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Receitas do turismo crescem 125 milhões de euros

Até final de junho os proveitos do setor somaram quase 1,8 mil milhões de euros, mais 11,8% face a 2018.

SO setor do alojamento turístico registou no primeiro semestre deste ano uma subida na receita global superior aos 125 milhões de euros, comparativamente com o mesmo período de 2018, de acordo com dados divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Nos primeiros seis meses de 2019, os proveitos obtidos pelo setor (1782 milhões de euros) corresponderam a uma subida de 11,8%, já que no mesmo período do ano passado a receita conseguida ficou pelos 1656 milhões de euros.

De 1 de janeiro ao final de junho, os estabelecimentos turísticos alojaram mais de 12 milhões de hóspedes (uma subida de 7,6% face a 2018) e registaram 30,5 milhões de dormidas (aumento de 4,7% face ao ano anterior).

Já em termos mensais, as receitas totais da hotelaria em Portugal no mês de junho foram de 466 milhões de euros, uma subida de 11,8% face a maio, enquanto os proveitos de aposento (352 milhões de euros) progrediram 12,1%.

A pretexto destes dados positivos, a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, lembrou esta quarta-feira, em comunicado à imprensa, que a atividade do setor que tutela "continua com grande dinamismo, a crescer ao longo do território e ao longo de todo o ano, mesmo depois de um ano de recordes como foi 2018".

O bom momento vivido pelo turismo está, aliás, a contribuir para o comportamento positivo da economia nacional, o que é expresso, também de acordo com valores divulgados esta quarta-feira pelo INE, no crescimento de 1,8% da riqueza produzida no País em cada um dos dois primeiros trimestres deste ano.

Este aumento do Produto Interno Bruto (PIB) foi igualmente evidenciado esta quarta-feira pelo Ministério das Finanças, ao lembrar que este "é o 21º trimestre consecutivo de crescimento da economia portuguesa".

Crescimento do PIB conta com a ajuda das exportações

O Ministério das Finanças considera que o crescimento de 1,8% da economia portuguesa no segundo trimestre, face a igual período de 2018, segundo dados do INE, revela "bases sólidas" face aos riscos externos, como o Brexit ou a guerra comercial entre a China e os Estados Unidos. A subida do Produto Interno Bruto (PIB) contou com a ajuda das exportações de bens e serviços, em que se inclui o setor do turismo.(15/08/2019/Fonte : Correio da Manhã) 

Portugal com taxa de inflação mais baixa da União Europeia em Julho

A taxa de inflação anual em Julho em Portugal foi a mais baixa da União Europeia (UE), abaixo da média comunitária e da zona euro e uma das mais reduzidas dos últimos anos no país, divulgou o Eurostat.

Segundo dados hoje divulgados pelo gabinete estatístico da UE, o Eurostat, a taxa de inflação anual verificada em Julho em Portugal foi de –0,7%, percentagem que compara com a de 0,7% em Junho deste ano e com a de 2,2% registada em Julho de 2018.

No que toca à média da UE, fixou-se em 1,4% em Julho deste ano, baixando face ao mês anterior (em que se registou uma taxa de inflação anual de 1,6%) e relativamente ao mês homólogo do ano passado (tinha sido de 2,2%).

Também na zona euro a tendência foi para queda, com uma taxa de inflação anual de 1% em Julho, abaixo da percentagem de Junho deste ano (1,3%) e da de Julho de 2018 (2,2%).

A seguir a Portugal, que lidera a lista dos países com taxa de inflação anual mais baixa em Julho, seguem-se o Chipre (0,1%) e Itália (0,3%), enquanto as percentagens mais altas dizem respeito à Roménia (4,1%), à Hungria (3,3%) e à Eslováquia (3%)..

A inflação refere-se ao aumento em termos gerais dos preços de bens e serviços.

Relativamente a Junho deste ano, a inflação anual caiu, em Julho, num total de 15 Estados-membros da UE, mantendo-se estável noutros dois e subindo nos restantes onze.

A contribuir para estes resultados na zona euro está, de acordo com o Eurostat, a inflação nos serviços, nos produtos alimentares, álcool e tabaco e ainda nos bens industriais e na energia. total.(19/08/2019/Fonte : Público)

Turismo cresce, mas menos. Há mais brasileiros e espanhóis e menos alemães e holandeses

A atividade turística em Portugal continua a crescer, mas a um ritmo mais demorado. Os dados de maio mostram que há mais turistas brasileiros e espanhóis e menos alemães e holandeses.

O turismo continuou a crescer em maio deste ano, ainda que a um ritmo mais moderado. Ao todo houve 2,6 milhões de hóspedes e 6,5 milhões de dormidas, correspondendo a variações homólogas de 7,7% e 3,9%, respetivamente, segundo os dados divulgados esta segunda-feira, 15 de julho, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Uma tendência que se tem notado desde o início do ano, e que se tem mantido, é o maior dinamismo do mercado interno do que do externo. "As dormidas de residentes cresceram 8,6% (16,1% em abril) e as de não residentes aumentaram 2,5% (8,5% no mês anterior)", assinala o INE. Os proveitos estão a crescer em todas as regiões.

No acumulado até maio, o número de hóspedes no setor do alojamento turístico aumentou 6,6% ao passo que as dormidas cresceram 4,1%. A estada média caiu 2,3%, principalmente devido aos hóspedes estrangeiros.

É possível perceber que a desaceleração da procura externa por turismo em Portugal se deve principalmente a três mercados: o alemão, o francês e o holandês. Até maio, as dormidas de alemães desceram 7,3%, as de franceses 2,4% e as de holandeses 6,8%.

Por outro lado, a procura tem aumentado noutros mercados - o que permite continuar a crescer -, como é o caso dos britânicos cujas dormidas aumentaram 2,5% até maio, após um período de receio sobre o impacto do Brexit no turismo nacional.

Mas o "destaque", assinalado pelo INE, vai para os turistas espanhóis cujas dormidas aumentaram 9,4% desde o início do ano. Há ainda os crescimentos de mercados mais pequenos (na ótica de Portugal) como o brasileiro (9%), o chinês (17,1%), o norte-americano (20,8%) e o canadiano (16,8%).

Lisboa e Porto absorvem dois terços das dormidas em hostels Até maio, os estabelecimentos designados como hostel representaram 23,1% das dormidas em alojamento local e 3% das dormidas totais.

"As dormidas em hostel concentraram-se principalmente nas regiões da AM Lisboa (54,6% do total no país), com destaque para o município de Lisboa (46,3% do total nacional), no Norte (24,2%), com destaque para o município do Porto (17,0% do total global)", explica o gabinete de estatísticas, o que equivale a cerca de dois terços do total.

Já no segmento de alojamento local, que cresceu 12,1% nos primeiros cinco meses do ano, Lisboa e Porto representaram 34,4% e 12,7% do total, respetivamente.(15/07/2019/Fonte : Jornal de Negócios)

Portugal com terceira maior subida mundial na produção automóvel

O aumento de 67,7% na produção automóvel em Portugal no ano passado coloca o país como 29.º maior produtor mundial.

Este ano deverá passar a ser classificado como um “país produtor automóvel”, ao superar a barreira das 300 mil viaturas fabricadas.

Consulte o artigo. (12/07/2019/Fonte : AicepPortugalNews)

Maioria dos trabalhadores por conta de outrem (62%) ganha menos de mil euros

Dados do Ministério do Trabalho mostram que no final de 2017 quase dois terços dos cerca de 2,1 milhões de trabalhadores por conta de outrem em Portugal recebem menos de mil euros por mês.

A maioria dos trabalhadores por conta de outrem recebe menos de mil euros de ordenado mensal. Os números são do Ministério do Trabalho e reportam ao final de 2017, altura em que quase dois terços dos cerca de 2,1 milhões de trabalhadores naquela categoria — ou seja, 1,3 milhões de pessoas — não chegavam aos mil euros por mês quando somados salário base, prémios, subsídios e outros complementos. Os mesmos dados revelam que a grande maioria dos portugueses recebe salários entre os 600 e os 750 euros mensais. A notícia é avançada pelo Correio da Manhã (conteúdo só para assinantes).

Segundo o jornal, são mais de 678 mil pessoas as que recebem estes últimos valores mensais e representam a maior fatia quando se analisa os vencimentos dos portugueses por escalões. Na fatia seguinte — entre 750 e mil euros mensais — estão pouco mais de 515 trabalhadores. Em terceiro lugar no número de trabalhadores, surgem os ordenados entre mil e 1500 euros, que perfazem um total de 390 mil trabalhadores.

Continuando a subir na tabela, quanto mais alto o rendimento mensal, menor o número de trabalhadores que os aufere. Assim, segue-se o escalão de salários entre os 1500 e os 2500 euros com 235 mil trabalhadores. Com mais de 5 mil euros mensais existem 18 mil trabalhadores por conta de outrem.

Feitas as contas, o salário médio mensal situava-se nos 1133 euros no final de 2017. Mas, na verdade, apenas sete dos 18 distritos portugueses apresentavam valores médios acima dos mil euros: Lisboa, Aveiro, Beja, Coimbra, Leiria, Porto e Setúbal.

O jornal escreve ainda que a análise aos quadros de pessoal permite concluir que a atualização do salário mínimo nacional (600 euros) empurrou os trabalhadores com vencimentos mais baixos para os patamares imediatamente superiores. Enquanto que  em 2007 havia 688 mil as pessoas a receber ordenados entre o salário mínimo (então de 403 euros) e os 600 euros, dez anos depois, são apenas 67 mil.(08/07/2019/Fonte : Observador)

Acordo UE-Mercosul: Vinhos têm oportunidade histórica no Brasil. Há outros setores que ganham

20 anos a negociar com o Mercosul. Valeu a pena? Juncker e Bolsonaro usaram a mesma palavra: é um entendimento "histórico". A Europa posiciona-se para vender produtos industriais, a América Latina bens primários..

Estávamos em 1999, o ano em que Portugal aderiu ao euro. A 28 de junho, no Rio de Janeiro, os chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE) - naquele ano António Guterres chefiava o Executivo português - reuniram-se com os líderes dos países da América Latina e das Caraíbas para uma cimeira de dois dias. Foi aí que nasceu a ideia de um acordo comercial com o Mercosul. Foram precisos 20 anos de negociações até à assinatura do entendimento político, a 28 de junho de 2019.

Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai representam, no conjunto, um mercado potencial de 260 milhões de consumidores, que passa a estar mais acessível às empresas europeias. Em contrapartida, o mercado único europeu facilitará também a entrada de produtos dos quatro países sul-americanos nos seus supermercados. Apesar de fazer parte do Mercosul, a Venezuela não está incluída no acordo porque tem a sua participação suspensa desde dezembro de 2016, por não cumprir os requisitos básicos de comércio e direitos humanos.

Neste momento, as trocas comerciais de bens entre os dois blocos representam 88 mil milhões de euros. Para a UE o número é pequeno: 2,2% no total das suas trocas com o mundo. Mas para o Mercosul é determinante: pesa 20% do seu comércio como resto do mundo. A estes números somam-se 34 mil milhões de euros de comércio de serviços.

O Mercosul é um mercado fechado. As tarifas aduaneiras para colocar bens europeus à disposição dos consumidores são pesadas. Os carros pagam 35% de imposto, as peças de veículos pagam entre 14% e 18%. Nas máquinas pode chegar aos 20%, no vestuário são 35%. Também no acesso a concursos públicos estes países impedem a concorrência de empresas internacionais em pé de igualdade.

O objetivo do acordo é criar um espaço de comércio facilitado, intensificando as relações. Num prazo de 15 anos, 91% dos bens que a União Europeia vende ao Mercosul terão tarifas reduzidas e vice-versa: 92% dos bens que compra aos quatro países latinos também deixarão de ser taxados na importação.

Além disso, reduz-se a burocracia e as empresas europeias passarão a poder concorrer em igualdade de circunstâncias com as nacionais nos concursos públicos.

Quem ganha o quê?

Desde logo, ganha o ambiente geopolítico. Desde que Donald Trump chegou à Casa Branca que o mundo tem ouvido falar de guerra comercial e regresso do protecionismo - um poderoso gerador de incerteza na economia. Mas neste ambiente de desconfiança mútua, a UE e o Mercosul fecharam um acordo de abertura comercial.

É "uma mensagem verdadeira de apoio ao comércio aberto, justo, sustentável e baseado em regras", disse o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, na semana passada, no dia da assinatura do entendimento político.

Mas importa perceber quem ganha o quê - e por consequência, quem perde. Para países como Portugal e Espanha, estreitar laços comerciais com mercados com os quais já há fortes ligações históricas e culturais é ouro sobre azul (ver texto "Exportadoras esfregam as mãos com apagão das taxas").

Um dos produtos que conseguiram proteção jurídica contra imitações, por ter sido reconhecida a sua indicação geográfica, é o português Queijo de São Jorge (o mesmo tipo de proteção foi também concedido no acordo de parceria comercial com o Vietname). Há outros 30 bens nacionais protegidos.

Para a Alemanha, por exemplo, o entendimento com o Mercosul permitirá abrir um mercado para a sua produção automóvel, de aparelhos e máquinas. O vestuário e têxteis, os produtos químicos e farmacêuticos e o calçado de pele também terão tarifas mais reduzidas.

No total, a Europa ver-se-á livre de tarifas no valor de quatro mil milhões de euros. Este será o maior ganho em acordos comerciais de sempre, valendo quatro vezes mais a poupança conseguida no acordo com o Japão, indica a Reuters. Já para os países do Mercosul há um ganho evidente: a carne. O limite às importações de carne daqueles países, com tarifa reduzida de 7,5%, será consideravelmente aumentado, para 99 mil toneladas, no prazo de cinco anos. Mas há mais vitórias. A quota para a importação de açúcar e produtos de aviário livre de tarifas vai aumentar para 180 mil toneladas. O sumo de laranja brasileiro, o maior produtor mundial, vai competir com o espanhol, que tem 14% a 20% da produção de laranjas. O vinho argentino vai pressionar os produtores italianos; o arroz do Uruguai vai competir com o espanhol. "Esse será um dos acordos comerciais mais importantes de todos os tempos e trará benefícios enormes para nossa economia," disse Bolsonaro, o presidente do Brasil, no Twitter, no dia em que o entendimento foi assinado.

780 alcance

A concretizar-se, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul vai alcançar um total de 780 milhões de pessoas.

Fotografia das trocas comerciais

Neste momento, as trocas comerciais entre a União Europeia e os quatro países do Mercosul representam quase 88 mil milhões de euros. Os países comunitários vendem sobretudo produtos transformados e compram bens agrícolas. O saldo está praticamente equilibrado.

A estes números soma-se o comércio de serviços, que atinge 34 mil milhões de euros. Balança de bens quase equilibrada Importações e exportações de bens da UE para o Mercosul, milhares de milhões de euros

Desde 2012 que a UE equilibrou a sua balança comercial de bens com os quatro países do Mercosul. Por ano, cada bloco vende mais de 40 mil milhões..

O que exporta a UE para o Mercosul...

Exportações por tipo de bem em % do total de exportações para o Mercosul

Quase tudo o que a UE vende aos quatro países do Mercosul são produtos industriais. Foi nestes bens que conseguiu várias das reduções de tarifas.

UE é determinante para Mercosul

A UE já representa um quinto das trocas comerciais que o Mercosul faz com o mundo inteiro. Para a UE, abre-se um mercado de 260 milhões de pessoas.

E o que importa dos quatro países?

Em contrapartida, quase metade do que compra são produtos agrícolas. O Mercosul terá agora ainda mais facilidade em vendê-los à Europa.

Tome nota

As principais novidades do acordo

A Comissão Europeia diz que o entendimento com o Mercosul vai trazer uma situação de "win-win" para os dois blocos. As vitórias da União Europeia

A União Europeia vai conseguir reduzir progressivamente tarifas (elevadas) numa série de produtos em que é um forte exportador. Por exemplo: carros, partes de carros, maquinaria, químicos, vestuário e têxteis, produtos farmacêuticos, calçado de pele, vinho, chocolate, whiskey, bolachas, pêssegos enlatados, refrigerantes. A redução das tarifas vai acontecer num prazo até 15 anos e está avaliada numa poupança de quatro mil milhões de euros.

As vitórias do Mercosul

A maior parte das tarifas impostas pela UE aos países do Mercosul será reduzida num prazo de cinco anos, e o restante até 15 anos, ou seja os benefícios do acordo parecem chegar mais cedo para a América do Sul do que para a Europa. Está em causa, por exemplo: aumentar as quotas de exportação de carne para a UE, de açúcar, e de produtos de aviário. Haverá também redução de tarifas no vinho, sumo de laranja, café, arroz, entre outros bens. A Moody's diz que o Paraguai e o Uruguai serão comparativamente mais beneficiados do que a Argentina e o Brasil porque são economias pequenas e abertas. As salvaguardas

A Comissão Europeia sublinha que os dois blocos estão comprometidos com a aplicação efetiva do Acordo de Paris. Nota ainda que o acordo terá um capítulo específico sobre o desenvolvimento sustentável, que vai contemplar questões como a conservação das florestas, o respeito pelos direitos laborais e a promoção de um comportamento responsável por parte das empresas.

Ambientalistas e agricultores chumbam acordo

Os ambientalistas e os agricultores são os principais opositores ao entendimento político alcançado para o acordo comercial. Duvidam das garantias.

Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, e Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, disseram que o acordo é "histórico". O Financial Times conta como Jorge Faurie, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Argentina, teve de conter as lágrimas pela emoção. Mas o entusiasmo está longe de ser geral. O crivo dos ambientalistas ameaça ser demasiado apertado para este acordo.

"A UE e o Mercosul comprometem-se a dar aplicação efetiva ao Acordo de Paris sobre o Clima," lê-se no comunicado enviado pela Comissão Europeia. Não é por acaso que Bruxelas sublinha o compromisso: é que o presidente brasileiro já ameaçou rasgar o Acordo de Paris no passado, tendo levado o Presidente francês, Emmanuel Macron, a ameaçar suspender as negociações para o acordo comercial.

Agora que o entendimento político foi fechado, são os ambientalistas e os agricultores que torcem o nariz. Um dos pontos do acordo passa por subir a quota de importação com tarifa reduzida de carne dos países do Mercosul pelo mercado comunitário. Ora, uma das principais ameaças à floresta da Amazónia é precisamente a produção de carne.

É por isso que o acordo traz "um capítulo dedicado ao desenvolvimento sustentável", diz a Comissão, que "contemplará questões como a gestão sustentável e a conservação das florestas, o respeito pelos direitos laborais e a promoção de um comportamento responsável das empresas.

" Mesmo assim, os agricultores e produtores franceses estão desconfiados. Temem que a concorrência seja desleal, caso o respeito pelo ambiente não seja seguidos do mesmo modo pelos dois blocos.

"As importações de bens agrícolas do Mercosul vão de facto estabelecer uma duplicidade de critérios e concorrência injusta em alguns setores-chave de produção europeia, colocando em risco a sua viabilidade", criticou a Copa-Cogeca, uma confederação de agricultores a nível europeu, no Twitter.

O Executivo francês teve mesmo de enviar duas mensagens: uma da porta-voz do Governo, Sibeth Ndiaye, que falou para o público interno, frisando a cautela que haverá na análise legal antes de qualquer assinatura do acordo; e outra de Macron para o palco externo, a aplaudir o entendimento.

99 carne

A quota de carne que pode ser exportada para a UE com tarifa reduzida de 7,5% subiu para 99 mil toneladas.

180 aves

A quota de produtos de aviário que podem ser exportados para a UE sem tarifas subiu para 180 mil toneladas.

Exportadoras "esfregam as mãos" com apagão nas taxas

O acordo beneficia 1.786 empresas portuguesas que já vendem para os quatro países do Mercosul e abre o mercado a outras que até agora tinham taxas proibitivas, do vestuário ao software. Ao invés, o setor agroalimentar deve ser o mais penalizado.

Há 1.786 empresas portuguesas que exportam para os quatro países do Mercosul - Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, das quais 87% são pequenas e médias (PME). Em teoria, esta é a base de potenciais beneficiárias do mais recente acordo comercial firmado pela União Europeia (UE), que começou a ser negociado há duas décadas e que envolve 780 milhões de consumidores.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, já reclamou que a economia nacional é "das que mais vai beneficiar" com o entendimento. Os empregos que estas exportações ajudam a manter ascendem a 40 mil, segundo as projeções de Bruxelas. Terceiro maior parceiro extra-UE em 2018, este bloco de países - se fossem uma economia seriam a quinta maior, atrás de EUA China, Japão e Alemanha - compraram 2,5 mil milhões de euros a Portugal, onde venderam um valor inferior, próximo de dois mil milhões de euros.

Particularizando o relacionamento com o Brasil, o chefe da diplomacia frisou à Lusa que o agroalimentar é um dos "beneficiários líquidos evidentes". E poucos artigos de origem nacional serão ali tão relevantes quanto os vinhos. Num mercado que está entre os dez maiores consumidores do mundo, Portugal só perde para o Chile (quota de 40%) e está quase a par da Argentina (15%) na lista de fornecedores. Como estes já beneficiam de isenção de taxas aduaneiras, Jorge Monteiro, presidente da ViniPortugal, antevê que a abolição para os produtores portugueses coloca-os "em condições muito interessantes" para competir nas prateleiras.

Bloqueadas ainda por "barreiras fiscais" que cairão, as tecnológicas vislumbram do outro lado do Atlântico quatro países que "estão dez anos atrasados face a Portugal" nestas áreas. "Há avantagem de já termos 'know-how' e soluções feitas no país e só é preciso escalar para lá", frisa José Pedro Salas Pires, líder da associação do setor (ANETIE), apontando como "pilares" naquelas geografias a área financeira ("fintech"), as "smartcities", a automação ou o reconhecimento facial. Carnes apreensivas, melões tranquilos

Em Portugal, as componentes para automóveis, o vestuário e a maquinaria são outros beneficiários do acordo, que abrange também a proteção da "origem" (IG) de produtos como vinho do Porto, presunto de Barrancos ou ovos moles de Aveiro.

Noutro prato da balança, em reciprocidade, há setores que vão enfrentar concorrentes do Mercosul a chegar cá em condições mais competitivas, pela eliminação de tarifas. Um dos mais famosos é o da carne, uma ameaça reconhecida por Rui Sousa, presidente da Leicar. "Além de terem sistemas de produção muito mais económicos que os nossos, pela escala, também podem produzir cereais geneticamente modificados, enquanto na Europa há uma série de restrições. E depois abrimos as portas a países que não cumprem com esses critérios de produção", desabafa o líder desta associação de produtores da Póvoa de Varzim.

Na lista de produtos relevantes para estes países estão também peixes, crustáceos, óleos vegetais, sumo de laranja ou café solúvel. Para este último está previsto o fim da atual tarifa de importação de 9% em cinco anos. A Nestlé e a Delta, que comercializam várias marcas em Portugal, não quiseram comentar.

Melões e melancias são outros artigos que chegarão mais baratos às mesas europeias. Mas o maior produtor nacional, Carlos Ferreira, diz que "isso não vai afetar ninguém". É que acaba a taxa a rondar 8%-10%, mas o custo do transporte continuará a penalizar estas importações, "só competitivas em contraciclo, nos meses em que a Europa não consegue produzir". Aliás, o administrador da Hortomelão conta até encaixar mais alguns reais, já que também produz estes frutos no Brasil (e Senegal) para exportar para o Velho Continente.

Os vinhos produzidos em Portugal vão chegar às prateleiras do Brasil a preços mais convidativos, onde concorrem com os chilenos e os argentinos.

Os setores mais beneficiados em Portugal

Embora não seja o único fator artificial a retirar competitividade aos produtos importados, as avultadas tarifas aduaneiras aplicáveis a alguns produtos europeus eram até agora uma barreira quase intransponível para as empresas portuguesas de muitos setores de atividade, como o vestuário, maquinaria industrial ou componentes para automóvel. Noutras áreas, como os vinhos e as tecnologias de informação, as alterações previstas no acordo prometem condições mais vantajosas ou próximas daquelas que têm os competidores locais ou regionais no Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Vestuário

Roupa mais barata e rápida nas lojas

Exportar um casaco ou blazer para o Mercosul "é uma loucura", já que essas peças "têm taxas que quase atingem 100%".

Além disso, ressalva o presidente da ANIVEC - Associação das Indústrias de Vestuário e Confeção, são países "muito protecionistas" e que retêm à entrada os artigos importados. "A UE deve sensibilizar para a rapidez na libertação da mercadoria. Fazemos produtos de moda que têm de sair rapidamente da alfândega. Se não sair em 72h, no máximo, vão ter um período de venda muito reduzido. Quanto mais cedo estiver na loja, mais oportunidade para venda sem descontos. Essa janela é o segredo do retalho", resume César Araújo. Pelo número de consumidores e proximidade cultural, o empresário vê potencial nestas geografias em que o caminho está quase todo por percorrer. As vendas de vestuário português para o Brasil, em particular, representaram apenas 0,3% das exportações de 3,2 mil milhões de euros em 2018.

72 alfândega

Os industriais do vestuário querem somar ao fim das taxas a saída mais expedita das peças nas alfândegas, que não deve superar 72 horas.

Tecnologia

Software nacional salta "barreiras"

José Pedro Salas Pires, que esteve ligado à PT, à COMPTA e atualmente é CEO da Opiniontech's, exulta com o levantamento das "barreiras fiscais", sobretudo no software por causa da propriedade intelectual. "Um produto de software desenvolvido em Portugal, que tem um registo comercial e uma patente, quando é exportado para o Mercosul paga taxas elevadíssimas sobre o valor do software, de perto de 50%. E isso torna-o menos competitivo", ilustra. Há um ano na presidência da ANETIE - Associação das Empresas de Tecnologias de Informação e Eletrónica, ressalva, porém, que "mais do que exportar serviços, as empresas portuguesas têm de começar a 'produtizar' as suas soluções; deixar de fazer o fato à medida e começar a fazer um produto industrial facilmente reproduzível". Um segundo desafio no Mercosul é encontrar um parceiro local e Salas Pires crê que será "mais fácil estabelecer pontes e chegar aos interlocutores". 50% taxas

As empresas tecnológicas pagam taxas de cerca de 50% sobre o valor do software nas vendas para o Mercosul.

Setor vinícola

Vinhos no assalto ao segundo lugar

Em oito anos, Portugal escalou da quinta para a terceira posição na lista de fornecedores de vinho para o Brasil, ultrapassando Itália e França, estando agora numa "disputa" com a Argentina pelo segundo lugar. "A principal barreira que o acordo resolve são as taxas aduaneiras, que andam entre 25% e 27%, o que vai melhorar a nossa competitividade. Embora depois haja outras taxas. É um mercado muito complexo", descreve Jorge Monteiro, presidente da ViniPortugal. Em 2018, as vendas para o Brasil cresceram 16,4%, com ganhos no preço, para 51,5 milhões de euros, sendo o quinto melhor destino. O acordo com o Mercosul reconhece também a "origem" vinho do Porto, mas o responsável sublinha que "isso é relevante do ponto de vista jurídico, mas irrelevante no plano material" porque nestes países, ao invés da Austrália ou África do Sul, não se produzem "falsos Portos", isto é, imitações locais comercializadas com essa designação.

51,5 exportações

A venda de vinho português para o mercado brasileiro atingiu quase 52 milhões de euros em 2018, após um aumento de 16%.

Metalurgia

Taxas e taxinhas barram máquinas

Os industriais da metalurgia e da metalomecânica sabem que é "muito complicado" vender máquinas e equipamentos para o Mercosul porque "as taxas e taxinhas levam a um agravamento dos preços entre 60% e 110%, variando em função do local e do tipo de produto". O acordo com a UE garante que em dez anos serão abolidas as taxas aduaneiras. Mas Rafael Campos Pereira, porta-voz da AlMMAP, a associação do setor, salvaguarda que "há outros custos de entrada, outras taxas e impostos (estaduais e municipais) e os custos na alfândega, que o acordo, por si só, não garante que deixem de existir". Sem detalhar números, resumiu que o mercado brasileiro tem "muito pouca expressão" na exportação de equipamentos, assim como outras peças metálicas, como componentes para as máquinas. "É inexpressivo o peso, principalmente tendo em conta o potencial que tem. Daí que possa ser uma oportunidade importante para o setor", concluiu.

10 prazo

Dentro de uma década, os bens de equipamento e máquinas industriais podem ver abolidas as taxas aduaneiras nos países do Mercosul.

Automóveis

Peças para 3,5 milhões de carros

Os fabricantes de componentes para a indústria automóvel esperam acelerar as vendas para o Mercosul, que atualmente valem apenas cerca de 1% dos 9,4 mil milhões de euros de exportações diretas. "Temos uma margem para crescimento bastante sustentável. É mercado com muito potencial em que são produzidos mais de 3,5 milhões de veículos anualmente", descreve Adão Ferreira, citando algumas construtoras que estão presentes naquelas geografias, como Volkswagen, Renault, Peugeot ou Fiat Chrysler. O secretário-geral da AFIA, a associação de um setor cujos produtos pagam atualmente taxas aduaneiras à volta de 35% para entrar naqueles países, refere ainda que estes custos pesados, a par da necessidade de maior proximidade aos clientes (logística), têm levado várias fornecedoras portuguesas de componentes para automóveis a instalar fábricas no Brasil, como fizeram a Sodecia, a Simoldes ou a Iberomoldes.

3,5 automóveis

No Brasil e na Argentina são produzidos mais de 3,5 milhões de viaturas por ano, de várias construtoras automóveis conhecidas .(05/07/2019/Fonte : AicepPortugalNews)

Mercadona prevê investir 100 milhões em Portugal e quer lojas no Porto, em Braga e Aveiro

Supermercado tem 1.636 lojas em Espanha e uma faturação de 24,3 mil milhões de euros.

A espanhola Mercadona, que inaugura esta terça-feira o seu primeiro supermercado em Portugal, prevê investir 100 milhões de euros em território nacional este ano, segundo informação do grupo.

Numa visita preliminar à loja, em Canidelo, Vila Nova de Gaia, o presidente da Mercadona, Juan Roig, adiantou ainda que em 2020 o grupo espera abrir mais dez lojas em Portugal, a juntar à dezena que será inaugurada este ano.

Desde 2016, a cadeia de supermercados espanhola investiu 160 milhões de euros e está a trabalhar para abrir lojas nos distritos do Porto, Braga e Aveiro.

"Esperamos alcançar 150 lojas" nos próximos anos, avançou Juan Roig, sem fornecer datas mais precisas.

Atualmente, a Mercadona, que iniciou o seu plano de expansão para Portugal em 2016, conta com 900 colaboradores no mercado nacional e estima chegar aos 1.100 até ao fim de 2019.

A nova loja recebeu um investimento direto de oito milhões de euros, sendo que o projeto completo em Canidelo, que envolveu permuta de terrenos e a construção de um campo de jogos custou 11,5 milhões de euros ao grupo espanhol, segundo fonte oficial da empresa .

O novo supermercado conta com 85 trabalhadores, sendo que o grupo investe 50 mil euros em cada funcionário, revelou a mesma fonte.

A Mercadona irá ainda ter perto de 50% de produtos com origem em Portugal, onde colabora com 300 fornecedores aos quais comprou 203 milhões de euros em produtos desde 2016, prevendo ainda adquirir 90 milhões de euros este ano.

Além da abertura de lojas, o montante que a Mercadona deverá aplicar em Portugal até ao final do ano contempla também um bloco logístico na Póvoa do Varzim, com 50 mil metros quadrados, e o desenvolvimento de um "centro de coinovação" previsto para Matosinhos.

Durante a cerimónia desta terça-feira, o ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, referiu que mais oferta representa mais confiança para os consumidores e "oportunidades" para os fornecedores portugueses.

Este "investimento importante vai crescer e tem uma ambição grande, que significa confiança no país. Em Portugal os consumidores precisam de uma nova oferta", salientou Siza Vieira.

A Mercadona tem 1.636 lojas em Espanha e uma faturação de 24,3 mil milhões de euros.(02/07/2019/Fonte : Correio de Manhã)

Exportações: metalurgia cresce o dobro da média nacional, calçado sofre

Todas as indústrias tradicionais estão em terreno positivo, com exceção do calçado, que cai quase 9%. Têxtil e vestuário está estável, com 0,2% mais face a 2018.

Não há abrandamento económico que pare a indústria metalúrgica e metalomecânica. O campeão das exportações, que sozinho assegura 23% das vendas externas da indústria transformadora, destinou, nos primeiros quatro meses do ano, 6747 milhões de euros ao exterior, o que representa um aumento de 9% face a igual período do ano passado, mais do dobro da média nacional, que se ficou pelos 4,36%. Só as vendas para a Alemanha cresceram 14,3%, impulsionadas pela indústria automóvel. Em sentido contrário estão os negócios com os Estados Unidos e a China, a cair, respetivamente, 16,3% e 58,7%, com o metal nacional a ser apanhado nas malhas da guerra comercial entre os dois países.

"As exportações estão a crescer muito bem, em termos globais, e menos bem fora da União Europeia, onde estamos a sentir os efeitos colaterais da guerra comercial e das políticas restritivas de Donald Trump. Mas esta é uma situação que parece estar para durar, já que tudo indica que poderá ser reeleito", diz o vice-presidente da Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins (AIMMAP). Mas como os Estados Unidos são um "mercado incontornável", e as empresas "não fazem política", não há outra alternativa, diz Rafael Campos Pereira, que não seja "manterem-se resilientes". O papel da associação é ajudá-las a entrar no mercado e, por isso, em setembro do próximo ano, haverá, pela primeira vez, uma delegação de empresas portuguesas a expor na IMTS, feira de tecnologia para a indústria, em Chicago.

Rafael Campos Pereira destaca, ainda, a "trajetória notável" do mercado italiano, no qual as exportações da metalurgia e metalomecânica cresceram 41,3% desde o início do ano. A explicação está numa certa desindustrialização italiana, que compra em Portugal "peças técnicas para todo o tipo de indústria e de produtos de consumo que passaram a ser comprados fora em vez de produzidos internamente".

Um fenómeno também sentido pela indústria têxtil e do vestuário (ITV), que está a crescer 6,1% no mercado italiano desde o início do ano. "Itália foi perdendo a sua fileira estruturada e orientada para a inovação e já não oferece às grandes marcas que tem a lógica de engenharia de produto que encontram em Portugal, que está a ganhar um estatuto de nova Itália, enquanto criador de têxteis inovadores e de soluções de serviço", diz Paulo Vaz, diretor-geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP). No total, as exportações da ITV estão em linha com o ano anterior - + 0,2% -, embora com performances distintas por subsetores. Os têxteis crescem 2,7%, enquanto o vestuário e os têxteis-lar recuam 0,4% e 2,4%, respetivamente. Ao contrário da indústria metalúrgica, é nos mercados extracomunitários que as vendas da ITV nacional estão a portar-se melhor, com crescimentos de dois dígitos. Os Estados Unidos, por exemplo, cresceram mais de 16% e o Canadá 28,8%.

"A economia americana continua de boa saúde, apesar do senhor Trump ou por causa dele. Na verdade, a economia reage àquilo que são os estímulos de uma política mais amiga dos negócios e da iniciativa privada com grande pujança", destaca Paulo Vaz, que admite ser difícil antecipar como vai comportar-se o ano. "Não consigo definir tendências. Desde o início do ano tivemos dois meses de crescimento, um de queda abrupta e outro de recuperação, não sei o que vai acontecer daqui em diante. As empresas têm de estar atentas e não serem complacentes. Tem de saber ler os sinais dos mercados, ser mais exigentes com a sua própria gestão, diversificarem destinos e terem mais atenção ao comércio eletrónico", refere, sublinhando: "Este não é um negócio para amadores, cada vez mais é para profissionais."

Na fileira da madeira e do mobiliário, as exportações crescem 3%, mas as importações avançam 6%. Em causa está, sobretudo, a falta de matéria-prima para dar resposta ao crescimento das exportações dos restantes setores, obrigando à sua importação para o fabrico de embalagens de madeira, por exemplo. O que acaba por ser, também, uma forma de exportação indireta, lembra Vítor Poças, presidente da associação das madeiras, a AIMMP. Por outro lado, a retoma do setor imobiliário e a "crescente concorrência" asiática ajuda a explicar o aumento das importações de mobiliário, refere o dirigente empresarial. Que lembra que o saldo da balança comercial se manteve sempre positivo entre 2010 e 2018, com as exportações a crescerem mil milhões de euros neste período contra os 500 milhões das importações.

A crescer, embora a um ritmo menor do que o habitual, está, também, a cortiça, que em 2018 atingiu o seu máximo histórico, ultrapassando os mil milhões de vendas ao exterior. Neste ano, "ainda é cedo" para fazer avaliações, diz João Rui Ferreira, presidente da APCOR. As rolhas asseguram 71% das vendas do setor e este é um mercado com uma décalage significativa face à vindima. Ou seja, os vinhos são engarrafados, no mínimo, um a dois anos depois da sua produção. E 2017 foi "o ano da colheita de vinho mais pequena em todo o mundo desde a II Guerra Mundial", o que penaliza as vendas, reconhece João Rui, pelo que, o crescimento, mesmo que apenas de 2,2%, nos primeiros quatro meses do ano, é visto como "extremamente positivo".

O calçado não tem igual sorte. As exportações estão a cair 8,9%, apesar do crescimento nos Estados Unidos e no Japão, de 7% e 7,5%, respetivamente, e das vendas para a China, que mais do que duplicaram face ao ano anterior. A questão é que mais de 85% do valor gerado pelo setor é obtido nos mercados comunitários, que estão, generalizadamente, em queda. "Não é uma questão só nossa, é um cenário visível um pouco por toda a Europa. Sentimos que o mercado está a mudar e o setor do retalho está a passar por uma fase de ajustamento, sobretudo no centro da Europa, que levou ao fecho de quase um milhar de sapatarias tradicionais nos últimos anos", diz o diretor de comunicação da associação do calçado, a APICCAPS.

A isto junta-se o crescimento do comércio online, mas também as questões climatéricas, com uma série de estações atípicas que "têm penalizado" as vendas de calçado. Mas não só. Há também a questão do preço das matérias-primas. "O preço do couro recuou 30% nos mercados internacionais nos últimos cinco anos, o que ajuda a explicar alguma redução no preço médio do calçado português", defende Paulo Gonçalves. Que invoca, ainda, as alterações do padrão de consumo, com o calçado desportivo a ganhar primazia sobre os sapatos clássicos, que dominavam a oferta nacional. O que significa que "a indústria portuguesa conseguiu crescer 5% ao ano num período em que teve de se reformular completamente". Olha, por isso, para os números de 2019 com "alguma tranquilidade". "Nem de outra forma poderia ser. Continuamos a fazer o nosso trabalho de casa, com ações de prospeção, e queremos reforçar a presença nos EUA e no Canadá, bem como no Sudeste Asiático, onde acreditamos que há margem de crescimento", frisa Paulo Gonçalves.(23/06/2019/Fonte : Diãrio de Notícias) 

Investimento na construção com maior subida dos últimos 22 anos

Nos primeiros três meses de 2019, registou-se a maior subida homóloga do investimento em construção desde 1997. Ainda assim, a CPCI alerta para os níveis baixos de investimento público neste setor.

Há 22 anos que não se registava uma subida homóloga do investimento em construção tão acentuada como a registada nos primeiros três meses de 2019. Entre janeiro e março, o investimento aumentou 12,4%, tocando em máximos de 1997. “Foi, de facto, um dos melhores trimestres de que há memória”, sublinha o presidente da Confederação Portuguesa da Construção e Imobiliário (CPCI), em declarações ao Público (acesso condicionado). Manuel Reis Campos frisa que o setor está “finalmente a reocupar o lugar que sempre lhe pertenceu” e está agora a “preparar-se para a próxima década de investimento”.

De acordo com os dados da CPCI, a soma do investimento feito em construção, no primeiro trimestre do ano, atingiu 4.151 milhões de euros, o que representa uma subida de 12,4% face ao mesmo período de 2018. Ainda assim, Manuel Reis Campos nota que o setor continua aquém dos níveis compatíveis com as necessidades de crescimento sustentado do país. “Era preciso que o investimento público fosse, de facto, o calendarizado e programado. Falta um ano para a próxima década, o próximo ciclo, e está tudo por decidir”, nota o responsável, sublinhando que a subida em causa fica essencialmente a dever-se à iniciativa privada.

O presidente da CPCI salienta, nesse sentido, que os indicadores de investimento público continuam muito baixos. “O setor da construção deveria representar 11% do PIB e ainda estamos muito longe disso”, reforça, citando os dados do Observatório das Obras Públicas.

De acordo com esse barómetro, em abril, o investimento público neste setor registou mesmo uma variação negativa de 12%, tendo passado para terreno positivo em maio, com uma subida homóloga de 6%. “Portugal ainda não tem a necessária convergência com a restante Europa, que continua a alertar que o investimento público é essencial”, remata Reis Campos.(21/06/2019/Fonte : ECO)
 

Menos de um quinto dos trabalhadores recebia salário mínimo no final de 2018

Menos de um quinto dos trabalhadores recebiam o salário mínimo nacional no final de 2018, segundo dados do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social apresentados hoje na Concertação Social.

De acordo com um documento distribuído na reunião da Concertação Social esta tarde sobre a evolução do mercado de trabalho, a percentagem de trabalhadores a receber a retribuição mínima ficou abaixo dos 20%, fixando-se em 19,6% em dezembro de 2018.

Segundo o último relatório de acompanhamento do acordo sobre salário mínimo divulgado em novembro pelo Governo, a percentagem de trabalhadores abrangidos pelo salário mínimo nacional era de 22,3% em junho de 2018, chegando a 757,2 mil pessoas.

Desde 2016 o salário mínimo aumentou 18,8% em termos nominais e 13,8% em termos reais e, em 2018, o valor da retribuição mínima era de 580 euros, tendo subido para 600 euros em janeiro deste ano.

"O pico do peso de trabalhadores abrangidos pelo salário mínimo nacional no início de cada ano, depois de ter aumentado em 2016 e 2017, estabilizou e não ultrapassou os 23%, e tem diminuído de forma significativa ao longo de cada ano", lê-se no documento distribuído na reunião de hoje, presidida pelo secretário de Estado do Emprego, Miguel Cabrita.

Já o rendimento médio mensal líquido dos trabalhadores por conta de outrem ultrapassou pela primeira vez os 900 euros no primeiro trimestre de 2019, um aumento homólogo de 3%, destaca o ministério, referindo os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

A média salarial inclui "comportamentos desiguais de diferentes patamares salariais", já que, ao longo dos últimos anos, os salários inferiores a 600 euros "têm perdido peso de modo muito significativo, com reforço dos escalões acima", avança a mesma fonte.(07/06/2019/Fonte : Jornal de Negócios)

Governo quer ocupar até 20% das barragens com painéis solares flutuantes. EDP diz sim

Ministro e empresa de eletricidade garantem que a maior aposta nas renováveis faz baixar a fatura dos consumidores. António Mexia diz que foram menos 300 milhões de euros na última década.

João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente e da Transição Energética, traçou esta segunda-feira um novo objetivo para fazer multiplicar por mais de nove, até 2030, a energia solar em Portugal, passando de menos de 1 GW para 9 GW: ocupar pelo menos 20% das 50 maiores barragens do país que já produzem eletricidade com painéis fotovoltaicos flutuantes. E até já fez as contas à área necessária: 11 500 hectares.

“Se para produzir 1 MW fosse preciso 1,5 hectares de painéis solares estaríamos a falar de 7,6 GW nestas 50 albufeiras. Ou seja, quase a diferença entre o que temos hoje e o que queremos ter em 2030", referiu o ministro. "Fica aqui o compromisso: estando neste momento em revisão o programa de ordenamento destas albufeiras, vai ser considerado em primeiro lugar a produção de eletricidade a partir de fonte solar com painéis flutuantes". Apesar das legislativas de outubro, o ministro parece estar confiante numa reeleição e anunciou para o final de 2020 a realização de um leilão para a utilização destes planos de água de albufeira, que são públicos .

Para os consumidores são boas notícias, garante Matos Fernandes. "Todos estes projetos vão refletir-se numa baixa dos preços da energia porque produzir eletricidade renovável tem um preço inferior ao custo de mercado. O preço ainda é muito marcado pelas fontes fósseis, que são mais caras".

António Mexia, CEO da EDP, confirma. "Sem as energias renováveis tínhamos hoje uma fatura energética mais elevada. Na última década são menos 300 milhões". Além disso, "a tendência de futuro tem a ver com a complementaridade e hibridização das tecnologias renováveis".

A EDP quer misturar diferentes fontes de energia renováveis e isso só passou a ser possível a partir desta segunda-feira, com a publicação em Diário da República do Decreto-Lei que permite "o licenciamento de unidades de produção em centros eletroprodutores preexistentes, que utilizando diversa fonte de energia renovável, não requeiram aumento de capacidade de injeção [...] sem onerar os consumidores de novos investimentos em infraestruturas de rede".

A nova estratégia do governo para promover o solar, a par dos leilões e da autorização de projetos híbridos, foi anunciada no mesmo dia em que os CEO da EDP e EDP Renováveis, António Mexia e João Manso Neto, rumaram a norte, entre Coimbra e Viseu, para dar a conhecer ao ministro o novo parque eólico no concelho de Penacova, a funcionar desde abril deste ano e com um investimento total de 42 milhões de euros. E ao mesmo tempo anunciar um novo investimento de 3,5 milhões a sul, numa central solar flutuante na barragem do Alqueva, depois dos resultados positivos do projeto-piloto no Alto Rabagão, no distrito de Vila Real.

António Mexia diz que, com os resultados deste novo projeto no sul do país, "daqui a seis meses, um ano, podemos avançar para outros", sendo que o modelo pode ser replicado em todas as barragens da EDP. O Dinheiro Vivo sabe que a elétrica também está a pensar levar o eólico flutuante para outras geografias onde opera.

Em Penacova, no cenário verdejantes da serra do Buçaco, são 13 as turbinas da Senvion (cada uma com 3,6 MW e fabrico nacional) que entraram em exploração no passado mês de abril, numa potência instalada total de 47 MW, com capacidade para abastecer 50 mil casas. De acordo com Mexia, as gigantes eólicas que rasgam a paisagem e ocupam terrenos vizinhos de batalhas napoleónicas e moinhos que serviram de inspiração a Vitorino Nemésio têm 160 metros de altura, "quase dois campos de futebol na vertical".

Já na barragem do Alqueva, em pleno Alentejo, a EDP quer ver entrar em operação em 2020 quase 11 mil painéis fotovoltaicos flutuantes. A nova central ocupará quatro hectares da albufeira, uma área equivalente a quatro campos de futebol, com uma potência instalada de 4 MW e uma produção anual estimada de 6 GWh, o suficiente para abastecer um quarto da população dos dois municípios da região (Portel e Moura).

O projeto está ainda em licenciamento, previsto para o final de setembro, estando a avaliação de incidências ambientais a ser conduzido pela CCDR Alentejo. A obra de instalação dos painéis demorará cerca de um ano. O novo projeto no Alqueva será em complementaridade com uma central hídrica com sistema de bombagem, que permite a reutilização da água para geração de eletricidade.

"O que temos é um ecossistema com solar fotovoltaico, com a hídrica com bombagem, com mais sistema de armazenamento com baterias. A associação de duas renováveis e armazenamento, usando uma infraestrutura e a ligação à rede que já existe. É um passo para testar soluções de futuro", disse Mexia, confirmando que a empresa está a avaliar a associação de eólico com solar, com custos que conseguem competir no mercado.(04/06/2019/Fonte : Diário de Notícias)

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Da minha língua vê-se o mar.»
Vergílio Ferreira