação, que aumentou 803 milhões de euros face a dezembro, totalizando 111,7 mil milhões de euros no final de janeiro.

Em termos anuais, este valor representa um prolongamento da “trajetória de aceleração observada desde janeiro de 2024”, ao crescer 10,4%.

Já o montante de empréstimos ao consumo e outros fins subiu 49 milhões de euros em relação a dezembro, para 33,8 mil milhões de euros, uma subida de 7,9%, “estabilizando em 7,3% nos empréstimos para consumo e subindo para 8,9% nos empréstimos para outros fins”.

O BdP tem também dados relativos às empresas, que mostram que os empréstimos a empresas cresceram 3,7% em termos anuais, em janeiro.(26.02.26/Fonte:
Jornal Económico)

Remuneração média atinge 1.694 euros e fica acima dos objetivos acordados

No entanto, a produtividade por hora de trabalho em Portugal situa-se ainda 28% abaixo da média da União Europeia, enquanto os salários 35% abaixo do mesmo referencial.

A remuneração bruta total mensal média por trabalhador registou um crescimento de 5,6%, atingindo os 1.694 euros em 2025. O valor representa um acréscimo de 39 euros mensais e de 0,9 pontos percentuais face às metas estabelecidas no “Acordo Tripartido sobre Valorização Salarial e Crescimento Económico 2025-2028”.

O Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social enviou a nota às redações este domingo. Ainda assim, a produtividade por hora de trabalho em Portugal situa-se 28% abaixo da média da União Europeia (UE), enquanto os salários permanecem 35% abaixo do mesmo referencial.

“Para o salário médio continuar a ser revisto em alta, de forma sustentável, Portugal deve transitar de um modelo exclusivamente focado em incentivos fiscais para um modelo que concilie incentivos fiscais com ganhos reais de produtividade”, destaca Maria do Rosário Palma Ramalho, Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, citada em comunicado.

Sobre o aumento acima das metas do acordo, a governante sublinha que “estes resultados refletem uma mudança de paradigma na economia portuguesa, sustentada em três eixos fundamentais". O primeiro eixo é o próprio Acordo Tripartido sobre Valorização Salarial e Crescimento Económico 2025-2028”.

O documento foi assinado a 1 de outubro de 2024 pelo Governo e pelos Parceiros Sociais. O ministério destaca que a assinatura marca uma mudança, “após um longo período de compressão acelerada da grelha salarial, entre 2015 e 2023”, sendo que o rácio entre o salário médio e o salário mínimo dá agora os primeiros sinais de estabilização. Outro fator apontado é a “valorização salarial negociada para diversos grupos profissionais”.

O segundo eixo prende-se com o facto de o crescimento salarial ter sido liderado pelo setor privado de bens e serviços transacionáveis, com uma subida de 6,3%. “Este diferencial demonstra que o tecido empresarial, em particular os setores exportadores da economia portuguesa, está a mobilizar os instrumentos criados pelo Executivo”, sublinha o ministério.

Entre as iniciativas destacam-se a isenção de IRS e de TSU sobre prémios de produtividade, até ao limite de 6% da remuneração base anual, bem como a majoração do benefício fiscal em sede de IRC para aumentos salariais iguais ou superiores a 4,6%. Esta majoração é aplicada de forma transversal e sem o anterior espartilho do leque salarial.

Por fim, o gabinete de Maria do Rosário Palma Ramalho explica que “a política de rendimentos permitiu que o aumento nominal se traduzisse num ganho real de poder de compra de 3,2% para as famílias”. O dado consolida a trajetória iniciada em 2024, ano em que Portugal registou o maior aumento real de rendimentos no contexto da OCDE (“OECD Employment Outlook 2024”).(22.02.26/Fonte:
Diário de Notícias)

Protecção Civil alerta para risco de derrocadas. Há 26 mil clientes da E-Redes sem energia

Cerca de 26 mil clientes da E-Redes continuam sem electricidade. Rios regressam gradualmente aos níveis normais, mas Protecção Civil alerta para risco de cheias, deslizamentos e derrocadas.

O comandante nacional da Protecção Civil, Mário Silvestre, alertou este domingo a população para os riscos persistentes de cheias, deslizamentos de terra e colapso de estruturas, com especial incidência em rodovias e na orla costeira. Pelas 12h30, cerca de 26 mil clientes da E-Redes estavam sem energia eléctrica em Portugal, 16 mil nas zonas mais afectadas pela depressão Kristin.

No rio Mondego os diques que estavam sob vigilância continuam a ser regulados, afirmou Mário Silvestre numa conferência de imprensa realizada este domingo na sede da Protecção Civil, em Carnaxide. “O trabalho está a ser feito e monitorizado em estreita articulação com a Agência Portuguesa do Ambiente para tentar garantir que na zona de Montemor-o-Velho não haverá mais impacto provocado pelas cheias.”

A diminuição das descargas das barragens espanholas levou a uma descida “bastante significativa” dos níveis do rio Tejo. Embora as cheias devam manter-se nas zonas ribeirinhas, o comandante adiantou que não é expectável o surgimento de novas áreas inundadas. O plano de cheias do rio Tejo mantém-se no nível vermelho. Situação semelhante foi reportada para os rios Sorraia e Sado, com todos os rios a voltarem progressivamente aos seus leitos normais.

Nos rios Minho, Coura, Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Sousa, Vouga, Águeda, Lis, Nabão e Guadiana, a situação está estável, sem previsão de alagamentos graves, mas a monitorização continua a ser essencial. “Manteremos todas as equipas empenhadas nos trabalhos de recuperação e escoamento que continuam a ser necessários um pouco por todo o país”, declarou Mário Silvestre.

Actualmente, estão activos 12 planos distritais e 123 planos municipais, além de 15 declarações de situação de alerta. Até ao momento, a Protecção Civil registou 18.947 ocorrências, envolvendo 64.301 operacionais e 26.339 meios. A tipologia mais frequente de incidentes continua a ser queda de árvores e inundações, com um destaque recente para movimentos de massas e derrocadas.

A Protecção Civil reforçou as recomendações à população, nomeadamente evitar atravessar estradas inundadas e alertar as autoridades para fissuras recentes no solo, quedas de árvores ou deslizamentos pontuais, que podem ser indicadores de movimentos de terra mais complexos e capazes de comprometer habitações e vias rodoviárias. O comandante reforçou que nunca se deve tocar em cabos eléctricos caídos, pois podem estar sob tensão e representar um sério risco de electrocussão.(15.02.26/Fonte:
Público)

Seguro defende legislatura até 2029, mas vai fiscalizar Governo e com um estilo diferente de Marcelo

Vincando a estabilidade e cooperação, socialista afirma que supervisionará se os 2,5 mil milhões de euros chegam às populações afetadas pelas intempéries. Não fala de uma bolha de oxigénio para o PS.

António José Seguro discursou durante 20 minutos. Como notas principais, prometeu um estilo diferente de Presidente da República e garantiu, tal como Luís Montenegro pedira, estabilidade política. "Sublinho o trabalho de Marcelo em prol do nosso país, tal como o de todos os outros Presidentes, mas servirei Portugal com o mesmo dever e com o meu próprio estilo. Sou livre, vivo sem amarras. Afirmei-o em junho na apresentação, repeti-o largos meses. Assim agirei. A minha liberdade é a garantia da minha independência. A minha lealdade à Constituição, reafirmo a independência tratando da mesma forma todos os partidos políticos e todos os parceiros sociais", começou por dizer, prometendo que o "adversário" deixou de o ser e que agora tentará "com todos um compromisso para uma legislatura duradoura.

Foi nesse ponto que precisou a importância da estabilidade. "Prometi lealdade e cooperação com o Governo e cumprirei a minha palavra. Vou ser exigente com soluções e resultados, não serei oposição. A estabilidade que defendo é para garantir governabilidade e mudanças, não para manter tudo na mesma. Terminado um ciclo de nove meses com quatro eleições, existem três anos sem eleições. É uma oportunidade única para resolver os problemas que enfrentamos: no acesso à habitação, ao emprego para os jovens, na Saúde, Justiça e melhores condições para os portugueses. É preciso planear eficácia do Estado para a reação às tempestades. Serei o impulsionador dessa mudança, no compromisso rumo às soluções", destacou. Quando instigado a comentar a continuidade da legislatura até 2029, asseverou: "Não será por mim que será interrompida."
Subiu ao palanque e e surpreendeu todos: a festa de Seguro nas Caldas da Rainha.

Subiu ao palanque e e surpreendeu todos: a festa de Seguro nas Caldas da Rainha.Gerardo Santos

Apesar de vincar a cooperação, Seguro deixa avisos ao Governo. E a situação de calamidade que Portugal viveu terá supervisão a partir de 9 de março. "A solidariedade dos portugueses foi heroica, mas não chega. Não aceitarei a demora dos apoios, os 2,5 mil milhões têm de chegar já. Não esquecerei, não os abandonarei. Esses apoios têm de chegar já. A resposta à dor não é o grito, é o trabalho. Precisamos de um país preparado, não de um país ao improviso face aos fenómenos atmosféricos que serão mais frequentes", alarmou, prosseguindo: "Junto do Governo e partidos vou procurar compromissos para políticas públicas duradouras. Que se concentrem em encontrar soluções. A política tem de servir para resolver os problemas das pessoas ou então não serve para nada. E vou ser exigente."

Prometendo respeitar as funções de Marcelo Rebelo de Sousa até à tomada de posse, Seguro acrescenta que "dentro do quadro de transição, tudo o que puder ajudar no sentido de os apoios chegarem rapidamente" assim fará. Quanto ao futuro, anunciou que a primeira reunião do Conselho de Estado será "de Defesa e Segurança, o que inclui criminalidade e de pessoas e bens." "O Estado tem de responder mais rapidamente a catástrofes e prevenir as consequências. Todos podemos minorar esta situação. O Estado não pode aligeirar as suas responsabilidades", voltou a alertar.
Aclamado pelo povo, Seguro teve um auditório a abarrotar na eleição a 9 de fevereiro de 2026.

Aclamado pelo povo, Seguro teve um auditório a abarrotar na eleição a 9 de fevereiro de 2026.Gerardo Santos

Naturalmente, não deu grande impacto a uma pergunta que o desafiava a declarar se só faria um mandato na Presidência, repetiu querer "elevar a fasquia do debate público" e reconheceu que pediu confiança, mas que "não esperava atingir uma vitória desta grandeza."

Foi desafiado a pronunciar-se sobre Margarida, a esposa. "Espero não a perder durante o mandato [risos]. Respeitarei as suas decisões. Sei que contarei com a Margarida sempre que as exigências do Estado assim a exigir. Agora, é empresária e tem vida própria e eu respeito-o", declarou, desvalorizando que tenha, a sua esposa, de ter função de primeira-dama. A seguir, a plateia reagiu e começou a entoar o nome de Margarida.

Foi questionado sobre a política de Defesa, vincando ser "europeísta convicto", garantindo que tudo fará que Portugal se possa "integrar na autonomia estratégica europeia."

Quanto à possível galvanização que o PS possa ter com a vitória, Seguro desvalorizou. "A vida do PS é com o líder do PS. Tenho orgulho no passado e nas raízes, nunca o escondi. Mas não tenho atividade partidária há 11 anos. Quanto à entrega do cartão de militante, é um gesto simbólico que outros fizeram. Penso que mesmo quando tinha atividade partidária assumi essa independência, é isso que eu farei. Estou acima dos partidos", concretizou.(09.02.26/Fonte:
Diário de Notícias)

Produção de vinho recuou em 2025

Vinicultores atribuem queda às condições meteorológicas adversas.

Os vinicultores confirmam a estimativa do Instituto Nacional de Estatística (INE), que aponta para uma descida da produção em 2025, que justificam com condições meteorológicas adversas, que obrigaram a muitos tratamentos fitossanitários, encarando agora 2026 com alguma prudência. "Os valores oficiais apontam para uma queda de 14% em relação à vindima de 2024 e de 16% em relação à média dos últimos cinco anos", indicou a diretora executiva da ACIBEV -- Associação de Vinhos e Espirituosas de Portugal, Ana Isabel Alves, em resposta à Lusa.

Conforme explicou, 2025 foi um ano agrícola "muito exigente", que obrigou a vários tratamentos fitossanitários, registando-se quebras de produção.(28.01.26/Fonte: Correio da Manhã)

Turistas deixam 28 mil milhões de euros em Portugal

Portugal em 5º lugar no ranking das maiores receitas geradas na União Europeia.

 Portugal foi em 2024 o quinto país da União Europeia com maiores receitas geradas por turistas estrangeiros, no valor de 28 mil milhões de euros, surgindo Espanha na liderança com 98 mil milhões, seguida por França, Itália e Alemanha.

Ao relacionar as receitas externas do turismo com o Produto Interno Bruto (PIB), Portugal sobe para quarto lugar entre os países da União Europeia (UE) em que o turismo internacional tem maior peso na economia, apenas superado pela Croácia, Malta e Chipre, de acordo com uma análise do Banco de Portugal divulgada ontem.

Por outro lado, conclui que Portugal foi o país da UE que, entre 2010 e 2024, registou o maior aumento das exportações de turismo (receitas da rubrica de viagens e turismo geradas por turistas não residentes) em percentagem do PIB, de cinco pontos percentuais.
(20.01.26/Fonte: Correio da Manhã)

Seguro vence presidenciais e luta com Ventura por Belém na segunda volta

Socialista foi o mais votado na primeira volta das eleições presidenciais e é o favorito para suceder a Marcelo.

As eleições presidenciais mais concorridas dos 50 anos deste regime constitucional mereceram grande afluência de eleitores às urnas. António José Seguro e André Ventura foram os vencedores e lutarão no duelo final em fevereiro.

Pela segunda vez na história, há segunda volta. Em 1986, Mário Soares bateu por uma unha negra Freitas do Amaral. Agora, neste duelo o candidato socialista é favorito e conta a seu favor com o elevado nível de rejeição de Ventura. Mas, em eleições, o que conta são os votos.

Seguro ganhou a maioria do voto socialista e conseguiu muito voto útil à esquerda. O candidato que avançou, apesar dos obstáculos dos barões do seu partido, é vencedor por mérito próprio. André Ventura também é um grande vencedor, consolida o voto do eleitorado do Chega e provavelmente na segunda volta vai ganhar dimensão, tornando-se o líder partidário mais forte.

Cotrim de Figueiredo foi uma surpresa, não conseguiu a segunda volta, mas mostrou que o campo político liberal aumentou significativamente.

Gouveia e Melo passou de vencedor antecipado há alguns meses para um resultado modesto. Na campanha mostrou que lhe faltam habilidades políticas. Mas o maior derrotado da noite foi Marques Mendes. Outro forte candidato que depois de um debate televisivo desastroso com Gouveia e Melo e a colagem na campanha ao Governo sofreu uma humilhação eleitoral. Mas a maior fatia de culpa da derrota de Mendes é de Luís Montenegro. Apesar de a direita já ser largamente maioritária em Portugal, o principal favorito para suceder a Marcelo vem do centro-esquerda. (19.01.26/Fonte: Correio da Manhã)

Portugueses mais doentes e com mais dificuldade em comprar medicamentos em 2025

Mais doença nos mais jovens e barreiras de acesso ao SNS continuam elevadas.

Os episódios de doença aumentaram nos mais jovens, segundo um relatório hoje divulgado que mostra que há mais portugueses doentes e as barreiras de acesso aos cuidados de saúde continuam elevadas.

Os dados do inquérito de acesso aos cuidados de saúde da Nova School of Business and Economics indicam que, em 2025, 45,5% dos inquiridos disseram ter tido pelo menos um episódio de doença, um aumento de 3,2 pontos percentuais face a 2023 e um valor que se aproxima do máximo registado em 2015 (46,3%).

Elaborado pelos investigadores Pedro Pita Barros e Carolina Santos, o trabalho, que desde 2013 já inquiriu 11.122 pessoas, refere que a proporção de pessoas que reporta ter-se sentido doente tem vindo a aumentar desde os anos mais intensos da pandemia da covid-19 (2020 e 2021).

“Houve mais pessoas a declarar terem sentido pelo menos um episódio de doença e houve um agravamento na faixa etária mais jovem, que nós definimos entre os 15 e os 29 anos, mas com os dados do inquérito não conseguimos identificar as causas desse aumento”, explicou à Lusa a investigadora Carolina Santos.

A par deste aumento, segundo os dados recolhidos, houve uma redução entre 2019 e 2025 da probabilidade da população ter médico de família atribuído (de 91% para 79%), assim como das primeiras consultas realizadas dentro do tempo adequado, mostrando elevadas barreiras de acesso aos cuidados de saúde.

“Como muitas das populações mais desfavorecidas, tipicamente, de acordo com a nossa análise, vivem em regiões com mais falta de médico de família, acabam por ser penalizadas também nessa dimensão”, explicou.

Os dados mostram ainda que, os mais desfavorecidos, além de terem episódios de doença com mais frequência, enfrentam também maiores barreiras financeiras e não financeiras no acesso aos cuidados de saúde, que o sistema não está a conseguir contrariar.

“A ocorrência de episódios de doença com mais frequência nas classes mais desfavorecidas já mostra uma dimensão de desigualdade e o SNS e o sistema de saúde como um todo não estão, no fundo, a conseguir contrariar essa desigualdade na ocorrência de episódios de doença”, disse Carolina Santos.

Apesar de reconhecerem que algumas medidas entretanto tomadas – como o projeto ‘Ligue antes, salve vidas’, em que a chamada para a Linha SNS24 evita idas às urgências, ou até o fim da maior parte das taxas moderadoras –, os investigadores frisam que o preço dos medicamentos continua a ser uma barreira financeira no acesso.

“Isto agravou-se”, reconhece a investigadora, sublinhando que “se em 2023 a probabilidade de uma pessoa do escalão económico mais desfavorecido não adquirir toda a medicação necessária era de 41%, em 2025 este valor passou para 52%”.

Tendo em conta que as despesas com medicamentos continuam a ser a maior fatia da despesa associada à procura de cuidados de saúde (cuidados primários ou urgências), “há aqui uma barreira de acesso à população com mais vulnerabilidades”, acrescentou.

A este nível, sugerem que se estude a viabilidade de alargar os regimes especiais de comparticipação a pessoas em situação de vulnerabilidade económica, que, não sendo idosas, não são elegíveis para a comparticipação a 100% de medicamentos sujeitos a receita médica prescritos a beneficiários do Complemento Solidário para Idosos.

Ao mesmo tempo, aumentaram aqueles que, mesmo estando doentes, não procuraram cuidados de saúde, com a percentagem a passar de 11,26% (2023) para 14,26% (2025).

Segundo os dados recolhidos, no topo dos motivos para não procurar o sistema de saúde está a ideia de que o caso não era grave, mas uma percentagem significativa dos inquiridos reporta que não queria esperar por ser atendido.

Em 2025, voltou a aumentar a percentagem de pessoas que, tendo optado por não procurar auxílio no sistema de saúde, decidiram automedicar-se. Ainda assim, a proporção (76,4%) ficou abaixo do máximo registado na pré-pandemia (77,1% em 2019).
(13.01.26/Fonte:
M80/Lusa)

Em 2026 salário mínimo e pensões aumentam, IRS reduz

Numa publicação partilhada nas redes sociais, o Governo explica as principais alterações que entraram em vigor no início deste ano, referentes a salário mínimo, IRS e pensões, entre outras.

O novo ano de 2026 surgiu com várias mudanças ao nível dos salários, do IRS e das pensões. Numa publicação partilhada nas redes sociais, o Governo resume – e também explica – as principais alterações:

Aumento do salário mínimo: O salário mínimo nacional aumenta 50 euros, passando para 920 euros; 

Menos IRS: Redução de 0,3% nas taxas do 2.º ao 5.º escalão e atualização dos escalões em 3,5%, acima da inflação. O salário mínimo mantém-se isento; 

Aumento das pensões mais baixas: as pensões de valor mais baixo aumentam 2,8% este ano (2026).

Refira-se que o salário mínimo nacional subiu de 870 euros para 920 euros, em linha com o estabelecido no acordo tripartido assinado em sede de concertação social no mês de outubro de 2024.

Em 2026 o IRS baixa, salário mínimo e pensões sobem. Recordemos os percentuais.

De acordo com a publicação do Governo, veiculada nas redes sociais, se, por um lado, o novo ano (2026) vai trazer mais um alívio do IRS, o salário mínimo e as pensões vão aumentar. Ou seja, a atualização do que vulgarmente se designa de salário mínimo nacional – retribuição mínima mensal garantida – foi publicada na segunda-feira em Diário da República e representa um aumento de 5,74% face aos 870 euros fixados em 2025, fixando-se em 920 euros.

Assinado em outubro de 2024, o acordo entre o Governo, as quatro confederações empresariais e a União Geral de Trabalhadores (UGT), reviu em alta a trajetória do salário mínimo nacional, prevendo aumentos de 50 euros anuais de modo a que em 2028 atinja os 1.020 euros.

Salário mínimo de 1.100 euros em 2029 – objetivo

Não obstante, na sequência das eleições Legislativas 2025 de 18 de maio, no programa de Governo, o Executivo estabeleceu uma nova meta para abarcar toda a legislatura, apontando como objetivo que a retribuição mínima garantida atinja os 1.100 euros brutos por mês em 2029.

Após uma reunião de concertação social, a UGT em 23 de setembro, defendeu um reforço do acordo atualmente em vigor, reivindicando que o salário mínimo nacional subisse este ano para 950 euros mensais.

Por sua vez, a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP-IN) defendeu para 2026 um aumento do salário mínimo para 1.050 euros.

É bom recordar também que nessa altura, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social afirmou que o Governo “não abre nem fecha a porta” a rever a trajetória do salário mínimo nacional, mas aquando da entrega da proposta de Orçamento do Estado para 2026 (OE2026) assumia que aumentasse para 920 euros este ano, como previsto no acordo.

Saliente-se que a atualização do salário mínimo nacional “produz impactos significativos nos contratos públicos, com duração plurianual, em que a componente salarial indexada à remuneração mínima mensal garantida constituiu fator determinante na formação do preço contratual, impactos que podem comprometer o equilíbrio económico-financeiro do contrato, com reflexos negativos na continuidade e qualidade dos serviços prestados, como é o caso dos contratos de aquisição de serviços de limpeza, de serviços de segurança e vigilância humana, de manutenção de edifícios, instalações ou equipamentos e de serviços de refeitórios“, aponta ainda o diploma publicado.(06.01.26/Fonte: DiariOnline Região Sul)

Trabalha-se mais 9 meses que em 2018 para aceder à reforma, metade dos pensionistas ganha menos de 462 euros

Valor médio da pensão de velhice continua a ser medíocre: em 2024, foi 20% inferior ao salário mínimo nacional (SMN), mostram dados do BdP. Pensão média feminina é 40% mais baixa face à dos homens.

Em apenas seis anos, entre 2018 e 2024, a idade média de reforma dos novos pensionistas aumentou quase nove meses, para 65 anos em 2024, indica o Banco de Portugal, num estudo publicado antecipadamente esta sexta-feira, que estarei incluído no próximo boletim económico, a divulgar na íntegra no próximo dia 19 de dezembro.

Trabalhar muito mais tempo além da idade de acesso à pensão é uma realidade crescente no país, até para evitar as penalizações brutais previstas na lei para quem opte por antecipar o início da aposentação por velhice, por exemplo.

Mas a verdade é que, mesmo esperando mais anos para tentar evitar cortes a fundo na prestação que será atribuída até ao final da vida, o valor médio da pensão de velhice continua a ser medíocre em termos comparativos: por exemplo, é 20% inferior ao valor do salário mínimo nacional (SMN), mostram dados do BdP.

Pior: metade dos pensionistas de velhice (23% da população portuguesa, cerca de 1,25 milhões de pessoas), ganha menos de 426 euros mensais a título de pensão. Aqui, o comparativo é ainda pior: 426 euros é metade (51%) do valor do SMN do ano passado.

Este valor da pensão, muitas vezes chamada "de miséria", é, como se sabe, e em muitos casos, complementado mediante outras prestações, como é o caso do Complemento Solidário para Idosos (CSI) e de outros apoios de origem não contributiva, que têm sido extremamente eficazes para evitar que milhares e milhares de idosos vivam na pobreza absoluta, em Portugal.

Segundo o estudo preparado pelas economistas do BdP Cláudia Braz, Sharmin Sazedj e Lara Wemans, no ano passado, "a idade média de reforma dos novos pensionistas de velhice tem vindo a aumentar de forma consistente desde 2018, o que, em grande medida, deverá refletir o impacto dos mecanismos de penalização aplicáveis à reforma antecipada e o adiamento voluntário da saída do mercado de trabalho".

Este sistema de desincentivos tem permitido um aumento no valor da reforma, evitando cortes, que nalguns casos podiam chegar a 20% ou mais na pensão atribuída.

"Em 2024, a idade média de reforma situava-se em 65,4 anos, face a uma idade legal de 66,3 anos. Desde 2018, a idade média de reforma aumentou cerca de oito meses e meio, num contexto em que a idade legal de reforma, indexada à evolução da esperança média de vida aos 65 anos, se manteve relativamente estável", constata a nova investigação.

No entanto, mesmo prolongando a idade média da reforma por velhice, que subiu para os tais 65,4 anos em 2024), a pensão média mensal situava-se muito abaixo da referência nacional que é o salário mínimo, estava "em torno de 645 euros, perto de 80% do salário mínimo nacional (SMN)" que, recorde-se, foi fixado em 820 euros brutos mensais, em 2024. Este ano, subiu para 870 euros.

"Observa-se uma dispersão elevada, com metade dos pensionistas a receber menos de 462 euros", enquanto apenas 5% dos pensionistas "recebe mais de 1685 euros (cerca de duas vezes o SMN)", diz o estudo.

"A maioria dos pensionistas aufere valores significativamente inferiores à média, refletindo uma distribuição assimétrica e concentrada em níveis baixos", constatam as autoras.

Além disso, "as diferenças por género são igualmente expressivas. As pensões atribuídas a mulheres apresentam menor variabilidade e situam-se, em média, em níveis inferiores. Em 2024, a pensão média feminina foi de 490 euros, cerca de 40% abaixo do valor recebido pelos homens. Este diferencial reduz-se para 28% caso se considere, para o mesmo universo de pensionistas, a soma das pensões de velhice e de sobrevivência".

Estatisticamente, as mulheres vivem mais anos do que os homens, logo tendem a beneficiar mais das prestações de sobrevivência (viuvez).

O mesmo estudo diz que "a análise por grupo etário revela pensões em média mais baixas nas faixas etárias mais elevadas", ou seja, quanto mais velhos são os pensionistas, mais refletem carreiras contributivas mais pobres, marcadas pelos baixos salários ao longo da vida.

"Em 2024, os pensionistas com menos de 65 anos apresentavam uma pensão média em torno de 770 euros", mas quando se sobe na escala da idade, o valor da pensão cai a pique. Esse valor "diminui gradualmente até 537 euros entre os pensionistas com 80 ou mais anos".

"Este perfil deverá estará associado ao aumento da duração das carreiras contributivas e dos rendimentos declarados dos novos pensionistas", diz o BdP.

"Em termos geográficos, o valor da pensão é, em média, mais elevado para os pensionistas residentes nos distritos de Lisboa, Setúbal e Porto e mais baixo nos distritos do interior norte do país, espelhando, entre outros fatores, as desigualdades existentes ao nível dos salários."

Segundo o banco central governado por Álvaro Santos Pereira, em Portugal, "existem atualmente cerca de 2,5 milhões pensionistas de velhice dos regimes públicos (23% da população total), dos quais 2 milhões pertencem ao sistema da Segurança Social e 440 mil à Caixa Geral de Aposentações (CGA), subsistema fechado a novas inscrições que abrange funcionários públicos admitidos até ao final de 2005".

"No âmbito da Segurança Social coexistem vários regimes, embora a grande maioria dos pensionistas de velhice (97%) se enquadre no regime geral contributivo", que foi o universo considerado neste estudo da série "Políticas em análise".(12.12.25/Fonte:
Diário de Notícias)

Tudo o que está em causa nas alterações à lei laboral, que levaram à marcação da greve geral para quinta-feira

O Governo decidiu avançar com uma reforma "profunda" da legislação laboral, cuja proposta tem sido contestada pelas centrais sindicais e que levou à marcação de uma greve geral para quinta-feira, 11 de dezembro, a primeira paralisação conjunta desde 2013.

As alterações previstas na proposta - designada "Trabalho XXI" e que o Governo apresentou como uma revisão “profunda” da legislação laboral por contemplar mudanças em “mais de uma centena” de artigos do Código de Trabalho - visam desde a área da parentalidade, passando pelos despedimentos e até ao alargamento dos prazos dos contratos ou dos setores que passam a estar abrangidos por serviços mínimos em caso de greve.

Perante as críticas das duas centrais sindicais, o Governo entregou à UGT uma nova proposta com algumas cedências, deixando, por exemplo, cair a simplificação dos despedimentos nas médias empresas, mas mantendo o regresso do banco de horas individual ou revogação da norma que prevê restrições ao outsourcing em caso de despedimento.

O executivo tem reiterado que "não está disponível para retirar toda a proposta" e que quer manter as "traves mestras", ainda que esteja aberto ao diálogo e vai dar "mais tempo" à central sindical para analisar a nova proposta.

A ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho, já avisou que “não vai eternizar” a negociação na Concertação Social, sendo que com ou sem acordo as alterações terão sempre que ser debatidas e negociadas no parlamento.

Eis um resumo das principais alterações previstas na reforma da legislação laboral:

Licença parental pode chegar a seis meses com partilha entre progenitores

A licença parental inicial, por nascimento de filho, poderá durar até seis meses (o equivalente a 180 dias) se, depois de gozados os 120 dias obrigatórios, os dois progenitores optarem por mais 60 dias em regime partilhado, segundo a proposta do Governo.

Atualmente, o Código do Trabalho prevê que mãe e pai tenham direito a uma licença de 120 dias ou 150 dias consecutivos, cujo gozo podem partilhar após o parto, e que pode ser usufruído em simultâneo pelos dois.

Com as alterações propostas pelo Governo, a licença parental inicial poderá durar seis meses se, depois do gozo obrigatório dos 120 dias, “que pode ser partilhado entre os progenitores”, os pais optarem por mais 60 dias, facultativos, “em regime partilhado em períodos iguais”.

Se não for o caso, a licença pode ir até 150 dias, com o gozo de um período adicional facultativo de 30 dias aos 120 dias obrigatórios.

O atual Código do Trabalho já prevê que a licença parental inicial possa durar 180 dias se os pais optarem por usufruir 150 dias consecutivos e “no caso de cada um dos progenitores gozar, em exclusivo, um período de 30 dias consecutivos, ou dois períodos de 15 dias consecutivos, após o período de gozo obrigatório pela mãe”.

Governo quer pais a gozar 14 dias de licença seguidos após nascimento do filho

O período total da licença parental exclusiva do pai mantém-se nos 28 dias, a gozar nos 42 dias seguintes ao nascimento do bebé, mas o Governo quer que os pais gozem 14 dias seguidos logo após o nascimento do filho, em vez dos atuais sete.

O anteprojeto do Governo retira também a regra que determinava que os restantes dias fossem gozados em períodos interpolados mínimos de sete dias, deixando de prever uma dimensão mínima dos períodos gozados.

Mudanças no subsídio parental

O subsídio parental continua a corresponder a 100% da remuneração de referência nos primeiros 120 dias de licença, mas sofre alterações nos restantes casos.

Optando pelos 150 dias de licença, atualmente este subsídio desce para 80%, mas é de 100% em caso de partilha (se cada um dos progenitores gozar, pelo menos, 30 dias consecutivos ou dois períodos de 15 dias consecutivos). Com a proposta, o montante diário nesta modalidade desce dos 100% para 90% da remuneração.

Já na licença de 180 dias, cujo pagamento é hoje de 83% a 90% da remuneração de referência, em função da partilha, o executivo pretende que passe a ser paga a 100% da remuneração de referência se o período adicional de 60 dias for usufruído “em regime partilhado em períodos iguais por ambos os progenitores”, ou seja, um mês para cada um.

Alterações nas regras relativas à amamentação

Ao nível da amamentação, na proposta mais recente enviada à UGT o Governo não abdica de querer limitar a dispensa para amamentação (que se traduz na redução do horário de trabalho diário em duas horas), mantendo a proposta inicial que prevê um limite de dois anos para este efeito.

Mas, ao contrário do que previa a proposta inicial, - que obrigava a apresentar atestado médico logo ao início -, a nova proposta mantém o regime em vigor e diz que esta prova só é necessária se a amamentação se prolongar além do primeiro ano de vida da criança. Nesse caso, o atestado deve ser apresentado de seis em seis meses.

Neste momento não é exigido qualquer atestado até que o bebé tenha um ano, tal como não está determinada qualquer periodicidade para comprovação posterior da amamentação, ficando tal ao critério do empregador.

Governo quer eliminar falta por luto gestacional

Na mais recente proposta entregue à UGT, o Governo mantém a intenção de eliminar falta por luto gestacional, mas enquadra-a na licença por interrupção de gravidez.

Deste modo, a mãe tem “sempre” direito a licença com duração entre 14 e 30 dias (o período é decidido pelo médico), pagos a 100%. Por sua vez, o pai, que na proposta inicial teria de recorrer às faltas para assistência a membro do agregado familiar, terá direito a faltar até três dias consecutivos.

Atualmente, o Código do Trabalho prevê que a mãe pode gozar três dias em caso de perda gestacional, quando não goza a licença por interrupção de gravidez. A falta por luto gestacional pode também ser gozada pelo pai, até três dias consecutivos, se a mãe estiver a usufruir da licença por interrupção da gravidez.

Por outro lado, a falta por luto gestacional exige apenas uma declaração do estabelecimento hospitalar ou centro de saúde, enquanto a licença por interrupção da gravidez requer “atestado médico com indicação do período” da ausência.

A atribuição desta licença depende também, de acordo com a Segurança Social, de a trabalhadora ter feito descontos durante pelo menos seis meses e de ter a sua situação contributiva regularizada.

Alteração à lei da greve

1) Alargamento dos serviços mínimos a cuidados de idosos, crianças e pessoas com deficiência (através de um alargamento do conceito de “necessidades sociais impreteríveis”): O Governo quer integrar as creches e os lares nos serviços mínimos em caso de greve, assim como os setores do abastecimento alimentar e os serviços de segurança privada de bens ou equipamentos essenciais.

Segundo a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, a ideia é "ser um bocadinho mais exigente quanto à definição dos serviços mínimos, mas sem riscar o direito à greve", e tornando-o "apenas combatível com outros direitos fundamentais", nomeadamente o direito à saúde, ao trabalho ou "a circular".

O Código do Trabalho prevê atualmente que em caso de greve os serviços mínimos sejam assegurados "em empresa ou estabelecimento que se destine à satisfação de necessidades sociais impreteríveis", que incluem correios e telecomunicações, serviços médicos, hospitalares e medicamentosos, salubridade pública, incluindo a realização de funerais, serviços de energia e minas, incluindo o abastecimento de combustíveis.

Contemplados estão também abastecimento de águas, bombeiros, serviços de atendimento ao público que assegurem a satisfação de necessidades essenciais cuja prestação incumba ao Estado, transportes, incluindo portos, aeroportos, estações de caminho-de-ferro e de camionagem, relativos a passageiros, animais e géneros alimentares deterioráveis e a bens essenciais à economia nacional, abrangendo as respetivas cargas e descargas e transporte e segurança de valores monetários.

2) Limitar ação sindical em empresas onde não há trabalhadores sindicalizados:

A proposta do Governo estabelece que nas pequenas, médias e grandes empresas sem trabalhadores sindicalizados, os sindicatos só podem convocar reuniões fora do horário de trabalho e “desde que o âmbito subjetivo, objetivo e geográfico da associação sindical abranja os trabalhadores da empresa”. Ficam de fora, assim, as microempresas.

Além disso, no que toca à afixação e distribuição de informação sindical, o Governo propõe que, nas empresas onde “não existam trabalhadores sindicalizados” as associações sindicais, cujo “âmbito subjetivo, objetivo e geográfico abranja os trabalhadores da empresa”, possam solicitar ao empregador que afixe ou permita a afixação a informação em causa. Ou seja, os sindicatos perdem a possibilidade de o fazer de forma autónoma.

Alterações aos prazos dos contratos de trabalho

1) Primeiros contratos a termo podem passar a durar um ano, quando atualmente o limite é de seis meses: A proposta do Governo prevê que os contratos a termo certo passem a ter uma duração inicial mínima de um ano, ao invés dos atuais seis meses, podendo ser renovados até três vezes.

2) Aumento da duração máxima dos contratos a prazo, de dois para três anos.

3) No caso dos contratos a termo incerto (em que não se define uma data precisa para o seu término) há também um alargamento da duração máxima de quatro para cinco anos.

No que toca à duração máxima, e já tendo em conta as renovações, a proposta é que passe de dois para três anos nos contratos a termo certo e de quatro para cinco anos nos contratos a termo incerto.

4) Mais situações em que é possível fazer contratos a termo: A celebração de um contrato a termo certo passa a ser admissível nos primeiros dois anos de funcionamento de uma empresa, independentemente da sua dimensão, quando até agora o era apenas nas empresas com menos de 250 trabalhadores. Passa também a ser admissível na contratação de um trabalhador que nunca tenha prestado atividade com contrato de trabalho por tempo indeterminado, assim como na contratação de reformados por velhice ou invalidez.

5) Nova regra para renovação de contratos a termo certo: O Governo propõe que o contrato de trabalho a termo certo possa “ser renovado ate três vezes”.

Atualmente lei estabelece que “o contrato de trabalho a termo certo pode ser renovado até três vezes e a duração total das renovações não pode exceder a do período inicial daquele”.

6) Coima mais baixa se não der preferência aos contratados a termo no caso de abrir vaga nos quadros.

Mudanças noutros regimes de contratos de trabalho

Aos trabalhadores com contrato de trabalho intermitente que exerçam outra atividade durante o período de inatividade deixa de ser deduzida a retribuição recebida com esta atividade da compensação retributiva paga pelo empregador.

Nos contratos em comissão de serviço, o trabalhador tem direito a resolver o contrato de trabalho até 30 dias depois de o empregador decidir pôr termo a essa comissão de serviço, mas apenas tem direito a indemnização se a comissão de serviço tiver durado pelo menos seis anos.

Fim da regra que proíbe acumulação da reforma antecipada com salário na mesma empresa

O Governo quer pôr fim à regra que proíbe que quem se reforma antecipadamente possa voltar a trabalhar na mesma empresa por um período de três anos, acolhendo uma proposta da CIP.

Segundo o decreto-lei n.º 187/2007, “a acumulação da pensão de velhice com rendimentos de trabalho é livre”, mas “ é proibida a acumulação de pensão antecipada de velhice, atribuída no âmbito da flexibilização, com rendimentos provenientes de exercício de trabalho ou atividade, a qualquer título, na mesma empresa ou grupo empresarial, por um período de três anos a contar da data de acesso à pensão antecipada”.

Mudança do trabalhador para categoria inferior sujeita a autorização tácita com acordo e se ACT não responder em 30 dias

O Governo pretende permitir que a mudança de um trabalhador para uma categoria inferior fique sujeita a autorização tácita, caso a Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) não responda em 30 dias, e mediante acordo entre trabalhador e empregador.

Atualmente, a lei prevê a mudança do trabalhador para uma categoria inferior “mediante acordo” entre as partes e “com fundamento em necessidade premente da empresa ou do trabalhador”, mas essa mudança tem que ter autorização da ACT “no caso de determinar diminuição da retribuição”, não havendo um prazo fixado para resposta.

Banco de horas individual regressa

O Governo quer repor o banco de horas individual, mas em moldes diferentes do passado.

A proposta determina que o banco de horas individual possa ser instituído, por acordo entre o empregador e o trabalhador, prevendo que o período normal de trabalho possa ser aumentado até duas horas diárias, atingindo as 50 horas semanais, tendo o acréscimo por limite 150 horas por ano e incluir um período de referência que não pode exceder os quatro meses.

“O empregador deve comunicar ao trabalhador a necessidade de prestação de trabalho com a antecedência mínima de três dias”, é ainda explicado na proposta.

A ideia é que "passe a ser subsidiado um banco de horas em regime de negociação coletiva, o que não existia no passado”, explicou a ministra do Trabalho, acrescentando que o que existia antes era para a adaptabilidade.

Ao mesmo tempo, a nova proposta prevê a revogação do banco de horas grupal.

Trabalhadores a tempo parcial com horas de formação obrigatórias

Na nova proposta entregue à UGT, o Governo deixa cair a redução das horas formação obrigatórias para as microempresas e vem clarificar que os trabalhadores a tempo parcial têm direito "a um número mínimo de horas de formação proporcional ao tempo de trabalho contratado nesse ano", segundo o documento a que a Lusa teve acesso.

O Código do Trabalho prevê atualmente que todos os trabalhadores têm direito a um mínimo de 40 horas de formação contínua por ano, estando o empregador obrigado a assegurar essa formação independentemente da dimensão da empresa.

Já no caso dos contratos a termo com duração igual ou superior a três meses, as horas são proporcionais à duração do contrato.

Alterações nas regras dos despedimentos

1) Não é preciso reintegrar um trabalhador despedido ilicitamente: O Governo propõe que o empregador possa pedir ao tribunal que “exclua a reintegração, com fundamento em factos e circunstâncias que tornem o regresso do trabalhador gravemente prejudicial e perturbador do funcionamento da empresa”.

2) Simplificação de despedimentos por justa causa para as micro e pequenas, dispensando a apresentação das provas requeridas pelo trabalhador e a audição das suas testemunhas.

3) Trabalhadores podem voltar a abdicar de créditos quando são despedidos: Em caso de despedimento ou cessação de contrato de trabalho, o trabalhador pode renunciar ao pagamento dos créditos devidos mediante “declaração escrita reconhecida notarialmente”.

4) Fim das restrições ao 'outsourcing' após despedimentos: O Governo quer revogar a norma que estabelece restrições ao ‘outsourcing’ (contratação de trabalho externo), durante um ano, após despedimentos.

Em causa está o artigo 338.º A do Código do Trabalho, introduzido no âmbito da Agenda do Trabalho Digno, que estabelece que "não é permitido recorrer à aquisição de serviços externos a entidade terceira para satisfação de necessidades que foram asseguradas por trabalhador cujo contrato tenha cessado nos 12 meses anteriores por despedimento coletivo ou despedimento por extinção de posto de trabalho".

O executivo pretende agora revogar a norma que proíbe a aquisição e serviços externos a terceiros para satisfazer necessidades que foram asseguradas por trabalhador cujo contrato tenha cessado nos 12 meses anteriores por despedimento coletivo ou despedimento por extinção de posto de trabalho.

5) É outra das novidades face à proposta inicial: o Governo quer aumentar de 14 para 15 dias (de remuneração por cada ano de antiguidade na empresa) a compensação por despedimento coletivo.

6) Autodeclaração de doença fraudulenta pode dar direito a despedimento: O Governo quer que a entrega de uma autodeclaração de doença fraudulenta possa dar direito a um despedimento por justa causa.

Trata-se de uma proposta de alteração ao artigo 254.° do Código do Trabalho, relativo à prova de motivo justificativo de falta e que prevê que "a apresentação ao empregador de declaração médica ou de autodeclaração de doença com intuito fraudulento" constitua uma "falsa declaração para efeitos de justa causa de despedimento".

Segundo a lei atual, a "apresentação ao empregador de declaração médica com intuito fraudulento constitui falsa declaração para efeitos de justa causa de despedimento", pelo que o objetivo agora é alargá-la também às autodeclarações de doença emitidas através da linha SNS 24.

Quotas de emprego para pessoas com deficiência

O sistema de quotas de emprego para pessoas com deficiência passa a abranger os trabalhadores com um grau de incapacidade igual ou superior a 33%, em alternativa aos atuais 60%, “visando a sua contratação por entidades empregadoras do setor privado e organismos do setor público”.

Em caso de recurso ao trabalho temporário por empresa ou à prestação de serviços por centro de emprego protegido que aloque trabalhadores com deficiência para preencher um posto de trabalho na entidade beneficiária, o trabalhador com deficiência alocado integra também o cômputo do pessoal da empresa beneficiária do serviço.

Trabalhadores independentes

Aumenta a percentagem para um trabalhador ser considerado economicamente dependente: Atualmente, um trabalhador independente é considerado economicamente dependente de uma empresa (o que lhe dá mais regalias) quando recebe 50% dos seus rendimentos de um único cliente, mas o Governo quer aumentar essa percentagem para 80%.

Plataformas digitais TVDE

A proposta de revisão de legislação laboral inclui a transposição de uma diretiva europeia, que visa a melhoria das condições de trabalho e a proteção dos dados pessoais no trabalho em plataformas digitais.

O artigo 12.º do Código de Trabalho já previa algumas indicações para comprovar a existência de contratos de trabalho com plataformas digitais, mas o Governo pretende introduzir algumas alterações.

Entre elas, quer que se verifiquem cumulativamente dois requisitos para comprovar a existência de um contrato de trabalho: a prestação da atividade tem que ser regular e o prestador tem que estar em situação de dependência económica.

Teletrabalho

Será mais fácil às empresas negarem teletrabalho: É revogada a norma que atualmente prevê que um empregador só pode recusar uma proposta de teletrabalho apresentada pelo trabalhador "por escrito e com a devida fundamentação", desde que esta seja compatível com a função desempenhada. Com esta alteração, será mais fácil ao empregador recusar teletrabalho a um funcionário.

É também revogada a norma que estabelece que, partindo do empregador a proposta de teletrabalho, a oposição do trabalhador não tem de ser fundamentada nem pode levar ao seu despedimento ou penalização.

As disposições legais relativas ao teletrabalho passam a aplicar-se, “com as necessárias adaptações”, a outras formas de trabalho subordinado prestado à distância, mesmo que não em regime de dependência económica.

Governo quer implementar jornada contínua no privado

O Governo quer introduzir a jornada contínua no setor privado para os trabalhadores com filho menor de 12 anos ou, independentemente da idade, com deficiência, doença crónica ou oncológica. Esta proposta não constava no anteprojeto inicial mas foi, entretanto, incluída na proposta entregue à UGT.

Atualmente, o Código do Trabalho não regulamenta a jornada contínua para o setor privado, mas há convenções coletivas que preveem esse regime.

No que toca ao setor público, a lei permite a prestação ininterrupta de trabalho, com “um período de descanso nunca superior a trinta minutos”, permitindo que os trabalhadores saiam até uma hora mais cedo. Esta possibilidade pode ser adotada em “casos excecionais” para os trabalhadores com filhos até aos 12 anos ou “independentemente da idade, com deficiência ou doença crónica", pais que adotem crianças, trabalhadores “que, substituindo-se aos progenitores, tenha a seu cargo neto com idade inferior a 12 anos”, trabalhadores-estudantes, entre outras situações devidamente fundamentadas.

Governo quer repor três dias de férias ligados à assiduidade

Na nova proposta entregue à UGT, o Governo deixa cair a possibilidade dos trabalhadores poderem pedir até dois dias de férias adicionais, com perda remuneratória.

Em alternativa, propõe a reposição dos três dias de férias ligados à assiduidade abolidos na 'troika'. Deste modo, o período anual de 22 dias de férias pode ser aumentado até três dias no caso de o trabalhador não ter faltado ou ter apenas faltas justificadas, perfazendo um total de 25 dias.

Subsídios de férias e Natal podem ser pagos em duodécimos

Outras das várias mudanças que o Governo pretende introduzir diz respeito à possibilidade de os trabalhadores voltarem a poder escolher se querem receber os subsídios de férias e de Natal em duodécimos ou da forma tradicional, mas faz depender a hipótese da existência de acordo entre trabalhador e empregador.

Fim do período experimental de 180 dias no primeiro emprego

O Governo pretende revogar do Código do Trabalho a alínea que estipula que, no caso dos contratos de trabalho por tempo indeterminado é obrigatório um período experimental de 180 dias para os trabalhadores que "estejam à procura de primeiro emprego e desempregados de longa duração".

Atualmente a lei prevê um período de experimental de 180 dias nestes casos, mas admite que possa ser "reduzido ou excluído consoante a duração de anterior contrato de trabalho a termo, celebrado com empregador diferente, tenha sido igual ou superior a 90 dias".

Já no que toca ao período experimental dos contratos a termo e dos contratos em comissão de serviço não está prevista qualquer alteração.

Fim da criminalização da omissão da contratação de trabalhadores à Segurança Social

O Governo quer acabar com a criminalização da omissão da contratação de trabalhadores à Segurança Social, o que inclui o setor do serviço doméstico, propondo revogar uma norma do Regime Geral das Infrações Tributárias (RGIT) que desde 01 de maio de 2023 considera crime a omissão de comunicação da admissão de trabalhadores.

Neste momento, se os empregadores não declararem uma contratação nos seis meses seguintes ao fim do prazo previsto na lei para procederem a essa comunicação – em regra, nos 15 dias anteriores ao início da atividade – podem ser criminalizados com uma pena de prisão de até três anos ou com uma multa de até 360 dias (até 180 mil euros).(09.12.25/Fonte: Diário de Notícias)

É de Portugal que sai o calor para aquecer o norte da Europa

Bosch de Aveiro começou por produzir os clássicos esquentadores a gás, mas já está a apostar num futuro mais verde do aquecimento dos lares. Unidade volta a atingir vendas recorde.

É de uma fábrica portuguesa que sai o quentinho para aquecer as casas do norte da Europa quando o frio atinge temperaturas negativas naquelas paragens durante os longos meses de inverno. No verão, é o sol português que aquece os turistas. No inverno, são as bombas de calor ‘made in Portugal’ que levam o calor do sol luso ao frio sentido no norte da Europa.
A Bosch de Aveiro começou por produzir esquentadores a gás, com marcas clássicas das casas portuguesas a sair desta fábrica durante décadas, como Vulcano ou Junkers. Pelo meio, apostou em caldeiras a gás, mas a transição energética bateu à porta e obrigou o chão de fábrica a apostar na produção de bombas de calor.
São uma espécie de Tesla ou BYD do aquecimento das casas: consomem menos, deixaram o fóssil para trás, com recurso a eletricidade (se o eletrão for verde, melhor).
Este ano a fábrica volta a bater recorde de vendas: 526 milhões de euros, contra os 451 milhões registados em 2024, que também foi um recorde.
O disparo nas vendas tem tido lugar à boleia do crescimento da unidade de negócio das bombas de calor, depois de um investimento de 100 milhões de euros no ano passado para desenvolver a unidade de engenharia e os laboratórios.
“Fizemos um investimento único, brutal, dos quais 35 milhões estão relacionados com engenharia e laboratórios. A Bosch investe em linhas de produção, mas também em engenharia que é uma âncora perfeita de 20 ou 30 anos para Aveiro e Portugal”, destaca Jónio Reis, diretor da Bosch Aveiro.
A primeira unidade de bombas de calor arrancou em 2023 com os mercados principais a serem a Europa Central, incluindo Alemanha, França, Itália, Reino Unido, entre outros.
“Só para ter uma ideia da importância que Aveiro tem, somos responsáveis por quase 50% de todas as bombas de calor produzidas” pela Bosch, disse, por seu turno, João Lagarto, responsável pela produção em Aveiro.
E o vento sopra de feição. Até ao final da década, está previsto que o mercado europeu duplique, com um crescimento anual na casa dos 10%.
Mas há desafios pela frente. Uma das desvantagens das bombas de calor são os preços elevados, deixando de fora muitos consumidores. A ideia agora é produzir estes equipamentos a preços mais competitivos, com o ganho de escala e com mais inovação ‘made in Aveiro’. Para o mercado do sul da Europa, está a ser preparado um modelo mais barato, uma bomba latina, que deverá chegar ao mercado no próximo ano.
Por ano, estão a ser vendidos 1,2 milhões de unidades, esperando-se que supere os 2 milhões de unidades anuais já na década de 30.
A companhia também continua a produzir esquentadores que continuam a dar cartas, apesar de alguma desaceleração.
“Identificamo-nos como uma empresa multi-tecnologia. A nossa responsabilidade não é oferecer apenas bombas de calor, mas também todo um portefólio de produtos aos nossos clientes, dependendo da sua capacidade financeira, do tamanho das suas casas, dos perfis de consumo”, afirmou, por sua vez, Evandro Amorim, responsável pelos negócios da Bosch Aveiro. Os esquentadores continuam a ser vendidos para os países europeus, mas também para o norte de África, incluindo a Argélia, e América Latina. Esquentadores elétricos e caldeiras a gás continuam a sair das linhas desta unidade.
Atualmente, está a ter lugar a construção de um novo edifício em Aveiro para albergar uma nova linha de produção, de bombas de calor num investimento de 2 milhões de euros.
Mas nem tudo foi um mar de rosas. Em 2018, a companhia entrou em modo cruzeiro para adaptar os seus esquentadores e reconverter a linha de produção para garantir que os produtos obedeciam a novas regras europeias de emissões de gases poluentes e de eficiência energética.
“Não fomos capazes de responder rapidamente. Perdemos quota de mercado. Já se estava a dar os primeiros sinais de eletrificação. Tivemos muitas dificuldades. E pensámos: porque não produzir e desenvolver outros produtos? É aí que se dá o grande ‘boom’ e é quando passamos a ter as primeiras bombas de calor”, conclui Jónio Reis.
(05.12.25/Fonte: Jornal Económico)

Dois terços dos carros vendidos em Portugal são eletrificados

Mercado total automóvel cresceu 7% em Portugal nos primeiros onze meses.

As vendas de automóveis em Portugal subiram 7% nos primeiros onze meses do ano, revelou hoje a Associação Automóvel de Portugal (ACAP).

No total, foram vendidas quase 240 mil unidades até novembro.

As vendas no mercado de ligeiros subiram 7% para 233 mil unidades.

Olhando só para novembro, as vendas totais subiram 4% para mais de 20 mil unidades, com o mercado de ligeiros a crescer mais de 3% para mais de 19,6 mil unidades.

Até novembro, mais de 69% dos ligeiros de passageiros vendidos eram eletrificados, com os 100% elétricos a pesarem 23% no total. Só em novembro, o número de elétricos pesou 32% do mercado.
(02.12.25/Fonte: Jornal Económico)

Têxteis são 56% das insolvências na indústria do Norte

A AEP considera “preocupantes” as insolvências no Norte no terceiro trimestre, num contexto de incerteza global, mas espera “resiliência” da indústria. Mais de 20% dos novos casos na região são nos têxteis. Representante do setor estima perda de 600 a 700 empregos no trimestre.

Há pelo menos uma década que o Norte não pesava tanto nos novos processos de falência em Portugal. A região, que habitualmente já tem preponderância neste capítulo, acumulou entre julho e setembro 55% de todas as insolvências declaradas, de acordo com os dados atualizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O Norte esteve em claro contraciclo: subiu 10,8% face aos três meses anteriores (para 256 empresas) e 5,8% na comparação com o mesmo período do ano passado, enquanto viu o país divergir, com uma queda em cadeia de 0,9% e homóloga de 6,9% (para 459 insolvências empresariais).

Mas o que justifica estes movimentos opostos? E pode este último trimestre dar-nos sinais de uma nova tendência? Uma parte importante da explicação está nas fábricas. Enquanto setores como a construção e o comércio acompanharam a trajetória do país (menos 20 insolvências decretadas na região no conjunto das duas atividades face ao trimestre anterior), a indústria transformadora teve mais 12 casos (apesar de uma queda homóloga), o mesmo acréscimo que as atividades administrativas e serviços de apoio.
Ainda que o número de novas insolvências decretadas no Norte (e do país) esteja a um nível baixo quando comparado com outros períodos, nomeadamente da Troika ou da pandemia, o presidente do Conselho de Administração da AEP, Luís Miguel Ribeiro, mostra-se apreensivo com a subida das insolvências na região, e “em particular da indústria transformadora”.

Em respostas ao Jornal Económico (JE), o responsável nota que o Norte “é muito importante para a economia portuguesa”, porque tem maior especialização industrial e excedentes comerciais de bens, concentrando ao mesmo tempo metade das empresas da indústria transformadora e mais de um terço da construção.

Estes setores, porém, são “caracterizados por uma estrutura de custos relativamente elevados, alguns com elevada abertura ao mercado externo” o que traz desafios neste período para a indústria transformadora, afirma. É que “as empresas portuguesas estão a encontrar maiores dificuldades quer pelo aumento da concorrência, em particular de empresas asiáticas, quer pela maior instabilidade no comércio internacional como consequência das tensões geopolíticas”.

Estando o Norte do país mais sujeito aos efeitos desse enquadramento internacional, “pode traduzir-se num maior risco de insolvência”, argumenta o líder da AEP, considerando que “este fenómeno não é meramente circunstancial nem deve ser entendido como sinal de crise específica da região”. Depende do contexto internacional.

“É justificável, em parte, que o Norte contribua de forma expressiva para as insolvências a nível nacional e que, em determinados momentos, essa proporção se amplifique, nomeadamente num clima de incerteza global como o atual que afeta em primeira instância setores de bens transacionáveis”, defende. No entanto, o presidente do Conselho de Administração da AEP reconhece que “o aumento no número de falências na região e, em particular, na indústria transformadora não deixa de ser preocupante”.

Mais de 600 no desemprego
Os dados do INE não permitem perceber, dentro da indústria transformadora, quais são os subsetores que mais contribuem para as insolvências, mas os anúncios do site Citius consultados pelo Jornal Económico mostram que houve 56 empresas de têxteis e vestuário a entrarem em processo de falência no terceiro trimestre (ver caixa), o que significa 21,9% dos casos do Norte.
Dessas 56 insolvências, 9 dizem respeito ao comércio de têxteis e vestuário e 47 ao fabrico — e estas empresas representam 58,8% de todas as falências da indústria transformadora no Norte — ou 56% em toda a indústria (incluindo a extractiva).
Em declarações ao Jornal Económico, Ricardo Silva, presidente da Associação Têxtil e de Vestuário de Portugal (ATP), aponta para a “descida do consumo global”, que está a afetar as exportações do setor. Em julho e agosto “já se notou uma redução de 1% a 2% das exportações”, revela. “E as empresas mais afetadas logo à partida são as subcontratadas”.

“Temos um setor muito fragmentado, especialmente na área do corte e costura, ou seja, a confeção”, justifica o representante dos têxteis e do vestuário, indicando que a maioria das empresas insolventes terão menos de 10 trabalhadores. São “mais frágeis por natureza” e “as primeiras a ficar sem trabalho”, afirma. “Tão rápido se levantam empresas como têm problemas na linha da frente”.
Ricardo Silva estima que neste terceiro trimestre tenham perdido emprego, “provavelmente, 600 a 700 pessoas”, num universo superior a 70 mil pessoas em Portugal. “Não considero que seja alarmante nesta fase. Se persistisse por mais um ano, já seria”, acrescenta.

Já Ramiro Brito, presidente da Associação Empresarial do Minho (AEMinho), justifica o impacto com “a maior exposição à conjuntura mundial”, mas também critica “a arbitrariedade da Autoridade Tributária”, por aplicar a lei do IVA nas exportações de forma diferente da generalidade dos estados-membros. É uma dificuldade acrescida para um setor “vulnerável”, aponta.
E será que a situação se vai manter durante mais tempo? O presidente da ATP acredita que, enquanto houver instabilidade no consumo, há “pequenas empresas que podem não resistir”, enquanto outras, “mais robustas”, devem “conseguir manter a atividade”.

Por outro lado, o presidente da AEMinho considera que se está a viver uma “revolução industrial silenciosa”, que “tem um custo” — “há empresas que não vão resisitir”. Contudo, passada esta fase, “até ao final do primeiro trimestre”, acredita que o setor vai “reinventar-se e encontrar o seu lugar competitivo”. Avisa, no entanto, para a necessidade de haver fusões, para que as empresas ganhem escala.(21.11.25/Fonte: Jornal Económico)

Franceses vão construir 1 giga renovável em Portugal

Franceses da Akuo venceram primeiro leilão de energia solar em Portugal e querem construir 1 giga até 2032.

Desde o já longíquo ano de 2020 que muita coisa mudou no setor energético em Portugal. Pelo meio, uma pandemia que veio colocar muitas incertezas nas energias renováveis no país. Apanhados neste turbilhão, os franceses da Akuo chegaram, viram e venceram o primeiro leilão de energia solar em 2019.

O grupo francês conquistou três lotes com uma potência total de 370 MW. Entretanto, mudou de acionista, com a entrada do fundo Ardian, e também de CEO, com a chegada de Bruno Bensasson, que conta com passagens na gigante energética estatal francesa EDF, tendo liderado a unidade para as renováveis, e pela dinamarquesa produtora de componentes eólicas, Vestas.

A companhia tem em marcha um plano para investir mil milhões de euros para construir 1 gigawatt de energia solar, eólica e baterias até 2032.

“Acreditamos muito no potencial do solar, eólica e baterias em Portugal”, disse ao JE o CEO da Akuo Bruno Bensasson durante uma visita a Lisboa.
“Consideramos também que é importante a aceitação local dos projetos. Tentamos construir os projetos no prazo, mas por vezes há atrasos devido a litigação, respeitamos isso. Há alguns processos que demoraram mais do que esperávamos, não vivemos num mundo ideal”, acrescentou.
O gestor francês destacou que “Portugal tem um bom ambiente para as renováveis, solar e eólica. Podemos sempre queixar-se que há coisas que podiam melhorar. Como investidores globais, quando comparamos, este mercado tem características importantes”.
Sobre a entrada do fundo Ardian como investidor, destaca: “Olhamos para a rentabilidade de longo prazo de um ativo, não há uma grande diferença entre ter um ativo rentável para um investidor e um investimento eficiente para o país”.
Sobre os preços negativos sentido no mercado de eletricidade, devido ao peso gigante da energia solar em horas de menor consumo, considera que a chegada de baterias “vai ajudar” por que são “um complemento natural para as renováveis”.
A empresa já tem a central de Santas (Monforte) em operação, central solar com 180 MW e já está a construir 45 MW de energia eólica para hibridizar o projeto para um total de 225 MW.

Já na central de Margalha (Gavião), o objetivo é concluir a central até ao final do ano para entrar em operação no primeiro trimestre de 2026, com um total de 147 MW.

A companhia também candidatou-se aos apoios públicos para os projetos de baterias, tendo vencido com projetos para as centrais de Santas e de Margalha.

A empresa conta com um projeto agrivoltaico em Alcobaça, financiado pelo PRR, onde os painéis solares co-existem com a Maçã de Alcobaça.

Na central de Santas, Akuo realizou um crowdfunding onde conseguiu levantar o máximo montante previsto: 5 milhões de euros.

Em relação à central de Polvorão (Gavião e Nisa), o projeto encontra-se suspenso pela empresa à espera da primeira pronúncia do Tribunal Administrativo e Fiscal de Castelo Branco após o Ministério Público ter impugnado o projeto em fevereiro deste ano.

A ação do Ministério Público é contra as entidades licenciadoras do projeto: Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Direção-Geral de Energia (DGEG) e autarquia. “Estamos confiantes de que foi tudo feito dentro das regras”, segundo João Macedo.

O Ministério Público anunciou em fevereiro que pediu a impugnação dos licenciamentos ambiental, energético e urbanístico desta central devido à “lesão de um conjunto alargado de instrumentos de gestão territorial e de proteção dos recursos naturais, com especial relevo para o regime jurídico da Rede Natura, o PROT do Alentejo e os PDMs dos municípios do Gavião e de Nisa”.

“A extensa implantação territorial de empreendimentos para produção de energia e consequente alteração do uso de solos qualificados como florestais, agrícolas e mesmo naturais e paisagísticos, quando em contrário do legalmente previsto, é merecedora de especial atenção do MP, por força das competências em matéria de defesa do ordenamento e ambiente, conferidas no âmbito do contencioso administrativo, onde se enquadra a presente ação”, segundo o comunicado do MP divulgado na altura.
(23.11.25/Fonte: Jornal Económico)

Despedimentos coletivos no valor mais alto em cinco anos

Entre janeiro e setembro deste ano terão ocorrido 414 despedimentos coletivos. É o nível mais elevado desde 2020. As mulheres foram as mais afetadas no mês de setembro, perfazendo 64% das rescisões.

Nos primeiros nove meses do ano, foram comunicados ao Ministério do Trabalho 414 despedimentos coletivos, mais 60 face aos 354 registados em igual período de 2024, segundo os dados da Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT).

É o valor mais elevado desde 2020, quando Portugal apresentava 521 despedimentos coletivos. Só no último mês de setembro foram comunicados 55 despedimentos coletivos, contra 36 no mês homólogo.O número de trabalhadores abrangidos por despedimentos coletivos está a aumentar desde 2023, sendo que o valor registado nos primeiros nove meses deste ano é já o valor mais elevado desde 2020 (5.371).

Dos 414 despedimentos coletivos comunicados pelas empresas entre janeiro e setembro, 145 foram de microempresas, 167 de pequenas empresas, 63 se médias empresas e 39 de grandes empresas.

Também o número de trabalhadores abrangidos por despedimentos coletivos sofreu um aumento: 16,6% até setembro, face a igual período do ano anterior, totalizando os 5.544, ainda segundo a DGERT.

Dos 5.544 trabalhadores, 5.412 foram efetivamente despedidos, o que representa um aumento de 21% face a igual período homólogo.Por regiões, a região de Lisboa e Vale do Tejo e o Norte continuam a ser as regiões com maior número de despedimentos coletivos comunicados até setembro, com 203 e 126 respetivamente, perfazendo 49% e 31% do total.

No que toca especificamente ao mês de setembro, foram efetivamente despedidos 200 trabalhadores um valor inferior aos 634 de agosto e aos 544 do período homólogo.

Dos 200 trabalhadores efetivamente despedidos em setembro, a região Centro representava a larga maioria (58%), com 117 trabalhadores efetivamente despedidos.As mulheres foram as mais afetadas pelos despedimentos em setembro, perfazendo 64% das rescisões.

As indústrias transformadoras, comércio por grosso, atividades de saúde e ação social e atividades de consultoria, científicas, técnicas e similares são os setores com maior número de trabalhadores despedidos em setembro.
(17.11.25/Fonte: RTP)

Microsoft vai investir 8,6 mil milhões de euros em centro de dados de Sines

A Microsoft vai investir cerca de 8,6 mil milhões de euros no centro de dados de Sines, anunciou ao Jornal de Negócios o presidente da tecnológica, Brad Smith, que está em Portugal devido à Web Summit.

"Estamos a investir 10 mil milhões de dólares em Portugal, em Sines, com a Start Campus e a Nscale", afirmou Brad Smith, em entrevista ao jornal de Negócios, hoje publicada, explicando que este investimento "é maior do que todos os investimentos em centros de dados que a empresa já fez em Espanha".

O presidente da empresa norte-americana refere que a tecnológica está a reforçar a aposta em Portugal, com investimentos que fazem o país ganhar a corrida na instalação de gigafábrica de inteligência artificial (IA).

"Estamos a construir na Europa. Curiosamente, um dos maiores investimentos que estamos a fazer este ano na Europa é, na verdade, em Portugal", salientou Brad Smith.

Em outubro, a Microsoft e a Nscale anunciaram ser os primeiros inquilinos do edifício da Start Campus, em Sines, prevendo a instalação de 12.600 processadores de última geração da Nvidia, no Centro de Dados de Sines.

O responsável pela Microsoft explicou que as empresas já estiveram a explorar esta parceria, de forma "a trabalhar para trazer para Portugal um elevado número de CPU [nós de computação e unidades centrais de processamento], os mais avançados do mundo".

"Há uma forma de pensar sobre o que estamos a fazer em Portugal. Os países estão a competir na Europa por financiamento público na União Europeia para construir uma gigafábrica, e há uma competição intensa. Portugal já ganhou a licitação com a Microsoft, porque decidimos que vamos construir esta gigafábrica de IA em Sines", explicou Brad Smith.

O presidente da tecnológica norte-americana realça o potencial da localização de Sines, destacando a vantagem dos cabos submarinos, enquanto forma "da América do Norte ficar mais perto da Europa".

O líder da Microsoft admite que o investimento em Portugal reflete "um imenso trabalho, da política energética seguida em Portugal, onde a energia é mais barata e há bom clima", destacando também as conectividades de banda larga do país.

Estas condições tornam Portugal "um país muito importante e atraente na Europa para a construção deste tipo de centros de dados e deste tipo de investimentos. São boas notícias para Portugal, que fica numa muito boa posição para competir, não pelo que tem vindo a ganhar ao longo do tempo, mas também para futuros investimentos", rematou Brad Smith.(11.11.25/Fonte:
Jornal de Noticias)

Sobreendividamento entre reformados aumenta: cortam na alimentação e saúde para sobreviver

Mais de 20 mil famílias pediram ajuda à Deco este ano, 15% são reformados. Sem poupanças, cresce o número de idosos a recorrer a créditos pessoais.

Aproveitar os últimos anos de vida com tranquilidade, depois de longas décadas de trabalho, é um cenário cada vez mais utópico para muitos reformados em Portugal. O número de pensionistas a enfrentar dificuldades financeiras tem aumentado, sobretudo à boleia da subida do custo de vida e, em particular, dos preços da habitação. O alerta é dado pela Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco) que recebeu, nos primeiros nove meses do ano, 20 mil pedidos de ajuda de famílias sobreendividadas - destas, 15%, ou seja, três mil, correspondem a reformados.

Ao DN, a associação refere que regista um crescimento expressivo das solicitações de apoio por parte de aposentados e o “fenómeno” levou mesmo a Deco a afinar a análise ao perfil destes agregados em situação de “elevada vulnerabilidade”. São, essencialmente, idosos entre os 70 e os 80 anos que chegaram à idade da reforma despidos de poupanças. Sem almofadas financeiras, e com uma reforma insuficiente para cobrir os encargos mensais, o endividamento assume-se como a única via de sobrevivência.

Em média, estes reformados têm quatro créditos ativos, principalmente créditos pessoais, no valor de 20 mil euros e cartões de crédito num montante de seis mil euros. As prestações mensais destes créditos totalizam cerca de 680 euros face a um rendimento líquido médio de 1.150 €euros, o que representa uma taxa de esforço próxima dos 60%, “muito acima do limite recomendado de 35%”, alerta a associação.

As despesas com a habitação são as que mais pressionam o orçamento. “Muitos destes créditos acabam por ser para financiar a questão das rendas e das cauções quando há mudança de contrato, por exemplo, mas também são para pagar as despesas correntes, como a alimentação e saúde”, explica ao DN a coordenadora do Gabinete de Proteção Financeira (GAF) da Deco.

Natália Nunes frisa que, em muitas situações, estes idosos acabam por ter de cortar nos gastos com alimentação e medicamentos para conseguirem pagar a fatura da habitação.

Mais de metade (54,1%) destes reformados vive em casas arrendadas, 24,6% têm casa própria sem hipoteca,9,8% ainda pagam crédito à habitação e 11,5% vivem noutras situações habitacionais. “São pessoas que na maioria estão sozinhas, são viúvas ou estão separadas, e a opção passa por arrendarem quartos, ou por viverem em casas partilhadas”, acrescenta.

Natália Nunes destaca uma mudança de paradigma nos pedidos que batem à porta da associação. “Sempre tivemos, nos anos anteriores, reformados a pedir ajuda, muito por causa do crédito à habitação, sobretudo porque antes se deixava ir o crédito para além dos 65 anos . Quando chegavam à idade da reforma, as pessoas tinham uma diminuição dos rendimentos. Neste momento, estas pessoas reformadas pedem ajuda, mas já não é por causa deste crédito”, refere.

Ajudar a resolver estes casos de sobreendividamente apresenta desafios acrescidos, aponta a responsável, desde logo no que respeita às limitações à renegociação dos créditos devido aos limites de idade impostas pela banca. Outro dos obstáculos assenta no facto de muitos apoios e canais de ajuda estarem concentrados no online, uma via que não é familiar para uma larga maioria destes pensionistas.

Deco pede medidas de apoio à poupança

Hoje assinala-se o dia mundial da poupança e, em Portugal, poupar não é um verbo que se conjugue com facilidade, principalmente para as famílias que recebem o salário mínimo ou para os pensionistas que auferem baixas reformas. Por isso mesmo, a Deco defende que o Governo deve intervir, assumindo um papel profiláctico nos casos de sobreendividamento.

A associação pede que sejam criados incentivos fiscais progressivos que beneficiem todas as faixas de rendimento, tornando a poupança mais acessível e sejam promovidos produtos de poupança simples, “claros e transparentes”, sem taxas escondidas, para que todos os cidadãos possam investir de forma segura , além de sublinhar a necessidade de uma redução d a carga fiscal sobre os depósitos a prazo.

“O Banco de Portugal diz-nos que continuam a aumentar os depósitos a prazo e o dinheiro depositado na conta à ordem. O rendimento que as famílias têm destes depósitos acaba por ser um muito baixo. Gostaríamos que o Governo também olhasse para esta situação do ponto de vista fiscal porque estas remunerações em termos de juros acabam por ter impostos elevados. Mesmo que se consiga poupar pouco, a verdade é que se o fizermos ao longo de vários anos, as poupanças vão crescendo e era importante que houvesse um incentivo à cultura da poupança para ajudar as famílias a fazer face aos imprevistos e a acautelar os anos da reforma”, defende Natália Nunes.  (+7,4%). (31.10.25/Fonte: Diãrio de Notícias)

Estrangeiros estão a viajar menos para Portugal e dormidas recuam pelo segundo mês consecutivo

Irlandeses e franceses foram os mercados que registaram as maiores quebras em setembro, mas interesse dos norte-americanos também está a cair.

A procura de estrangeiros por Portugal está refrear e o impacto já se sente nos alojamentos turísticos do país. Em setembro, as dormidas de não residentes caíram 1,2% depois de já terem recuado 0,4% em agosto, revelam os dados divulgados esta sexta-feira, 31, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Contas feitas, no nono mês do ano, somaram-se 3,3 milhões de hóspedes (+1,1% ) e 8,5 milhões de dormidas (+0,7%). O incremento das dormidas fez-se à boleia da boa performance do mercado interno que segue em trajetória ascendente com um total de 2,5 milhões de dormidas, um aumento de 5,6%.

Já os turistas vindos de fora foram responsáveis por seis milhões de dormidas, o que se traduz num recuo face ao mesmo período do ano anterior. "Em setembro, entre os 10 principais mercados emissores em termos de dormidas, o mercado alemão foi o único a crescer (+3,1%). Os maiores decréscimos observaram-se nos mercados irlandês (-7,3%) e francês (-7,2%)", explica o gabinete de estatística.

Os ingleses continuam a manter a liderança como principal mercado emissor, apesar do decréscimo de 6,1% face ao mês homólogo. O interesse dos norte-americanos, que ocupam a terceira posição, também está a arrefecer com ligeiro um decréscimo de 0,4%. Esta é a segunda vez desde março de 2021 que se regista uma quebra destes turistas vindos do outro lado do Atlântico. O primeiro, explica o INE, ocorreu em fevereiro deste ano, refletindo o efeito da estrutura móvel calendário associado ao Carnaval que em 2024 ocorreu em fevereiro e este ano em março.

Numa análise ao mapa nacional, as dormidas de estrangeiros registaram "maioritariamente variações negativas" nas várias geografias, com exceção do Alentejo (+5,2%), Norte (+2,9%) e Península de Setúbal (+1,9%). Já as diminuições mais expressivas ocorreram nas regiões Oeste e Vale do Tejo (-3,5%) e na Madeira (-3,4%).

Apesar da procura dos turistas estrangeiros estar a desacelerar, as receitas do setor continuam a engordar, impulsionadas pelo aumento dos preços. O rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) fixou-se em 99,2 euros (+2,8%) e o rendimento médio por quarto ocupado (ADR) atingiu os 143,1 euros (+3,9%).

Contas feitas, em setembro, os proveitos totais do alojamento turístico - que somam ao alojamento outros gastos inerentes à estada dos turistas como restauração, lavandaria entre outros serviços - subiram 5,6%, atingindo os 840,1 milhões de euros. Já os proveitos de aposento, que dizem respeito às receitas amealhadas com as dormidas, totalizaram 659,1 milhões de euros, num avanço de 5,8%.

"A Grande Lisboa foi a região que mais contribuiu para a globalidade dos proveitos (28,6% dos proveitos totais e 29,8% dos proveitos de aposento), seguida do Algarve (27,7% e 27,0%, respetivamente) e do Norte (16,0% e 16,4%, pela mesma ordem)", adianta o INE.

A Madeira (+16,7% nos proveitos totais e +19,0% nos de aposento) e o Alentejo (+13,2% e +16,7%, pela mesma ordem) foram as regiões que registaram os acréscimos mais expressivos de proveitos. No acumulado do ano, os proveitos totais somam já 5,7 mil milhões de euros (+7,6%) e os de aposento 4,4 mil milhões de euros (+7,4%). (31.10.25/Fonte: Diãrio de Notícias)

Bosch Braga põe 2500 trabalhadores em lay-off

A fábrica da Bosch em Braga vai entrar em lay-off a partir do início de Novembro, devido à escassez de componentes para peças electrónicas. A situação poderá prolongar-se até Abril de 2026 e vai afectar 2500 trabalhadores, anunciou a empresa na terça-feira.

“Devido à escassez de componentes para peças electrónicas e as recorrentes interrupções na produção, o mecanismo de lay-off estabelecido no Código de Trabalho entra em vigor a partir do início de Novembro até, presumivelmente, ao final de Abril de 2026”, indicou, em comunicado a principal fábrica da multinacional alemã em Portugal.

O lay-off consiste na redução temporária dos períodos normais de trabalho ou na suspensão dos contratos de trabalho efectuada por iniciativa das empresas, durante um determinado tempo, devido a motivos de mercado, motivos estruturais ou tecnológicos ou catástrofes ou outras ocorrências que tenham afectado gravemente a actividade normal da empresa.

Cerca de 2500 trabalhadores serão afectados pela suspensão dos contratos de trabalho ou pela redução de horas.

A empresa garantiu estar a fazer tudo para atender os clientes e evitar ou minimizar as restrições de produção, recorrendo, por exemplo, a fontes alternativas de fornecimento de componentes.

No comunicado, a Bosch assegura que, assim que a escassez de componentes electrónicos for ultrapassada, a “produção em Braga deverá regressar à normalidade”.

A 25 de Setembro, a fabricante de equipamentos Bosch anunciou que previa eliminar mais de 13.000 postos de trabalho até 2030 na Alemanha, argumentando que o trabalho está subutilizado face à concorrência chinesa, levando a críticas pelos sindicatos.

O plano, citado pela agência AFP, mais que duplica a estimativa divulgada em Novembro do ano passado, quando a Bosch disse que pretendia suprimir 5550 postos de trabalho até 2030.

Este plano deverá afectar cerca de 3% da força de trabalho mundial e atinge a divisão automóvel, que se vê obrigada a reduzir os seus custos em 2500 milhões de euros por ano para, segundo o grupo alemão, assegurar a sua competitividade.(29.10.25/Fonte:
Público)

Coindu avança com segundo despedimento colectivo este ano

Em Maio, a empresa têxtil despediu 123 trabalhadores.Coindu avança com segundo despedimento colectivo este ano
A fábrica da Coindu em Arcos de Valdevez, que em 2024 despediu mais 350 trabalhadores. O grupo tem passado por vários processos de dispensas.


A Coindu, indústria de componentes têxteis para o sector automóvel, vai avançar com o segundo despedimento colectivo este ano, após o de Maio ter abrangido 123 trabalhadores, devido ao declínio das encomendas no sector.

“Após uma análise aprofundada da situação económica e operacional da empresa, terá de proceder a uma reestruturação do seu quadro de colaboradores, devido ao declínio acentuado e prolongado das encomendas no sector automóvel, que tem impactado a sua actividade nos últimos anos”, informou, em comunicado, a empresa sediada em Joane, Vila Nova de Famalicão (distrito de Braga).

Em Maio, a Coindu avançou com o despedimento colectivo de 123 trabalhadores e colocou outros 237 em lay-off e, em finais de 2024, fechou a fábrica que tinha em Arcos de Valdevez, deixando sem emprego 350 trabalhadores.

A empresa, que conta actualmente com 1050 trabalhadores, realçou que fez “todos os esforços para evitar esta medida”, mas este despedimento vai permitir “alinhar a sua capacidade de produção com a carteira de encomendas existente, garantindo a fiabilidade do fornecimento para todos os contratos em vigor”.

Este reajustamento da capacidade de produção, vincou, é “necessário” para “garantir a viabilidade da empresa a longo prazo”, “num contexto de grande incerteza e num sector automóvel europeu que enfrenta uma fase muito complexa”.

A Coindu sublinhou ainda que o despedimento colectivo “é a solução juridicamente adequada para assegurar um processo transparente e de acordo com a lei, protegendo os direitos dos colaboradores abrangidos”.

Em 2022, entre Arcos de Valdevez e Vila Nova de Famalicão, a Coindu empregava 2.100 trabalhadores.

Segundo disse em Maio à Lusa Francisco Vieira, do Sindicato Têxtil do Minho e Trás-os-Montes, a empresa pretende este ano ter uma disponibilidade de entre 800 e 825 trabalhadores e, em 2026, esses números deverão subir para 950 a 1.050 trabalhadores.
(24.10.25/Fonte: Público)

Maior compra de sempre: CP garante 117 comboios no valor de 819 milhões

O Ministério das Infraestruturas e Habitação avançou hoje, em comunicado, que o contrato foi assinado na quarta-feira, “em cumprimento dos prazos legalmente definidos”, pondo fim ao atraso decorrente de impugnações judiciais entre dezembro de 2023 e agosto de 2025.

A CP e o consórcio Alstom/DST assinaram o contrato para aquisição de 117 comboios, a maior compra de sempre da transportadora, no valor de 819 milhões de euros, adjudicada em novembro de 2023 e impugnada por outros concorrentes.

O Ministério das Infraestruturas e Habitação avançou hoje, em comunicado, que o contrato foi assinado na quarta-feira, “em cumprimento dos prazos legalmente definidos”, pondo fim ao atraso decorrente de impugnações judiciais entre dezembro de 2023 e agosto de 2025.

O ministro Miguel Pinto Luz apontou que este atraso “estava a prejudicar a modernização do parque da CP – Comboios de Portugal e o serviço prestado às populações, que usam cada vez mais o transporte ferroviário”.

Juntamente com a Resolução do Conselho de Ministros publicada em 22 de setembro, que mandata a CP – Comboios de Portugal para acionar a opção de compra de 36 unidades automotoras elétricas adicionais para os serviços urbanos, o Governo considerou que se trata de “um passo de gigante para colmatar a falta de material circulante” na transportadora ferroviária.

“Ao mandatar a CP para acionar de imediato a opção de compra de mais 36 comboios, o Governo pretende, por um lado, recuperar o tempo associado à litigância judicial interposta pelos concorrentes e, por outro, tomar medidas que permitam acelerar a modernização da frota da CP, com vista ao cumprimento das obrigações de serviço público”, salientou a tutela.

O atraso no concurso para a compra de 117 automotoras pela CP resultou numa perda estimada de 191 milhões de euros de apoio do Programa Sustentável 2030.

Em respostas enviadas à Lusa, na sequência da já referida Resolução do Conselho de Ministros, que “revê o calendário de despesa e as fontes de financiamento”, o Ministério das Infraestruturas esclareceu que o montante perdido será agora coberto “pelo Orçamento do Estado ou por novos programas de financiamento a definir”.

Como noticiou a Lusa, em 09 de setembro, a CP confirmou que o efeito suspensivo de uma segunda impugnação ao concurso público, apresentada pela espanhola CAF, tinha sido levantado. Em julho, já tinha sido levantado o efeito suspensivo de uma primeira impugnação, apresentada pela suíça Stadler.

Em causa está a maior compra de sempre da CP, no valor de 819 milhões de euros, adjudicada ao consórcio liderado pela francesa Alstom para fornecimento de 62 comboios urbanos e 55 regionais. O projeto é financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e foi contestado em tribunal pelas concorrentes CAF e Stadler.

Nas respostas enviadas à Lusa, o Governo esclareceu que segundo o calendário previamente estabelecido, as automotoras serão entregues a partir de 2029, mantendo-se as fontes de financiamento originais: Fundo Ambiental, Programa Sustentável 2030 e Orçamento do Estado.

Está também prevista a instalação de uma fábrica de comboios em Matosinhos (distrito do Porto), o que, segundo a empresa, iria representar cerca de 300 postos de trabalho diretos e 1.500 indiretos.
(17.10.25/Fonte:
Jornal Económico)

Exportação nacional de componentes automóveis está a derrapar

AFIA aponta para uma redução de 10% no valor das exportações em agosto que agrava o saldo negativo do acumulado ano. A instabilidade geopolítica condiciona um setor penalizado também pela maior concorrência.

As exportações de componentes para automóveis registaram um forte abrandamento em agosto. Registou-se uma quebra de quase 10%, de acordo com dados da AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel, que veio agravar a quebra no acumulado deste ano.

“Em agosto, a retração foi particularmente significativa, com as exportações de componentes automóveis a diminuir 9,9%”, explica a AFIA. “O valor mensal ficou abaixo dos 700 milhões de euros”, acrescenta. Foi o pior agosto desde 2021, com o total a agravar a quebra em 2025.

“As exportações portuguesas de componentes para automóveis totalizaram 7.900 milhões de euros entre janeiro e agosto de 2025, o que representa uma quebra homóloga de 3,3% face ao mesmo período de 2024”, diz a associação liderada por José Couto.

“A quebra de quase 10% em agosto é preocupante e deve ser lida como um alerta”, refere o presidente em comunicado, salientando que “estes números confirmam a fragilidade do setor perante um contexto internacional instável e de forte concorrência”.

Travão na economia
A AFIA salienta que a “Europa continua a absorver a esmagadora maioria das exportações de componentes automóveis, com uma quota de 88,4%, embora tenha registado uma quebra de 3,2% no acumulado até agosto”. O “abrandamento económico, com retração do consumo e a instabilidade geopolítica”, são os fatores apontados.

“Contudo, não podemos deixar de considerar o preço dos veículos elétricos fabricados na Europa, o que é compensado pelas importações, bem como o baixo ritmo de investimento em infraestruturas de carregamento, que são algumas das justificações para os resultados registados no mês de agosto”, diz a AFIA.

EUA recuam
Espanha continua a ser o principal destino das exportações de componentes portuguesas com 29,1% de quota e um ligeiro crescimento de 1,7% no acumulado do ano, mas a Alemanha, segundo maior mercado, caiu 11,8% e a França registou uma descida de 1,1%.

No caso dos EUA, que são o quarto maior mercado, regista-se uma quebra expressiva de 14,2%. “A diminuição de compras do mercado dos EUA também concorre para a diminuição da produção europeia”, diz a AFIA.

Entre as várias quebras, há também crescimentos, sendo de “realçar o aumento de dois dígitos da Roménia (+37,9%) e de Marrocos (+28,1%)”, com exportações para a Dacia e para a Stellantis, respetivamente. “Apesar de mercados como a Roménia e Marrocos darem sinais muito positivos, a dependência excessiva da Europa deixa-nos vulneráveis”, diz José Couto.
(14.10.25/Fonte:
Jornal de Negócios)

População em Portugal deverá baixar para 8,3 milhões até ao final do século

Dados do Instituto Nacional de Estatística mostram agravamento da tendência de envelhecimento no país, que só deverá estabilizar durante a década de 2060. Sem migrações, população de Portugal poderá ser de apenas seis milhões de pessoas em 2100.

 A população de Portugal deverá ser de 8,3 milhões de pessoas até 2100, segundo dados revelados nesta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O valor representa uma quebra de 2,4 milhões de residentes até ao final do século.

Antes de diminuir, segundo a projeção de cenário central do INE, a população em Portugal deverá aumentar até aos 10,9 milhões de pessoas em 2029, momento a partir do qual o país deverá entrar numa fase de declínio populacional.

Portugal deverá baixar da fasquia de 10 milhões de habitantes no ano de 2057 e deverá cair abaixo dos nove milhões de habitantes em 2079.

Já no cenário de projeção mais pessimista (cenário baixo), "em resultado da redução dos níveis de fecundidade e da manutenção de saldos migratórios muito baixos", na análise do INE, a população em Portugal poderá mesmo cair para os 5,4 milhões de pessoas em 2100. No cenário de projeção mais otimista (cenário alto), "sobretudo devido a uma recuperação mais acentuada dos níveis de fecundidade em conjugação com saldos migratórios positivos mais elevados", a população poderá aumentar para 11,6 milhões.

As projeções do INE têm ainda o cenário sem migrações (isto é, sem saída e entrada de população), na qual a população residente em 2100 cairia para 6,0 milhões de pessoas.

Segundo os dados revelados nesta terça-feira, até ao final do século o número de jovens deverá diminuir de 1,4 milhões para apenas um milhão, enquanto o da população idosa vai aumentar de 2,6 milhões de pessoas para 3,1 milhões de pessoas. O INE destaca que "o índice de envelhecimento em Portugal aumentará gradualmente até 2060, ano em que tenderá a estabilizar".

O chamado índice de dependência de idosos deverá aumentar "de forma acentuada", sublinha ainda a entidade estatística, considerando o rácio entre o aumento da população com mais de 65 anos e a população ativa. Este índice passara de 39 idosos por cada 100 pessoas ativas para 73 idosos por cada 100 pessoas ativas.
(30.09.25/Fonte:
Jornal de Negócios)

Calçado e têxtil despedem mil trabalhadores numa semana

Nos primeiros dias deste mês, o fecho de fábricas e os despedimentos coletivos nos setores do têxtil e do calçado enviaram mil pessoas para o desemprego, só no Vale do Ave, com outras mil em risco devido a insolvências das suas empresas. As falências das mais pequenas, fora do radar mediático, estão a cair nos tribunais.

São frequentes os despedimentos coletivos em várias empresas no início de setembro, mas este ano “está a ser muito pior do que nos últimos anos”, segundo o coordenador do Sindicato Têxtil do Minho e de Trás-os-Montes, Francisco Vieira.

O maior impacto vem da Polopiqué, com sede em Santo Tirso, que anunciou no arranque do mês que pretende encerrar duas unidades em Guimarães e Vizela, sendo despedidos só daqui 280 trabalhadores, o que, a juntar-se às reestruturações das outras unidades, pode elevar o total para 400.

Da vimaranense StampDyeing, do Grupo Mabera e Coelima, uma centena de trabalhadores vai para o desemprego. No mesmo concelho, a Darita, de calçado, atirou 70 para o desemprego, enquanto na freguesia ao lado, Selho São Lourenço, faliu ainda a Bravisublime, com 42 trabalhadores para o desemprego.(15.09.25/Fonte: ECO)

Inflação acelera em Agosto para 2,8% com aumento de 7% nos bens alimentares

Índice dos produtos alimentares não transformados sobe há sete meses consecutivos. Variação dos produtos energéticos caiu.

O Índice de Preços no Consumidor (IPC) registou uma variação de 2,8% em Agosto, confirmando-se uma subida pelo quinto mês consecutivo. Os dados definitivos divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que a variação mensal ficou 0,2 pontos percentuais acima da do mês anterior.

A variação média dos últimos doze meses foi 2,4%, em ligeira aceleração face aos 2,3% no mês anterior.

​O indicador de inflação subjacente, índice total excluindo produtos alimentares não transformados e energéticos, registou uma variação de 2,4% (2,5% em Julho), "verificando-se, assim, uma desaceleração nas categorias de produtos com menor variação de preços", destaca o INE.

O aumento dos preços dos bens alimentares, que acontece há sete meses consecutivos, é o principal responsável pela variação em alta do índice, num mês em que os combustíveis voltaram a descer.

Face a Agosto de 2024, o “ índice referente aos produtos alimentares não transformados voltou a acelerar pelo sétimo mês consecutivo, para 7,0% (6,1% em Julho)”, enquanto, em sentido contrário, a variação dos combustíveis foi negativa: “A variação do índice relativo aos produtos energéticos situou-se em -0,2% (-1,1% no mês anterior).”

Para a variação homóloga do IPC, e para além dos bens alimentares, contribuíram ainda a classe das bebidas não alcoólicas e a dos restaurantes e hotéis. Em sentido contrário, a classe com contribuição negativa mais relevante foi a do vestuário e calçado.

Já face ao mês anterior, por classes de despesa, “são de destacar os aumentos das taxas de variação homóloga do vestuário e calçado e das comunicações, com variações de -1,4% e -0,6% respectivamente (-2,0% e -1,0% em Julho)”, e, “em sentido oposto, destaca-se a diminuição da taxa de variação homóloga da classe das bebidas alcoólicas e tabaco, com uma variação de 0,9% (1,7% no mês anterior)”.
Acima da zona euro

O Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) português apresentou uma variação homóloga de 2,5% (valor idêntico no mês anterior) e superior em 0,4 pontos percentuais ao valor estimado pelo Eurostat para a área do euro (em Julho, a diferença fixou-se em 0,5 pontos percentuais).

Excluindo produtos alimentares não transformados e energéticos, as categorias mais voláteis, o IHPC em Portugal atingiu uma variação homóloga de 2,3% em Agosto (2,4% em Julho), taxa idêntica à estimada para a área do euro.

Em cadeia, o IHPC registou uma variação de -0,1% (-0,3% no mês anterior e -0,1% em Agosto de 2024) e uma variação média dos últimos doze meses de 2,4% (2,3% no mês precedente).
 (10.09.25/Fonte:
Público)

Exportações para EUA e Alemanha afundaram-se em Julho

Venda de produtos químicos provocou nova descida no fornecimento de bens para os EUA e fez a França ultrapassar a Alemanha no ranking dos clientes dos produtos de Portugal.

As vendas de bens para os EUA voltaram a sofrer uma forte queda no mês de Julho, mês em que diminuíram 37,3% em termos homólogos e não foram além dos 392 milhões de euros.

No mês anterior, a queda tinha sido de 39,4%, depois do ciclo de altos e baixos que marcou os primeiros cinco meses do ano num contexto de ameaças e da aplicação de novas taxas alfandegárias por Donald Trump.

Ao todo, nos primeiros sete meses deste ano, as vendas de bens para os EUA somaram 2926,8 milhões de euros, o que representa uma queda de 13,4% face ao mesmo período do ano passado. Em sentido inverso, as importações subiram, pelo que o saldo de Portugal com os EUA encolheu 23,8%, equivalente a menos 474 milhões de euros.

Mesmo assim, o saldo mantém-se positivo, no valor de 1518 milhões de euros, já que os EUA são o mercado com o qual Portugal mantém o maior excedente comercial.

De acordo com as informações do comércio internacional divulgadas nesta terça-feira pelo INE, no mês de Julho, em termos de categorias de produtos, “destaca-se o decréscimo das transacções de fornecimentos industriais (-29,3%), maioritariamente produtos químicos exportados para a Alemanha e para os Estados Unidos, correspondentes, sobretudo, a transacções com vista a trabalho por encomenda (sem transferência de propriedade)”.

A queda de vendas para a Alemanha foi ainda mais expressiva, chegando aos 46,4%, acima da descida de 37,1% para os EUA, com o INE novamente a destacar que tal se deveu “essencialmente” a produtos químicos.

A queda de vendas para a Alemanha foi de tal ordem que este mercado, com 821 milhões de euros em compras em Julho, foi ultrapassado enquanto segundo melhor cliente (depois da Espanha) pela França, com 888 milhões. Os EUA mantiveram-se na quarta posição.

Já nas importações, realça o INE, “destacaram-se os aumentos das importações de fornecimentos industriais (+8,1%), maioritariamente produtos químicos importados da Irlanda”.

Em Julho, “e tendo em conta os principais países parceiros no ano anterior”, diz o INE, “salienta-se o acréscimo das importações provenientes da Irlanda (+76,3%), evidenciando-se os fornecimentos industriais, nomeadamente produtos químicos, correspondendo, em grande parte, a transacções com vista a trabalho por encomenda (sem transferência de propriedade)”.

No mês em análise, o défice da balança comercial de bens atingiu 3293 milhões de euros, mais 1173 milhões em termos homólogos, 972 milhões acima do mês anterior.

“Os combustíveis e lubrificantes representaram 13,9% do défice da balança comercial de bens em Julho de 2025 (20,3% em Junho de 2025; 31,7% em Julho de 2024), pelo que o défice da balança comercial de bens expurgado do efeito destes produtos totalizou 2835 milhões de euros, o que corresponde a agravamentos de 1387 milhões face a Julho de 2024 e de 986 milhões em relação ao mês anterior”, explica o INE.

Nos primeiros sete meses do ano, o défice da balança comercial de bens chegou aos 18.224 milhões de euros, mais 3602 milhões em termos homólogos.
(53%). (09.09.25/Fonte:
Público)

Número de trabalhadores abrangidos por despedimentos colectivos sobe 30% até Julho

O número de trabalhadores abrangidos por despedimentos colectivos está a aumentar desde 2022. Nos primeiros sete meses do ano, atingiu 4688 trabalhadores.

O número de trabalhadores abrangidos por despedimentos colectivos aumentou 30,3% até Julho, face a igual período do ano anterior, totalizando 4688 pessoas, segundo cálculos da Lusa com base em dados da Direcção-Geral do Emprego e das Relações do Trabalho (DGERT).

Destes 4.688 trabalhadores abrangidos por despedimentos colectivos, 4578 foram efectivamente despedidos, revelam os últimos dados da DGERT.

O número de trabalhadores abrangidos por despedimentos colectivos está a aumentar desde 2022, sendo que nos primeiros sete meses deste ano são já mais do dobro dos registados em igual período de 2023 (eram 2140).

Também o número de despedimentos colectivos comunicados pelas empresas ao Ministério do Trabalho subiu 13,3% até Julho, face a igual período de 2024, para 332.

De acordo com a análise dos dados da DGERT, o número de despedimentos colectivos comunicados registado nestes primeiros sete meses é o mais elevado desde 2020, período em que alcançou 420 empresas. Destes 332 despedimentos colectivos comunicados, a maioria diz respeito a pequenas empresas e a microempresas, representando 38,6% e 36,1% do total, respectivamente, de acordo com os cálculos da Lusa.

Por regiões, Lisboa e Vale do Tejo e o Norte continuam a ser as regiões com maior número de despedimentos colectivos comunicados até Julho, com 166 e 100 respectivamente.

No que toca só ao mês de Julho, foram efectivamente despedidos 781 trabalhadores, um valor superior aos 465 registados no período homólogo de 2024, bem como aos 779 registados em Junho. Nestes despedimentos, a região de Lisboa e Vale do Tejo representava a larga parte (81%), com 633 trabalhadores efectivamente despedidos.

As indústrias transformadoras e as actividades de consultoria, científicas, técnicas e similares são as actividades com maior número de trabalhadores despedidos em Julho, sendo a principal razão apontada, globalmente, a redução de pessoal (53%). (05.09.25/Fonte:
Público)

Têxtil Polopiqué despede até 400 pessoas, entra em reestruturação e renegoceia dívida

Grupo quer recentrar operações no “core business” após anos de prejuízos em várias unidades. 

 O grupo têxtil Polopiqué iniciou um processo de reestruturação profunda para responder à quebra de receitas sentida nos últimos anos, agravada em 2025. O plano inclui o encerramento de duas fábricas, renegociação da dívida com a banca através de Processos Especiais de Revitalização (PER), pedidos de insolvência em algumas unidades e venda de ativos, numa estratégia que visa concentrar-se nas áreas de maior rentabilidade.

A notícia foi avançada pelo jornal Eco e, em comunicado, o presidente do grupo, Luís Guimarães, sublinha que a prioridade passa por manter as atividades estratégicas com maior retorno, como design, logística, vendas, acabamentos têxteis e produção de fio, assegurando que todo o processo será conduzido com “total sentido de responsabilidade social”. Atualmente com cerca de 800 trabalhadores, a Polopiqué admite que este plano poderá reduzir a força de trabalho para cerca de metade, tendo em conta a insolvência de duas empresas e a revitalização em curso noutras duas. Ainda segundo a RTP, pelo menos 280 trabalhadores deverão perder o emprego com o encerramento das duas unidades, com o valor a aumentar com as reestruturações nas outras unidades do grupo.

A decisão surge depois de anos consecutivos de prejuízos em algumas unidades, que perderam competitividade e passaram a pesar nos resultados globais. A Polopiqué Tecidos fechou 2023 com perdas de 1,6 milhões de euros, enquanto a Cottonsmile, também destinada ao encerramento, registou prejuízos superiores a um milhão, em linha com o ano anterior.

Já a holding Polopiqué SGPS registou um resultado líquido negativo de 1,3 milhões em 2023, embora ligeiramente melhor do que os quase dois milhões de euros de 2022.

O grupo garante que esta reorganização permitirá simplificar processos, otimizar a cadeia de valor e reforçar a sustentabilidade económica e ambiental, encerrando as unidades de confeção e tecelagem para concentrar a capacidade produtiva nas áreas com maior flexibilidade e rendimento. Apesar da quebra de vendas em 2024, os negócios centrais mantiveram resultados positivos, o que levou a empresa a apostar no chamado “core business”. “O novo enquadramento de mercado exige uma readaptação estratégica”, reconhece Luís Guimarães, acrescentando que a Polopiqué quer continuar a ser um parceiro de referência no setor têxtil internacional, capaz de responder com rapidez e qualidade às exigências dos clientes.

Fundada em 1996, a Polopiqué é atualmente uma das principais empresas do setor têxtil europeu. Integra ainda o Projeto Lusitano, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, que prevê um investimento global de 111,5 milhões de euros. (29.08.25/Fonte:
Jornal de Negócios)

Produção de vinho cai cerca de 40% no Douro

O número foi adiantado ao Dinheiro Vivo por Frederico Falcão, presidente da ViniPortugal. Apesar de ainda ser cedo para fechar os números, produtores já falam de quebras acentuadas.

O Douro deverá “ter uma quebra de produção superior ao esperado, provocada por algum escaldão, e por um impacto significativo do míldio (uma doença que provoca a atrofia do crescimento das plantas)”, adianta Frederico Falcão ao Dinheiro Vivo. “O resto das regiões ainda não terminou a vindima, mas os aumentos e as quebras deverão estar alinhados com a expectativa”. No Douro, no entanto, “esperava-se uma quebra a rondar os 15% e o que os produtores com quem tenho falado me dizem é que estamos a ver uma quebra na produção a rondar os 40%”, adianta.

No mesmo sentido, ainda esta semana a Symington revelou que espera uma redução no tamanho dos bagos das suas uvas 30% inferiores à média, devido sobretudo à inconstância do clima.

Numa altura em que o Douro se tem debatido com elevados volumes de inventário, o que tem tido um impacto negativo no preço das uvas, a pergunta impõe-se: esta quebra de produção ajuda ou agrava a situação?

“Para o produtor de uva é uma má situação, porque são menos rendimentos”, adianta Frederico Falcão. “Mas, por outro lado, pode ajudar à estabilidade de região, porque pode ajudar a equilibrar os stocks”, o que poderá tero um efeito positivo no preço das uvas, considera o presidente da ViniPortugal sem querer adiantar mais, numa altura em que a campanha ainda decorre.

“Em termos gerais de vindima no país, está muito heterogénea. Tenho sentido produtores muito contentes com a qualidade e outros muito apreensivos. Foi um verão muito quente e muito seco e dependerá muito da região e do terroir. Há castas que estarão fantásticas e outras que não se deram tão bem. Mas como dizem os nossos amigos franceses, vai ser um ano excecional, certamente”, atira, divertido o responsável.

Frederico Falcão aproveitou ainda para comentar os últimos números libertados pelo Instituto d da Vinha e do Vinho, que divulgou no início desta semana dados recolhidos pela Nielsen, que dão conta de que, se por um lado as exportações de vinhos nacionais cresceram em volume, tendo caído em valor, no mercado nacional verificou-se a tendência inversa: houve menos litros vendidos, mas um aumento da faturação, graças sobretudo ao impacto do turismo e da restauração. Fazendo a ressalva de que a Nielsen acompanha apenas cerca de metade do mercado, Falcão é perentório quando olha para estes números:

“A perceção que eu tenho é precisamente essa: nos supermercados há um crescimento do preço médio (subiu de 4,80 para 5 euros), e ainda que na restauração seja muito difícil ter dados concretos porque as associações do setor não os divulgam (a Nielsen fala de um preço médio a rondar os 8,33 euros o litro) , a perceção que tenho, falando com os produtores, é que a restauração está a ser uma perda em volume. Todos eles se queixam disso. Porquê? Porque os restaurantes se viraram para os turistas, sobretudo em Lisboa, no Porto e no Algarve, e, portanto, estão a abusar da margem nos vinhos. Aquilo que há uns anos achávamos que era uma loucura, que eram margens de 100%, hoje são margens de 300% ou 400%. E já vi restaurantes a cobrar 1000% de margem. Portanto, não há como não terem impacto nos produtores, sobretudo em Portugal onde grande parte deles faz pequenas produções que têm como principal destino, precisamente, os restaurantes”, continua.

Quanto às exportações de vinho para os EUA, o mercado que tem sido a grande aposta da ViniPortugal na última década, Frederico Falcão admite que vai haver uma mudança de estratégia. Isto porque as tarifas de 15%, que desde dia 1 de agosto estão a ser aplicadas às referências europeias, estão já a impactar as vendas, apesar de ainda ser cedo para tirar grandes ilações. O que o responsável sabe é que importadores e produtores estão a tentar trabalhar em conjunto para acomodar parte do custo destas taxas, por forma a reduzir o aumento do preço no consumidor. E, ainda que na última década os EUA tenham sido o mercado a que a ViniPortugal alocou maior orçamento na divulgação dos vinhos nacionais - acima de um milhão de euros por ano -, os próximos meses deverão registar uma inversão nessa estratégia.

A proposta ainda tem de ser aprovada, mas Falcão admite que o objetivo “é reduzir o investimento no próximo ano – ainda que tenhamos de esperar para perceber o impacto real destas tarifas -, deixando de ser o país número 1. Esse lugar passará a pertencer ao Brasil. Os EUA serão o segundo. E vamos reforçar também no Reino Unido e na Polónia, onde temos tido um crescimento muito interessante, sobretudo nos últimos anos”, adianta Falcão. Quanto ao impacto global das tarifas impostas por Trump, Falcão lembra que é “sempre um bocadinho otimista. Já tivemos números piores em cima da mesa”, diz, divertido, recordando a ameaça de 200% à importação de bebidas alcoólicas chegadas do Velho Continente.(29.08.25/Fonte:
Dinheiro Vivo)

Despedimentos coletivos aumentam 17,7% até maio

O número de despedimentos coletivos comunicados aumentou 17,7% até maio, face a período homólogo, totalizando os 246, segundo cálculos da Lusa. Mais de 3000 trabalhadores foram dispensados.

Dos 246 despedimentos coletivos comunicados pelas empresas nos primeiros cinco meses deste ano, 90 foram de microempresas, 97 de pequenas empresas, 34 de médias empresas e 25 de grandes empresas.etivos comunicados pelas empresas nos primeiros cinco meses deste ano, 90 foram de microempresas, 97 de pequenas empresas, 34 de médias empresas e 25 de grandes empresas.

Também o número de trabalhadores abrangidos por despedimentos coletivos subiu 8,3% até maio para 3.096. Deste total, 3.018 foram efetivamente despedidos, segundo os dados disponíveis, que ainda podem ser sujeitos a revisão.

No que toca ao mês de maio, foram efetivamente despedidos 568 trabalhadores, um valor inferior aos 631 registados no período homólogo, bem como aos 857 registados em abril.

Dos 568 trabalhadores efetivamente despedidos em maio, o Norte liderava com 274, seguido por Lisboa e Vale do Tejo, com 250.

No caso da região de Lisboa e Vale do Tejo trata-se de um valor mais de cinco vezes superior ao registado no período homólogo, quando tinham sido despedidos 44 trabalhadores. Já na região Norte trata-se de uma subida de 144%, isto é, mais do dobro dos 112 registado em igual período de 2024, segundo os cálculos da Lusa.

De sublinhar que em maio do ano passado, a região Centro liderava neste campo com 466 trabalhadores despedidos.

As grandes empresas despediram menos em maio, com 134 trabalhadores, face a igual período de 2024, em que atingiram 218. O maior número de trabalhadores despedidos observou-se nas pequenas e médias empresas com 203 e 175 trabalhadores despedidos, respetivamente.

As indústrias transformadoras são a atividade com maior número de trabalhadores despedidos em maio, sendo que a principal razão apontada, globalmente, é o encerramento definitivo.(14.07.25/Fonte: Diário de Notícias)

Exportações de vinho estão a cair 1,5%, arrastadas pelas quebras nos mercados norte-americanos e na Rússia

EUA e Canadá perdem 7% cada um, em termos homólogos, e a Rússia cai 35,7%. Em conjunto, estes três mercados estão a custar oito milhões de euros às empresas portuguesas. Angola contrabalança perdas.

Depois de um primeiro trimestre a crescer 1,5%, abril veio estragar as contas às exportações dos vinhos portugueses. No acumulado de janeiro a abril, as vendas ao exterior estão a cair 1,5% precisamente, penalizadas pelos mercados norte-americanos, mas também pela Rússia. EUA e Canadá tiveram um decréscimo de 7%, cada um, mas a Rússia cai 35,7%.

Os dados são do INE, trabalhados pela ViniPortugal, e mostram que Portugal exportou, nos primeiros quatro meses do ano, 110 milhões de litros de vinho no valor de 294,5 milhões de euros. É uma descida de 1,5% em valor e de 1,6% em quantidade. O preço médio está em linha com o ano anterior, nos 2,68 euros por litro.

Em termos de valor, a quebra é de 4,5 milhões de euros, sendo que, só a Rússia, que, em 2024, foi o 11º destino externo do vinho português, triplicando compras face a 2023, perdeu 4,6 milhões de euros, ficando-se pelos 8,3 milhões.

Para os Estados Unidos foram menos 2,3 milhões de euros do que o ano passado, num total de 30,7 milhões de euros, e para o Canadá foram menos 1,1 milhões, não indo, no total, além dos 15 milhões de euros. A ameaça constante de tarifas por parte de Donald Trump ajuda a explicar estes números. Em janeiro, as exportações para os EUA caíram 22%, em fevereiro cresceram 26%, em março a queda foi de 1,5% e em abril o trambolhão foi de 27,2%.

A grande diferença é que a Rússia importa vinhos com um preço médio de 2,17 euros o litro, mesmo assim 3 cêntimos acima do ano passado, enquanto os Estados Unidos pagam 4,02 euros por litro, em média, e o Canadá 3,85 euros.

Já França, que é o principal mercado de destino das exportações, muito influenciado pelo Vinho do Porto, está em linha com o ano anterior, nos 33,7 milhões de euros.

O Brasil, que ocupa o 3º lugar, recua ligeiramente (-0,9%) para 24,9 milhões de euros e a Alemanha, que está na 5ª posição, perde 4,4% para 15,9 milhões de euros.

Do lado das boas notícias, destaque especial para o mercado angolano, que comprou, nestes primeiros quatro meses do ano, vinhos no valor de 15,2 milhões de euros, um aumento homólogo de 33,7%. Em termos absolutos, são mais 3,8 milhões de euros. Angola foi o 6º maior comprador dos vinhos portugueses neste quadrimestre.

O Reino Unido cresceu 4,4% para 20,7 milhões de euros, quase 1 milhão a mais do que em 2024, e os Países Baixos estão em linha com o ano passado, nos 14,9 milhões de euros.

Merece ainda realce o crescimento de vendas de 4,9% para a Polónia, que já nos 13,5 milhões de euros, e para os 12,4% de acréscimo para a vizinha Espanha, correspondentes a quase 1,2 milhões de euros a mais, num total de 10,5 milhões.

Nos países nórdicos, tudo cai: Suécia comprou 7,8 milhões de euros (-1,1%), a Dinamarca 5 milhões (-19,7%), Finlândia 4,1 milhões de euros (-10,3%) e Noruega quase 4,1 milhões também (-3,4%).

Por regiões e denominações de origem, o Vinho do Porto está em linha com o ano passado, nos 83 milhões de euros, enquanto o Vinho Verde cresce 4% para 40,1 milhões de euros. O Alentejo cresce 2,4%, para quase 24 milhões de euros, e Lisboa aumenta exportações em 15,1% para 22,2 milhões de euros. O top 5 é fechado pelo Douro, que cai 10% e se fica pelo18,4 milhões de euros.

Questionado sobre os números, o presidente da ViniPortugal admite que são "preocupantes", mas alerta que é preciso "analisá-los com cuidado", e sobretudo ter em conta que há muita oscilações de uns meses para outros.

Frederico Falcão está no Brasil, onde esta semana a instituição responsável pela promoção internacional dos vinhos portugueses organizou as suas tradicionais provas no Rio de Janeiro, pelo 12º ano consecutivo, e onde conseguiu bater o recorde de pessoas, com 10.500 enófilos a provar vinhos nacionais. Seguem-se as provas em São Paulo, que arrancam nesta sexta-feira e terminam domingo, dia 14 de junho.(15.06.25/Fonte:
Diário de Notícias)

Portugal atinge marco histórico com 41.359 empresas exportadoras

A região Norte realiza cerca de 35% do valor total das exportações portuguesas sendo que 42% das empresas sediadas na região são exportadoras.

Portugal atingiu um marco histórico com 41.359 empresas exportadoras e o Norte afirma-se novamente como a região mais exportadora, de acordo com um estudo da Informa D&B divulgado hoje.

A região Norte realiza cerca de 35% do valor total das exportações portuguesas sendo que 42% das empresas sediadas na região são exportadoras.

Já a Grande Lisboa cresceu 1,8 pontos percentuais (p.p) desde 2019 em número de exportadoras sendo que 32% das suas empresas já exportam.

Segundo o estudo "As Empresas Exportadoras em Portugal" da Informa D&B que analisou dados até 2023, a dimensão das empresas está relacionada com a sua capacidade exportadora, entre as microempresas, que constituem 94% do tecido empresarial, apenas 9% são exportadoras.

Por outro lado, e representando apenas 0,3% do tecido empresarial, 56% das grandes empresas são exportadoras, assegurando também mais de metade (58%) do valor total das exportações.

As exportações portuguesas estão concentradas nas indústrias, serviços empresariais e grossistas, que em conjunto reúnem 56% das empresas exportadoras.

Porém o setor das Tecnologias de Informação e Comunicação voltou a registar a maior subida em número de exportadoras, representando agora 12% do total.

Lê-se no documento que o número de exportadoras está a crescer há mais de uma década, tendo acelerado nos últimos anos, com mais de 5.000 novas exportadoras a surgir entre 2020 e 2023.

Esta evolução, e apesar da sua queda no período da pandemia, trouxe às exportações um peso cada vez maior na produção de riqueza sendo que em 2023 as exportações corresponderam a cerca de metade do PIB nacional, quase o dobro do registado há 20 anos.

Em 2023 registou-se, no entanto, uma travagem no negócio das exportadoras, devido ao recuo nas exportações de bens, já que os serviços registaram crescimento em 2023.

Quase três quartos das exportações são de bens (72%), embora a maioria das empresas exportadoras (56%) assente o seu negócio na venda de serviços.(04.06.25/Fonte:
Jornal de Negócios)

Três em cada cinco portugueses não têm dinheiro para as necessidades básicas, aponta estudo

Os portugueses não têm meios para suprir as despesas diárias, sendo que as restrições orçamentais são um dos principais obstáculos ao consumo, revelou esta terça-feira o estudo Barómetro Europeu 2025 do Observador Cetelem.

três em cada quatro cidadãos nacionais assume ter dificuldades financeiras e três em cada cinco diz mesmo não conseguir cobrir as suas necessidades básicas. Já 18% dos participantes em Portugal admitiu não só a incapacidade de pagar os encargos essenciais, como também a ausência de qualquer alternativa para enfrentar essa situação.

“59% dos inquiridos afirma que não consegue fazer face às suas necessidades básicas, mas desenvolve estratégias que lhes permite dar resposta a esse desafio. Em Portugal 18% dos inquiridos consideram que não têm dinheiro para satisfazer as suas necessidades básicas, o que quase equivale à percentagem de pessoas que vivem abaixo do limiar de pobreza”, indicou o estudo, conduzido em 10 países e perto de 11 mil inquiridos sobre o consumo na Europa.

Portugal lidera como o país onde mais cidadãos sentem falta de dinheiro (77%): 86% dos europeus afirmam que já ter sentido frustração por não conseguirem gastar como gostariam. Neste indicador, Portugal posiciona-se em segundo lugar, apenas atrás da Roménia, com 91% dos inquiridos a reconhecerem a frustração face à escassez de orçamento. “A Roménia, Portugal e a Polónia são os países em que a insatisfação é mais acentuada, enquanto na Bélgica, França e Reino Unido a frustração é menos percetível”, frisou o estudo.

se recebessem uma quantia inesperada de dinheiro, 84% dos portugueses afirma que optaria por poupar, enquanto apenas 16% manifestou a intenção de gastar. Neste contexto, Portugal tem a mais elevada taxa de intenção de poupança e a mais baixa de intenção de consumo entre os países europeus: apenas 39% dos inquiridos perspetiva gastar mais durante este ano, uma descida significativa em relação aos 48% registados em 2024.

“Este cenário de cautela manifesta-se num contexto de pessimismo generalizado, em que os portugueses, a par dos romenos, se revelam entre os mais apreensivos da Europa. Em Portugal, a inflação tem vindo a diminuir de forma assinalável, mas a perceção dos consumidores e os efeitos persistem: 61% dos portugueses ainda percecionam um aumento significativo dos preços, um valor elevado, embora inferior aos 81% registados no ano anterior. O impacto dos preços da alimentação e da energia ajudam a explicar esta perceção, sobretudo entre as famílias com rendimentos mais baixos”, apontou o diretor de marketing do Cetelem, Hugo Lousada.

Os portugueses, no entanto, pretendem poupar: 65% dos inquiridos afirmou que pretende poupar este ano – um valor 10% acima da média europeia – e tornou Portugal, ao lado da Roménia e do Reino Unido, como um dos países que mais pretende colocar dinheiro de lado. “Esta atitude cautelosa prevalece e pode ter origem na intenção de não comprometer o futuro e de manter uma certa margem de manobra financeira numa altura em que os défices públicos atingem valores recorde em alguns países, o que pode vir a provocar aumentos de impostos que terão um efeito negativo no poder de compra”, concluiu o estudo.(20.05.25/Fonte:
Diário de Notícias)

Pedro Nuno Santos sai de cena para não estorvar o PS

Pedro Nuno Santos anunciou que ia abandonar a liderança do PS e convocar eleições no partido.

Partido terá eleições internas perante uma das maiores derrotas eleitorais. “Estarei cá para dizer o que penso”, disse secretário-geral. .

Saída Menos de dois anos após ter sido eleito secretário-geral do PS, em dezembro de 2023, Pedro Nuno Santos anunciou ontem a sua demissão de líder do partido. O PS terá eleições internas e Pedro Nuno Santos não será recandidato. O socialista perdeu pela segunda vez as eleições legislativas, com 23,38 % dos votos e a eleição de 58 de deputados, segundo os dados disponíveis ao fecho desta edição. Em março de 2024, tinha alcançado 28,66% e 77 deputados.

“Não cabe ao PS dar suporte a este Governo. Luís Montenegro não tem a idoneidade necessária. As eleições não alteraram a realidade”, afirmou o ainda líder do PS, referindo-se ao caso Spinumviva. Ao lado de Carlos César, presidente do PS, e do diretor de campanha nacional do PS, Nuno Araújo, Pedro Nuno Santos disse não querer ser um “estorvo” para o PS.

O líder do PS deixou nas entrelinhas que a vontade do partido para garantir governabilidade à AD poderá ser diferente da sua. “O partido terá decisões importantes para tomar”, sobre nomeadamente a viabilização de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) à Spinumviva. Para Pedro Nuno Santos, as razões para uma CPI “mantêm-se intocáveis”. “Estarei cá para dizer o que penso”, acrescentou.

O PS teve ontem um dos piores resultados da sua História: pouco acima das eleições de 1985 (20,8%) e 1987 (22,2%), quando o PSD era liderado por Cavaco Silva. Naqueles dois anos, os líderes socialistas eram António Almeida Santos e Vítor Constâncio, respetivamente. Eram visíveis ontem os rostos fechados de vários deputados socialistas, com alguns militantes em lágrimas perante a derrota eleitoral.

Durante a noite de ontem, vários socialistas assumiram ser tempo de reflexão para o PS no rescaldo dos resultados das legislativas, sem nunca pedirem, contudo, diretamente a demissão de Pedro Nuno Santos. Com exceção de Sérgio Sousa Pinto (ler ao lado).

Surpresa dos militantes

Os resultados da sondagem à boca das urnas, por volta das 20 horas, na sala principal da sede do PS, no hotel Altis, em Lisboa, foram um prenúncio do que aconteceria. Com poucas cadeiras ocupadas, ao início da noite, a possibilidade de o PS poder ser ultrapassado pelo Chega deixou um rasto de incredulidade e desânimo junto dos socialistas. “Ainda falta muito”, ouviu-se, numa voz meia esperançada, mas hesitante.

Na chegada à sede, vários membros do partido, entre os quais Alexandra Leitão (líder parlamentar do PS) e Carlos César, deixavam ainda notas de esperança de que o PS poderia ganhar as eleições e recusaram fazer cenários sobre o futuro do secretário-geral Pedro Nuno Santos. O líder socialista disse, na entrada, aos jornalistas, já ter “algumas coisas pensadas” para dizer à comunicação social. “Não estou nervoso, estou expectante”, referiu.

Quase uma hora depois dos primeiros resultados, havia quase tantos convidados na sala da sede como jornalistas e membros da equipa técnica do espaço. Durante grande parte da noite, as cadeiras foram ocupadas por militantes e simpatizantes desconhecidos, sem que as figuras de proa do partido estivessem presentes.

Uma fila de cadeiras com papéis escritos – “reservado” – mantinha-se vazia quase duas horas depois dos primeiros resultados. Ouviu-se um “vou-me embora” entre os convidados às 22 horas, uma prova de que os resultados não motivaram alguns a esperar por Pedro Nuno Santos.(06.05.25/Fonte:
Jornal de Notícias)

Pedro Nuno Santos promete “solução de estabilidade” em diálogo com partidos após eleições

O líder do PS, Pedro Nuno Santos, assegurou esta terça-feira que, depois das legislativas, irá encontrar uma “solução de estabilidade política em Portugal” em diálogo com os grupos parlamentares saídos das eleições, recordando a sua experiência no tempo da geringonça.

“Nós estamos nesta fase que é dialogar com os portugueses, tentarmos ter o melhor resultado possível que depois nos permita dialogar com os grupos parlamentares que estão representados no parlamento para encontrarmos uma situação de estabilidade política em Portugal e não termos num primeiro-ministro o foco de instabilidade e de eleições porque foi isso que aconteceu nos últimos dois meses”, respondeu Pedro Nuno Santos aos jornalistas no final de uma visita às oficinas da CP, no Entroncamento.

O líder do PS recordou o seu trabalho como secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares durante o período da Geringonça e considerou que então demonstrou capacidade de “dialogar com outras forças políticas e construir soluções” que permitam dar estabilidade.

“Eu já dei provas de que consigo fazer isso e farei isso depois do dia 18 de maio. Sendo que eu nunca serei, pessoalmente, um fator de instabilidade política em Portugal. Serei mesmo um fator de estabilidade política em Portugal”, prometeu.(06.05.25/Fonte:
Diário de Notícias)

Economia portuguesa recua 0,5% no primeiro trimestre

No arranque deste ano, a economia portuguesa inverteu a tendência e entrou no vermelho: o PIB diminuiu 0,5% no primeiro trimestre face aos últimos três meses de 2024, divulgou o INE nesta sexta-feira, 2 de maio.

Segundo a estimativa rápida divulgada nesta sexta-feira, 2 de maio, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), comparando com o quarto trimestre de 2024, a economia recuou 0,5%, após um crescimento de 1,4% no trimestre anterior.

"O contributo da procura externa líquida para a variação em cadeia do PIB foi negativo enquanto a procura interna registou um contributo nulo, após terem sido positivos no trimestre anterior", escreve o INE.

Os analistas esperavam um travão a fundo da economia portuguesa, ou seja, que o ritmo abrandasse depois do crescimento expressivo no final do ano passado. Mas ainda apontavam para um pequeno crescimento, até 0,2%.

Mas os dados apurados pelo INE relevaram-se negativos. Além disso, ficam em contraciclo com o que aconteceu na Zona Euro, onde o PIB já apurado dos países da moeda única (não consideram ainda Portugal e Espanha, por exemplo, por causa do apagão) apontam para um crescimento de 0,4%.

Além disso, os dados do INE desta sexta-feira tiraram 0,1 pontos percentuais ao crescimento do quarto trimestre, tanto em termos homólogos, como em cadeia. Assim, no quarto trimestre a economia terá crescido 2,8% face ao quarto trimestre de 2023 e 1,4% face aos três meses imediatamente anteriores.

No entanto, em termos homólogos, ou seja, em comparação com o arranque de 2024, a economia portuguesa cresceu 1,6%, em forte abrandamento. O INE explica que o contributo positivo da procura interna diminuiu, "em resultado do abrandamento do consumo privado".

Além disso, o contributo negativo da procura externa líquida manteve-se, mas "foi mais acentuado", refletindo a desaceleração das exportações de bens e serviços.(02.05.25/Fonte:
Jornal de Negócios)

Desfile do 25 de Abril chegou ao Rossio mais de uma hora depois de milhares começarem a descer a Avenida

Durante todo o percurso, repetiram-se as habituais palavras de ordem "25 de Abril sempre, fascismo nunca mais".

Os primeiros participantes no tradicional desfile comemorativo do 25 de Abril na Avenida da Liberdade, em Lisboa, começaram a chegar ao Rossio cerca das 17h00 desta sexta-feira, hora e meia depois de milhares de pessoas terem iniciado a marcha.

Ao som de canções de intervenção, as duas chaimites que marcaram o início do desfile pelas 15:30, chegaram à Praça D. Pedro IV, no Rossio, em Lisboa, uma hora e meia depois de arrancarem, onde já eram esperadas por várias centenas de pessoas.

Àquela hora, os últimos participantes no desfile estavam ainda no topo da Avenida da Liberdade.

Durante todo o percurso, repetiram-se as habituais palavras de ordem "25 de Abril sempre, fascismo nunca mais" e as senhas da Revolução, que ecoaram das colunas das chaimites, sobretudo a "Grândola, Vila Morena" eram cantadas por aqueles que participavam no desfile e pelos milhares que enchiam as ruas laterais da avenida para o ver passar, a maioria de cravo vermelho na mão.(25.04.25/Fonte: Correio da Manhã)

Preços das casas em Portugal sobem quase três vezes mais do que no resto da Europa

Índice de preços aumentou 3,3% na União Europeia em 2024, depois de um ano em que havia sido registada uma ligeira correcção deste indicador. Portugal foi o país com o sexto maior aumento.

Os dados foram divulgados, nesta terça-feira, pelo Eurostat, que dá conta de que, em 2024, o índice de preços da habitação registou um aumento de 3,3% no conjunto dos 27 países da União Europeia. Já considerando apenas os países da zona euro, o aumento dos preços foi de 2% em 2024.

Em Portugal, tal como já foi divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) no mês passado, os preços das casas aumentaram 9,1% em 2024, uma aceleração em relação ao ano anterior e uma taxa de variação que corresponde a quase o triplo daquela que foi registada no conjunto da União Europeia. Portugal foi, assim, o país da União Europeia onde se registou o sexto maior aumento dos preços das casas no ano passado, só ultrapassado por Bulgária, Croácia, Lituânia, Hungria e Polónia.​

Em sentido contrário, houve apenas cinco países da União Europeia onde os preços das casas caíram no ano passado e, em todos os casos, prolongam-se, assim, as quedas já verificadas em 2023. A maior correcção verifica-se no Luxemburgo, onde os preços diminuíram 5,2% no ano passado, depois da queda de 9,1% já registada em 2023.

Mas a maior preocupação tem sido a Alemanha, maior economia europeia, que está em recessão. No ano passado, os preços das casas caíram 1,6% neste país, depois da queda de 8,5% que se verificou em 2023. Também França registou uma quebra dos preços das casas, de 3,7%, assim como a Finlândia (com uma diminuição de 3,5%) e a Áustria (onde o recuo foi de apenas 0,2%).

Rendas também sobem

A acompanhar o movimento dos preços das casas, também as rendas registaram aumentos no ano passado e, mais uma vez, Portugal volta a ultrapassar largamente o ritmo de crescimento verificado no resto da Europa.

Em 2024, ainda de acordo com os dados do Eurostat, as rendas (considerando o conjunto das rendas praticadas, tanto as de novos contratos como as já existentes) aumentaram 3,1% na União Europeia e 2,9% considerando apenas os países da zona euro.

Os aumentos verificaram-se em quase todos os países analisados pelo Eurostat, à excepção da Estónia, onde as rendas caíram 0,9% no ano passado. Já o maior aumento, superior a 12%, ocorreu na Hungria.

Portugal, por seu lado, registou uma subida de 7% das rendas no ano passado, um valor acima da média europeia e que faz com que Portugal volte a estar entre os países onde se registam maiores aumentos de rendas. Para além da Hungria, Letónia, Malta e Roménia foram os únicos países da União Europeia a registar subidas mais significativas.(08.04.25/Fonte:
Público)

Procura de imóveis em Portugal por estrangeiros aumenta, sobretudo fora da UE

Embora os incentivos fiscais tenham diminuído, especialmente com o fim dos vistos gold e alterações ao regime de Residentes Não Habituais, o interesse de cidadãos fora da União Europeia (UE) continua a ser superior ao de residentes europeus.

Nos últimos anos, Portugal tem atraído um número crescente de estrangeiros à procura de casas para comprar ou arrendar, com intenção clara de melhorarem a qualidade de vida ou numa perspectiva de realizarem um investimento rentável.

Embora os incentivos fiscais tenham diminuído, especialmente com o fim dos vistos gold e alterações ao regime de Residentes Não Habituais, o interesse de cidadãos fora da União Europeia (UE) continua a ser superior ao de residentes europeus.

Dados do idealista/data indicam que, em 2024, 54% da procura internacional por casas para comprar e 63,8% para arrendar vieram de pessoas fora da UE, embora esses números ainda estejam abaixo dos níveis de 2022. O novo incentivo fiscal à investigação científica e inovação (IFICI+) foi regulamentado, mas o prazo para inscrição no Portal das Finanças termina a 31 de março.

A procura de imóveis varia globalmente, com alguns países a imporem restrições, enquanto outros, como a Nova Zelândia e os EUA, incentivam a chegada de investidores. Estrangeiros, especialmente brasileiros e norte-americanos, lideram a procura de imóveis em 15 grandes cidades portuguesas. Em Ponta Delgada, 70% dos interessados em comprar casas são não europeus, e a procura no Porto (60,4%) e Lisboa (60,2%) também é predominantemente feita por cidadãos fora da UE.

No entanto, em cidades como Faro, Portalegre, e Guarda, são os cidadãos da UE que mais procuram imóveis. Nos últimos 12 meses, a procura por casas para arrendar por estrangeiros fora da UE subiu em 11 municípios, com destaque para Portalegre, Faro e Funchal. Por outro lado, a procura estabilizou em Aveiro e caiu em várias outras localidades. Em Viseu, a procura por arrendamento habitacional é dominada por não europeus (80,2%), seguida por Braga (78,2%) e Leiria (75,1%).(31.03.25/Fonte:
Jornal Económico)

Queda da natalidade e envelhecimento podem reduzir crescimento do PIB em 0,6 pontos por ano até 2050

Estudo do McKinsey Global Institute traça um cenário negro para a demografia portuguesa, como aliás para parte do mundo desenvolvido. E lança propostas para uma reação rápida em termos estruturais.

Dois terços da população mundial vivem em países com taxas de natalidade abaixo do nível de reposição de 2,1 filhos por mulher. Portugal apresenta uma taxa de 1,5. Nas economias avançadas e na China, a população em idade ativa – a que gera atividade económica – cairá dos atuais 67% para 59%. Em Portugal, de 63% para 53%, refere um estudo do McKinsey Global Institute (MGI). Que avança que “sem reformas urgentes, as economias avançadas e emergentes enfrentarão um abrandamento do crescimento económico e uma pressão crescente sobre os sistemas de pensões e as finanças públicas. Se não forem tomadas medidas, o envelhecimento da população reduzirá em 0,6 pontos percentuais por ano o crescimento do PIB per capita português nos próximos 25 anos. O número de pessoas em idade ativa por reformado passará de 2,6 para 1,6.

O estudo da McKinsey sublinha que Portugal enfrenta um dos maiores desafios entre os países de todo o mundo. Com uma taxa de natalidade de cerca de 1,5 filhos por mulher e uma percentagem crescente da população na reforma, o crescimento económico e as finanças públicas estarão sob pressão crescente. A população portuguesa em idade ativa atingiu o seu máximo em 1999, situa-se atualmente em 63% e diminuirá para 53% em 2050. Prevê-se que o número de pessoas em idade ativa por cada pessoa com mais de 65 anos diminua dos atuais 2,6 para 1,6, dentro de apenas 25 anos. As alterações demográficas, por si só, poderão reduzir o crescimento de Portugal até 0,6 pontos percentuais ao ano, até 2050. Como referência, o crescimento anual nos últimos 25 anos foi de 1,1%, o que significa que o impacto demográfico poderá eliminar mais de metade desse crescimento.

“As alterações demográficas, ao contrário de outros fenómenos, têm uma vantagem importante: evoluem lentamente e são altamente previsíveis”, afirma Marc Canal, investigador sénior do MGI. “Portugal tem um enorme desafio demográfico, que só poderá ser superado com uma maior participação no mercado de trabalho e um aumento substancial da produtividade. Além disso, é fundamental repensar o contrato social entre gerações.”

A transformação demográfica global, caracterizada pela diminuição das taxas de natalidade e pelo envelhecimento da população, está a mudar radicalmente a estrutura económica mundial, de acordo com o estudo, intitulado Dependency and Depopulation? Confronting the consequences of a new demographic reality.

Dois terços da população mundial vivem em países com taxas de natalidade inferiores ao nível de reposição de 2,1 filhos por mulher. Esta situação poderá levar algumas economias avançadas e a China a perder entre 20% a 50% da sua população até 2100. A McKinsey descreve o futuro como “a era da escassez de jovens”. As pirâmides populacionais já não se assemelham a pirâmides e estão a assumir a forma de obeliscos, caracterizados por um aumento acelerado da população idosa e uma redução significativa do número de jovens.

O estudo indica que, nas economias avançadas e na China, a população em idade ativa cairá para 59% do total em 2050, contra os atuais 67%. Neste contexto demográfico, prevê-se que o crescimento do PIB per capita diminua substancialmente, em mais de 0,5 pontos percentuais por ano em vários países, a menos que a produtividade e a participação no mercado de trabalho aumentem. A pressão sobre os sistemas de pensões e as finanças públicas continuará a intensificar-se. Prevê-se que o número de pessoas em idade ativa por cada reformado (a chamada “taxa de suporte”) diminua dos atuais 3,9 para 2 em 2050. Esta transformação terá um impacto direto no consumo: atualmente, as pessoas com mais de 65 anos são responsáveis por 2,1 euros em cada 10 euros gastos. Em 2050, prevê-se que este valor aumente para 3,1 euros, o que trará implicações significativas para as estratégias empresariais.

“Estamos num ponto de viragem. Os modelos económicos baseados no crescimento da população ativa são coisa do passado. Precisamos de mudanças profundas para sustentar o aumento do nível de vida”, afirma Chris Bradley, sócio sénior e diretor do MGI. “Na ausência de mudanças, as economias avançadas poderão ver o crescimento do PIB per capita cair substancialmente nas próximas décadas, o que afetará a prosperidade das gerações futuras.”

O estudo do MGI destaca que, para se adaptarem a esta nova realidade, as empresas terão de repensar as suas estratégias para captar o mercado sénior, gerir equipas multigeracionais e investir em tecnologias que impulsionem a produtividade. Ao mesmo tempo, os governos terão de desenhar políticas públicas que incentivem este investimento, bem como o reforço da poupança para a reforma, a saúde pública e a promoção da longevidade saudável. O estudo também indica que o epicentro do consumo e do trabalho se deslocará para regiões emergentes, além da China. De acordo com as tendências atuais, prevê-se que a população chinesa passe de 18% da população mundial total, para 6% até ao final do século. Ao mesmo tempo, até 2100, um terço da população mundial será proveniente da África subsariana.

O McKinsey Global Institute (MGI) foi criado em 1990 com o intuito de “fornecer uma base de factos para ajudar na tomada de decisões sobre as questões económicas e comerciais mais importantes para as empresas e líderes políticos mundiais”.(25.03.25/Fonte:
Jornal Económico)

Subida no preço da habitação ultrapassa 9% em 2024

Instituto de Estatística contabiliza venda de mais de 156 mil casas, por 33,8 mil milhões de euros.

 Os preços da habitação aumentaram, no ano passado, 9,1%, mais 0,9 pontos percentuais face a 2023. No total, foram vendidas 156 325 habitações, um aumento de 14,5% face a 2023, de acordo com dados divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

O mercado imobiliário voltou a crescer no ano passado, sobretudo no último trimestre do ano, com mais casas vendidas e preços mais elevados.

O aumento de preços atingiu 9,7% nas casas existentes e 7,5% nas casas novas, avança o INE, no âmbito de um balanço feito ao ano de 2024.

O conjunto das transações dos imóveis totalizou 33,8 mil milhões de euros, mais 20,8% do que em 2023.

Por tipo de comprador, as vendas de alojamentos às famílias aumentaram 15,2% face ao ano anterior, fixando-se em 134 540 habitações, no valor de 28,7 mil milhões de euros. Já os compradores com domicílio fiscal fora de Portugal adquiriram 9774 habitações, no último ano, menos 5,9% face a 2023.

Nos últimos três meses do ano passado, o aumento dos preços foi mais expressivo nas habitações existentes (12,4%) do que nas habitações novas (9,6%).

Entre outubro e dezembro, foram transacionadas 45 214 habitações, um aumento homólogo de 32,5% e uma taxa de variação em cadeia de 10,5%. Naquele período, o valor das habitações transacionadas ascendeu a 10,2 mil milhões de euros, mais 41,8% face ao período homólogo.

O dinamismo dos últimos meses foi parcialmente impulsionado pela aquisição por parte de jovens até aos 35 anos, com benefícios estatais.(22.03.25/Fonte: Correio da Manhã)

Fábrica da Yazaki Saltano vai despedir 364 trabalhadores em Ovar

“Solidária” com trabalhadores despedidos da Yazaki, Câmara de Ovar promete apoio social

A Câmara de Ovar mostrou-se esta sexta-feira disponível para apoiar os trabalhadores da fábrica de componentes automóveis Yazaki Saltano, nomeadamente através de medidas de apoio social. A fábrica de Ovar, no distrito de Aveiro, do grupo japonês vai despedir 364 trabalhadores, o que a empresa justifica com a “actual situação crítica da indústria automóvel europeia”.

Em comunicado, a autarquia diz estar "solidária com os trabalhadores afectados pelo despedimento colectivo" anunciado na Yazaki Saltano e "manifesta a sua total disponibilidade para os apoiar".

"Perante esta decisão da empresa, que terá um impacto significativo na vida de cerca de 270 trabalhadores da unidade fabril de Ovar, o município está empenhado em mobilizar todos os recursos ao seu dispor para garantir o necessário acompanhamento social e profissional de todos os trabalhadores", lê-se na nota de imprensa.

Contactada pela Lusa, fonte da câmara municipal disse ter apurado que em Ovar estarão em causa cerca de 270 trabalhadores da fábrica, enquanto os restantes afectados por esta medida serão de serviços administrativos dos escritórios com sede em Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto.

"Apesar de se tratar de uma decisão resultante da crise no sector automóvel e de a empresa garantir o cumprimento integral dos direitos dos trabalhadores, a Câmara Municipal de Ovar não pode deixar de expressar a sua preocupação com as consequências desta medida para os trabalhadores, as suas famílias e para a economia local", refere a autarquia do distrito de Aveiro.

Em causa está um despedimento confirmado também esta sexta-feira à Lusa pela Yazaki Saltano que tem em Ovar uma fábrica dedicada a sistemas eléctricos e electrónicos para a indústria automóvel. A empresa justifica a decisão com a "actual situação crítica da indústria automóvel europeia".

Sublinhando que está "solidário com os trabalhadores e estará atento a todas as implicações sociais e económicas desta decisão", o Município de Ovar diz que assegurará que "serão mobilizados os recursos necessários para apoiar a reintegração profissional dos trabalhadores e mitigar os impactos dessa decisão empresarial".

"Seja através da actuação do Gabinete de Inserção Profissional do Município ou do recurso a medidas de apoio social, como o Fundo de Emergência Social, a autarquia vai disponibilizar toda a ajuda, dentro das suas competências e com os instrumentos que tem ao seu dispor, para garantir a salvaguarda económica e social das pessoas afetcadas por essa decisão", termina a autarquia.(14.03.25/Fonte: Público)

Governo anuncia construção de 14 barragens

Estratégia nacional para a gestão da água terá um investimento estimado de 5 mil milhões de euros até 2030.

O Governo anunciou este domingo a construção de 14 novas barragens, na apresentação da estratégia nacional ‘Água que une’.

O programa para o reforço do armazenamento de água refere a construção das barragens de Fagilde, Alvito no Ocreza, Alportel, Terges e Cobres, Carreiras, Foupana, Girabolhos, Laça, Fargela, Santulhão, Boavista, Cerejal, Maceiras e Veiga. O investimento rondará os 1.183 milhões de euros. Atualmente, existem em Portugal cerca de 260 grandes barragens, com uma altura superior a 15 metros.

Outro investimento, na ordem dos 240 milhões de euros, visa aumentar a altura das barragens da Vigia, Marechal Carmona, Meimoa, Pedrógão, Pinhão, Vila Chã, Sambade, Valtorno, Lucefecit, Alvito, Lapão e Odelouca.

Com vista ao controlo e redução de perdas de água nos sistemas em baixa, o Governo vai ainda destinar 448 milhões de euros para reabilitar e otimizar as infraestruturas da região Norte, 267 milhões para a região do Vouga, Mondego e Lis, 479 milhões para a região do Tejo e Ribeiras do Oeste, 156 milhões para a região do Alentejo e 126 milhões para a região do Algarve.

A estratégia para a gestão da água terá um investimento estimado de 5 mil milhões de euros até 2030, anunciou o primeiro-ministro, durante o discurso de apresentação do programa. Luís Montenegro falou de “uma verdadeira transformação para o País”.(11.03.25/Fonte:
Correio da Manhã)

40% das escolas de Portugal continental têm menos de 15 alunos

Estudo do EDULOG conclui que a ineficiência na gestão dos recursos humanos pode estar na origem de uma maior necessidade de professores.

Atualmente, cerca de 40% das escolas de Portugal continental têm menos de 15 alunos e 26% têm menos de 10 alunos. Esta é uma das conclusões do estudo do EDULOG (o think tank da Fundação Belmiro de Azevedo para o setor da Educação) divulgado esta terça-feira. No caso do 3.º ciclo do Ensino Básico identifica-se, segundo a investigação, uma tendência para o aumento do número de escolas com menos de 15 alunos – nomeadamente cinco alunos por ano de escolaridade – decorrente da quebra demográfica registada na maior parte das regiões do Continente. Relativamente ao Ensino Secundário, o cenário é “ainda mais alarmante”, com cerca de 50% das ofertas de cursos profissionais das escolas públicas a registarem menos de 15 alunos. A situação, refere o estudo “Necessidades de Professores: deficit ou ineficiência na gestão da oferta de ensino?”, “representa um desperdício de recursos, sobretudo de professores e de dinheiros públicos”. O documento indica ainda a existência de um “desequilíbrio na proporção entre o número de alunos e de docentes no ensino público, resultante da perda de cerca de 117 mil alunos e aumento de mais de 9 mil docentes nos últimos 10 anos (entre 2014 e 2023)”. Por isso, a “gestão ineficiente das escolas públicas está a contribuir para a falta de professores”.

Contudo, a existência de escolas com poucos alunos não é uma problemática nova. No ano letivo 2003/2004, quase 35% das escolas tinham menos de 5 alunos e apenas 14,3% contavam com 30 ou mais estudantes. Desde então, a cada ano, estes números têm vindo a diminuir. Os dados do trabalho de investigação mostram que no ano letivo 2022/2023 (o último ano analisado), apenas 9,2% das escolas tinham menos de 5 alunos e cerca de 29%, 30 ou mais. No entanto, David Justino, autor do estudo, membro do Conselho Consultivo do EDULOG e ex-ministro da Educação (no Governo liderado por Durão Barroso), entende ser necessário fazer mais nesta matéria para atenuar a falta de docentes. “Já não basta olhar para a problemática da necessidade de professores apenas na ótica da atratividade da profissão docente e, consequentemente, da crescente dificuldade de substituição de gerações de professores. O que este novo estudo nos vem demonstrar é que o problema é sistémico, e que a resposta terá de passar, também, pela criação de mecanismos que permitam rentabilizar de uma forma mais eficiente os recursos humanos”, explica. Melhorias que devem passar por uma mais eficiente gestão da rede de oferta escolar, da organização dos tempos escolares, do rácio alunos/professor e da maneira como são constituídas as turmas.

Questionado pelo DN sobre as zonas do país onde se localizam as escolas com menos alunos, David Justino explica que não foi feita uma abordagem por regiões na investigação, pois o objetivo foi “identificar o problema”, não querendo “estigmatizar essas escolas”. “Esse trabalho deve ser feito pelo ministério da Educação, a quem cabe encontrar estratégias”, sublinha. A título de exemplo, refere, no caso das escolas do Interior, a solução não deve ser apenas o encerramento porque a alternativa pode ser uma escola muito distante da área de residência.

“Definimos o padrão, mas quem tiver de tomar decisões vai ter de atender às especificidades de cada escola, caso a caso, para saber se o encerramento de uma escola pode ou não conduzir a isto. Há situações em que uma escola sem alternativas próximas, terá de se manter aberta. O Estado tem de admitir situações de exceção, até pelas questões de transporte”, sustenta. Para o ex-governante, o grande problema é que “até 2006/2007 olhou-se para o problema, encerram-se escolas e, desde então, não se fez mais nada”. “É necessário dar continuidade a essa política de gestão da rede, agora de forma menos dolorosa”, conclui.

Segundo o estudo do EDULOG, existe também um problema de rácio de docentes por alunos. “Quando comparado com a realidade de outros países, o sistema de ensino português demonstra estar numa situação aparentemente favorável nos 1.º e 2.º ciclos, onde se regista um rácio de um docente para 12 alunos, mas altamente desregulada no 3.º ciclo e no ensino Secundário – tanto nos cursos científico-humanísticos, como nos cursos profissionais – onde se alcança uma relação de um docente para cada 8 a 9 alunos”, pode ler-se. Este desajustamento da oferta de ensino à evolução demográfica pode ser explicado, de acordo com o EDULOG, pelo excesso de oferta e/ou pela ineficiência na gestão da rede escolar. Os números revelam, por exemplo, que nos ensinos Pré-escolar e Básico (1.º, 2.º e 3.º ciclos) cerca de 30% das turmas não respeitam o número mínimo de alunos por turma estipulado por lei, sendo a dimensão média do total das turmas de 20 alunos. No caso do Secundário, essa proporção vai dos 30% nos cursos científico-tecnológicos, aos 79% nos cursos profissionais. Acrescem ainda problemas com a forma como são formadas as turmas, particularmente nos cursos profissionais “que apresentam muitas vezes um número de alunos por turma inferior ao mínimo legal”.

Para solucionar este problema, o EDULOG aponta para “um maior rigor na validação das turmas, como forma de suprir as necessidades de docentes a curto e médio prazo, período indispensável para que outras medidas – como o aumento do número de alunos a frequentar cursos de formação de professores – possam atenuar o deficit estimado até ao final desta década”.

Outra das conclusões da investigação são as falhas na organização dos tempos escolares, nomeadamente o tempo de aula, a organização dos horários semanais, as cargas horárias e o calendário anual. “A variação dos tempos letivos das unidades curriculares, com durações entre 45, 50 e 90 minutos, cria desperdícios, sendo possível obter ganhos se todas as escolas adotassem unidades de 50 minutos – neste caso, por cada 10 mil horários de 90 minutos, poderiam libertar-se 181 horários completos”, refere do documento. Ao DN, David Justino explica que o principal problema se prende com as pausas letivas, pois, Portugal, quando comparado com outros países da OCDE, apresenta um reduzido número de dias letivos por ano: “São quase três meses de paragem. O ideal seria começar um pouco mais cedo e terminar, um pouco mais tarde”. Esse pequeno ajuste, diz, permitiria também “aliviar as cargas letivas diárias”.(25.02.25/Fonte: Diário de Notícias)

CGTP: quase dois terços das mulheres ganhavam até mil euros mensais em 2024

Em Novembro de 2024, a força de trabalho feminina era composta por 1.996.162 mulheres, das quais 63,8% recebia uma remuneração base até mil euros.

"As condições de vida das mulheres trabalhadoras têm-se agravado fortemente com o custo de vida a aumentar, o acesso à habitação cada vez mais dificultado e os serviços públicos a desagradarem-se por opção e acção deliberada do Governo", aponta o estudo elaborado pela Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens da CGTP, para assinalar a semana da igualdade e o Dia Internacional da Mulher.

Com base nos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a CGTP assinala, que, em Novembro de 2024 a força de trabalho feminina era composta por 1.996.162 mulheres, das quais 63,8% recebia uma remuneração base até 1.000 euros brutos por mês. Ou seja, quase dois terços da população feminina empregada.

Destas, "377 milhares ganha apenas o salário mínimo nacional, ou seja, uma em cada cinco trabalhadoras (19%)", aponta a estrutura sindical liderada por Tiago Oliveira. De recordar que o salário mínimo nacional era de 820 euros em 2024.

Por sua vez, a percentagem de homens a ganhar até mil euros brutos era menor (59,1% do total de 2.354.282 trabalhadores homens), segundo a análise feita com base nas declarações de remunerações à Segurança Social.

Segundo o documento, o rendimento médio salarial líquido das mulheres era de 1069 euros por mês no quarto trimestre de 2024, isto é, 18,2% inferior ao dos homens (menos 242 euros), que se situava em 1311 euros.

E, "este diferencial agrava-se nas qualificações mais elevadas", aponta a CGTP, sublinhando que "existe uma diferença de cerca de 13% no salário base bruto em desfavor das mulheres", o equivalente a menos de 164 euros em termos absolutos), isto apesar de ter "melhorado ligeiramente face ao ano anterior".

Mas "entre quadros superiores ultrapassa os 700 euros (um diferencial de 26% que se agravou face a 2021 e 2022)", acrescenta a CGTP, tomando por referência os Quadros de Pessoal de 2023.

"Os salários baixos levam muitas trabalhadoras a ter que recorrer a mais do que um trabalho para conseguirem fazer face ao custo de vida", alerta a central sindical, indicando, que, no último trimestre de 2024, "cerca de 125 mil trabalhadoras tinham uma segunda actividade profissional", o que corresponde a 5% da força de trabalho feminina empregada.

Por outro lado, a precariedade é também mais elevada entre as mulheres face aos homens e em todas as faixas etárias: 15,5% dos homens tinham empregos precários no final de 2024, enquanto nas mulheres a fasquia subia para 16,2%.

E era "particularmente elevada entre as trabalhadoras mais jovens": 52,5% entre as menores de 25 anos e 24,9% no grupo dos 25 aos 34 anos.

As mulheres representavam, no final de 2024, cerca de metade da população desempregada (51%) e a "cobertura das prestações de desemprego é muito baixa assim como o valor das prestações", com apenas 44% das mulheres a terem acesso a protecção social de desemprego.

Segundo o documento, estes dois factores - "baixos valores" de prestações e "cobertura insuficiente" - "resultam numa elevadíssima taxa de pobreza entre as mulheres desempregadas", com a taxa a ser de 43% "mesmo após transferências sociais". Já sem estas transferências ascenderia a 64%.

A CGTP realiza a semana da igualdade entre 05 e 12 de Março com o lema " Igualdade no trabalho. Liberdade na vida – Tempo de luta. Futuro de paz", com várias iniciativas em todo o país.

O Dia Internacional da Mulher comemora-se em 08 de Março.(11.02.25/Fonte: Público)

Insolvências disparam 23% em janeiro

Os distritos do Porto e de Lisboa são os que apresentam o maior número de insolvências, 107 e 93, respetivamente.

As insolvências em Portugal cresceram 23% em janeiro último, face ao mesmo período do ano passado, de acordo com um estudo da Iberinform. Por tipologia, o ano arrancou com 107 pedidos de insolvência apresentados pelas próprias empresas (mais 32% do que em 2024), enquanto os pedidos apresentados por terceiros evoluíram de 55 para 92 (mais de 67%). No período em análise, foram registados três encerramentos com plano de insolvência, o que traduz um decréscimo de 25% face a 2024.

Os distritos do Porto e de Lisboa são os que apresentam o maior número de insolvências, 107 e 93, respetivamente. Face a 2024, há um acréscimo superior a 20% no Porto e de mais de 122% em Lisboa. Outros distritos com aumentos substanciais são: Viana do Castelo (mais de 233%); Beja (mais de 200%); Leiria (mais de 122%); Angra do Heroísmo (mais de 100%) e Castelo Branco (mais de 80%).

Os setores de atividade com maior aumento nas insolvências no primeiro mês do ano são: Agricultura, Caça e Pesca (incremento de 267%) e Transportes (incremento superior a 113%). Apenas o setor de Eletricidade, Gás, Água registou um decréscimo de 100% face ao período homólogo de 2024.

Já as constituições de novas empresas no primeiro mês do ano decresceram de 5.578 em 2024 para 3.165 em 2025, menos 2.413 empresas em termos homólogos (decréscimo superior a 43%).(11.02.25/Fonte:
Jornal Económico)
 

Taxa de desemprego sobe para 6,7%, maior aumento dos últimos dois anos

"A população desempregada, estimada em 368,3 mil pessoas, aumentou 10,1% (33,6 mil) em relação ao trimestre anterior e 2,7% (9,6 mil) relativamente ao trimestre homólogo", indica o INE, no novo inquérito ao emprego do quarto trimestre de 2024.

A taxa de desemprego subiu de forma significativa no último trimestre do ano passado, aumentando para 6,7% da população ativa, anunciou o Instituto Nacional de Estatística (INE), esta quarta-feira.

A incidência do desemprego esteve durante dois trimestres (segundo e terceiro) num nível relativamente baixo (6,1%), mas como costuma acontecer na reta final do ano, o fenómeno do desemprego agravou-se.

No entanto, o aumento em causa, de 0,6 pontos percentuais, é o mais agressivo desde o quarto trimestre de 2022, mostram as séries do INE consultadas pelo DN.

Segundo o novo inquérito ao emprego conduzido pelo instituto, Portugal tinha, oficialmente, 368,3 mil pessoas em condição ativa (podiam, queriam trabalhar e procuraram trabalho) no último trimestre de 2024, ou seja, mais 10,1% do que no terceiro trimestre (mais 33,6 mil casos).

Face há um ano, o aumento foi de 2,7%, isto é, em 12 meses o país ganhou mais 10 mil desempregados. É expressivo pois trata-se da maior expansão homóloga do desemprego desde o verão de 2023, segundo cálculos do DN.

Desemprego na Grande Lisboa está pior

Ainda na taxa de desemprego, a média nacional no quarto trimestre esconde realidades bastante diferentes. O maior agravamento entre o verão e o outono aconteceu na região da Grande Lisboa, onde o peso do desemprego agravou-se de 5,6% no terceiro trimestre para 7,4% no quarto.

A região Norte registou uma subida de sete décimas, para 6,9%. Na região Centro, o aumento foi muito ligeiro, de apenas uma décima, fixando a respetiva taxa de desemprego nos 5,8%. No Algarve, a incidência do desemprego também aumentou na reta final do ano, de cerca de 4,5% para 5,6%, indica o INE.

Em termos médios anuais, a taxa de desemprego aliviou muito ligeiramente, de 6,5% em 2023 para 6,4% no ano passado, graças sobretudo aos níveis relativamente baixos da primavera e do verão (6,1%).

Abrandamento geral do emprego

Seja como for, acumulam-se sinais de que o mercado de trabalho nacional pode estar a perder dinamismo ou mesmo a retrair-se.

Por exemplo, a expansão do emprego continua, mas de forma mais lenta. Este tem sido o indicador que tem batido sucessivos máximos e recordes históricos em Portugal, sendo apontado como um dos grandes alicerce do bom comportamento da economia portuguesa (sobretudo comparando com muitos dos seus pares europeus) e da saúde das contas públicas, pois reverte-se numa maior coleta de impostos e de contribuições sociais.

Diz o INE que entre o terceiro e o quarto trimestre, o mercado português ganhou mais 0,2% de pessoas empregadas, ou seja, o emprego praticamente estagnou entre trimestres, tendo o universo em causa atingido cerca de 5,149 milhões de indivíduos. São apenas mais 7,9 mil trabalhadores face ao terceiro trimestre. Em termos homólogos, o emprego total subiu 1,3%, o que se traduz em mais 65 mil trabalhadores a tempo inteiro. Aqui, é verdade que o emprego total na economia acelerou um pouco face ao crescimento homólogo de 1,2% no terceiro trimestre, mas o referido avanço de 1,3% é o registo mais fraco numa reta final de ano desde 2020, vivia-se então o tempo mais agressivo e letal da pandemia covid-19 (no quarto trimestre desse ano de crise severa, o emprego colapsou 1,9%).

Teletrabalho e trabalho híbrido em expansão

O INE dá ainda conta de uma expansão do teletrabalho e de pessoas a trabalhar em regime híbrido (trabalho em casa e presencial). Considerando o total da população empregada, 21,5% das pessoas (1,106 milhões de pessoas) "indicaram ter trabalhado em casa no 4.º trimestre de 2024". Entre os que trabalharam em casa, 95,7% (1,058 milhões de trabalhadores) "estiveram em teletrabalho, ou seja, utilizaram tecnologias de informação e comunicação (TIC) para desempenhar as suas funções a partir de casa", refere o INE.

"Este regime de prestação de trabalho abrangeu 20,5% do total da população empregada, mais 1,3 p.p. do que no trimestre anterior e mais 0,3 p.p. do que em igual período de 2023", diz o novo inquérito. Cerca de 37,9% dos que disseram que trabalharam alguma vez em casa, isto é, 418,6 mil pessoas, "fizeram-no regularmente mediante um sistema híbrido que concilia trabalho presencial e em casa". Neste último grupo, o dos que indicaram trabalhar regularmente num sistema híbrido, "a combinação mais comum foi a que conjuga alguns dias por semana em casa todas as semanas (74,3%; 310,9 mil indivíduos), tendo sido igualmente a combinação que registou a maior variação trimestral (mais 24,2 mil pessoas) e homóloga (mais 65,4 mil pessoas)".

"Os empregados num sistema híbrido trabalharam em casa, em média, três dias por semana", indica o INE.

Desemprego de longa duração agrava-se

Outro fenómeno que durante vários anos aliviou (entre 2014 e 2022, com exceção para o primeiro ano da pandemia, 2020) foi o do desemprego de longa duração. No entanto, o INE mostra que este fenómeno (pessoas que querem e procuram ativamente trabalho, mas não encontram uma saída há um ano ou mais) parece estar a regressar. "No 4.º trimestre de 2024, 37,5% da população desempregada encontrava-se nesta condição há 12 e mais meses (desemprego de longa duração)", valor que é inferior em 0,5 pontos percentuais (p.p.) face ao trimestre precedente, mas "superior em 1,8 p.p. ao trimestre homólogo".

Estão nesta situação - desempregadas há 12 meses ou mais - 138,1 mil pessoas em Portugal. A maioria (71 mil casos) são mulheres. Entre os mais jovens, o problema também se está a agravar: há um ano havia 14 mil jovens (menos de 25 anos) desempregados há mais 12 meses; no quarto trimestre, este grupo aumentou para mais de 17 mil indivíduos. O INE indica ainda que o desemprego de muito longa duração (pessoas desempregadas há mais de dois anos) também está a subir de forma muito expressiva. Eram 77 mil no último trimestre de 2023, mas este contingente cresceu 8%, havendo agora 83 mil pessoas nesta situação.

Desemprego jovem e qualificado

Há sinais mistos no que concerne ao desemprego entre os mais jovens (pessoas com menos de 25 anos). O INE refere que a taxa de desemprego de jovens atingiu 21,8% da respetiva população ativa nessas idades porque aumentou em relação ao trimestre anterior (2,1 p.p.). No entanto, "diminuiu relativamente ao trimestre homólogo (2,4 p.p.)", isto é, face à reta final de 2023.

Já entre os mais qualificados, o desemprego está a subir de forma bastante agressiva. Segundo o instituto, no último trimestre de 2023 havia 89,6 mil diplomados sem trabalho. Um ano volvido, haverá 97,5 mil desempregados com ensino superior. É um aumento homólogo de 9% e de 15% entre o terceiro e o quarto trimestre. (05.02.25/Fonte: Diário de Notícias)

Governo diz que preços da habitação vão descer, mas há quem não concorde. O que precisa de saber sobre a lei dos solos que entra hoje em vigor

Lei que define o regime de exceção para a conversão de solos rústicos em urbanos de forma a dar resposta à crise da habitação entra esta quarta-feira em vigor, apesar das críticas da oposição, de especialistas e de associações. Propostas de alteração do PS serão debatidas.

A alteração ao Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão Territorial (RJIGT), conhecida como a lei dos solos, entra esta quarta-feira, 29, em vigor.

O decreto-lei 117/2024, de 30 de dezembro, visa a conversão de solos rústicos em urbanos de forma a dar resposta à crise da habitação. A reclassificação dos terrenos fica nas mãos dos municípios.

O Governo garantiu, no inicio do ano, que o diploma irá permitir a redução em 20% do preços das novas casas nas áreas metropolitanas e capitais de distrito, com valores abaixo dos praticados no país no ano passado. O Ministério da Coesão Territorial assegurou ainda que a lei irá prevenir e impedir a especulação imobiliária.

Entendimento diferente tem a Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII) que defende que os preços dos terrenos rústicos irão disparar.

“Ficam com capacidade construtiva e passam a valer muito mais, Os proprietários vão querer vender a preços de mercado”, explicou ao DN o presidente da APPI, Hugo Santos Ferreira.

Também o Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (CNADS) acusa o regime de ser “inócuo em relação aos objetivos visados e danoso do ponto de vista dos efeitos urbanísticos, ambientais, sociais e de investimento público”.

O CNADS alega que o diploma do Governo compromete princípios fundamentais de sustentabilidade, gestão territorial e políticas públicas ratificadas por Portugal no âmbito europeu e internacional e, além disso, parte de “pressupostos não sustentados por dados empíricos”.

Já a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) assinala a "importância das medidas de flexibilização" propostas pelo Governo, mas não está convencida de que os preços das casas venham a ser, de facto, acessíveis como é intenção do Governo.

O Executivo explica, no decreto-lei aprovado no final do ano passado, que "a maior disponibilidade de terrenos facilitará a criação de soluções habitacionais que atendam aos critérios de custos controlados e venda a preços acessíveis, promovendo, assim, uma maior equidade social e permitindo que as famílias portuguesas tenham acesso a habitação digna".

O objetivo, detalha, é "abranger o acesso pela classe média, ponderando valores medianos dos mercados local e nacional, e definindo valores máximos para assegurar maior equidade".

Por valor moderado, o Governo entende as situações "em que o preço por m2 de área bruta privativa não exceda o valor da mediana de preço de venda por m2 de habitação para o território nacional ou, se superior, 125 % do valor da mediana de preço de venda por m2 de habitação para o concelho da localização do imóvel, até ao máximo de 225% do valor da mediana nacional”.

A lei tem estado envolta em polémica e somam-se as críticas dos partidos da oposição, associações, especialistas em habitação e ordenamento do território, arquitetura e agricultura e do próprio Presidente da República.

Apesar de ter dado luz verde ao diploma, a 26 de dezembro, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que o regime de exceção constitui "um entorse significativo em matéria de regime genérico de ordenamento e planeamento do território, a nível nacional e local".

Contudo, e "atendendo à intervenção decisiva das assembleias municipais e à urgência no uso dos fundos europeus e no fomento da construção da habitação" decidiu promulgar o diploma.

O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, afirmou, na semana passada, durante uma audição no Parlamento, a “total abertura para fazer uma discussão séria”, para “adaptar, melhorar” a lei.

Apesar de a lei entrar em vigor esta quarta-feira, será alvo de alterações no Parlamento, com o PS a exigir mudanças.

As alterações do PS ao diploma passam por, em vez do conceito de habitação de "valor moderado", a substituição "por conceitos já consolidados", nomeadamente de "habitação a custos controlados, bem como o arrendamento acessível, que limita os preços de mercado".

A proposta repõe o critério de contiguidade territorial, evitando qualquer interpretação "que permita o surgimento de ilhas urbanas no território" e propõe que seja "reposta a salvaguarda, eliminada pelo Governo, de que o regime excecional de reclassificação apenas se aplica após a verificação de solos urbanos disponíveis", assim como da demonstração dos impactos nas infraestruturas existentes e previsão de novas, e da "viabilidade económico-financeira da proposta", incluindo identificação de fontes de financiamento.

Outra alteração visa as áreas da REN, introduzindo "um segundo grau de verificação" que, respeitando "a vontade última das autarquias", seja elaborado em solos que não sejam exclusivamente públicos um parecer das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), não vinculativo.

Ainda em termos da REN, a proposta acrescenta às proibições de reclassificação para solo urbano as áreas "estratégicas de infiltração e de proteção e recarga de aquíferos", de "elevado risco de erosão hídrica do solo" e de "instabilidade de vertentes".

Os socialistas querem ainda revogar a possibilidade de construir habitação destinada ao alojamento de trabalhadores agrícolas fora das áreas urbanas existentes e defendem a redução do prazo para concretizar as obras de urbanização em solos reclassificados, de cinco para três anos, eventualmente prorrogado em metade deste tempo após avaliação dos resultados. (29.01.25/Fonte:
Diário de Notícias)

Alentejo só está a conseguir vender 76% do vinho que produz

Um quarto do vinho produzido no Alentejo não está a ser comercializado devido a “um problema internacional” no comércio, causando dificuldades no setor. Alerta é da Comissão Vitivinícola Regional.

Um quarto do vinho produzido no Alentejo não está a ser comercializado devido a "um problema internacional" no comércio, causando dificuldades no sector. O alerta foi deixado, esta quarta-feira, pelo presidente da Comissão Vitivinícola Regional (/fugas/terroir/conceito/comissao-vitivinicola-regional) Alentejana (CVRA), Francisco Mateus.

O responsável, que falava no Parlamento durante uma audição conjunta sobre o sector vitivinícola no âmbito do grupo de trabalho criado na Comissão de Agricultura e Pescas, disse que a actual situação já fez "tocar as campainhas".

"Temos tido um aumento gradual do volume que é comercializado, mas verificamos que, talvez desde um bocadinho antes de 2020, tem havido uma diminuição da quantidade de vinho que é levada para o mercado", referiu.

Em média, segundo o presidente da CVRA, no período entre 2020 e 2024, por hectare de vinha existente na região alentejana, 37 hectolitros de vinho foram comercializados e 12 hectolitros não foram e ficaram em depósito. "São 1200 dos 5000 litros que produzimos por hectare que não são comercializados", ou seja, "um quarto da produção do Alentejo está nos armazéns e não está a ser comercializada", assinalou.

Francisco Mateus salientou que "o Alentejo deixou de ter 85% ou 90% da sua produção a ser comercializada e, nos últimos cinco anos, esse rácio passou para 76%", com consequências para o sector a nível nacional.

"Estamos a falar de uma região com um volume de produção significativo", que este ano será de 112 milhões de litros, o que faz com que "o que acontece no Alentejo acabe por ter algum efeito no que se passa no sector a nível nacional", sublinhou.

Uma das consequências apontadas pelo dirigente foi a necessidade de o Alentejo participar na destilação de crise (https://www.publico.pt/2024/09/30/terroir/noticia/ douro-enviou-destilacao-crise-30-litragem-nacional-nao-rateio-2105857), mas Francisco Mateus avisou não se pode estar constantemente a escoar vinho desta forma. "O Alentejo destilou mais nos últimos cinco anos do que nos 30 anos anteriores. É uma situação que, como podem calcular, desagrada às pessoas que estão na região e desagrada à instituição que tem que assegurar essa gestão."

Observando que "sempre que a produção tem mais do que um ano com oscilações isso reflecte-se no comércio", o responsável realçou que a situação actual mostra que "tem que haver alguma relação entre os dois componentes". "Estamos a produzir demais ou a vender menos? Nem uma coisa nem outra. Temos a produção que queremos pelo aumento das áreas de vinha que temos determinado, mas há, de facto, um problema no comércio, mas não é português, é internacional", disse.

Aludindo a dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), Francisco Mateus disse que "a curva do consumo de vinho a nível mundial mostra uma tendência de quebra desde 2017". "O comércio internacional de vinho tem tido um bom desempenho, mas também vemos que, nos últimos três anos, tem vindo a cair", apontou, assinalando a existência de "campanhas anti-álcool" e de novos hábitos entre os jovens.

O presidente da CVRA defendeu que o sector tem "ir ao encontro dos mais jovens", notando que o baixo consumo nestas faixas etárias tem também a ver com "estilos de vida mais saudáveis, pessoas mais preocupadas com o corpo (/fugas/terroir/conceito/ corpo) e com a forma como se apresentam" e porque há "pessoas que optam, pura e simplesmente, por não beber álcool".

O responsável defendeu que as comissões vitivinícolas devem ter mais autonomia para tomar decisões e propôs o reforço da fiscalização dos produtores a partir da análise de dados do Instituto da Vinha do Vinho (IVV) e da Autoridade Tributária (AT). (15.01.25/Fonte: Púbico)

Daniel Ribeiro, o último adeus a um grande repórter

Correspondente do Expresso em Paris entre 1990 e 2022, acompanhou a vida política francesa de Mitterrand a Chirac e a Macron, dos atentados do Charlie Hebdo à crise dos coletes amarelos. Faleceu sexta-feira, em Lisboa, aos 71 anos.

No começo da década de 1990, o Expresso tinha três grandes correspondentes que constituíam a espinha dorsal da informação sobre o que se passava mundo fora: Ángel Luis de la Calle em Madrid, Tony Jenkins em Nova Iorque e Daniel Ribeiro em Paris.

Ribeiro, nascido a 20 de dezembro de 1953 em Carregal do Sal (concelho natal do cônsul Aristides de Sousa Mendes), foi contratado pelo Expresso em finais de 1989, quando parte da redação saiu para fundar o “Público”, incluindo a então correspondente em Paris, Ana Navarro Pedro. Antes, passara episodicamente pelo semanário “O Ponto” no começo dos anos 80, sendo depois correspondente do semanário “O Jornal” durante quase uma década. Trabalhou, também, na secção portuguesa da Radio France Internationale e na portuguesa Rádio Alfa, de que chegou a ser diretor.

Daniel Ribeiro, politicamente originário da constelação das pequenas organizações políticas que, à esquerda do PCP, se opunham à ditadura, vivia há muitos anos em Paris e foi estabelecendo laços com a comunidade portuguesa, exilada, ou não, de Cargaleiro a Graça Morais, de Mário Soares a Paulo Branco, de Mário Barroso a Carlos Saboga ou ao embaixador António Monteiro, sem esquecer o amigo de sempre Jorge Palma.

Lembro-me de o Daniel me ter contado que, certa vez, ele, o Palma e um terceiro amigo queriam ir jantar, mas o dinheiro era pouco. O autor de “Encosta-te a mim” terá dito qualquer coisa como: “Aguentem aí um bocado”. Pegou na guitarra, foi para as escadas do metro de Saint-Michel cantar baladas de Bob Dylan e, minutos depois, voltou com um ar feliz: “Já dá para comer…” Segundo consta, até deu para o táxi. Nem de propósito, o último trabalho de Ribeiro publicado no Expresso, em setembro de 2023, foi uma extensa e apaixonada entrevista a Jorge Palma.

Maratonas políticas e noites de terror

Acompanhou para o Expresso os grandes momentos da vida francesa: a periclitante coabitação entre Mitterrand e Chirac; as sucessivas revoltas, tal como o movimento dos barretes vermelhos na Bretanha, no tempo de François Hollande, ou a crise dos coletes amarelos, já com Macron no Eliseu.

Trabalhámos juntos em duas longas maratonas jornalísticas, ele em Paris, o João Garcia, o Pedro Cordeiro e eu na redação de Lisboa, quando a redação do “Charlie Hebdo” foi massacrada, em 2015, e, meses depois, quando três comandos de jiadistas atacaram a envolvente do Stade de France, metralharam as esplanadas da Place de la République e invadiram o teatro Bataclan.

Profissional reconhecido e respeitado, Ribeiro tinha fontes em todo o espectro político, muito em especial nos frondeurs (dissidentes) do PS e acesso privilegiado, tanto a Jean-Luc Mélenchon como a Marine le Pen, tendo sido o jornalista português que mais vezes a entrevistou. Desenvolveu uma extensa e bem fundamentada investigação jornalística sobre a estada do ex-primeiro ministro José Sócrates na capital francesa, nomeadamente sobre o apartamento de luxo em que residia, não muito longe do Arco do Triunfo.

Interregno timorense

Em agosto de 1999, Daniel Ribeiro interrompeu a carreira jornalística para ser porta-voz da missão diplomática portuguesa em Dili, por ocasião do referendo à independência de Timor-Leste promovido pelas Nações Unidas e dos subsequente e atrozes massacres levados a cabo pelas milícias pró-indonésias. Os diplomatas portugueses, que incluíam, entre outros José Júlio Pereira Gomes, Ana Gomes ou Afonso Alegre, dilaceram-se sobre qual era a decisão correcta: ficar, sem estarem garantidas condições de segurança, ou partir, tal como a maior parte dos representantes internacionais.

Prevaleceu a posição de partir, mas as divisões foram de tal forma amargas (e duram até hoje, como se constata pelo recente livro de Ana Gomes) que o jornalista decidiu nunca publicar o diário que elaborou durante a presença em Timor. Para a História fica o nome dos quatro jornalistas portugueses que, junto com funcionários da ONU, ficaram quase até ao fim (e à chegada dos capacetes azuis) na legação de Dili: José Vegar (Expresso), Jorge Araújo (Independente), Luciano Alvarez (Público) e Hernâni Carvalho (RTP).

Homem de paixões fortes

Daniel Ribeiro vivia pelo coração e pelo coração morreu. As suas paixões eram fortes e marcadas pelos excessos: álcool, comida, noitadas, amores, desamores. Sempre que alguém do Expresso ia à capital francesa, encontrávamo-nos, invariavelmente, no último verdadeiro cabaré de Paris, “Les Trois Maillets”, perto da fonte de Saint-Michel. Aí, a sua atual mulher, a cantora lírica Mieko, cantava temas de Édith Piaf ou Charles Trenet para arredondar o orçamento. Os donos do cabaré não resistiram à covid-19 e, infelizmente, Ribeiro não viveria muito mais tempo. A sua última publicação no Facebook remonta a novembro do ano passado.

A cremação realiza-se terça-feira, 14 de janeiro, pelas 16h, no cemitério do Alto de São João, em Lisboa, sendo o corpo velado a partir das 10h desse dia na capela adjacente.

Os antigos diziam que os grandes atos de um homem podem ecoar na eternidade. Não sei se assim é, ou não, mas de uma coisa estou certo: as páginas do Expresso e a memória dos leitores guardam algumas das mais distintas, vivas e bem escritas reportagens dos últimos 30 anos. Até sempre, Daniel! (11.01.25/Fonte: Expresso)

Preço das casas sobe na UE e Portugal tem o segundo maior aumento

Os preços homólogos das casas aumentaram, no terceiro trimestre de 2024, 2,6% na zona euro e 3,8% na União Europeia (UE), com Portugal a registar a segunda maior subida trimestral (3,7%), divulga esta sexta-feira o Eurostat.

De acordo com os dados do serviço estatístico europeu, na comparação com o trimestre anterior, os preços das habitações subiram, entre julho e setembro, 1,4% na área do euro e 3,0% na UE.

Comparando com o mesmo trimestre de 2023, as maiores subidas nos preços das casas registaram-se na Bulgária (16,5%), na Polónia (14,4%) e na Hungria (13,4%).

Quatro Estados-membros registaram quebras na variação homóloga: França (-3,5%), Finlândia (-2,8%), Luxemburgo (-1,7%) e Alemanha (-0,7%).

Em Portugal, o indicador subiu 9,9% na comparação anual, de acordo com o Eurostat.

Na variação trimestral, as maiores subidas nos preços das habitações observaram-se na Bulgária (3,9%), em Portugal (3,7%) e nos Países Baixos (3,6%) e apenas dois Estados-membros apresentaram recuos no Índice de Preços da Habitação – a Finlândia (-0,6%) e a Estónia (-0,5%).(10.01.25/Fonte: Jornal de Notícias)

Setor privado representa mais de metade da oferta hospitalar em Portugal

No âmbito da operação por privados, 35% do total das camas estão nas mãos de cinco operadores: Trofa Saúde, Luz Saúde, José de Mello, Lusíadas e Grupo HPA Saúde, segundo estudo da CBRE sobre o setor das residências sénior e cuidados de saúde.

O setor privado representa 54% da oferta hospitalar em Portugal, dispondo de 131 hospitais com aproximadamente 11.700 camas, revela um estudo divulgado, esta quinta-feira, pela CBRE Portugal que nota um dinamismo crescente no mercado português.

Em comunicado, a consultora imobiliária nota que "o mercado português tem vindo a registar um dinamismo crescente oferecendo diversas oportunidades de investimento", considerando que em 2050 mais de um terço da população portuguesa será idosa e Portugal o terceiro país mais envelhecido da União Europeia. Em 2020, 23% da população portuguesa tinha mais de 65 anos comparando com 21% na UE, mas como refere "é expectável que até 2026 esta percentagem em Portugal cresça para 34%.

Além disso, enfatiza, citando dados oficiais, o montante gasto pelos portugueses em cuidados de saúde tem vindo a aumentar ano após ano, atingindo 26,5 mil milhões de euros em 2023, o que representa 10% do PIB português, e traduz um crescimento de 50% em relação a 2016. O montante alocado a cuidados em ambulatório (ou seja, sem internamento dos pacientes) representou 46% do valor gasto pelas famílias, totalizando 1.074 euros "per capita".

A procura foi acompanhada pela oferta a avaliar pelos dados do estudo, denominado Portuguese Healthcare and Senior Living, uma vez que entre 2014 e 2017 o número de hospitais manteve-se estável, mas desde então, aumentou 8% com a abertura de 18 novas unidades, sendo que apenas uma delas foi desenvolvida pelo setor público. Atualmente, existem 243 hospitais que, em conjunto, somam mais de 36.000 camas, segundo a CBRE.

"O mercado privado de saúde está assim a crescer significativamente: mais procura de cuidados, mais vidas cobertas por seguros de saúde e menos resposta da oferta pública – com graves problemas estruturais (encerramentos de emergência, capacidade de resposta limitada em diversas especialidades, tempos de espera significativos, etc.", refere na nota enviada às redações, em que indica que um dos motivos pelos quais se afigura atrativo investir no setor dos cuidados de saúde prende-se com o rácio de cama por habitante, já que na Europa é de 5,3 camas por cada 1.000 habitantes, enquanto em Portugal corresponde a 3,5 camas por 1.000 habitantes.

No âmbito da operação por privados, atualmente, em Portugal, 35% do total das camas estão nas mãos de cinco operadores: Trofa Saúde, Luz Saúde, José de Mello, Lusíadas e Grupo HPA Saúde.

Já no que toca às unidades de cuidados continuados, o estudo da CBRE contabiliza 377, com um total de 9.771 camas, das quais apenas 2% estão no setor público, sendo as outras 98% operadas por entidades sem fins lucrativos, como a Santa Casa da Misericórdia, IPSS ou privados.

"A falta de camas no serviço nacional de saúde é bastante severa, particularmente nos distritos de Lisboa e Porto. Em 2023 existiam mais de 1.800 pessoas a aguardar por uma cama em cuidados continuados e é previsível que este número venha a aumentar, o que obrigará também a um incremento significativo na oferta", observa José Moutinho, responsável pela área de "research" na CBRE Portugal.

Já no âmbito das residências sénior, a CBRE conta 2.632 em todo o país, das quais 25% são operadas por empresas privadas. Segundo a consultora imobiliária, a taxa de ocupação dos lares em Portugal é de 91,8% e 70% dos utilizadores esteve nestas unidades por um máximo de cinco anos, enquanto 10% esteve numa destas estruturas por um período igual ou superior a dez anos. As Residências Montepio, o Grupo EMEIS, a DomusVi, a PSHC e Naturidade figuram como os cincos principais operadores de residências sénior totalizando, juntas, mais de 3.800 camas.

"Em Portugal, nos anos de 2020 e 2021, transacionaram-se três importantes portefólios e, apesar de desde então não se terem registado transações nestes setores, existem algumas operações em 'pipeline' que ultrapassam os 50 milhões de euros. Acredito que o investimento venha a crescer significativamente no futuro e este setor assista à entrada de novos investidores e operadores internacionais atraídos pela oportunidade que Portugal representa como país", comenta Igor Borrego, Head of Capital Markets da CBRE, também citado na mesma nota.

Para a consultora há nove grandes fatores que tornam a saúde apetecível em termos de investimento, entre os quais "aumento significativo do número de idosos e pessoas dependentes", "elevado desequilíbrio entre oferta e procura", "falta de oferta de cuidados especializados", "elevada faixa populacional com cobertura de seguro de saúde (1/3 da população)". Além disso, trata-se de um "setor polarizado com enorme potencial de expansão e consolidação dos operadores" e apresenta "diversas oportunidades de investimento uma vez que é ainda marcado por proprietários também responsáveis pela operação". A existência de "pensionistas com poder de compra gerados pela propriedade de imóveis ou poupanças" e "a atratividade de Portugal junto de reformados estrangeiros" também jogam a favor, diz a CBRE para quem "as residências sénior ou clínicas de cuidados especializados representam um investimento estável no longo termo". (09.01.25/Fonte: Jornal de Negócios)

Desemprego sobe para 6,7% em novembro. É o valor mais alto deste outubro de 2023

Dados provisórios divulgados esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística.

A taxa de desemprego situou-se nos 6,7% em novembro, 0,1 pontos percentuais acima de outubro e o valor mais elevado desde outubro de 2023, segundo dados provisórios divulgados esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

"A taxa de desemprego situou-se em 6,7%, valor superior ao de outubro (0,1 pontos percentuais), ao de agosto de 2024 (0,3 pontos percentuais) e ao de novembro de 2023 (0,2 pontos percentuais)", avança o INE nas "Estimativas Mensais de Emprego e Desemprego".

Segundo refere, trata-se do nível "mais elevado desde outubro de 2023, quando igualou esse valor [6,7%]".

De acordo com o INE, em novembro de 2024, a população desempregada (363,8 mil) aumentou 0,3% em relação ao mês anterior, 5,0% relativamente a três meses antes e 3,1% face a novembro de 2023.

Já a população empregada (5.107,0 mil) aumentou em relação ao mês anterior (1,5 mil, a que correspondeu uma variação relativa quase nula), a três meses antes (0,3%) e a um ano antes (1,3%), atingindo o valor mais elevado desde o início da série iniciada em fevereiro de 1998.

Em máximos desde o início da série fixou-se também a população ativa (5.470,9 mil), que aumentou relativamente a outubro de 2024 (2,6 mil, uma variação relativa quase nula), a agosto do mesmo ano (0,6%) e a novembro de 2023 (1,4%), enquanto a população inativa (2.484,1 mil) cresceu 0,3% face ao mês anterior e diminuiu 0,4% em relação a três meses antes e 0,3% em comparação ao mesmo mês de 2023.

Em novembro, a taxa de subutilização do trabalho situou-se em 11,0%, valor superior ao de outubro (0,1 pontos percentuais) e de agosto (0,2 pontos percentuais) e inferior relativamente ao de novembro de 2023 (0,6 pontos percentuais).

A subutilização do trabalho abrangeu 613,7 mil pessoas, valor superior ao de agosto do mesmo ano (602,4 mil), que correspondeu ao valor mais baixo desde fevereiro de 2011, quando se iniciou a sua análise.

Quanto à taxa de inatividade, manteve-se em 31,2% em novembro, o valor mais baixo observado desde o início da série.

O INE divulgou também hoje as estimativas definitivas do emprego e desemprego relativas ao mês de outubro de 2024, tendo confirmado a anterior previsão de uma taxa de desemprego de 6,6%.

De acordo com as estimativas definitivas relativas a outubro, a população desempregada (362,8 mil) aumentou face a setembro (1,2%) e julho de 2024 (3,7%) e a outubro de 2023 (0,8%).

Também a população empregada (5.105,5 mil) aumentou nesse mês relativamente aos três períodos de comparação: 0,1%; 0,9% e 1,4%, respetivamente.

Já a população ativa (5.468,3 mil pessoas) aumentou em relação ao mês anterior (0,1%), a três meses antes (1,1%) e a um ano antes (1,4%), enquanto a população inativa (2.476,1 mil) se manteve praticamente inalterada em relação ao mês anterior e diminuiu relativamente a três meses antes (1,7%) e ao mesmo mês de 2023 (0,2%).

Em outubro, a taxa de subutilização do trabalho situou-se em 10,9%, valor inferior ao dos três períodos de comparação: 0,1 pontos percentuais, 0,3 pontos percentuais e 0,7 pontos percentuais.
 (06.01.25/Fonte: Diário de Notícias)

Outubro foi o melhor mês de sempre das exportações de vinho

RECORDE. Setor começou o ano com uma performance anémica, mas, em outubro, cresceu 25% para 110 milhões, valor nunca antes alcançado

Outubro foi o melhor mês de exportações de vinhos portugueses desde sempre. Depois de um arranque morno - em março, as vendas ao exterior foram mesmo negativas e no acumulado do primeiro trimestre estavam 0,01% acima de março de 2023 -, o setor foi recuperando ao longo do ano e, em outubro, cresceu 24,9% e chegou a quase 110 milhões de euros. O mais alto que o setor havia conseguido, num único mês, foram 104 milhões de euros em novembro de 2022.

Os dados do INE vão só até janeiro de 2000, mas atendendo a que Potugal só exportava 519 milhões de euros à época, não terá havido antes disso qualquer mês de valor superior, acredita a ViniPortugal. No top 5 dos melhores meses, estão, ainda, novembro de 2021, com 97,9 milhões, outubro de 2019 com 97,3 milhões e outubro de 2020 com 96 milhões de euros. Meses que traduzem o efeito do abastecimento dos mercados para as vendas de Natal.

No acumulado do ano, Portugal exportou, entre janeiro e outubro, 294 milhões de litros no valor de 807,1 milhões de euros, o que representa um crescimento homólogo, em volume, de 9,2% e, em valor, de 5%. Frederico Falcão, presidente da ViniPortugal, fala em resultados “muito bons” e destaca, em especial, o desempenho dos vinhos portugueses no mercado brasileiro que, este ano, já ultrapassou o Reino Unido, assumindo-se como o terceiro maior destino das exportações do setor, com um crescimento homólogo de 12% para 73,9 milhões de euros.

Uma performance “muito boa”, se atendermos a que França e Estados Unidos, que valem, respetivamente, 85,6 e 86,1 milhões de euros, estão ambos a crescer abaixo de 2%. Frederico Falcão acredita que o setor estã a colher os resultados do investimento continuado de promoção no mercado brasileiro, para o qual a ViniPortugal está a destinar mais de 1 milhão de euros, dos 8,4 milhões do seu orçamento anual. Brasil, Estados Unidos e Canadá absorvem, aliás, mais de metade do investimento.

O anúncio do tão esperado acordo de comercio livre entre a União Europeia e os países do Mercosul é uma boa notícia para o setor, permitindo que cheguem mais baratos ao mercado brasileiro e ajudando a estimular ainda mais a sua compra. Quanto, Frederico Falcão admite ser difícil estimar para já, sabendo-se que as taxas aduaneiras diretas são quase 26%, mas que há depois uma série de outras taxas e impostos estaduais que, á partida, se deverão manter. Aliás, o Brasil tinha anunciado que iria fazeruma revisão tributária e substituir todas estas taxas por uma única, batizada de ‘Imposto do Pecado’, mas não é o claro o que vai acontecer.

Em termos de outros mercados estratégicos, o Reino Unido está a cair 11,5%, para 67,5 milhões de euros.Na Europa, os Países Baixos estão a crescer 6,5%, mas a Alemanha e a Bélgica caem quase 1% cada.O preço médio de exportação está também a cair - está nos 2,74 euros contra 2,86 de há um ano - fruto das exportações massivas, a granel, para Espanha: cresceram 168% em volume e 40% em valor. (16.12.24/Fonte: Dinheiro Vivo)

Lufthansa Technik: Gigante mundial da aviação que gera 6,5 mil milhões aterra em Santa Maria da Feira

Memorize esta sigla: MRO. Há muito dinheiro a ser feito na reparação e manutenção de aviões. Portugal vai receber um investimento de um gigante mundial do sector: a Lufthansa Technik, do grupo da transportadora alemã, que gera 6,5 mil milhões de receitas por ano, com 800 clientes, e fábricas em 30 países. Investimento anda na ordem das centenas de milhões de euros. Mercado global vale 100 mil milhões e vai continuar a crescer à medida que as viagens aéreas continuam a aumentar.

O sector aeronáutico mundial não vive somente de transportar passageiros. Esta é a face mais visível do negócio, obviamente, mas há toda uma indústria a jusante que deverá gerar 124 mil milhões de dólares (117 mil milhões de euros) anuais daqui a 10 anos.

Memorize esta sigla: MRO – é o mercado de Manutenção, Reparação e Revisão. Só este ano terá gerado 104 mil milhões de dólares (98 mil milhões de euros), segundo previsões da Statista. O segmento dedicado só à parte de reparação e manutenção de motores que pesou 48% no mercado este ano e deverá disparar 26% até 2034 e pesar 63 mil milhões de dólares nos 124 mil milhões totais.

Portugal vai entrar agora na rota deste valioso mercado global. A Lufthansa Technik (LT) vai abrir uma unidade industrial em Santa Maria da Feira, distrito de Aveiro, com 54 mil m², anunciou a empresa na segunda-feira. A companhia que pertence à transportadora aérea alemã Lufthansa vai criar mais de 700 postos de trabalho na fábrica de reparação de peças de motores e componentes de aviões.

O investimento anda na ordem das centenas de milhões de euros, segundo a empresa, que rejeitou avançar o valor.

O ministro da Economia rejeitou na segunda-feira que este investimento esteja ligado à privatização da TAP (a Lufthansa já mostrou o seu interesse).

No mundo do MRO, o mercado norte-americano é o que gera mais negócio: 24 mil milhões de dólares, com a Europa Ocidental a surgir na segunda posição, com 21 mil milhões de dólares.

A maior empresa do sector é a General Electric Aviation (com receitas de 32 mil milhões de dólares), mas fabrica motores, tal como outras empresas relevantes do mercado MRO (CFM International e Rolls Royce). A LT assume-se como a maior empresa mundial independente do sector.

“Basta ver os resultados do grupo TAP para perceber que existem outros ramos do negócio da aviação mais fáceis para se fazer dinheiro do que propriamente a transportar passageiros. A TAP Manutenção e Engenharia é o sector onde a TAP teve um aumento de receita percentual maior”, disse ao JE Pedro Castro, especialista em aviação, acrescentando que o próprio CEO da empresa disse recentemente que este era “um dos eixos do futuro para alavancar os resultados e perícia do grupo TAP”.

“A Lufthansa Technik é uma unidade autónoma do grupo Lufthansa que goza de uma excelente reputação e uma vasta carteira de clientes. Tem várias localizações espalhadas pelo mundo e com diferentes especializações, como Filipinas, Budapeste, Sofia, Malta, Shannon, etc. É muito relevante trazermos este tipo de ramo desta indústria para Portugal, cria um outro tipo de emprego e de especialização que ajuda a alguma diversificação. A nível governativo é importante que este investimento não crie nenhuma preferência ou obrigação em sede da privatização da TAP (companhia aérea) porque são negócios totalmente diferentes”, segundo o consultor e diretor da SkyExpert.

Quem é a Lufthansa Technik?

Detida unicamente pelo grupo Lufthansa, que em 2023 recuou na sua intenção de abrir o capital da companhia, as suas receitas subiram 18% em 2023 face a 2022 para mais de 6.500 milhões de euros, um valor recorde. Deste valor, cerca de um terço teve origem no grupo Lufthansa com dois terços a terem origem em clientes externos.

Com um EBTIDA Ajustado de 785 milhões de euros, mais 7% face a período homólogo, a LT contava com quase 23 mil trabalhadores em todo o mundo no final do ano passado.

A companhia intitula-se a “o maior fornecedor mundial independente [fora as empresas que pertencem a fabricantes aeronáutico] de serviços de MRO para aviação civil comercial”.

Conta com 30 fábricas em todo o mundo e com participações diretas e indiretas em 64 empresas, contando com mais de 800 clientes, entre fabricantes de aviões, empresas de leasing, operadores de jatos privados, governos e forças armadas.

O resultado recorde obtido em 2023 deveu-se à “forte procura por voos, o que levou a um aumento da procura por serviços de manutenção e reparação”.

O recorde foi obtido “apesar de dificuldades na cadeia de abastecimento, aumento dos custos de material e com pessoal e um ligeiro recuo no dólar”.

No ano passado, a empresa lançou um programa crescimento com o nome de “Ambition 2030” para manter a sua “posição de liderança global, mesmo sem ter um novo acionista a bordo”.

A empresa espera “que a “procura por serviços MRO permaneça elevada, especialmente para motores. Além do aumento de motores a envelhecer em operações em todo o mundo, isto deve-se a uma maior intensidade de manutenção dos novos desenvolvimentos de motores”.

O “Ambition 2030” prevê um “maior gasto de capital para expandir o negócio principal, bases adicionais e uma maior presença internacional, potencialmente através de aquisições, assim como a expansão de modelos de negócio digital”.

A procura por pessoal é elevada, com mais de 220 novos trabalhadores a juntarem-se à empresa só na Alemanha.

A companhia desenvolveu uma tecnologia com a empresa química BASF conhecida por AeroShark,que imita a pele de tubarão, que é “particularmente hidrodinâmica, assim otimizando as aerodinâmicas de áreas relevantes do avião, consumindo menos combustível”, que reduz o consumo de combustível em 1%.

A companhia planeia equipar mais de 100 aviões da Boeing 777 om o AeroShark nos próximos anos, esperando obter aprovação para equipar os Airbus A330 e A320neo e também o Boeing 737.

Em 2023, 15 aviões receberam esta tecnologia para tornar a aviação mais sustentável no futuro.

A companhia também quer avançar no hidrogénio e tem planos para converter um A320 para poder pesquisar esta tecnologia.

Em relação a contratos, conseguiu 27 novos clientes em 2023, com mil novos contratos fechados num total de 8 mil milhões de euros, com 3,1 mil milhões a serem assinados com companhias do grupo Lufthansa.

“Isto inclui novos contratos de longo prazo para fornecer componentes estratégicos a diversas companhias”, incluindo a Hawaiian Airlines, para fornecer peças a 52 aviões Airbus nos próximos sete anos, com esta operação a marcar a sua entrada nos serviços MRO para aviões da Airbus nos EUA. Também renovou contratos com a Emirates para o Airbus A380.

A nível tecnológico, a Lufthansa Industry Solutions, que pertence à LT, “desenvolve soluções inovadoras para mais de 300 empresas nos sectores da aviação, indústria, logística e transportes” tendo expandido os seus serviços para a inteligência artificial em 2023.

A companhia expandiu-se para o sector da defesa, tendo vencido um dos contratos para a manutenção dos novo F-35 da Deutsche Luftwaffe, a força aérea alemã. Está também envolvida no projeto Pegasus da Força Aérea Alemã para fornecer a nova aeronave de reconhecimento e patrulha da Luftwaffe. É também parceira da Boeing para fornecer o novo transporte de helicóptero pesado Chinook, operado pela Luftwaffe. Há mais de 60 anos que providencia serviços à German Special Air Mission Wing que tem vários aviões para servir o Estado alemão com o transporte de políticos, pessoal e material.

“Algo realmente grande será criado aqui”

A Lufthansa Technik disse na segunda-feira que “tem objetivos de crescimento ambiciosos e queremos continuar a expandir a nossa posição de liderança como líder de mercado global no sector MRO [manutenção, reparação e revisão] no futuro. É por isso que já estamos a começar a ampliar as nossas capacidades, acrescentando localizações estrategicamente importantes à nossa rede global e garantindo assim que podemos continuar a satisfazer, no futuro, as expetativas dos nossos mais de 800 clientes internacionais da melhor forma possível. Estamos convencidos de que encontrámos o local ideal em Santa Maria da Feira. Algo realmente grande será criado aqui – para a região, para a Lufthansa Technik e para os nossos colaboradores e clientes. Este investimento é também um sinal do compromisso do Grupo Lufthansa com Portugal”, disse em comunicado Harald Gloy da Lufthansa Technik.

O comunicado não revelou o valor de investimento previsto e destaca que a “cooperação com o Governo português, representado pela AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), e com a câmara municipal de Santa Maria da Feira foi particularmente profícua – ambas as instituições deram um grande apoio à Lufthansa Technik num processo muito intenso”.

Já o ministro da Economia Pedro Reis disse que este é “mais um passo para a reindustrialização do nosso país e representa a confiança nas nossas infraestruturas e na nossa mão de obra, especialmente nos nossos engenheiros altamente qualificados do setor da aviação. Mostra também que estamos no bom caminho para atrair investimento estrangeiro que ajudará a impulsionar a economia portuguesa. Portugal e a Alemanha, em conjunto, através de projetos estratégicos e alianças como esta, podem ajudar a Europa a acelerar o seu crescimento sustentável rumo a um futuro brilhante para as nossas economias e empresas”, afirmou em comunicado.(10.12.24/Fonte: Jornal Económico)

Crise. França vale 36 mil milhões de euros para Portugal e emprega cá 60 mil pessoas

Alguma coisa vai mal na República Francesa, dizem vários analistas. Com tanto défice e tanta dívida, e agora sem governo, nem orçamento, o que há de ser da gigante França, da Zona Euro e dos seus aliados económicos mais próximos, como Portugal.

A Alemanha é grande, mas, para Portugal, França é ainda maior. A segunda maior economia da União Europeia (UE) e da Zona Euro é o segundo maior investidor estrangeiro, ocupa o mesmo lugar como mercado das exportações portuguesas, é medalha de prata como emissor de receitas de turismo.

O Investimento Direto Estrangeiro de capital gaulês está avaliado em mais de 20 mil milhões de euros, segundo o Banco de Portugal. E para os exportadores nacionais é um mercado que vale mais de 16 mil milhões de euros, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do BdP.

Só aqui, o valor direto de França para Portugal é imediato: 36 mil milhões de euros por ano.

Mais relevante do que Alemanha em todas estas métricas, a crise política e orçamental em que França acaba de mergulhar pode alastrar facilmente à economia portuguesa.

Segundo a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Francesa (CCILF), haverá cerca de 750 empresas francesas em Portugal, “empregando 60 mil pessoas”.

Nomes familiares não faltam. De acordo com a mesma associação empresarial, em solo português estão a “PSA, que tem na sua fábrica de Mangualde um centro de produção de veículos ligeiros, ou a Renault, que mantém em Cacia a produção de componentes automóveis”. “Estão no país há várias décadas e empregam centenas de pessoas”, indica a mesma câmara de comércio.

A gigante Engie, do setor das energias renováveis em Portugal, “tem uma parceria estratégica com o grupo EDP” e emprega mais de 600 pessoas.

A Legrand, sediada em Carcavelos, “é um grupo multinacional especializado no fabrico e comercialização de materiais elétricos e hidráulicos”.

No setor do retalho/comércio, França está profusamente representada no território português, e há muitos anos já, através de marcas como “Auchan/Jumbo, Leroy Merlin, Decathlon, Intermarché, Leclerc, Conforama, La Redoute, Fnac e a Decathlon”.

A gaulesa Altice é a dona da Meo, uma das maiores companhias de telecomunicações.

No setor bancário e financeiro, pontuam dois nomes. Em Lisboa, está o BNP Paribas, cidade onde este enorme grupo global desenvolve a área de “gestão de risco, gestão de ativos, backoffice e mercados de capitais”.

O grupo BNP diz que emprega atualmente cerca de 8700 pessoas em Lisboa e também algumas no Porto. O banco de investimento Natixis encontra-se de armas e bagagens na cidade Invicta onde opera o seu “centro tecnológico”, informa a CCILF. Emprega 2400.

Já a gigante da construção e gestão aeroportuária Vinci tem, porque comprou a Ana - Aeroportos de Portugal, a concessão, até 2062, de quase todos os aeroportos nacionais, incluindo Lisboa, Porto e o futuro aeroporto em Alcochete. O grupo ainda tem em Portugal a Vinci Energies.

Um caso malparado

Em França, as últimas semanas foram a ferro e fogo (ver pág. 18). O Governo de Michel Barnier, ex-comissário europeu e decano da política francesa, caiu com as moções de censura da extrema-direita (FN) e da esquerda/extrema-esquerda (NFP).

Empossado pelo presidente Emmanuel Macron há menos de três meses, Barnier cai porque avançou com uma proposta de Orçamento para 2025 que toca num dos pontos mais sensíveis para a sociedade francesa: a reforma das pensões.

França, a outra metade do eixo (franco-alemão) fundador e sustentáculo da Europa, está a ser mal vista pelos avaliadores mais próximos e isso pode ter repercussões na Zona Euro, no custo da dívida, na capacidade de recuperação das economias europeias. Todas estão interligadas, como se vê no caso de Portugal.

“Este acontecimento é negativo em termos da qualidade de crédito de França pois aprofunda o impasse político do país, reduz a probabilidade de uma consolidação das finanças públicas e contribui para prémios de risco [nas taxas de juro] maiores e para um custo mais elevado da dívida”, diz Olivier Chemla, o economista que lidera a equipa da agência de ratings Moody’s que segue a República Francesa.

Com um défice público que agora ultrapassa os 6% do Produto Interno Bruto (PIB) e um rácio de dívida a subir e acima de 115% do PIB, França não inspira aquela confiança de outrora.

Em termos orçamentais, “é desafiante”, afirma Alexandre Stott, analista do Goldman Sachs.

“No nosso pressuposto de médio prazo , vemos 1% de crescimento real do PIB, 2% de inflação e taxas de financiamento de 3%”.

“Uma inflexão significativa na trajetória orçamental parece improvável até novas eleições presidenciais, em 2027”, “os efeitos de um défice mais elevado no crescimento serão provavelmente bastante modestos” e uma política orçamental mais flexível “levaria a um maior aperto das condições financeiras e pesariam sobre a atividade económica nos próximos trimestres”, observa o mesmo economista.

França enfrenta hoje uma taxa de juro na dívida pública a dez anos de 3%. O custo imputado pelos investidores a Portugal é 2,5%, muito menor.(06.12.24/Fonte: Dinheiro Vivo)

Novo dono da Camac deslocaliza produção do Reino Unido para Santo Tirso e cria mais de 100 empregos

O novo dono daquela que era a única fabricante de pneus de capital português deslocalizou a produção do Reino Unido para a unidade tirsense, num investimento de 20 milhões de euros na sua expansão, renovação e modernização, com capacidade para produzir 500 mil unidades por ano.

Fundada em 21 de setembro de 1967, em Santo Tirso, a meia dúzia de quilómetros da gigante alemã Continental Mabor, a fabricante de pneus Camac já teve várias vidas.

Começou a laborar a 10 de março de 1969, ainda sob a designação inicial de Fábrica de Pneus Fapobol, teve donos como o antigo banco BPA, o excêntrico empresário espanhol Ruiz Thierry, ou os portugueses José Serra – ligado ao setor têxtil – e Carlos Pissarra, advogado e antigo gestor da SAD do Boavista.

Até que, após vários anos a acumular prejuízos e com a tesouraria asfixiada, a Camac paralisou a 29 de agosto de 2008, na sequência da greve dos 290 trabalhadores por atraso no pagamento de salários. Passados quatro meses, era decretada a sua insolvência.

Viria a retomar a produção em 2010, já sob o comando dos irmãos Jorge e Fernando Rodrigues – do grupo bracarense General -, como o apoio do IAPMEI, que injetou quatro milhões de euros na empresa.

Mas desde então que a Camac vinha saltando de PER (Processo Especial de Revitalização) em PER, tendo o último sido homologado em maio do ano passado.

Entretanto, de supetão, em maio deste ano era anunciado que o grupo britânico SPC, o principal fabricante europeu de compostos de borracha, tinha escolhido Portugal para implementar um projeto estratégico que visa reforçar a sua posição no competitivo mercado europeu de pneus de alta performance.

"O projeto prevê a aquisição de ativos da Avon Tyres Motorsport, atualmente detida pelo grupo Goodyear, transferindo a produção do Reino Unido para Portugal, passando a comercializar através de uma nova marca, a Nova Tires", revelava o Banco Português de Fomento (BPF).

Em causa está um projeto orçado em 20 milhões de euros, com o BPF a anunciar a contratação de uma operação de investimento na Nova Motorsports, S.A. (anterior Turbalvoroço), o veículo criado pelo grupo britânico para a aquisição dos ativos da Avon Tires e, também, para a compra da CNB/Camac – Companhia Nacional de Borrachas, que era até agora a única fabricante nacional de capitais portugueses.

Esta quarta-feira, 20 de novembro, o novo dono da Camac revela que "o programa de renovação e modernização de 20 milhões está em andamento" e que "serão criados mais de 100 empregos em diversas áreas, incluindo engenharia, tecnologia, marketing e outras funções".

Em comunicado, dá conta que "os primeiros pneus de marca Nova Motorsport, o ACB11 para rallycross, foram produzidos na fábrica no final de agosto e estreados numa apresentação especial no evento Rallycross RX Loheac 2024, em França", sendo que, "em outubro, a fábrica portuguesa revitalizada retomou a produção da linha de pneus Camac Classic para o mercado europeu".

Com "20 milhões de euros destinados à expansão, renovação e modernização das instalações", dotando a fábrica tirsense com "capacidade para produzir 500 mil pneus por ano",realça que

"a aquisição da Camac reforça significativamente a missão da Nova Motorsport de redefinir o panorama da produção de pneus para automobilismo e pneus especializados".

Para garantir "os mais elevados níveis de qualidade de fabrico e de produto", a Nova Motorsport reporta que "foram carregados cerca de 200 camiões carregados de equipamentos transferidos da antiga fábrica da Avon em Melksham, no Reino Unido, para Portugal".

Além disso, "a maquinaria existente para a produção de pneus Camac na fábrica está a ser atualizada e modernizada para garantir uma qualidade exemplar", afiança, adiantando que "estão também a ser implementadas melhorias adicionais e contínuas em todas as instalações, através da integração de vários sistemas novos e da adoção de processos avançados de fabrico e de garantia de qualidade adquiridos à Avon Motorsport".(20.11.24/Fonte: Jornal de Negócios)

"Risco de sobrevivência" da Alemanha agrava-se e Portugal pode ser arrastado

Segunda maior fonte de turistas, terceiro maior mercado dos exportadores de mercadorias portugueses, investidor estrangeiro histórico, sobretudo na indústria, a Alemanha tem 400 empresas cá, dando emprego a quase 50 mil pessoas. Em 2024, entrou em recessão outra vez, a terceira dos últimos cinco anos.

A Alemanha, a terceira maior economia do mundo, é um dos parceiros económicos históricos de Portugal, ocupando um lugar cimeiro como destino das exportações portuguesas (turismo incluído) e um lugar de topo como investidor estrangeiro, saliente sobretudo, desde meados dos anos 80 do século passado, quando abriu a grande fábrica Autoeuropa, em Palmela, principal âncora do valioso cluster automóvel nacional.

Mas há problemas a fermentar que podem prejudicar ou baixar a intensidade desta relação ou, pelo menos, provocar compassos de espera. Vendas que podem adiadas, investimentos que pode entrar em pausa, até a situação desanuviar.

Portugal está vulnerável porque a Alemanha é o terceiro maior mercado dos exportadores portugueses (a seguir a Espanha e França), absorvendo quase 11% dos produtos made in Portugal.

No total (bens e serviços), estamos a falar de um mercado gigantesco avaliado Gabinete de Estratégia e Estudos (GEE) do Ministério da Economia em quase 14 mil milhões de euros em exportações por ano (2023) repartidos por 8,2 mil milhões de euros em produtos (mercadorias) e o resto (5,8 mil milhões) em serviços, onde se destacam o exuberante turismo.

Segundo a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), "na estrutura das exportações portuguesas de bens destacam-se em 2023 os mercados de Máquinas e Aparelhos (29,5%), Veículos e Outro Material de Transporte (18,8%), Instrumentos de Ótica e Precisão (10,3%), Plásticos e Borracha (7%)".

Ainda nas exportações, mas na componente dos serviços, aparece como segundo maior mercado gerador de turismo (a seguir ao Reino Unido).

O Instituto Nacional de Estatística (INE) a contabilizar mais de seis milhões de turistas (hóspedes) que escolheram Portugal para pernoitar (hotéis e outros alojamentos) durante todo o ano passado, marca que será claramente batida este ano pois até setembro, o país já recebera a visita de cinco milhões de alemães.

Investimento alemão sob pressão

Depois a vulnerabilidade talvez mais crítica e de maior repercussão a prazo, no desenvolvimento português: o investimento.

A Alemanha tem investidos em Portugal (o stock apurado pelo Banco de Portugal no final do primeiro semestre deste ano) mais de oito mil milhões de euros, valor que tem batido máximos históricos sucessivos, mesmo com a estagnação inevitável que aconteceu no primeiro ano da pandemia (2020).

É o sétimo maior investidor estrangeiro em Portugal, numa lista que costuma ser liderada por Espanha e França.

Segundo a Embaixada da Alemanha em Portugal, haverá atualmente cerca de 400 empresas de capital originariamente alemão, que empregam perto de 50 mil trabalhadores. A maior parte destas operações ocorrem na indústria transformadora tecnologicamente mais avançada.

De acordo com a AICEP, olhando apenas para a indústria pura, a Alemanha surge como o "maior investidor estrangeiro".

Volkswagen Autoeuropa, Bosch Car Multimedia Portugal, Continental Mabor, Mercedes-Benz Portugal, BMW Portugal, Siemens, são algumas das maiores operações empresariais, só para citar nomes sonantes e familiares dos portugueses.

"Portugal recebeu investimentos de grandes empresas alemãs, tais como a Volkswagen (Autoeuropa), Siemens (desde 1905 em Portugal), Infineon, Epcos, Bosch/Blaupunkt, Continental (Mabor), mas também de muitos fabricantes de renome da fileira moda (calçado e confecção), como por exemplo a Gabor, Ara Shoes e Priess Modelle, que encontraram no nosso país (nos anos sessenta e setenta do século passado) uma localização excelente para investimentos industriais. Também as grandes empresas alemãs do sector metalomecânico e de subcontratação (Edscha, Mahle, Kromberg & Schubert, Preh-Werke, HUF, Leica, Benteler e Grohe, etc.) instalaram fábricas em Portugal", diz a AICEP.

“Tem de se adaptar aos novos tempos”

Vários economistas avisam que Alemanha pode demorar a sair da atual armadilha da estagnação e recessão, de baixo potencial de crescimento uma vez que precisa de se reinventar novamente, fazer investimentos estruturais que estão em falta, reduzir a dependência ainda elevada em relação ao gás e ao petróleo.

"A Alemanha deve adaptar o seu modelo económico para se adaptar aos novos tempos", afirma o gabinete de estudos do banco BPI.

"Na década anterior à pandemia, o desempenho económico da Alemanha foi impulsionado por políticas bem-sucedidas destinadas a promover as Pequenas e Médias Empresas (PME), pelo dinamismo do sector industrial assente no fornecimento barato de gás russo, pela capacidade de produzir bens de alta qualidade, especialmente automóveis, e pela forte orientação para a exportação".

"Este modelo está, no entanto, ameaçado pelo abrandamento do comércio mundial, pelas guerras aduaneiras, pela emergência de novos rivais (nomeadamente a China) e pelo fim do acesso ao gás russo", avisam os mesmos analistas.

Quem está radicado na Alemanha está mais inquieto. É o caso de Klaus Wohlrabe, economista sénior do influente Instituto de Estudos Económicos (Ifo), sediado em Munique.

"A percentagem de empresas alemãs que temem profundamente pela sua sobrevivência económica aumentou para 7,3%", conclui o novo estudo. "É provável que o aumento constante das insolvências empresariais na economia alemã se mantenha", afirma o economista.

"Para além da falta de encomendas, a crescente pressão competitiva internacional está a perturbar de tal forma muitas empresas que estas vêem o seu futuro gravemente em risco”, acrescenta Klaus Wohlrabe.

"O número de insolvências empresariais está muito acima do nível dos anos anteriores", "a falta de encomendas em todos os sectores está a conduzir a consideráveis ​​estrangulamentos de liquidez" e, ao mesmo tempo, "a combinação entre os elevados custos da energia e a crescente concorrência internacional está também a ter um impacto particularmente negativo".

O medo de não sobreviver afeta principalmente "a indústria transformadora, onde 8,6% das empresas reportam graves problemas económicos, quando no ano passado, o número foi 6,4%".

A Alemanha, sabe-se agora através da Comissão Europeia, terá caído novamente em recessão, em 2024, com um deslize de 0,1%, naquele que é o terceiro retrocesso económico em cinco anos, apenas.

O primeiro foi em 2020 por causa da pandemia, o segundo foi em 2023, quando ficou exposta a fratura inflacionista provocada pelo aumento dos preços da energia (muita dela russa) e, já este ano, (como no precedente), por causa da fragmentação no comércio mundial e com o fosso crescente entre Ocidente e amigos da NATO e outros (China, Rússia, etc.). A Alemanha é um exportador nato, por assim dizer.

Para Portugal, trata-se de uma situação delicada por causa dos impactos diretos que acontecem por diversas vias.

A mais crítica é a do comércio externo. A relação muito antiga entre Alemanha e Portugal radica num modelo de captação de investimento (cá), sobretudo em indústrias de alta intensidade tecnológica, que depois exportam quase tudo o que produzem para o mercado alemão e o resto do mundo.

Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), descolou-se a Estugarda esta semana para participar na Automotive Interiors Expo, "uma importante feira do setor da Europa onde está representada a cadeia de valor da indústria automóvel especializada em componentes e sistemas de interiores automóveis". Com ele foram quatro empresas: Bramp, Fehst, Maxiplás, Trim NW.

Ainda há algum otimismo no ar. “A Alemanha é um dos principais parceiros de Portugal, contudo, é recomendável uma abordagem estratégica, estruturada e persistente ao mercado. Em termos de oportunidades de negócios, é um mercado interessante para a economia digital, soluções energéticas, mobilidade e transportes, saúde, vestuário, têxteis, calçado, semicondutores, entre outros" e, além disso, tem "um elevado poder de compra", remata o responsável empresarial.

Rating máximo, dívida baixa, economia à defesa e política ao ataque

O Governo da “coligação semáforo” caiu porque não houve consenso para aumentar despesa e dívida. Economistas dizem que é um bocado inevitável abrir os cordões ao orçamento, sobretudo, no setor militar e devido à ameaça russa. “Lacuna” de investimento da Alemanha nesta área pode rondar 230 mil milhões de euros, diz um especialista do país.

Depois de anos de hegemonia económica e de estabilidade política (a era Angela Merkel que durou quase 20 anos, de 2005 a 2021), a Alemanha hoje, apesar da queda do muro, é uma país dividido e com contrastes cada vez mais vincados.

As Finanças Públicas estão numa posição invejável, tendo em conta a necessidade de agir e de lançar medidas que contrariem os efeitos dos choques externos que ainda hão de surgir num futuro próximo.

Rating máximo, dívida baixa (das mais reduzidas entre as maiores economias do mundo), uma capacidade orçamental que está agora, por causa da estagnação e recessão interna, no centro de uma disputa política, com as forças mais extremas de direita no governo (que entretanto colapsou) a pedir ainda mais restrição financeira ao Estado federal.

Num país que precisa de relançar e reinventar a economia, investir e inovar mais, que quer apoiar ao máximo a Ucrânia, que quer ser um líder mundial na despesa militar no âmbito da NATO (para tentar responder à fúria do Presidente-eleito dos EUA, Donald Trump), haver tamanha disputa sobre se se deve usar ou não a margem orçamental existente e aliviar o travão da dívida é algo que aquece o debate político e económico e que cava o fosso entre o centro-esquerda e a direita mais liberal ou radical que esteve no governo até há poucos dias.

O Governo germânico, através da sua Embaixada em Portugal, explica que a demissão do ministro das Finanças, Christian Lindner, pelo chanceler federal, Olaf Scholz, a 6 de novembro passado, significa que a chamada "coligação semáforo” entre SPD (socialistas), Aliança 90/Os Verdes (Partido Verde) e FDP (Partido Democrático Liberal, liderado por Lindner), "fracassou após três anos".

O serviço diplomático explica que "o chanceler Scholz deixou claro que a sua confiança em Lindner foi quebrada" a partir do momento em que o ministro se recusou a fazer um orçamento mais orientado para a despesa por, alegou, ir assim violar a regra constitucional alemã relativa ao endividamento público. "A demissão de Lindner foi necessária para evitar inflingir danos sobre o país”, disse Scholz.

As eleições federais estão agora marcadas para 23 de fevereiro de 2025. Se Scholz for reeleito, algo que não está nada garantido, a ideia será "usar os fundos [públicos] para reforçar a ajuda à Ucrânia e elaborar um pacote de apoio à economia alemã", que permita "baixar os preços de energia" e "premiar o investimento".

Travão da dívida vai ser difícil de desarmar

Niklas Steinert, analista principal da agência de rating Standard & Poor's não tem dúvidas: a Alemanha pode gastar mais para levantar a economia, mas não sem contenda política nos próximos meses.

"O travão da dívida pode continuar a complicar a formulação de políticas após as eleições antecipadas", sendo também verdade que "uma política orçamental conservadora" como essa "pode complicar os investimentos públicos e o crescimento económico a longo prazo", receia o economista.

"Atualmente não esperamos alterações no quadro orçamental, mesmo depois de eleições" e "o travão da dívida irá, muito provavelmente, continuar a determinar a disciplina orçamental que tem caracterizado a Alemanha" nas últimas décadas.

"Consideramos que as métricas de crédito da Alemanha são fortes" o que permite à S&P não ter dúvidas sobre o músculo financeiro da maior economia da Europa, mesmo estando em recessão. "A nossa classificação de crédito soberano de longo prazo é AAA", o nível mais alto possível e encontra-se estável.

Mais armamento

Florian Dorn, investigador do instituto Ifo, em Munique, diz que o governo alemão, seja ele qual for, vai ter mesmo de alargar os cordões ao orçamento e dar prioridade aos gastos militares.

"A Alemanha falhou de forma reiterada no cumprimento da meta da NATO de 2% do PIB [gastos com Defesa] durante as últimas três décadas" e isso dá uma "uma lacuna de cerca de 230 mil milhões de euros em investimentos necessários na defesa".

Segundo Dorn, “os salários dos soldados e os custos do equipamento militar são significativamente mais baixos na Rússia ou na China, do que nos países da Europa Ocidental", pelo que a pressão financeira também é maior por esta via.

"Até que o aumento da eficiência e das estruturas conjuntas de Defesa na Europa dê frutos, a atual situação geopolítica exige mais despesas militares". Para o perito, não há volta a dar.(18.11.24/Fonte: Dinheiro Vivo)

Portugal: Banca corta nos balcões e nos funcionários

Instituições registavam, até junho, 36 718 trabalhadores e 3326 balcões.

Os elevados lucros registados pelos bancos até setembro foram conseguidos num quadro de menos balcões e menos funcionários, mas mais contas online e mais pagamentos eletrónicos. No primeiro semestre deste ano, a banca registava o valor mais baixo de funcionários dos últimos 37 anos.

Os lucros dos cinco principais bancos a operar em Portugal atingiram, até setembro, 3,9 mil milhões de euros. Segundo o ‘Negócios’, estes resultados podem levar à distribuição de cerca de 2,9 mil milhões de euros pelos acionistas da CGD (Estado), BCP, BPI e Santander. São mais 500 milhões de euros face a 2023 num quadro de menos funcionários, e menos balcões abertos, mais clientes online e mais compras com cartões.

A Associação Portuguesa de Bancos (APB) contabilizava, até junho deste ano, 36 718 trabalhadores e 3326 balcões. Depois de um ligeiro aumento entre 2022 para 2023, o número de funcionários caiu este ano para o valor mais baixo desde 1987, de acordo com dados da APB.

Já nos balcões, a associação aponta este ano para 3326, menos um do que o registado o ano passado. No entanto, desde 2011, quando foi atingido o valor mais elevado (6305), a redução dos espaços para o atendimento tem sido acentuada. Em contrapartida, aumentou exponencialmente o número de contas com acesso à Internet, que cresceu de 1,5%, em 2000, para 70,3%, em 2023, bem como o número de cartões e pagamentos. Segundo dados da APB, há mais de 25 milhões de cartões de pagamento e até junho quase 60% das operações eram compras.(13.11.24/Fonte: Correio da Manhã)

Mais de metade dos portugueses poupa menos de 10% do salário

Dados relativos aos hábitos de poupança dos portugueses representam uma ligeira recuperação face aos 66% e 41%, respetivamente, registados em 2023, segundo o estudo "Consumer Sentiment Survey 2024" da Boston Consulting Group.

Mais de 60% dos portugueses só consegue poupar menos de 10% do seu salário líquido e 38% guarda nem 5% do que recebe, segundo o estudo "Consumer Sentiment Survey 2024" da Boston Consulting Group (BCG), divulgado esta quinta-feira.

Anunciados pela consultora no Dia Mundial da Poupança, estes dados relativos aos hábitos de poupança dos portugueses representam uma ligeira recuperação face aos 66% e 41%, respetivamente, registados em 2023.

O estudo -- realizado anualmente para aferir os hábitos de consumo, despesa e poupança em Portugal - conclui ainda que dois em cada 10 portugueses (20%) poupa entre 10% a 20% do seu salário líquido, um aumento de quatro pontos percentuais face ao ano passado, enquanto 9% reserva 20% a 30% e, tal como em 2023, apenas 5% consegue economizar mais de 40% do que aufere.

Quando conseguem poupar, 63% dos portugueses destinam essa fração dos rendimentos para responder a potenciais imprevistos, 39% para acumular para a reforma e 33% para viajar, sendo que nestas duas últimas categorias se verificou uma subida de três pontos percentuais face a 2023.

Já comprar casa é uma prioridade para a alocação da poupança para 22% dos inquiridos, dois pontos percentuais acima do ano passado, seguida de comprar um carro (13%) e gastar noutros bens de consumo (10%), percentagens que se mantêm inalteradas face à edição anterior do estudo.

Citado num comunicado, o 'managing director' e 'partner' na BCG Lisboa nota que "a maioria dos portugueses continua a não conseguir poupar, gastando a maior parte do que aufere com necessidades básicas e alocando o capital que consegue amealhar em investimentos de baixo risco".

"Neste contexto, as empresas devem tentar diferenciar a oferta, otimizando a sua estratégia de preços e descontos e melhorando o seu 'modus operandi' na promoção e distribuição de produtos, bem como os canais físicos e digitais onde estão presentes, de modo a serem mais atrativas para os consumidores", afirma Tiago Kullberg.

"Paralelamente, urge apostar em literacia financeira a nível nacional como um instrumento para termos cidadãos mais bem informados e capacitados", acrescenta.

Relativamente aos hábitos de consumo, a BCG dá conta de algumas alterações face ao ano passado, com 58% dos portugueses a revelarem ter sentido um aumento nos gastos com alimentação, 36% com farmácia e saúde, 35% com o veículo pessoal, 34% com a renda da habitação e 36% com restauração.

Segundo a consultora, "o aumento da despesa em necessidades básicas provocou uma queda acentuada dos gastos noutras categorias", nomeadamente entretenimento fora de casa (-34%), roupa e acessórios (-34%), viagens e férias (-31%), perfumaria e maquilhagem (-22%) e bebidas alcoólicas (-21%).

E, nota, "apesar de a maior parte das variações em gastos terem afetado todas as faixas etárias, o aumento de gastos com farmácia e saúde foi principalmente sentido pela população sénior (57%), enquanto os mais jovens e adultos foram os que mais sentiram um aumento da fatura com renda (37%)".

Do trabalho resulta ainda que os portugueses "continuam a ter um perfil de investimento bastante conservador, preferindo alocar as poupanças em produtos de baixo risco".

O estudo detalha que os jovens adultos recorrem sobretudo a depósitos à ordem (38%) e depósitos a prazo (36%), mas são, ainda assim, a faixa etária que mais investe em ações e obrigações, alocando cerca de 18% dos seus recursos a esta classe de ativos. Em contrapartida, alocam menos de 10% dos recursos em fundos de pensões e em ativos não financeiros.

Já entre os portugueses de meia-idade destacam-se os depósitos à ordem e os depósitos a prazo, com 36% e 37% do total, respetivamente, enquanto as ações e obrigações perdem relevância (14%), tal como os ativos não financeiros (3%), ganhando importância os fundos de pensões (9%).

Quanto à população com mais de 65 anos, grande parte dos recursos (84%) são investidos em depósitos a prazo e à ordem, sendo os fundos de pensões (7%), as ações e obrigações (6%) e os ativos não financeiros (4%) as aplicações de investimento menos atrativas.

Comparando homens com mulheres, a BCG nota que os primeiros (18%) têm maior propensão a investir em ações e obrigações (18% contra 10%), revelando "uma assimetria significativa em termos de perfis de risco".

O "Consumer Sentiment Survey 2024" tem como base um inquérito a 1.000 portugueses em todo o território de Portugal continental, conduzido entre 06 e 20 de agosto de 2024, com base em 38 perguntas relacionadas com o sentimento dos inquiridos relativamente aos seus hábitos de consumo este ano.(31.10.24/Fonte: Diário de Notícias)

Inteligência artificial vai levar à requalificação de 1,3 milhões de postos em Portugal

Cerca de 1,3 milhões de postos de trabalho vão ter de ser requalificados em Portugal com a adoção da automação e da inteligência artificial generativa (GenAI), refere um estudo da McKinsey. A adoção de novas tecnologias é inevitável e já está a acontecer com impacto significativo nas tarefas atuais refere a pesquisa.

"São 1,3 milhões postos de trabalho em que as pessoas vão ter de fazer as coisas de forma diferente", explica Duarte Begonha, sócio da McKinsey & Company, defendendo que é preciso haver uma "agenda bastante clara e definida, envolvendo os diferentes 'stakeholders' da sociedade - setor privado, setor público e a parte da educação - na requalificação laboral".

Ou seja, vai exigir um conjunto de novas competências.

A adoção célere da automação e GenAI vai libertar horas de trabalho equivalentes a estes 1,3 milhões de empregos e "estas horas poderão ser dedicadas a outras tarefas de maior valor acrescentado que conduzirá ao aumento da produtividade", lê-se no estudo "Future of Work: Automação com GenAI: Oportunidade única para melhorar a produtividade em Portugal", elaborado pelo McKinsey Global Institute (MGI), em colaboração com a Nova School of Business and Economics (SBE).

O aumento da produtividade "resultará na compensação das horas libertadas e na criação de mais horas de procura laboral, resultando num salto positivo de horas de trabalho equivalentes a +0,3 milhões de empregos".

O potencial impacto no aumento da produtividade "está dependente de um esforço estrutural que garanta a realocação da força de trabalho às novas tarefas resultantes da adoção da tecnologia", o que inclui o esforço de 'reskilling' e 'upskilling', segundo o estudo.

O relatório aponta que cerca de 30% do mercado de trabalho será impactado com adoção rápida das tecnologias referidas, exigindo novas capacidades tecnológicas e sociais equivalentes a novas tarefas, e que mais ou menos 320 mil pessoas deverão ser realocadas, sobretudo as que estão em tarefas mais previsíveis, repetitivas e com exposição direta a cliente (atendimento a cliente e apoio administrativo).

"É preciso criar no contexto da formação profissional uma componente educativa para as pessoas que já estão hoje em dia no mercado de trabalho", defende Duarte Begonha.

A ausência de uma agenda nacional de requalificação de realocação "impedirá a captura total da oportunidade com risco de desemprego", alerta o estudo.

Por exemplo, "um atraso na recolocação de pessoas de -20% terá um impacto no crescimento do PIB (-0,5-0,7 pontos percentuais) e ainda o risco de aumento de desemprego (250 mil pessoas por realocar".

No cenário de adoção mais rápida, até 2030, as ocupações que dependem, na sua maioria, de competências cognitivas básicas serão as que irão sofrer a maior diminuição e, por isto, reduzem a necessidade destas competências, refere o documento.

Em sentido inverso, "haverá um aumento significativo de competências tecnológicas, com o número de empregos que exigem estas competências, como principais, a aumentar 38%".

As competências sociais também "serão mais necessárias", com um aumento de 17% no número de empregos.

Já o aumento das competências tecnológicas, sociais e emocionais "será transversal a todos os níveis de rendimento" e as cognitivas básicas "serão muito menos relevantes do que são hoje nos rendimentos mais baixos".

Singapura e Estónia são referência "de boas práticas na implementação de desígnios estratégicos com esta escala", segundo o estudo.(21.10.24/Fonte: Jornal de Notícias)

Portugal já assegurou ano recorde na produção de energia solar

Agência Internacional de Energia prevê que renováveis respondam a metade da procura global de eletricidade até 2030. Mas objetivo mundial de triplicar a capacidade das renováveis está em causa.

No mesmo dia em que foi anunciado que Portugal produziu, até 5 de setembro, energia solar equivalente à gerada durante todo o ano de 2023, a Agência Internacional da Energia (AIE) divulgou um relatório onde alerta que o objetivo da COP28 de triplicar a capacidade de energia renovável até 2030 dificilmente será atingido. Em Portugal, 2024 será “um ano recorde em termos de produção solar”, anunciou ontem a REN - Redes Energéticas Nacionais.

Nos primeiros nove meses deste ano, foram gerados 3,99 TWh, ultrapassando os 3,6 TWh produzidos entre 1 de janeiro e 31 de dezembro de 2023, adiantou a REN. Assim, já em setembro, o país assegurou um ano recorde de produção de energia solar. No período em análise, as renováveis abasteceram 73% do consumo nacional, dos quais 10% corresponderam à produção solar.

Apesar deste pequeno contributo de Portugal, um dos 197 países signatários da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, a AIE admitiu ontem que a capacidade de produção de energia renovável no mundo só aumentará 2,7 vezes entre 2022 e 2030, o que impedirá o cumprimento do objetivo fixado no acordo assinado na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, no fim do ano passado.

Ainda assim, o relatório Renováveis 2024, publicação anual da AIE sobre o setor, aponta para a entrada de mais 5500 gigawatts (GW) de nova capacidade de energia renovável entre 2024 e 2030, valor que representa quase o triplo do aumento registado entre 2017 e 2023. Segundo o diretor executivo da AIE, Fatih Birol, este incremento corresponde à capacidade atual de energia da China, União Europeia, Índia e Estados Unidos. Nas previsões da AIE, as energias renováveis irão responder a metade da procura global de eletricidade até 2030.

A China deverá ser responsável por quase 60% de toda a capacidade de energia renovável instalada no mundo entre 2024 e 2030, prevê a AIE. A confirmar-se estas previsões, responderá por quase metade da capacidade total de energia renovável do planeta até ao final da década.

A AIE estima que a energia solar fotovoltaica irá representar 80% do crescimento da capacidade renovável global até 2030, em resultado da construção de grandes centrais de energia solar e do aumento das instalações solares nos telhados das empresas e das casas. A energia eólica também parece pronta a recuperar, com a taxa de crescimento a duplicar entre 2024 e 2030, face ao período entre 2017 e 2023, nas previsões da agência.

Apesar do objetivo de triplicar a capacidade de energia renovável no mundo até 2030 poder estar comprometido, a AIE admite ser ainda possível atingir essa meta se os governos fizerem um esforço para lidar com as incertezas políticas, agilizarem processos de licenciamento, e construírem e modernizarem 25 milhões de quilómetros de redes elétricas e atingir 1500 GW de capacidade de armazenamento, entre outras medidas. Há também a salientar que 70 países, que respondem por 80% da capacidade global de energia renovável, deverão atingir ou superar as metas de energia renovável para 2030.

O forte crescimento da energia renovável a nível global irá traduzir-se num peso de 20% no total da energia produzida em 2030, valor que compara com os 13% do ano passado.(10.10.24/Fonte: Dinheiro Vivo)

Alto preço trava cada vez mais compra de casa por famílias, avisa FMI

Famílias com rendimentos medianos já não conseguem obter um crédito para comprar casa de valor médio, conclui.

Ao analisar o estado da habitação em Portugal, o Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu que as famílias portuguesas sentem cada vez mais dificuldade em comprar casa, muito por culpa da falta de oferta e dos preços das casas, que não param de subir. Em resultado, metade dos agregados familiares deixou mesmo de conseguir comprar casa de valor médio.

“Desde 2023, uma família de rendimento mediano já não consegue um empréstimo para comprar uma casa de valor médio", conclui FMI na análise feita a Portugal que foi publicada esta quarta-feira, dia 2 de outubro. E diz ainda que, no segundo trimestre de 2023, seria preciso um salário mediano e meio para uma família conseguir contratar um crédito habitação para comprar uma casa de preço médio, escreve o Jornal de Negócios.

Por detrás da deterioração da acessibilidade da habitação em Portugal está, sobretudo, a subida dos preços das casas, que mais do que duplicaram entre 2015 e o último trimestre de 2023 (subiram muito mais que a média da zona euro, de 42%).

A subida dos preços das casas deve-se não só à alta procura por parte dos residentes no país. Segundo diz o FMI, "este aumento reflete provavelmente a procura de casas de luxo promovida pelo programa dos vistos gold e a conversão de fogos de habitação em alojamento local, ao mesmo tempo que a oferta não respondeu", cita o mesmo jornal.

Sobre o futuro, o FMI avisa que é preciso continuar a monitorizar o imobiliário em Portugal, porque se "os preços da habitação a continuarem a subir, a acessibilidade deteriora-se ainda mais".(02.10.24/Fonte: Idealista)

Governo aprova investimento de 83 milhões para produção de hidrogénio renovável

Ministra do Ambiente e Energia destaca que são investimentos deste tipo, em que apoiam o sector renovável, que vão ajudar a descarbonizar a economia portuguesa.

O Ministério do Ambiente e da Energia acabou de aprovar um total de 22 candidaturas, através do Fundo Ambiental, para a produção de hidrogénio renovável e outros gases renováveis. Trata-se de um investimento de 83 milhões de euros enquadrado no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Segundo a ministra Maria da Graça Carvalho, o Executivo está a “criar condições para pôr o país na vanguarda deste sector“, sendo que este investimento representa “um passo importante para a descarbonização da economia portuguesa”.

“Com este investimento, estamos a dar um passo decisivo para a transição energética em Portugal, promovendo a produção de hidrogénio renovável e outros gases renováveis, que são essenciais para a descarbonização de diversos setores da economia”, considera a ministra em comunicado.

Ora, o financiamento do PRR vai permitir a instalação de uma capacidade de produção de 178,5 megawatts (MW). A execução destes 22 projetos vai contribuir diretamente para a meta de 200 MW de capacidade adicional instalada, prevista a ser atingida até ao primeiro trimestre de 2026.

Os projetos em mãos abrangem diferentes tecnologias e sectores, desde a produção de hidrogénio a partir de fontes renováveis até à sua utilização nos transportes e na indústria. “Com este investimento, estamos a dar um passo decisivo para a transição energética em
Portugal, promovendo a produção de hidrogénio renovável e outros gases renováveis, que são essenciais para a descarbonização de diversos setores da economia”, considera a governante em comunicado.

A ministra destaca ainda a importância de apoiar a criação de novas oportunidades neste sector, bem como o avanço da inovação. “O hidrogénio renovável é uma das tecnologias chave para a transição energética e para a descarbonização da economia. Com este investimento, estamos a criar as condições para que Portugal se posicione na vanguarda”, afirmou..(01.10.24/Fonte: Jornal Económico)

Casas estão mais caras em Portugal mas vendas aumentam no segundo trimestre

Face ao trimestre anterior verificou-se um ligeiro crescimento de 0,8%. Em relação ao preço das casas existentes a subida homóloga foi de 8,3%, enquanto nas habitações novas o aumento foi de 6,6%.

Os preços das casas em Portugal registaram um aumento de 7,8% no segundo trimestre em comparação com o período homólogo de 2023, tendo verificado uma ligeira subida de 0,8%, face ao trimestre anterior, segundo os dados do Índice de Preços da Habitação (IPHab) divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) esta sexta-feira.

Em relação ao preço das casas existentes a subida homóloga foi de 8,3%, enquanto nas habitações novas o aumento foi de 6,6%. No trimestre em análise foram transacionadas 37.125 habitações, o que significou uma subida homóloga de 10,4% (-4,1% no trimestre anterior). Trata-se do primeiro aumento (homólogo) do número de transações desde o segundo trimestre de 2022.

Entre abril e junho de 2024, as habitações existentes representaram a maioria das transações (79,8%) tendo totalizado 29.630 unidades, mais 10,6% face ao registo do mesmo período de 2023 (variação de -4,0% no 1º trimestre de 2024). No que respeita às habitações novas, contabilizaram-se 7.495 transações, traduzindo-se num crescimento de 9,8% por comparação com o mesmo período do ano anterior (-4,4% no 1º trimestre de 2024).

No trimestre em análise o valor dos alojamentos transacionados fixou-se em 7,9 mil milhões de euros, mais 14,1% face ao registado no mesmo trimestre de 2023 (-1,8% no trimestre anterior). Já o valor das transações das habitações existentes ascendeu a 5,7 mil milhões de euros (aumento de 14,8% face ao mesmo período de 2023) enquanto o valor das transações de habitações novas atingiu 2,2 mil milhões de euros (aumento homólogo de 12,2%).

Entre o primeiro e segundo trimestres registou-se um aumento de 12,2% no número de transações de alojamentos (-3,1% no trimestre anterior). O crescimento foi extensível a ambas as categorias de habitações, tendo-se registado taxas de variação de 12,5% nas habitações novas (-0,7% no primeiro trimestre de 2024) e 12,2% nas habitações existentes (-3,7% no primeiro trimestre de 2024).

No segundo trimestre as habitações adquiridas por compradores pertencentes ao sector institucional das famílias ascenderam a 31.948 unidades, 86,1% do total. O registo obtido representa um crescimento do número de transações de 11,2% em termos homólogos e de 13,0% relativamente ao trimestre anterior.

Em valor, as vendas de habitações a famílias corresponderam a 6,7 mil milhões de euros, 85,4% do total, apresentando um crescimento homólogo de 16,4% e uma taxa de variação de 18,8% face ao trimestre anterior.

No trimestre em análise foram contabilizadas 34.661 transações cujos compradores apresentaram um domicílio fiscal no Território Nacional, mais 11,5% em termos homólogos. Em termos relativos, o peso destas transações no total diminuiu para 93,4% (93,8% no trimestre anterior), mas aumentou face ao período homólogo (92,5%).

Em termos geográficos a região Norte, com um total de 10.995 transações, concentrou 29,6% do total das vendas de habitações, mais 1,0 p.p. face ao período homólogo, seguindo-se o Centro e o Alentejo, com 5.885 e 1.945, respetivamente, foram as outras regiões a apresentar incrementos nas respetivas quotas regionais, 0,5 p.p. e 0,2 p.p., pela mesma ordem.

As transações de habitações localizadas na Grande Lisboa fixaram-se em 7.031 unidades, ou seja, 18,9% do total, percentagem idêntica à do mesmo período do ano transato. Na Península de Setúbal venderam-se 3.523 habitações, 9,5% do total, traduzindo-se numa redução homóloga de 0,4 p.p..

Seguiram-se, em termos de número de transações, o Oeste e Vale do Tejo e o Algarve, com 3.475 e 2.836 transações, respetivamente. As transações de alojamentos na Região Autónoma da Madeira ascenderam a 836 unidades, 2,3% do total (-0,1 p.p. em termos homólogos). Na Região Autónoma dos Açores contabilizaram-se 599 transações, mantendo-se o peso relativo de 1,6%.

No segundo trimestre as habitações transacionadas na Grande Lisboa totalizaram 2,5 mil milhões de euros, 32,2% do total, menos 0,7 p.p. em termos homólogos. No Norte, o valor das habitações transacionadas ascendeu a 1,9 mil milhões de euros, enquanto no Algarve atingiu 912 milhões de euros, observando-se, no primeiro caso, um aumento homólogo do respetivo peso relativo de 1,3 p.p., e, no segundo caso, uma redução da quota relativa na mesma amplitude (-1,3 p.p.).

Na Península de Setúbal, o valor das transações de alojamentos (752 milhões de euros) correspondeu a 9,5% do total, menos 0,1 p.p. face ao período homólogo. O Centro apresentou um incremento de 0,5 p.p. no seu peso relativo, para um total de 9,3%, correspondente a um valor de 733 milhões de euros.

No Oeste e Vale do Tejo e no Alentejo as habitações transacionadas somaram 508 milhões de euros e 227 milhões de euros, respetivamente, aos quais corresponderam pesos relativos de 6,5% e 2,9%, pela mesma ordem. Em ambos os casos, registaram-se aumentos das respetivas quotas relativas de 0,3 p.p. no Oeste e Vale do Tejo e 0,1 p.p. no Alentejo.

Na Região Autónoma da Madeira, as habitações transacionadas perfizeram 189 milhões de euros (2,4% do total), sensivelmente o dobro do valor observado na Região Autónoma dos Açores, 95 milhões de euros (1,2% do total).(20.09.24/Fonte: Diário Económico)

Rega Energy pretende construir fábrica de produção de hidrogénio verde na Marinha Grande

O estudo de impacto ambiental já foi efetuado e submetido à Agência Portuguesa do Ambiente, que terá de dar o seu parecer, mas "não foram identificados quaisquer tipos de impactos negativos".

A Rega Energy pretende construir uma fábrica de produção de hidrogénio verde no concelho da Marinha Grande, tendo apresentado hoje o Projeto Nazaré Green Hydrogen Valley, que prevê a descarbonização das indústrias consumidoras de gás natural.

A ser instalado na zona industrial Casal da Lebre, o projeto irá contribuir para que as empresas, sobretudo, do setor vidreiro que registam grandes consumos de gás natural, possam vir a substituir este combustível fóssil por hidrogénio verde a ser produzido na Marinha Grande, no distrito de Leiria.

"Temos prevista a construção de uma fábrica de produção de hidrogénio verde e para o fornecimento, através do pipeline, de hidrogénio verde às indústrias do parque industrial da Marinha Grande, que são as três indústrias do vidro e, eventualmente, a indústria do cimento que está fora desse parque industrial, mas está no ciclo de Leiria", explicou à agência Lusa o responsável comercial da Rega Energy, João Rosa Santos.

Segundo explicou, "o pipeline de hidrogénio irá até cada uma dessas unidades industriais", através de tubagens idênticas às do gás, sem impacto ambiental, ao longo de cerca de 12 quilómetros.

João Rosa Santos adiantou que o estudo de impacto ambiental já foi efetuado e submetido à Agência Portuguesa do Ambiente, que terá de dar o seu parecer, mas "não foram identificados quaisquer tipos de impactos negativos".

Admitindo que a redução de C02, será "só uma pequena parte", porque as empresas vão continuar a consumir gás natural fóssil", aquele responsável destaca a importância de se verificar sempre uma redução de um gás com efeito de estufa.

A construção da fábrica para a produção de hidrogénio verde não necessitará de instalação de painéis solares, uma vez que uma normativa europeia "permite que até 2028 este tipo de instalações possam ser ligadas a parques renováveis de produção de energia verde solar fotovoltaico e eólico já existentes".

Assim, a produção de hidrogénio verde utiliza fontes renováveis e eletricidade, e a água que se utiliza "provém da estação de tratamento de águas residuais da própria zona industrial", posteriormente tratada.

"Aquilo que estamos a fazer é negociar com os proprietários de parques solares e eólicos já existentes e compramos a eles a energia", acrescentou.

João Rosa Santos não esconde que o hidrogénio verde é "uma energia cara", mais do que o gás natural, "que é mais barato porque cada vez há mais jazidas de gás natural fóssil no mundo, o que diminui o seu preço".

"Mas a transição energética tem um custo. É um caminho que obviamente implica um grande investimento por parte das empresas, que estão absolutamente empenhadas em progressivamente substituir os seus consumos de energia fóssil por energia verde", reforçou o responsável comercial.

Além disso, afirmou que "existe uma pressão regulatória para atingir metas de descarbonização muito exigentes em 2030, 2040 e 2050, a caminho do carbono zero", sob pena de serem penalizadas com pagamento das licenças de emissão de C02.

João Rosa Santos considerou ainda que este "ecossistema é favorável para [empresas] terem todas as condições para continuarem a desenvolver a sua produção", porque esta transição é "um grande dinamizador e fixador do emprego existente e, sobretudo, de atração de investimento estrangeiro, que queira fixar-se na região".

O objetivo da Rega Energy é estar a "fornecer a primeira molécula" na Marinha Grande em 2027. (16.09.24/Fonte: Jornal de Negócios)

Governo aprova IRC mínimo de 15% para multinacionais

A medida está no pacote das 60 que o Governo apresentou em julho para acelerar o crescimento da economia nacional. Portugal estava atrasado na transposição da diretiva europeia de janeiro.

O Governo aprovou hoje em Conselho de Ministros um regime para que as multinacionais que operam no país estejam sujeitas uma taxa mínima de 15% de IRC, adiantou o ministro da Presidência, Leitão Amaro.

Esta medida resulta da transposição de uma diretiva europeia.

Segundo o governante, esta é uma “medida de equidade de justiça económica e social”.

A medida está no pacote das 60 que o Governo apresentou em julho para acelerar o crescimento da economia nacional. Portugal estava atrasado na transposição da diretiva, que devia ter sido feita até ao final de 2022, e resultou do acordo alcançado pelos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). (11.09.24/Fonte: Dinheiro Vivo)

Exportações aumentam 23,5% e importações 15,5% em julho

Em julho face ao mês homólogo, o INE destaca as exportações e importações de fornecimentos industriais (+59,5% e +19,7%, respetivamente) e de combustíveis e lubrificantes (+58,2% e +43,1%, respetivamente).

As exportações e as importações de bens aumentaram 23,5% e 15,5% em julho face ao mesmo mês de 2023, sobretudo impulsionadas por transações associadas a trabalho por encomenda, divulgou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Segundo o INE, em julho, as transações com vista a ou na sequência de trabalhos por encomenda – em que não há transferência de propriedade e que incluem operações de transformação, construção, montagem, melhoria, renovação, modificação e/ou conversão com o objetivo de produzir um item novo ou melhorado - representaram 13,9% do total das exportações e 3,8% das importações.

Excluídas as transações com esta natureza, as exportações registaram um aumento de 8,6% e as importações cresceram 12,1%.

Em julho face ao mês homólogo, o INE destaca as exportações e importações de fornecimentos industriais (+59,5% e +19,7%, respetivamente) e de combustíveis e lubrificantes (+58,2% e +43,1%, respetivamente).

A categoria de fornecimentos industriais foi aquela em que as transações com vista ou na sequência de trabalho por encomenda tiveram maior expressão (32,3% nas exportações e 9,9% nas importações). Excluindo as transações desta natureza, as variações nesta categoria foram de +10,2% nas exportações e de +9,2% nas importações.

Já sem contabilizar combustíveis e lubrificantes, registaram-se em julho acréscimos de 21,6% nas exportações e de 12,5% nas importações (-4,9% e -4,2%, respetivamente, em junho de 2024).

No mês em análise, o índice de valor unitário (preços) das exportações registou a primeira variação positiva desde maio de 2023, +0,5%, enquanto nas importações se continuou a registar uma variação negativa, -2,1% (-0,3% e -2,8%, respetivamente, em junho de 2024; -4,6% e -9,1% em julho de 2023).

Excluindo os produtos petrolíferos, registou-se uma variação nula nas exportações e um decréscimo de 3,6% nas importações (-1,1% e -3,6%, respetivamente, em junho de 2024; -0,4% e -3,5% em julho de 2023).

Em julho, o défice da balança comercial atingiu 2.085 milhões de euros, diminuindo 168 milhões de euros face a julho de 2023 e aumentando 156 milhões relativamente ao mês anterior.

Quando excluídas as transações com vista a ou na sequência de trabalho por encomenda, o défice da balança comercial aumentou 501 milhões de euros face a julho de 2023 e 754 milhões de euros quando comparado com o mês anterior, totalizando 2.806 milhões de euros.

De acordo com o INE, os combustíveis e lubrificantes representaram 32,2% do défice da balança comercial em julho (18,2% em junho; 22,4% em julho de 2023).

Excluindo combustíveis e lubrificantes, o défice da balança comercial totalizou 1.414 milhões de euros, o que corresponde a desagravamentos de 334 milhões de euros face a julho de 2023 e de 164 milhões de euros em relação ao mês anterior.

Em julho, tendo em conta os principais países parceiros em 2023, salientam-se, nas exportações, o acréscimo das transações de bens com a Alemanha (+120,6%) e Estados Unidos (+50,6%), sobretudo de medicamentos em ambos os casos, e com Espanha (+11,1%), principalmente produtos agrícolas e combustíveis minerais.

Já nas importações, salientam-se os acréscimos das transações de bens com o Brasil (+100,3%), maioritariamente material de transporte e combustíveis e lubrificantes, e Espanha (+5,1%), principalmente fornecimentos industriais.

Relativamente ao mês anterior, as exportações e as importações aumentaram, respetivamente, 19,7% e 17,1% em julho de 2024 (-3,6% e -6,3%, pela mesma ordem, em junho de 2024)

Considerando o trimestre terminado em julho, as exportações e as importações aumentaram, respetivamente, 5,8% e 1,8%, em termos homólogos (+2,7% e +1,1%, pela mesma ordem, no segundo trimestre de 2024).(09.09.24/Fonte: Dinheiro Vivo)

Produção industrial cai 4% em julho

Excluindo o agrupamento de Energia esta variação foi de -3,5%. O contributo mais influente veio do agrupamento dos bens intermédios.

O Índice de Produção Industrial caíu 4% em julho, face ao período homólogo de 2023, uma variação 1,3 pontos percentuais (p.p.) inferior à observada em junho, relevam dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados esta segunda-feira. Excluindo o agrupamento de Energia esta variação foi de -3,5%.

Já a taxa de variação da secção das Indústrias Transformadoras situou-se em -3,1%. Aliás, todos os grandes agrupamentos industriais apresentaram variações homólogas negativas. O de Bens Intermédios foi o que deu o "contributo mais influente", segundo o INE, caindo 3,8%.

Os agrupamentos de Energia e de Bens de Consumo tiveram variações homólogas negativas menos intensas
que as observadas no mês anterior, -7,3% e -2,5%, respetivamente, mas ainda assim, em conjunto, contribuíram com -1,8 p.p. para a variação do índice agregado. Os Bens de Investimento caíram 4,6% em termos homólgos.

Já em termos mensais, o Índice de Produção Industrial registou uma variação de -1,0% em julho. Os grandes agrupamentos industriais apresentaram evoluções dispares, com os Bens Intermédios e os Bens de
Investimento a contribuírem ambos com -1,0 p.p. para a variação do índice total, em resultado de taxas de
variação de -2,8% e -4,9%, respetivamente.(02.09.24/Fonte: Jornal de Negócios)

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Da minha língua vê-se o mar.»
Vergílio Ferreira